localização atual: Novela Mágica Moderno De Lixo a Rainha da Gastronomia Capítulo 9

《De Lixo a Rainha da Gastronomia》Capítulo 9

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Forçando-me a usar meu corpo como moeda de troca.

Empurrei a xícara de chá para o lado e peguei meu celular.

Abri um álbum de fotos que não acessava há muito tempo.

Só havia uma foto.

Era a cópia que a funcionária He me deu: meu pai me segurando no colo, ambos sorrindo.

A menina na foto não sabia o que o futuro lhe reservava.

Ela só sabia que o abraço do pai era quente e que ele tinha duas covinhas quando sorria.

Deixei o celular virado na mesa.

Nesse momento, a porta foi aberta.

Gustavo estava lá fora, segurando um saco de tangerinas.

"Lúcia disse que você estava sozinha na loja, pediu que eu desse uma olhada."

"Não precisa olhar."

Ele entrou, sentou-se à minha frente e colocou as tangerinas sobre a mesa.

"Chorou?"

"Não."

"Seus olhos estão vermelhos."

Virei o rosto.

Ele não disse nada, descascou uma tangerina, dividiu-a ao meio e me ofereceu uma parte.

Peguei e enfiei na boca.

Estava tão azeda que fiz uma careta.

"Diga", ele encostou-se na cadeira, olhando-me.

"Dizer o quê?"

"Faça o que quiser. Eu te apoio."

"Quero que Ricardo e Beatriz vomitem tudo o que me pertence. Cada centavo, cada metro quadrado."

"Certo."

"Quero que todos saibam como eles trataram a filha de um herói de guerra."

"Certo."

"Não quero doar meu fígado."

"Então não doe."

"Mas quero saber quanto dinheiro meu pai guardou para mim. Onde está aquela caderneta. Não pelo dinheiro, mas porque é a única coisa que ele deixou para mim."

"Então vamos procurar."

Olhei para ele.

"Você diz que tudo está certo?"

"Porque cada decisão que você toma é a correta", ele me deu a outra metade da tangerina. "Você não precisa da permissão de ninguém."

Baixei a cabeça, olhando para a fruta na minha mão.

Nesse momento, meu celular tocou de novo.

Uma mensagem. De um número desconhecido.

Abri.

"Clara, a caderneta está no bolso do uniforme militar que seu pai usava antes de morrer. Esse uniforme está no sótão da casa antiga. Sua mãe não sabe disso, eu descobri mais tarde. Vá buscar logo, antes que seja tarde demais. — Seu segundo tio."

Capítulo 16

Olhei para a mensagem, lendo-a três vezes.

Meu segundo tio.

O mesmo que tratou a casa do meu pai como um negócio.

O mesmo que embolsou os 10% de comissão de Zhou Dafu.

Ele estava me dizendo onde estava a caderneta.

Gustavo se inclinou para olhar a tela.

"Você acredita nele?"

"Não totalmente. Mas preciso verificar isso."

"Quando vai?"

"Agora."

A casa antiga ficava no conjunto habitacional do exército, prédio 3, unidade 2, apartamento 501.

Embora a propriedade já tivesse sido transferida para o nome de Ricardo, o tribunal aceitou minha ação, e o imóvel estava sob estado de preservação patrimonial, proibido de ser negociado ou alienado.

Ricardo provavelmente ainda morava lá.

À uma hora da manhã, parei abaixo do prédio e olhei para o quinto andar.

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As luzes estavam apagadas.

Gustavo ficou ao meu lado: "Vou subir com você."

"Não precisa, espere lá embaixo."

"E se aquele cara estiver lá dentro..."

"Ele não está. Depois que o tio Liu e os outros falaram com ele, ele voltou para a cidade natal. Lúcia confirmou para mim."

Subi as escadas.

A porta de segurança do quinto andar tinha sido trocada por uma daquelas antigas de ferro.

Tirei uma chave da bolsa.

Fiz uma cópia escondida no dia em que saí de casa, aos catorze anos. Eu sabia que um dia voltaria.

Não para casa.

Mas para buscar o que me pertencia.

Inseri a chave e girei duas vezes.

A porta abriu.

O ar dentro da casa cheirava a mofo misturado com cigarro.

Liguei a lanterna do celular e varri o ambiente rapidamente.

O layout da sala estava totalmente diferente de quando eu era pequena. Sofá novo, televisão nova, e na parede, o retrato de casamento de Ricardo e Beatriz.

Não perdi tempo olhando e fui direto para o sótão.

A casa tinha um pequeno sótão, um espaço de armazenamento extra com uma escada de madeira.

A escada ainda estava lá.

Subi e apontei a lanterna.

Uma pilha de caixas empoeiradas, roupas velhas, móveis quebrados.

No canto mais fundo, vi uma sacola de fios verde-militar.

O zíper estava enferrujado; tive que puxar com força para abrir.

Dentro, havia um uniforme militar desbotado de tanto lavar.

Peguei o uniforme, com as mãos tremendo.

O botão do bolso esquerdo do peito ainda estava lá.

Desabotoei e enfiei a mão.

