O último ponto adicionou o fato da infidelidade conjugal de Beatriz como prova de sua falta de conduta.
No dia do registro da ação, a filha de Beatriz, Lúcia, apareceu.
Desta vez, ela não veio ao meu estabelecimento para causar confusão.
Ela me esperou embaixo do meu prédio.
Quando cheguei em casa, vi-a sentada perto de um canteiro de flores, segurando um menino de três ou quatro anos no colo.
Era seu filho. Desde o divórcio, ela o criava sozinha.
"Clara." Ela se levantou; a criança, despertada pelo movimento, esfregava os olhos, choramingando.
"Fale logo o que você quer."
"Você pretende levar minha mãe à falência com esse processo?"
"Eu só estou buscando o que é meu por direito."
"Trezentos e quarenta e oito mil... Onde minha mãe vai arranjar esse dinheiro agora? Ela não tem nem como pagar as despesas médicas."
"Isso é problema dela."
Lúcia, segurando a criança, tremia o braço.
"Clara, eu te imploro. Se você processar minha mãe, o tribunal vai executar a dívida, e ela não tem nada. Ela ainda está na UTI."
"O fato de ela estar na UTI não impede o andamento do julgamento."
"Você realmente não vai deixar nenhuma margem para negociação?"
"Ela deixou alguma margem para mim?"
Lúcia mordeu o lábio, sem conseguir dizer nada por um bom tempo.
A criança em seu colo começou a chorar, puxando a gola da blusa dela com seus punhos pequenos.
Ela abaixou a cabeça para acalmá-lo, mas a criança não se aquietava.
Olhei para aquela criança.
Três ou quatro anos. A mesma idade que eu tinha quando meu pai me segurava em seu colo.
"Lúcia."
"Oi?"
"Você já bateu nele alguma vez?"
Ela levantou a cabeça bruscamente: "Como eu poderia bater nele!"
"Por que seria impossível? Quando sua mãe me batia, ela nunca bateu em você. Você acha isso natural, não é?"
O rosto dela ficou vermelho instantaneamente.
"Você... o que quer dizer com isso?"
"Nada demais. Pode ir embora. Cuide bem do seu filho. Não deixe que ele passe pelo que eu passei."
Subi as escadas sem olhar para trás.
No dia da audiência, Beatriz não compareceu.
Seu estado de saúde não permitia que ela deixasse o hospital. O tribunal organizou uma videoconferência remota.
Na tela, Beatriz usava uma máscara de oxigênio, sentada na cama do hospital, enquanto uma enfermeira segurava o tablet para ela.
Ela estava tão magra que parecia apenas um monte de ossos.
O juiz perguntou: "Ré Beatriz, qual é a sua posição em relação ao pedido da autora?"
A voz de Beatriz saiu de trás da máscara, indistinta.
"Eu admito."
Todos no tribunal ficaram atônitos.
Seu advogado também ficou surpreso e se aproximou da tela: "O que a ré quis dizer é..."
"Eu disse que admito." A voz de Beatriz ficou um pouco mais alta.
"O dinheiro que deve ser devolvido, eu admito. Mas eu realmente não tenho dinheiro agora."
O juiz olhou para Sofia: "Como a parte autora se posiciona?"
Sofia levantou-se: "Solicitamos que o tribunal proceda com a execução da sentença assim que ela transitar em julgado. Caso existam bens em nome da ré passíveis de execução, que sejam confiscados legalmente. Se houver incapacidade temporária de cumprimento, que seja feito de forma parcelada, sem extinguir a dívida."
O juiz bateu o martelo.
Sentença proferida.
Beatriz deverá devolver a Clara trezentos e quarenta e oito mil yuans. A parte que não puder ser paga imediatamente será parcelada anualmente até a quitação total.
Ao sair do tribunal, Sofia me disse: "Ela realmente não tem nada de valor em seu nome agora. A execução dessa sentença pode levar muito tempo."
"Não tem problema", eu disse. "O que eu queria não era dinheiro."
"Então o que você queria?"
"Um reconhecimento. Algo documentado. Para que o mundo inteiro saiba que o que ela me deve não foi apenas um bolinho."
Sofia olhou para mim e acenou positivamente.
Naquela noite, fui até o conjunto habitacional do exército, no setor leste.
A porta do apartamento 501 já tinha a fechadura trocada; eu mesma havia mandado trocar.
Empurrei a porta e fiquei parada na sala vazia.
O retrato de casamento na parede já havia sido removido por mim.
Tirei da bolsa aquela foto antiga — a que meu pai me segurava — coloquei-a em um porta-retratos novo e pendurei-a bem no centro da sala.
O soldado na foto sorria com alegria.
A menina em seu colo mostrava seus dentes da frente ainda incompletos.
"Pai, a casa voltou. O dinheiro também."
"O que você me deixou, eu não perdi nada."
Pela janela, o pôr do sol tingiu todo o quarto com uma cor quente.
