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《De Lixo a Rainha da Gastronomia》Capítulo 5

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Capítulo 8

Na mesma noite em que voltei do hospital, algo aconteceu que levou a situação para uma direção que eu não esperava.

Alguém filmou a cena em que Ricardo e eu discutimos no corredor.

Exatamente no momento em que ele agarrou meu braço e eu me soltei.

O vídeo foi parar nas redes sociais locais.

O título era: "Órfã de herói ignora a própria mãe e vai embora sem piedade do hospital."

O vídeo de nove segundos cortou o início e o fim, deixando apenas Ricardo me chamando de "sem-vergonha" e eu indo embora.

Em uma noite, já havia mais de três mil comentários.

"A mãe morrendo e ela nem liga? Que sangue-frio."

"Não é à toa que dizem que ingratidão não tem idade."

"A pessoa não pode esquecer de onde veio."

Quando Lúcia me mostrou o celular, eu estava testando um prato novo: raiz de lótus com arroz glutinoso e flor de osmanthus.

"Clarinha, o vídeo está circulando em fóruns locais. Já descobriram sua loja."

Terminei de ver o vídeo e deixei o celular de lado.

"Quem filmou?"

"Não sei, a conta foi criada recentemente e não tem outros posts."

Refleti um pouco: "Lulu."

"Como você sabe?"

"O ângulo é do final do corredor. Lulu estava parada ali e não saiu."

Lúcia franziu a testa: "O que faremos? Vamos soltar uma nota de esclarecimento?"

"Não tenha pressa."

"Clarinha, já tem gente marcando nossa loja nos comentários. Um influenciador compartilhou o vídeo dizendo: 'quem diria que a dona dessa loja é esse tipo de pessoa'."

Retirei a raiz de lótus, cortei em fatias finas e montei o prato.

"Deixe que falem."

"Mas os negócios..."

"Deixe que falem."

No dia seguinte, o efeito foi real.

Três reservas do almoço foram canceladas. Dois clientes antigos ligaram à noite querendo saber a verdade.

Não dei explicações.

Gustavo, porém, não se conteve.

Veio à loja à tarde e jogou o celular na mesa.

"Você viu?"

"Vi."

"Por que não respondeu?"

"Por que eu responderia?"

"Porque sua reputação vai ser afetada. O 'Sabor e Afeto' está num momento crítico de expansão nacional, esse tipo de publicidade para a marca..."

"Gustavo", olhei para ele.

"Você é meu investidor, não meu gerente de relações públicas. Eu mesma resolverei isso."

Ele abriu a boca, mas engoliu as palavras.

"Tudo bem", ele se recostou no sofá. "Então como pretende resolver?"

"Não farei nada."

"Você está falando sério?"

"Estou."

Coloquei o prato que eu havia preparado na frente dele.

"Prove isto primeiro."

Ele pegou os hashis, provou uma fatia e sua expressão suavizou.

"Está delicioso."

"Ótimo. Fazer bem o meu trabalho é mais importante do que qualquer outra coisa."

Ele me observou por um tempo e, de repente, sorriu.

"Esse seu gênio é igualzinho ao da Dona Helena."

"Claro, sou pupila dela."

À noite, a situação escalou.

Alguém descobriu minha identidade: filha de Ricardo, órfã de herói, ex-criança deixada para trás, fundadora da marca de culinária privada.

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Mas a opinião pública não mudou.

Porque Lulu postou outro vídeo.

Desta vez, chorando em frente à câmera com a cama de hospital de Beatriz ao fundo.

"Minha mãe está com falência hepática, a única pessoa que pode salvá-la é minha irmã. Mas ela não quer. Eu imploro, e ela ignora. Minha mãe chama pelo nome dela na cama do hospital todos os dias, e ela nem se dá ao trabalho de visitar."

"Eu sei que as condições eram difíceis, e a mamãe cometeu erros. Mas ela é a mãe biológica dela, a pessoa que lhe deu a vida."

"Não peço nada além de um teste de compatibilidade. Se não for compatível, ninguém a forçará a nada. Mas ela se recusa até a tentar."

No final do vídeo, Lulu soluçava, e Beatriz aparecia de olhos fechados, com o soro balançando.

O vídeo atingiu meio milhão de visualizações em uma noite.

Os comentários eram unilaterais.

"Que dó, fazer um exame não custa nada."

"Não importa o passado, mãe é mãe."

"Essa irmã é cruel demais, não tem coragem nem de fazer um exame?"

Lúcia olhava o celular, pálida.

"Clarinha, tem gente dando uma estrela para nossa loja no aplicativo."

Eu estava sovando a massa, com as mãos cheias de farinha.

"Deixe que façam."

"E tem repórteres tentando contato com a recepção para entrevistas."

"Recuse."

"Clarinha..."

"Lúcia", parei e olhei para ela.

"Você confia em mim?"

Ela hesitou: "Confio."

