Então ele disse: "Juliano, você não sabe chamar uma empregada? Tinha que incomodá-la?"
Juliano riu de raiva: "Certo! Luna, chame alguém."
Luna respondeu atordoada, chamou a empregada doméstica e observou enquanto eles levavam Gustavo para o quarto.
Juliano logo desceu e apontou para o andar de cima: "Luna, seu tio está te chamando."
Essa frase a deixou zonza e, quando se deu conta, já estava na porta do quarto de Gustavo.
Gustavo estava encostado na cabeceira da cama. O luar entrava pela janela de vidro, iluminando metade do seu rosto.
Luna não pôde deixar de perguntar: "Você parece tão cansado, é por causa da preparação do casamento?"
Ao ouvir sua voz, Gustavo arqueou as sobrancelhas, seu tom carregado pelo álcool: "Que horas é o voo de amanhã?"
Ela baixou os olhos: "Dez horas."
Gustavo franziu a testa: "Tão cedo? Você não queria ver o meu casamento com a Camila? Vou pedir para alterarem agora mesmo."
Luna reuniu coragem para interrompê-lo: "Eu só queria ver como você fica com o traje de noivo."
Gustavo silenciou. Luna pensou que ele provavelmente não gostaria de vê-la, então preparou-se para voltar ao quarto.
Mas, assim que se virou, ouviu a voz dele: "Luna, na Suíça faz frio, agasalhe-se bem."
"Embora você volte em apenas um mês, se estiver infeliz, pode me enviar uma mensagem."
"Se faltar dinheiro, peça para mim; se estiver em perigo, procure a polícia imediatamente. Se..."
Gustavo provavelmente estava muito bêbado, pois começou a instruí-la exatamente como fazia antes de cada viagem de negócios.
Mas Luna sabia que, desta vez, sua partida não teria data de retorno.
Ela conteve as lágrimas com esforço e disse suavemente: "Entendido, tio."
Então, sem esperar mais nenhuma palavra de Gustavo, ela voltou para o quarto.
Na manhã seguinte, ao descer as escadas, Luna viu Gustavo e Juliano tomando café da manhã à mesa.
Ele já estava vestido com o traje de noivo, e a flor vermelha na lapela espetou os olhos de Luna como uma farpa.
Juliano, ao vê-la, sorriu: "Luna, partindo para a Suíça hoje, hein?"
"Seu tio está tão preocupado com você. Ontem à noite, enquanto bebia, não parava de murmurar sobre como você nunca viajou para tão longe sozinha..."
Gustavo levantou a cabeça: "Juliano, por que você fala tanto?"
Dito isso, ele olhou para Luna, com a voz serena: "Venha comer. Depois, eu a levarei ao aeroporto."
Ela assentiu: "Está bem."
Às oito em ponto, Gustavo saiu com Luna e dirigiu em direção ao aeroporto.
O trajeto foi feito em silêncio.
Quando pararam no último sinal vermelho, Gustavo falou de repente: "A clínica de reabilitação tem um ambiente muito bom."
Luna respondeu: "Sim."
Ele continuou: "O diretor é um velho conhecido do meu orientador da universidade, ele cuidará bem de você."
Ela replicou: "Sim."
Gustavo sentiu-se subitamente inquieto, seus dedos tamborilando sem ritmo no volante.
"Luna, você está brava comigo?"
Luna balançou a cabeça: "Não. Estou apenas pensando no que farei quando chegar à Suíça."
Após um longo silêncio, Gustavo estendeu a mão e afagou o cabelo dela com força.
"Não tenha medo. Daqui a um mês, eu mesmo irei buscá-la."
Sentindo o calor da palma da mão dele, Luna sentiu uma vontade súbita de chorar.
Gustavo, não será um mês, serão três anos, talvez mais.
Quando você me vir novamente, talvez eu não seja mais aquela criança de oito anos que vivia ao seu redor.
Luna virou o rosto, e a mão dele caiu.
Gustavo ficou estático por um momento.
Ela olhou para a frente: "Tio, o sinal abriu, vamos."
Check-in, despacho de bagagem, segurança.
Gustavo a conduziu silenciosamente por cada etapa, como se cumprisse um ritual.
Justo quando ele a levaria até o portão de embarque, seu telefone tocou.
Ele deu uma olhada e atendeu. Do outro lado, uma voz cheia de alegria ecoou até os ouvidos de Luna.
"Gustavo, já está tudo pronto! Volte logo, vamos buscar a noiva!"
Gustavo respondeu gravemente e desligou.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Luna pegou a alça da mala das mãos dele.
"Tio, pode deixar até aqui. Eu sei que o portão de embarque é logo à frente."
Gustavo baixou os olhos para ela e, depois de um tempo, disse muito suavemente:
"Está bem. Tenha uma boa viagem, mande-me uma mensagem quando chegar."
Ela assentiu com firmeza: "Sim."
Gustavo foi embora.
Observando as costas dele, Luna gritou de repente: "Tio!"
Ele virou-se bruscamente, apenas para ver Luna abrindo um sorriso radiante para ele.
"Felicidades no seu casamento!"