Capítulo 22
O imóvel foi recuperado. A sentença sobre a pensão foi proferida.
Mas as coisas ainda não tinham acabado.
Ricardo ainda tinha um rombo de trezentos mil — aquele empréstimo que ele pegou usando a casa do meu pai como hipoteca. O banco não conseguia recuperar o dinheiro, e a responsabilidade era toda dele.
Mais problemático ainda era o suborno de cento e cinquenta mil yuans que o incorporador Zhou Dafu havia transferido para o meu segundo tio; agora, isso também se tornara uma batata quente.
Meu segundo tio, Zhao Jianguo, enviou aquela mensagem na noite em que fui ao cartório consultar os registros de casamento, o que foi seu último ato de tentativa de aproximação.
Mas eu não o perdoei.
Ele participou do confisco da herança do meu pai, independentemente da motivação que o levou a enviar aquela mensagem depois.
Sofia me ajudou a organizar o cenário jurídico atual.
"O caso do imóvel foi concluído, a propriedade foi restaurada. A sentença da pensão está em vigor, com execução parcelada. Além disso, Ricardo está sob suspeita de cometer estelionato contratual ao usar um imóvel obtido ilegalmente para hipoteca. Se o banco apresentar uma queixa..."
"O banco registrou queixa?"
"Investiguei para você, o banco ainda está avaliando internamente. O valor de trezentos mil não é alto; seguir um processo criminal tem um custo elevado para eles."
"E quanto a Zhou Dafu?"
"Sobre o caso entre Zhou Dafu e seu segundo tio, se for possível provar que se trata de suborno comercial com o objetivo de compensação por demolição, pode-se denunciar às autoridades competentes. Mas, honestamente, é difícil obter provas."
"Não precisa", eu disse.
"Hum?"
"Não quero mais gastar energia com essas pessoas. O que deveria ser recuperado já foi, os processos necessários foram concluídos. O que resta, que eles enfrentem sozinhos."
Sofia olhou para mim: "Você é mais madura do que eu esperava."
"Não é maturidade. É que não vale a pena."
Naquela tarde, Gustavo me convidou para ir à sua empresa.
Seu escritório ficava no vigésimo terceiro andar, com janelas panorâmicas voltadas para metade da cidade.
"Há algo que eu não te disse até agora." Ele sentou-se atrás de sua mesa com uma seriedade rara.
"O quê?"
"A rodada de investimentos Série B da 'Nuan Shi Ji' foi concluída. O valor de mercado é de oitenta milhões, com quinze milhões de yuans já depositados."
Fiquei atônita.
"Você não disse que ainda estavam negociando?"
"Terminamos na semana passada. Estava esperando seus assuntos pessoais se resolverem para te contar."
"Quem investiu?"
"Dois fundos, um especializado em bens de consumo e o outro, um investidor estratégico do setor de gastronomia. Eles analisaram seus dados de marca, o modelo das lojas e as notícias recentes — sim, incluindo aquele especial de Fang Ran. Após a exibição, as buscas pela sua marca aumentaram quatrocentos por cento."
"Por causa da minha história?"
"Não totalmente. Sua comida sempre foi excelente." Ele empurrou uma pilha de documentos sobre a mesa. "Mas é inegável que os eventos recentes fizeram com que mais pessoas conhecessem você e a 'Nuan Shi Ji'. A filha de um mártir que, do nada, construiu isso tudo com as próprias mãos. Essa narrativa, por si só, é valor de marca."
Sentei-me à sua frente, olhando para aquela proposta de investimento.
Avaliação de oitenta milhões.
Quinze milhões na conta.
Há um ano, eu ainda me preocupava com o orçamento da reforma da quinta loja.
"Gustavo."
"Hum?"
"Quando você investiu em mim, você imaginou que chegaríamos até aqui?"
"Sendo sincero?" Ele recostou-se na cadeira. "Não. Na época, achei apenas que você cozinhava bem e que era uma pessoa confiável."
"Tão simples assim?"
"Em investimentos, o que mais tememos são pessoas complexas. Você foi a empreendedora menos complicada que já conheci."
Folheei a proposta de investimento.
"Com o dinheiro na conta, vou fazer três coisas."
"Diga."
"Primeiro, abrir a sexta loja, na capital provincial. Segundo, construir uma cozinha central para padronizar a cadeia de suprimentos. Terceiro..."
"Terceiro?"
"Alugar um pequeno espaço ao lado do conjunto habitacional do exército, no setor leste."
"Para quê?"
"Abrir um café da manhã. Oferecer café da manhã gratuito para familiares de militares e veteranos."
Gustavo olhou para mim sem dizer nada.
Cinco segundos depois, ele pegou a caneta e assinou a proposta.
"Nesse projeto, eu farei um aporte adicional."
Capítulo 23
O dia da inauguração da sexta unidade da "Nuan Shi Ji" na capital provincial foi um sábado.