localização atual: Novela Mágica Moderno De Lixo a Rainha da Gastronomia Capítulo 16

《De Lixo a Rainha da Gastronomia》Capítulo 16

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Lúcia, com o tempo, subiu de posição, de ajudante de cozinha a gerente.

Gerente da loja da "Nuan Shi Ji" na capital provincial.

Ela lidera uma equipe de doze pessoas, acorda às seis da manhã para preparar os suprimentos e só fecha as portas às onze da noite.

Seu filho está no ensino fundamental, com notas medianas, mas muito feliz.

Certa vez, enquanto eu inspecionava as lojas na capital, vi Lúcia ensinando um novo aprendiz a lavar vegetais.

Ela estava agachada ao lado da pia, lavando cada folha cuidadosamente, uma a uma.

O método era exatamente o mesmo que Aze lhe ensinara anos atrás.

Ao levantar a cabeça e me ver, ela sorriu levemente.

"Nuan-jie, a qualidade dos vegetais hoje está excelente, venha provar."

Ela nunca me chamou de "irmã".

Desde que se tornou minha funcionária, mudou o tratamento para "Nuan-jie" (Irmã Nuan).

Não foi porque nos reconciliamos.

Foi porque ela entendeu uma coisa: o respeito não é concedido por laços de sangue, é conquistado por conta própria.

Sobre a situação atual de Beatriz, ouço notícias ocasionalmente através de Lúcia.

Ela vive sozinha em um quarto na periferia, caminha pelo parque próximo todos os dias e tem uma alimentação simples.

Ela nunca mais entrou em contato comigo.

A única exceção foi no Festival da Primavera do ano passado.

Lúcia me entregou um saco plástico.

"Minha mãe pediu para eu te dar."

Abri o saco.

Era um suéter feito à mão.

Vermelho-escuro, pontos grosseiros, com dois pontos nas mangas onde o tricô foi desfeito e refeito.

Na etiqueta, uma frase escrita à caneta, com letra trêmula:

"Nuan, vista-se bem para ficar aquecida."

Dobrei o suéter e o guardei no fundo da gaveta.

Não usei.

Mas não joguei fora.

Algumas coisas não precisam de perdão, nem precisam ser descartadas.

Basta deixá-las lá.

Assim como a medalha do meu pai sobre o meu coração.

Assim como a memória daquele bolinho de massa gravada nos meus ossos.

Elas são partes de mim.

A parte que dói, a parte que aquece, todas elas.

Na véspera do Ano Novo Lunar deste ano, eu estava em casa, em Pequim, preparando bolinhos (jiaozi).

Gustavo estava ao lado abrindo as massas, deixando-as com formas estranhas, nenhuma era redonda.

Dona Helena, sentada na poltrona da sala, envolta em um cobertor, assistia ao programa de gala do Ano Novo, gritando de vez em quando: "Coloque mais sal no recheio!".

Fiz uma bandeja de bolinhos, de três sabores.

Quando a tampa do vaporizador foi levantada, o vapor subiu instantaneamente.

Peguei um bolinho e dei uma mordida.

Massa fina, recheio farto, o sabor estava perfeito.

Mais de trinta anos atrás, uma menina de sete anos foi espancada por seis anos por ter roubado um bolinho.

Mais de trinta anos depois, ela está em sua própria cozinha, cercada por quem a ama, com os bolinhos que ela mesma fez à sua frente.

Ela pode comer o quanto quiser.

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Nunca mais ninguém a espancará.

Capítulo 30

Aquela lanchonete de café da manhã ao lado do conjunto habitacional militar acabou recebendo um nome.

Chamava-se "Loja de Café da Manhã Yuanzheng".

Abríamos às seis da manhã, vendendo leite de soja, pães fritos, bolinhos (baozi) e wontons.

Para os idosos de famílias militares e veteranos, era gratuito.

Para os outros, o preço era normal, porém 30% mais barato do que o custo médio da região.

Não dava lucro, mas nunca deu prejuízo.

Porque sempre havia alguém pagando secretamente um valor a mais.

Alguns eram estranhos que ouviram minha história, outros eram velhos companheiros de exército apresentados por Liu Tiezhu, e outros eram transeuntes que deixavam o dinheiro e iam embora sem dizer uma palavra.

Na parede da loja, duas fotos estavam penduradas.

Uma era a velha foto do meu pai me segurando no colo.

A outra era a foto tirada no dia da inauguração da primeira loja da "Nuan Shi Ji".

Eu estava de pé diante do fogão, com o avental manchado de óleo, mas sorrindo muito feliz.

O mesmo sorriso de quando meu pai me segurava no colo.

O recheio dos bolinhos da loja era preparado por mim mesma: carne fresca com cubos de broto de bambu, explodindo em caldo a cada mordida.

O cliente que chegava mais cedo todos os dias era o velho Wang Dehou, o vizinho do lado.

Ele se mudou de Henan para esta cidade e vivia no conjunto habitacional.

Emprestei-lhe a casa vazia que era do meu pai para morar.

Ele aparecia pontualmente às seis na loja, sentava-se à mesa perto da janela e pedia dois bolinhos e uma tigela de leite de soja.

Após comer, ele ficava um pouco, olhando para fora da janela, às vezes murmurando algumas palavras para si mesmo.

Um dia, ouvi-o dizer para a janela: "Yuanzheng, os bolinhos que sua filha faz são muito bons. São muito melhores do que os do refeitório do exército".

Eu estava atrás do balcão, ouvindo isso, e trouxe uma bandeja de bolinhos recém-saídos do vapor.

O vapor subia da vaporeira, dispersando-se na luz da manhã.

Na porta da loja, uma menininha passava de mãos dadas com a mãe, ficando nas pontas dos pés para olhar lá dentro.

"Mamãe, que cheiro bom, quero comer um bolinho."

Peguei um bolinho da vaporeira, coloquei num saco de papel, saí e entreguei a ela.

"Tome, pode comer."

A menina pegou o bolinho e deu uma grande mordida; o caldo do recheio escorreu pelo canto de sua boca.

Ela sorriu, semicerrando os olhos.

"Obrigada, tia!"

Olhei para a silhueta dela se afastando enquanto eu permanecia à porta da lanchonete.

A luz do sol cobria todo o chão.

Atrás de mim, o vapor branco da vaporeira; à minha frente, os pedestres e a luz matinal.

Abaixei a cabeça para olhar minhas próprias mãos.

A cicatriz de três centímetros na parte interna do meu antebraço esquerdo ainda estava lá.

Ela não desapareceria.

Mas, ao lado dela, havia os calos calejados de anos segurando a espátula.

A cicatriz foi dada pelos outros.

Os calos foram conquistados por mim mesma.

Virei-me, voltei para a loja, amarrei o avental e posicionei-me diante do fogão.

O óleo na panela aqueceu.

Um novo dia havia começado.

——————— Fim do Texto —————————————

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