Naquele momento, o sol banhava o chão.
Luna não conseguia ver a expressão de Gustavo, que estava de costas para a luz.
Ela apenas puxou sua mala, com as costas retas e passos resolutos, e entrou no portão de embarque.
Capítulo 8
O avião subiu acima das nuvens. Luna sentou-se junto à janela, com as lágrimas deslizando silenciosamente pelo colarinho.
Três anos.
Quando ela voltasse, Gustavo provavelmente já teria até filhos com Camila.
Conectando-se ao Wi-Fi do avião, ela abriu impulsivamente aquele fórum onde Gustavo dissera que a abandonaria.
Assim que acessou, a página atualizou.
Luna viu que o autor tinha acabado de publicar uma resposta, dois minutos antes: 【Eu não vou abandoná-la.】
A seção de comentários entrou em colapso instantaneamente.
【Você não disse que ia mandá-la embora? Por que mudou de ideia?】
【Autor, será que você não gosta da garota?】
【Se é amor, o que foram todo aquele cansaço e reclamações de antes? Cafajeste!】
Ela fixou o olhar na frase "Eu não vou abandoná-la", e seu coração acelerou bruscamente.
O que Gustavo quis dizer com isso? Ele não ia se casar com Camila? Ele não queria mandá-la embora?
Antes que ela pudesse processar tudo, uma mensagem da clínica de reabilitação na Suíça apareceu.
【Senhorita Luna, confirmamos o recebimento do contrato de tratamento de isolamento de três anos assinado por você. Teremos funcionários especializados aguardando por você no aeroporto após o pouso.】
Luna encarou a mensagem. A dor em seu peito serenou aos poucos, e ela respondeu:
【Certo, obrigada.】
Ao mesmo tempo, a mil quilômetros de distância, na cidade de Jin, o cortejo nupcial avançava majestosamente pelo portão do condomínio onde Camila morava.
Gustavo estava sentado no banco traseiro do carro principal, com a flor vermelha de noivo na lapela, observando a janela com uma expressão inexpressiva.
"Gustavo, por que você não parece nem um pouco feliz?"
Um amigo no banco do carona virou-se para brincar: "Você vai buscar a noiva em instantes, dê um sorriso."
Gustavo não lhe deu atenção.
Sua mente estava tomada pela imagem de Luna no aeroporto, sorrindo ao desejar-lhe "felicidades no casamento" e, em seguida, caminhando em direção ao portão de embarque, com a mala na mão, costas eretas e sem olhar para trás.
Aquele sorriso parecia ter exigido toda a sua força.
Ele afrouxou a gravata, impaciente. O celular vibrou. Ao olhar, viu uma mensagem do assistente com apenas uma frase:
【Chefe Gustavo, terrível! Descobri agora que o tratamento que a Srta. Luna assinou não é de um mês, mas um tratamento de isolamento de três anos, com proibição total de visitas e contato externo!】
Gustavo sentou-se bruscamente, suas pupilas contraindo-se.
"Faça o retorno."
Sua voz estava gélida.
"O quê?"
"Eu disse para virar! Vamos para o aeroporto!"
O motorista levou um susto, mas o cortejo já havia chegado ao prédio de Camila.
Fogos de artifício explodiram e uma multidão correu para bater nas janelas do carro.
"O noivo chegou! Vamos, desça para buscar a noiva!"
Gustavo apertou o celular até que seus nós dos dedos ficassem brancos.
Ele respirou fundo e saiu do carro.
O processo de buscar a noiva parecia uma farsa.
Ele ouvia as risadas e os desafios vindo de dentro do apartamento, mas não conseguia processar uma única palavra.
Até que, em uma conversa próxima, o nome "Luna" foi mencionado. Ele virou-se bruscamente.
"Você acha que o noivo sabe sobre aquelas mensagens que a Camila enviou xingando a tal de Luna?"
"Claro que não, aquele tipo de frase como 'você mereceu perder seus pais cedo' é muito cruel."
A respiração de Gustavo parou por um instante.
No segundo seguinte, ele empurrou a multidão, caminhou até a porta e chutou-a para abri-la.
Ele olhou para Camila: "Me dê o seu celular."
Camila, imersa em sua felicidade, parecia confusa: "O quê?"
"Eu disse, me dê o seu celular."
O tom de voz de Gustavo era aterrorizantemente calmo.
Camila sentiu-se nervosa, mas, antes que pudesse dizer algo, viu Gustavo tirar o celular debaixo do seu travesseiro.
Ele abriu o aplicativo de mensagens e entrou direto na conversa com Luna.
Ao rolar para cima, a tela estava preenchida com mensagens enviadas por Camila.
【Luna, por que você insiste em perseguir Gustavo de forma tão doentia? Que nojo!】
【Você mereceu perder seus pais cedo, por que não morreu junto com eles?】
【Gustavo já está farto de você, ele disse com a própria boca que estava exausto e não aguentava mais!】
Mensagem após mensagem, como lâminas perfurando seus olhos.
O quarto ficou em um silêncio absoluto.
Capítulo 9
Gustavo jogou o celular de volta na cama e saiu em direção à porta.