Os punhos de Ricardo estalaram; seu coração mergulhou em um abismo.
"Saia para lá! Quem é sua esposa!"
Sabrina sentiu um nojo profundo. Com um tom feroz, ela empurrou o filho idiota de Beto com força, fazendo-o cair sentado no chão e chorar alto, enquanto urinava nas calças.
Sabrina tapou o nariz com desprezo, afastando-se ainda mais: "Um idiota que não consegue nem controlar a própria bexiga... se não conseguir capturar a Clara, esqueça a ideia de ter uma esposa nesta vida!"
Beto não gostou nada daquilo e bateu com força seu cachimbo.
"Por que está gritando? Se assustar meu filho, eu mato você! Quer que eu pare de te procurar? Então me dê quinhentos... não, mil reais!"
"Mil reais!"
Sabrina arregalou os olhos, chocada: "Você enlouqueceu? Clara fugiu, por que eu deveria te dar dinheiro?"
"Não vai dar? Então vou até a mansão fazer um escândalo, mostrar a todos quem você é de verdade! Foi você quem planejou tudo contra a Clara! Foi você quem me mandou matar a Helena!"
Num instante, a cabeça de Ricardo zuniu, e seu peito pareceu levar um soco brutal.
Clara dizia a verdade, e ele não acreditara.
Com o rosto sombrio e reprimindo a tempestade de emoções dentro de si, ele caminhou para fora das sombras.
A aparição de Ricardo assustou Sabrina, que antes gesticulava ferozmente.
Ela arregalou os olhos, a voz falhando: "Ri... Ricardo, desde quando você está aí? O que você ouviu..."
"Tudo o que deveria e o que não deveria ter ouvido." A voz de Ricardo era gélida, como uma sentença de morte para Sabrina.
Agora, o mais importante era encontrar Clara. Quanto aos dois, a polícia cuidaria deles!
Ricardo correu em direção ao quarto 302.
Mas o local estava limpo e vazio. Ao ver os lençóis trocados, o pânico tomou conta dele. Ele deteve uma enfermeira que passava: "Companheira, para onde foi Helena, a paciente deste quarto?"
A enfermeira olhou-o com compaixão: "Nem me fale. O marido de Helena não se importou se ela vivia ou morria, fez um escândalo no hospital, exigiu que parassem o tratamento e queriam o reembolso. A filha dela, sem saída, deu alta há dois dias e fugiu para salvar a vida. Provavelmente nunca mais voltará."
Capítulo 8
As palavras ecoavam em seus ouvidos, e o pânico se espalhava em seu âmago.
No caminho para a pousada, Ricardo apertava o volante com força. Ele não conseguia imaginar para onde uma jovem, que mal chegara à capital, poderia levar sua mãe gravemente doente.
Momentos com Clara vieram à sua mente. Só agora ele percebia seus próprios sentimentos; todo aquele desprezo e preconceito nasciam de sua própria contradição.
Ele gostava de Clara, mas dizia a si mesmo que não podia gostar de uma mulher que ele achava interesseira e manipuladora.
Mas, agora que esses rótulos foram removidos, Ricardo sentia um arrependimento genuíno.
Antes mesmo que o carro parasse completamente, Ricardo saltou e correu para a pousada.
Mas a recepcionista disse: "Aquela que veio do interior? Já saiu faz tempo, quase uma semana, não é?"
Ricardo caminhou pesadamente para fora da pousada. Pela primeira vez, sentiu a dor e o medo de perder alguém de vista. Seus olhos ficaram vermelhos, e sua voz continha um tremor imperceptível.
"Clara, onde diabos você está?"
Nanchang.
Hospital Geral da Zona Leste.
Eu aguardava ansiosamente no escritório do médico, enquanto Fu Changming, atrás de mim, batia levemente em meu ombro para me consolar: "Clara, não se preocupe, sua mãe ficará bem."
"Obrigada, tio Fu."
Meus olhos estavam marejados. Olhei para ele com gratidão e, nervosa, juntei as mãos, fazendo uma reverência sincera.
Entre as relíquias que meu pai deixou, ele mencionou dois companheiros de armas: um era o pai de Ricardo, o outro era este homem à minha frente, o Comandante Fu.
Ao chegar aqui com minha mãe e entrar no hospital, encontrei o Comandante Fu por acaso e me apresentei.
Para minha surpresa, ele tomou conta de tudo o que dizia respeito à minha mãe.
Fu Changming deu um suspiro e rapidamente me levantou.
"Você é filha do meu irmão de armas, logo é como se fosse minha própria filha. Se você não tivesse me procurado, eu nem saberia... que a vida de vocês tem sido tão difícil."
Sua voz falhou, e seu rosto marcado pelo tempo estava cheio de culpa. Ele baixou a cabeça para limpar as lágrimas.
"Criança, pode ficar na minha casa. Se alguém ousar te intimidar, este tio dará a própria vida para garantir que você tenha justiça!"
