Ela abriu a boca para dizer algo, mas de repente ouviu-se uma salva de palmas na porta do escritório.
Zhou Jiangjin estava encostado no batente da porta, com um sorriso irritante.
"Ora, ora, finalmente saiu? Fiquei do lado de fora ouvindo tudo, quase morri de aflição."
O rosto de Gustavo escureceu.
"Zhou Jiangjin, suma daqui agora."
"Está bem, está bem, estou indo." Zhou Jiangjin riu e retirou-se. Antes de sair, piscou para Luna: "Luna, se você aceitá-lo, lembre-se de pedir que ele me pague um jantar. Serei a testemunha de vocês."
A porta se fechou.
Restaram apenas os dois.
Gustavo olhava para ela, seu pomo de Adão movendo-se com dificuldade.
"Luna, você ainda não me respondeu."
"Responder o quê?"
"Você quer ficar comigo?"
Luna olhou nos olhos de Gustavo; neles, havia uma tensão e uma expectativa que ela nunca tinha visto antes.
Como uma criança que esperou doze anos por uma resposta.
Ela respirou fundo e ficou na ponta dos pés.
Ela não respondeu com palavras.
Em vez disso, na ponta dos pés, ela encostou suavemente os lábios nos de Gustavo.
Foi muito breve, como o toque de uma pena.
Mas Gustavo congelou, como se tivesse sido paralisado por um feitiço.
"Você..."
"Essa é a resposta." O rosto de Luna estava queimando de vermelho, e sua voz soava quase como um sussurro.
No segundo seguinte, Gustavo a puxou para seus braços e a beijou.
Desta vez, não foi apenas um toque leve.
Ele a beijou com força, como se quisesse despejar doze anos de repressão naquele único beijo.
As costas de Luna encostaram na mesa do escritório, a mão de Gustavo protegia sua nuca, a respiração se entrelaçava e o coração batia como um tambor.
Não sei quanto tempo se passou até que Gustavo se afastasse, mantendo as testas encostadas, a voz rouca além de qualquer descrição.
"Luna, você tem ideia de quanto tempo esperei por este dia?"
"Doze anos."
Disse Luna, com lágrimas girando em seus olhos.
Ele riu, rindo com as órbitas avermelhadas.
"Sim, doze anos."
Naquela tarde, Gustavo não a deixou voltar ao trabalho.
Ele pediu ao assistente que transferisse temporariamente a mesa de Luna para seu escritório, sob o pretexto de que "o departamento de marketing precisava estar em contato com o gabinete da presidência".
Toda a empresa sabia que era uma desculpa, mas ninguém ousou dizer nada.
A foto de Camila ainda estava sobre a mesa. Gustavo pegou-a e olhou por um longo tempo.
"Eu cuidarei disso", disse ele. "Vou recuperar todas as fotos que ela tem, não se preocupe."
"Como você pretende resolver?"
"Negociando condições." Gustavo virou a foto e mostrou uma marca d'água. "Ela está colaborando com um incorporador imobiliário ultimamente, e esse incorporador precisa de um investimento do Grupo Gu para um projeto. Ela trocará isso comigo."
Luna ficou atônita: "Você já sabia disso?"
"Ela procurou Zhou Jiangjin antes, querendo que ele intermediasse o assunto."
Gustavo olhou para Luna: "Vou dar o dinheiro a ela e exigir que entregue todos os negativos. Depois disso, ela não aparecerá mais nesta cidade."
"Ela vai aceitar?"
"Ela não tem escolha."
Luna observou sua expressão, tão calma que beirava a frieza, e de repente sentiu que ele era um estranho.
Este era o verdadeiro Gustavo?
Não o tio gentil, mas o presidente Gustavo, um homem do mundo dos negócios.
"Luna," Gustavo segurou sua mão, "você não precisa se preocupar com certas coisas, deixe comigo. Você só precisa fazer uma coisa."
"O quê?"
"Trabalhar bem, comer bem e ficar bem ao meu lado."
Capítulo 22
Luna assentiu.
Nos dias que se seguiram, tudo esteve calmo.
Camila não entrou mais em contato.
Gustavo a buscava todos os dias, trazia marmitas no almoço e, às vezes, a levava para jantar à noite.
Os cochichos na empresa mudaram de "Luna é protegida" para "Luna é a namorada do presidente".
Nenhum dos dois anunciou publicamente, mas também não esconderam.
Na sexta-feira à noite, Gustavo levou Luna a um restaurante japonês discreto; estavam a sós em um reservado.
"Luna, resolvi o assunto com Camila", Gustavo serviu-lhe um saquê.
"Ela aceitou o dinheiro e entregou os negativos e todas as cópias."
O coração de Luna finalmente se acalmou.
Após o jantar, Gustavo a levou para casa.
Embaixo do prédio, ele não disse o habitual "durma bem", mas saiu do carro junto com Luna.
"Tio?"
"Não quero ir embora hoje", disse Gustavo, olhando para ela.
O coração de Luna disparou.
"Você..."
"Quero ficar com você", ele deu um passo à frente. "Luna, esperei doze anos. Não quero esperar mais."