"Então espere. O que precisa acontecer, acontecerá."

Capítulo 9

A virada aconteceu mais rápido do que eu previa.

No terceiro dia, alguém que eu não esperava postou uma atualização nas redes sociais.

Minha prima, Lin Yue.

Ela escreveu um texto longo e anexou três fotos.

"Sobre o caso da minha tia Beatriz e da minha prima Clara, vi o vídeo que circula na internet. Como alguém da família, há coisas que não posso deixar de dizer.

Minha prima Clara viveu na despensa desde os sete anos de idade, sem aquecedor no inverno e sem ventilador no verão. Quando eu visitava a casa da minha tia na infância, via com meus próprios olhos Clara servindo comida e lavando a louça na cozinha, enquanto Lulu assistia à televisão na sala.

Clara vivia com ferimentos, e minha tia dizia que ela mesma tinha se machucado ao cair. Todos nós acreditávamos.

Mas na noite em que Clara, aos onze anos, correu até a casa do meu tio pedindo refúgio, vi os machucados nas costas dela. Não eram de quedas; eram de surras.

As três fotos são daquela época, tiradas por mim, Lin Yue."

Nas imagens postadas, havia uma foto antiga e borrada: uma menina magrinha de costas para a câmera, levantando a blusa e revelando a pele coberta por cicatrizes cruzadas.

Esse post foi capturado e compartilhado em fóruns locais.

Foi como jogar uma pedra num lago.

O rumo dos comentários começou a mudar.

"Espere um pouco, esses machucados são de surras?"

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"Essa foto não parece ser falsa."

"Então aquela irmã era vítima de abuso quando criança?"

"E aquela irmã que chorou tanto no vídeo, estava vendo TV na sala enquanto isso acontecia?"

Debaixo do vídeo de Lulu, vozes diferentes começaram a surgir.

"O que sua irmã fazia enquanto você assistia à TV?"

"Onde você estava enquanto sua mãe batia nela?"

"Por causa de um bolinho de massa, ela apanhou por seis anos. Por que você não fala sobre isso?"

Lúcia correu para a cozinha com o celular, com os olhos brilhando.

"Clarinha! Sua prima postou nas redes sociais! O jogo virou!"

Lancei um olhar para a tela.

"Hum."

"Você já sabia que sua prima falaria por você?"

"Não sabia", respondi, sovando a massa. "Mas sabia que a mentira não resiste ao tempo."

Naquela mesma tarde, outra pessoa se apresentou.

Sra. Zhang. Aquela mulher de meia-idade que Tia Lúcia trouxera, colega de trabalho de Beatriz.

Ela criou uma conta no fórum local e publicou um post.

O título era: "Conheço Beatriz há vinte anos, quero dizer algumas coisas sobre a filha dela".

O post não era longo, mas carregado de informações.

"Trabalho na mesma fábrica que Beatriz há vinte anos. Ela é muito educada com os outros, mas guardo até hoje algumas coisas que ela disse em particular.

Ela dizia que 'essa imprestável nunca deveria ter nascido' e que 'se não fosse pela pensão, eu já a teria jogado fora'.

Quando fui à loja da filha dela outro dia, minha intenção era ajudar a reconciliar. Mas, ao ver a cicatriz no braço da menina, não consegui dizer nada.

Beatriz me disse que aquela cicatriz foi a própria filha quem fez.

Mas a filha dela disse que foi queimada com um atiçador.

Acredito na filha.

Porque Beatriz tem um hábito quando mente: ela ri. Um riso não natural. Quando ela me disse que a filha 'se queimou sozinha', ela riu daquela mesma maneira."

O post foi fixado no topo do fórum.

Em menos de um dia, teve mais de mil respostas.

"Ela não jogou a criança fora por causa da pensão? Isso é coisa que se diga?"

"Não é à toa que a irmã não quer voltar, eu faria o mesmo."

"Aquele vídeo que a irmã postou é puro sequestro emocional."

A seção de comentários do vídeo de Lulu se tornou um desastre total.

Ela apagou o vídeo.

Mas as capturas de tela e as gravações já tinham se espalhado.

Naquela noite, Lulu ligou.

Não para mim, mas para a recepção da minha loja.

"Passe a ligação para Clara! Ela pagou gente na internet para sujar meu nome!"

A recepcionista, assustada, tremia: "P-por favor, aguarde..."

Peguei o telefone.

"Lulu, pode falar."

"Foi você quem mandou postar essas coisas, não foi? Você fez sua prima postar, não foi?"

"O que Lin Yue posta é problema dela, não tenho nada com isso."

"Pare de mentir! E aquela tal de Zhang, por que ela está inventando mentiras na internet..."

"O que ela disse que é mentira?"

Lulu engasgou.

"Ela disse que sua mãe falou que 'não a jogou fora por causa da pensão'. Isso é mentira?"

Lulu ficou em silêncio por alguns segundos.

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