Meus dedos tocaram algo duro.

Era uma caderneta de poupança vermelha.

A capa estava desbotada, mas as letras ainda eram legíveis: Correios da China.

Abri a caderneta.

Nome: Jiang Nuan (Clara).

Data de abertura: 12 de março de 2004.

Meu pai morreu em setembro de 2004.

Isso significava que, seis meses antes de morrer, ele já tinha aberto essa conta para mim.

Saldo: 46.000 yuans.

Quarenta e seis mil yuans.

Quarenta e seis mil yuans de vinte anos atrás.

O soldo do meu pai era de apenas algumas centenas de yuans; ele deve ter economizado por anos a fio.

No campo de observação da última linha da caderneta, com uma letra trêmula feita com uma caneta esferográfica, estava escrito:

"Para a faculdade da Nuan."

Agachei-me no sótão, com a luz da lanterna iluminando aquela frase.

Para a faculdade da Nuan.

Ele achava que sua filha iria para a universidade.

Ele achava que o dinheiro que guardou seria suficiente.

Ele não sabia que sua esposa trataria sua filha como um animal após sua morte.

Ele não sabia que sua filha deixaria a escola aos quatorze anos e quase morreria de fome perto de um lixão.

Apertei a caderneta contra o peito e fechei os olhos.

Papai, eu não fui para a faculdade.

Mas eu sobrevivi.

E sobrevivi muito bem.

Ao descer do sótão, lancei um último olhar para a foto do casamento na parede.

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Beatriz e Ricardo estavam juntos, sorrindo felizes.

A data da foto estava impressa no canto inferior direito: 18 de março de 2006.

Tiraram a foto no dia seguinte ao casamento.

Ou seja, um ano e meio após a morte do meu pai, depois de ter recebido a pensão, ela entrou sorrindo na casa de outro homem.

E o uniforme militar do meu pai foi jogado no sótão, misturado com lixo.

Dobrei o uniforme e coloquei-o na minha bolsa junto com a caderneta.

Ao sair, não tranquei a porta.

Deixe-a aberta.

Esta casa logo voltará para o meu nome.

Lá embaixo, Gustavo me esperava encostado no carro.

Ao ver o uniforme que eu abraçava, ele não perguntou nada.

Apenas abriu a porta do carro.

"Vamos embora."

Quando o carro saiu do conjunto habitacional, olhei para o prédio uma última vez.

A janela do quinto andar continuava escura.

Papai, eu vim buscar.

O que você me deu, eu não vou perder nada.

Capítulo 17

Na manhã seguinte, fiz duas coisas.

A primeira, levar a caderneta ao banco.

O funcionário do caixa pesquisou no sistema por um bom tempo e me informou que a conta havia sido bloqueada.

"Bloqueada? Por quem?"

"Em maio de 2006, o responsável pela conta solicitou o bloqueio. O motivo registrado foi 'proteção de conta de menor'."

"Quem era o responsável?"

"Beatriz."

Apertei a caderneta com força.

Ela bloqueou esta conta.

Ela sabia da existência dela.

Liu Tiezhu disse que Beatriz lhe contou que "não se lembrava" onde a caderneta estava. Mas ela bloqueou a conta em 2006.

Ela não esqueceu; ela escondeu de propósito.

Depois de bloqueado, o dinheiro tornou-se inacessível, prendendo as economias do meu pai.

Então, ela usou a "localização da caderneta" como moeda de troca para me forçar a ceder.

"Posso desbloqueá-la agora?"

"O titular da conta precisa comparecer pessoalmente com o documento de identidade. Se houve configuração de responsável na época do bloqueio, o titular pode solicitar o desbloqueio sozinho após completar dezoito anos."

"Então, desbloqueie."

Vinte minutos depois, a conta foi liberada.

Saldo: 46.000 yuans.

Somando os juros de vinte anos, o total era de pouco mais de 51.000 yuans.

Não é muito.

Mas cada centavo é fruto do suor do meu pai.

Transferi todo o valor para minha conta principal.

A segunda coisa.

Pedi à minha advogada, Sofia, que adicionasse um item ao processo de disputa imobiliária: Beatriz bloqueou ilegalmente a conta bancária pessoal de uma menor sob sua tutela.

Ao meio-dia, uma notícia explodiu no fórum local.

Não fui eu quem postou.

Foi um comunicado oficial do Departamento de Trabalho Político do Comando Militar Provincial.

O conteúdo era curto:

"Comunicado sobre questões relacionadas aos dependentes do mártir Ricardo [Jiang Yuanzheng]. Recentemente, recebemos uma petição sobre a questão do sustento da filha do camarada Ricardo, Clara. Após verificação, constatamos que o peticionário, Ricardo [o padrasto], não é parente direto do mártir e que as informações fornecidas não condizem com a realidade. Ao mesmo tempo, tomamos conhecimento de que os direitos legítimos da órfã de mártir, Clara, foram violados, incluindo o desvio de pensão e a transferência irregular de moradia de assentamento. Encaminhamos as evidências relevantes às autoridades judiciais locais para processamento."

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