localização atual: Novela Mágica Moderno De Lixo a Rainha da Gastronomia Capítulo 11

《De Lixo a Rainha da Gastronomia》Capítulo 11

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"Vou pensar."

Ao voltar para a loja, contei tudo para a Dona Helena.

Dona Helena estava na cozinha tirando a espuma do caldo de galinha, com movimentos lentos e constantes.

"Você acredita nela?"

"Não."

"E você vai?"

"Não sei."

"Clarinha." Dona Helena largou a colher e olhou-me seriamente.

"Do que você tem medo?"

Pensei um pouco.

"Tenho medo de que ela diga algo que me faça amolecer o coração."

"Amolecer o coração não é algo ruim."

"Mas..."

"Escute-me. Você não deve nada a ela. Mas pode escolher ouvi-la. Depois de ouvir, você decide como agir. Cozinhar exige 'ponto de fervura' — o ponto entre você e ela chegou ao momento de abrir a panela."

Naquela noite, fui ao hospital.

Beatriz estava sozinha no quarto.

A filha dela não estava lá. Ricardo muito menos.

Ela estava ainda mais magra do que na última vez.

Pele e osso, órbitas profundas, lábios ressecados. O tubo de soro inserido nas costas da mão, que estava coberta de marcas de agulhas.

Puxei uma cadeira e sentei-me a um metro de distância da cama.

"Diga."

Ela me olhou, moveu os lábios por um tempo até que o som saísse.

"Clarinha, há coisas que a mamãe te escondeu por muitos anos."

"Fale."

"Seu pai... antes de partir, ele voltou para casa uma vez."

Minha respiração parou por um instante.

"Quando?"

"Agosto de 2004. Antes de receber a missão, ele pediu três dias de licença. Você estava no jardim de infância, ele foi te buscar e te levou para tomar sorvete."

Eu não me lembro.

Minhas memórias dos quatro anos de idade são quase nulas.

"Naqueles três dias em que ele voltou, ele brigou comigo."

"Por que brigaram?"

Beatriz fechou os olhos.

"Ele descobriu que eu estava me relacionando com outra pessoa."

Meu sangue esfriou instantaneamente.

"O que isso significa?"

"É que... naquela época, seu pai ficava fora o ano todo, eu cuidava de você sozinha, a vida era dura. Tinha alguém que me tratava bem, que sempre ajudava. Com o tempo..."

"Você traiu meu pai."

Ela não negou.

"Você já estava com outra pessoa enquanto ele ainda era vivo."

Lágrimas escorreram.

"Quando ele descobriu, tivemos uma discussão feia. Ele disse que pediria baixa e voltaria. Disse que levaria você embora e não permitiria que você ficasse comigo."

"E depois?"

"Depois... antes que ele pudesse pedir, a missão veio. Combate a enchentes. Ele foi para a linha de frente."

"E então, não houve mais 'depois'."

Sentei-me na cadeira, com o corpo rígido como ferro.

"Quem era essa pessoa?"

Beatriz me olhou, as lágrimas caindo pelo seu rosto amarelado.

"Ricardo."

O ar pareceu congelar.

Silêncio mortal no quarto.

Enquanto meu pai ainda vivia, minha mãe já estava com o homem que viria a ser meu padrasto.

Meu pai descobriu e quis me levar embora.

Mas ele não chegou a esse dia.

Ele foi para o dique e não voltou.

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E, um ano e meio após a morte dele, Beatriz casou-se abertamente com aquele homem.

"Então..." minha voz saiu fraca.

"Você me batia, não era por causa de bolinhos, não era porque eu desobedecia, nem porque eu me parecia com meu pai."

"Você me batia porque se sentia culpada."

"Toda vez que olhava para mim, lembrava-se do que fez contra meu pai. Você me odiava porque eu era a prova da sua traição."

Beatriz tremia enquanto chorava.

"Clarinha... a mamãe te deve desculpas..."

Levantei-me.

As pernas da cadeira arranharam o chão com um som estridente.

"Você não me deve desculpas."

"Você deve desculpas é a Ricardo."

Capítulo 20

Ao sair do portão do hospital, a noite já estava fechada.

As luzes da rua brilhavam, projetando minha sombra no chão, longa e magra.

Fiquei na beira da estrada, sem sair do lugar.

Minha mente estava tomada pelas palavras de Beatriz.

Ricardo.

Desde o início, sempre foi Ricardo.

Quando meu pai ainda servia, ela já estava envolvida com aquele homem.

Meu pai descobriu. Ele quis me tirar dali.

Mas não teve tempo.

O destino não lhe concedeu tempo.

Ele subiu naquele dique, salvou a vida de três pessoas e pagou com a própria.

E sua esposa, após sua morte, casou-se com aquele homem, usou a pensão do marido para sustentar a filha do amante, deu-lhe a casa de presente e jogou o uniforme militar do falecido em um saco de lixo no sótão.

E transformou sua própria filha em um saco de pancadas por seis anos.

Porque a menina se parecia com ele.

Porque olhar para aquela filha era ser lembrada dos atos vis que cometeu.