Suas mãos grossas seguraram meus ombros com firmeza. Senti um nó na garganta e as lágrimas rolaram.
O cansaço e a preocupação acumulados finalmente cederam naquele momento. Durante toda a viagem, tive medo de que minha mãe não recebesse tratamento, medo de que eu não pudesse escapar do destino da vida passada.
Limpei os olhos e disse com firmeza: "Tio Fu, não se preocupe, eu vou arrumar um jeito de trabalhar e pagar as despesas médicas da minha mãe!"
Quanto ao dinheiro que Ricardo nos deu, assim que eu ganhar o meu, também darei um jeito de devolver anonimamente.
Fu Changming tremia, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
"Você, menina... é igualzinha ao seu pai. Se você quiser manter as contas assim tão separadas, quando eu morrer, não terei coragem de olhar na cara dele. Dinheiro a gente paga, mas como vou pagar a vida que devo ao seu pai?"
"Se não fosse pelo seu pai ter me empurrado naquele dia, quem estaria deitado no cemitério dos mártires seria eu! Esta dívida eu nunca conseguirei pagar nesta vida..."
Enquanto falávamos, o especialista em neurocirurgia, Xie Simiao, entrou. Ele olhou para Fu Changming enxugando as lágrimas e depois para mim.
Ele disse: "Comandante Fu, a causa do coma da paciente é um hematoma intracraniano que comprime o tecido cerebral. Após nossa análise, recomendamos uma cirurgia de craniotomia."
"Trate! Contrate os melhores especialistas, use os melhores equipamentos. É obrigatório que ela se recupere!"
Fu Changming secou o rosto e recuperou sua postura imponente. Sua voz era alta e rítmica, projetando a autoridade de um comando que não permitia contestações.
Olhando para ele, não pude evitar pensar: se meu pai estivesse vivo, ele seria como o tio Fu, servindo de porto seguro para mim e para minha mãe?
Ao final, enxuguei as lágrimas e forcei um sorriso, fazendo uma reverência a Xie Simiao para agradecer.
O que fez com que Fu Changming sentisse ainda mais pena de mim.
O médico saiu, e apenas nós dois permanecemos na sala. Foi então que voltei a suplicar: "Tio Fu, eu... eu não quero ser encontrada."
Capítulo 9
Minha voz soava tão baixa quanto o zumbido de um mosquito.
Fu Changming deu um tapinha em meu ombro e garantiu: "Fique tranquila. Enquanto você não quiser ser encontrada, ninguém saberá que está comigo. O que quer que você precise ou queira fazer, basta me dizer, este tio dará um jeito de realizar!"
"Obrigada, tio Fu." Meus olhos se encheram de lágrimas, transbordando gratidão.
Fu Changming assentiu. Sabendo que eu precisava de tempo para me adaptar, não disse mais nada, apenas abriu a porta do escritório para mim.
"Vamos, vamos ver sua mãe."
Capital.
Ricardo apertava o volante com tanta força que seus nós dos dedos estavam brancos. Sua testa estava franzida, e em seu peito ardia uma chama que o pressionava a encontrar Clara e sua mãe o quanto antes.
O tempo passava minuto a minuto, e sua ansiedade aumentava.
"Sem conhecer ninguém por aqui, para onde Clara poderia ter ido?"
Ele praticamente percorreu toda a cidade de carro. Não deixou o memorial dos mártires de fora e vasculhou pousada por pousada, perguntando em cada uma. Sem exceção, ninguém tinha visto as pessoas que ele descrevia.
Consultou os médicos do hospital, mas os endereços que lhe deram não levaram a lugar algum.
"Swoosh—"
Ricardo virou o volante bruscamente e seguiu direto para a estação de trem.
Clara não tinha conhecidos em outras regiões. Se ela saiu da capital, certamente foi para outro lugar. Mas será que ela realmente levaria sua mãe, gravemente doente, de volta para sua terra natal?
Ele bateu a porta do carro e correu para a bilheteria. Mostrou sua identificação, mas não conseguiu encontrar nenhuma informação de compra de passagens em nome de Clara. Era como se ela tivesse evaporado da face da terra.
O coração de Ricardo despencou.
"Companheiro? Companheiro? Você encontrou a pessoa que buscava?"
Vendo Ricardo atordoado, a bilheteira acenou com a mão diante de seu rosto, com uma expressão de preocupação.
Ele despertou como de um sonho, um sorriso amargo surgindo em seu rosto.
Sussurrou para si mesmo: "Não consigo mais encontrá-la. Eu a perdi."
Sua silhueta parecia solitária. Ele deixou a estação de trem com passos vacilantes, cada movimento carregado de um peso insuportável.
Ao sentar-se novamente no carro, encostou a testa no volante, com uma expressão exausta e cheia de remorso. Mil palavras se resumiram a uma única frase: "Clara, desculpe-me."
Do outro lado, em Nanchang.
Hospital Geral da Zona Leste, enfermaria de alta complexidade.