Luna baixou a cabeça, segurando a barra da blusa com os dedos.
O vento soprava, frio, mas o olhar dele era quente.
"Está bem", disse ela.
No elevador, estavam sozinhos. Ela viu os números dos andares subirem e o coração batia como um martelo.
"Nervosa?", ele perguntou inclinando-se.
"Um pouco."
Gustavo riu, estendendo a mão para segurar a dela; sua palma era seca e quente.
"Não fique nervosa, não vou te devorar."
A porta do elevador abriu-se e Luna, segurando a mão dele, caminhou em direção ao apartamento.
Abriram a porta, acenderam a luz.
A pequena sala de estar pareceu subitamente apertada com a presença dele.
Luna parou na entrada e virou-se para encará-lo.
"Gustavo."
"Hum?"
"Você realmente pensou bem? Ficar comigo significa enfrentar muitos boatos. Outros dirão que você é um pervertido, que a criou por mais de dez anos apenas para..."
Ele não a deixou terminar.
Gustavo a beijou.
"Não me importo com o que os outros dizem", sussurrou ele nos lábios de Luna. "Só me importo com você."
Naquela noite, ele não foi embora.
Do lado de fora, a luz do luar era intensa, iluminando seu rosto enquanto dormia profundamente.
Luna, encostada em seus braços, ouvia seu batimento cardíaco, compassado e forte.
Doze anos.
Dos doze aos vinte e quatro, ela finalmente podia deitar ao lado de Gustavo de forma legítima.
Finalmente não precisava mais escrever seus pensamentos em um diário.
Finalmente podia dizer: "Gustavo, ele pertence a Luna."
Mas, ao amanhecer, Luna abriu os olhos e descobriu que o lado da cama estava vazio.
Havia um bilhete no travesseiro, com a caligrafia dele:
【Luna, surgiu um imprevisto na empresa, tive que ir. O café da manhã está na mesa.】
Ela pegou o celular e viu uma notificação de notícias —
【Camila, ex-noiva do Grupo Gu, faz revelação: Existe um relacionamento impróprio entre Gustavo e sua filha adotiva, Luna. Segue captura de tela do diário!】
Seu sangue congelou instantaneamente.
Camila os enganou.
Ela não deletou nada.
As mãos de Luna tremiam.
A página da notícia carregou, o título era ofuscante e causava tontura —
《O presidente do Grupo Gu, Gustavo, é exposto em um caso de incesto com sua filha adotiva; diário da jovem é revelado》
A imagem que acompanhava era a captura de tela de seu diário.
A página dizia: "Quero ficar com ele para sempre, não do jeito de tio e sobrinha."
A seção de comentários estava em polvorosa.
【Pervertido! Criou por mais de dez anos apenas para atacar?】
【Coisas escritas quando a jovem não estava mentalmente sã podem ser consideradas voluntárias?】
【Gustavo cometeu um crime!】
【Ouvi dizer que ele começou a persegui-la assim que ela se curou. Nojento.】
Capítulo 23
Os comentários, um a um, atingiam seus olhos como lâminas.
Luna tentou ligar para Gustavo; ocupado. Tentou novamente; ainda ocupado.
De repente, o celular exibiu uma mensagem vinda do número de Camila.
【Luna, você achou que eu pegaria o dinheiro e iria embora silenciosamente? Eu também tenho as fotos de você e Gustavo se beijando no escritório. Vou destruir a reputação de vocês.】
Luna sentiu o corpo gelar, mas, ao mesmo tempo, uma estranha calma surgiu do fundo de sua alma.
Na Suíça, seu terapeuta a ensinara: quando o pior acontecer, não entre em pânico; primeiro, pense claramente no que você quer.
O que ela queria?
Ela queria Gustavo.
Ela queria estar com Gustavo, abertamente, à luz do dia.
Ela queria que aqueles que os insultavam se calassem.
Luna respirou fundo, vestiu-se, saiu e pegou um táxi direto para o Grupo Gu.
Havia muitos repórteres embaixo do prédio. Ao vê-la, avançaram como tubarões que sentiram cheiro de sangue, erguendo suas câmeras.
"Senhorita Luna! O que está escrito no diário é verdade?"
"Quando você e o presidente Gu começaram esse relacionamento?"
"Quando você tinha oito anos, ele já fazia isso com você..."
Luna parou.
Os repórteres, achando que ela responderia, silenciaram instantaneamente.
Ela olhou para a repórter na primeira fila, que segurava um microfone, e disse: "Cheguei à casa da família Gu aos doze anos e comecei a me relacionar com Gustavo aos vinte e quatro."
"Durante os doze anos intermediários, fomos tio e sobrinha. Alguém tem provas de que ele tenha feito algo impróprio comigo nesse período?"
Ninguém respondeu.
"O diário fui eu quem escrevi. Era uma paixão secreta de quando eu tinha quinze anos, registrada em um caderno particular. Ter uma paixão secreta é crime?"
Luna virou-se e entrou na empresa. Atrás dela, o silêncio era absoluto.
O elevador subiu ao octogésimo oitavo andar. Quando a porta abriu, Gustavo estava ao telefone.