Isso não era apenas "mau temperamento".

Isso era um extermínio.

Um extermínio espiritual.

Ela queria me apagar daquela casa, exatamente como apagou cada rastro de que meu pai um dia existiu.

Peguei meu celular e liguei para Liu Tiezhu.

"Tio Liu."

"Clarinha? O que houve? É tão tarde."

"Quero te perguntar uma coisa. Em agosto de 2004, meu pai pediu licença e voltou para casa, você sabia?"

Houve um silêncio do outro lado.

"Sabia. Ele pediu três dias de licença ao capitão. Quando voltou, estava muito abatido. Perguntei o que houve, ele disse que tinha problemas em casa."

"Ele mencionou querer dar baixa no exército?"

"Mencionou. Ele entrou com o pedido logo que voltou. Mas antes que fosse aprovado, veio a missão."

"Ele chegou a falar sobre Beatriz e Ricardo?"

Liu Tiezhu ficou em silêncio por um longo tempo.

"Clarinha..."

"Você sabia, não sabia?"

"Eu... Ricardo tinha bebido um pouco na época e me contou. Ele disse que a esposa tinha alguém fora. Ele ia levar a criança embora."

"Por que não me contou antes?"

"Eu não sabia se devia. Eram assuntos particulares dele, ele me pediu para não contar a ninguém. Disse que resolveria o problema."

"Ele não teve tempo de resolver."

"..."

Desliguei o telefone.

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Parada na estrada, o vento frio penetrava na gola do casaco.

Nesse momento, o carro de Gustavo parou ao meu lado.

Ele abaixou o vidro.

"Entre."

Entrei sem dizer uma palavra.

Ele também não perguntou nada.

O carro seguia silencioso pela estrada.

Cinco minutos depois, ele falou.

"Lúcia me disse que você foi ao hospital."

"Sim."

"O que ela te disse?"

"A verdade."

"Que verdade?"

"Quando meu pai ainda era vivo, ela já estava com aquele homem. Meu pai descobriu e quis me levar, mas não teve tempo."

O carro reduziu bruscamente a velocidade.

Gustavo virou-se para me olhar por um segundo e depois voltou a atenção para a estrada.

Sua mandíbula estava tensa.

"Como pretende resolver isso?"

"Quero que todos saibam."

"Clarinha..."

"Não é por vingança", eu disse. "É pelo meu pai. Até morrer, ele nunca soube como a esposa trataria sua filha. Mas a última coisa que ele fez na vida foi tentar me salvar."

"Por isso, eu também o protegerei. Protegerei sua reputação, o que ele deixou para mim e a verdade."

"Certo." A voz de Gustavo era grave.

"O que precisa que eu faça?"

"Me ajude a agendar com a jornalista Fang Ran."

"Quando?"

"Amanhã."

No dia seguinte, Fang Ran veio.

Contei a ela, palavra por palavra, o que Beatriz me confessou.

Fang mantinha seu caderno na mão e não me interrompeu em nenhum momento.

Quando terminei, ela fechou o caderno.

"Não publicarei isso."

"Por quê?"

"Porque isso envolve a vida pessoal do seu pai, e expor isso não trará nenhum benefício à imagem dele."

Fiquei paralisada.

Fang me olhou: "Seu pai é um herói. Ele morreu para salvar vidas. É isso que o público deve lembrar. Quanto às ações da sua mãe, a lei cuidará delas. Você não precisa trocar a privacidade do seu pai por justiça."

Sentei-me em silêncio por um bom tempo.

"Você tem razão."

"Porém..." Fang continuou.

"Sim?"

"Você pode usar isso em tribunal. No caso de busca pela pensão, o caráter de Beatriz afetará o julgamento do juiz sobre se ela foi uma 'tutora diligente'. A infidelidade comprovada pode servir como prova de que ela não era apta para a tutela."

"Não precisa ser reportagem, mas pode ser incluído na petição."

Assenti.

"Obrigada, Fang Ran."

Ela deu um leve sorriso.

"De nada. Você é a pessoa mais lúcida que já entrevistei."

Eu não sou lúcida.

Eu apenas aprendi a não virar a lâmina da faca contra mim mesma.

Dona Helena me ensinou isso.

Para quem cozinha, a faca precisa ser firme.

Quando a faca é firme, o corte é perfeito.

Capítulo 21 

A ação judicial para a recuperação da pensão foi formalmente protocolada dez dias após o veredito do caso do imóvel.

A petição inicial de Sofia foi redigida de forma impecável.

Ré: Beatriz.

Pedido: Devolução da pensão de mártir desviada e do auxílio-educação dos filhos, totalizando trezentos e quarenta e oito mil yuans.

A petição detalhava minuciosamente os diversos atos de negligência de Beatriz durante o período em que foi minha tutora:

Não forneceu condições básicas de subsistência para a tutelada;

Não aplicou a pensão e o auxílio-educação nas necessidades reais da tutelada;

A tutelada foi submetida a maus-tratos físicos prolongados;

A tutora dispôs irregularmente do patrimônio sem o conhecimento da tutelada.

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