O diário de Luna foi jogado aos pés de Gustavo por ela.
Um calafrio congelou o sangue de Luna instantaneamente.
Capítulo 4
Gustavo, segurando Luna, exibiu um olhar confuso: "Camila, o que é isso?"
Camila apontou para ela, com a voz gélida, sarcástica e o olhar como agulhas venenosas.
"Pergunte a ela! Pergunte que tipo de pensamentos sujos ela tem pelas suas costas!"
"Onde é que ela te trata como tio? É óbvio que ela tem uma obsessão doentia e nojenta por você!"
A voz aguda de Camila foi como uma lâmina, rasgando todas as intenções ocultas de Luna, sem deixar lugar para se esconder.
"Ela cobiça você! Essa é a pessoa que você protegeu por mais de dez anos: uma maluca com fantasias imundas sobre o próprio tio!"
A mão de Gustavo na cintura de Luna se fechou com força.
Dói, mas Luna não se atreveu a emitir som algum.
Ela apenas pôde ser colocada no chão como uma marionete, vendo-o recolher aquele diário.
O som dele folheando página por página era como uma guilhotina suspensa sobre a cabeça de Luna.
Ela se tornou uma prisioneira indefesa.
Por fim, Gustavo fechou o caderno, com a voz firme, porém fria: "Camila, vá embora primeiro."
Camila estava atônita: "Gustavo? Você viu? Naquilo que está escrito..."
Gustavo a interrompeu: "Sim, eu vou educá-la."
Camila estava quase enlouquecendo: "Gustavo, ela não é mais uma criança!"
Gustavo olhou para ela com olhos cortantes: "Sim, o corpo dela tem vinte e quatro anos, mas sua mentalidade tem apenas oito. Ela tem medo de ser abandonada novamente; isso é estranho?"
"Se quer culpar alguém, culpe a mim. Passei estes anos pensando apenas em protegê-la sob minhas asas, mas esqueci de ensinar-lhe as lições complexas da vida. O erro é meu, mas você não deveria usar termos tão sujos e cruéis como 'imunda e maluca' para julgá-la."
Ao terminar, a voz de Gustavo tornou-se gélida: "Camila, vá embora."
Camila cerrou os dentes, lançou um olhar feroz para Luna e bateu a porta ao sair.
Após o estrondo, seguiu-se um silêncio mortal.
Gustavo estava de costas para Luna, como uma estátua silenciosa.
Ela apenas ergueu o olhar uma vez e suas lágrimas caíram sobre o piso.
Ela nunca tinha visto um Gustavo tão impotente.
Luna soluçou: "Gustavo, desculpe..."
Muito tempo depois, ele se virou, colocou o diário nas mãos trêmulas dela e disse com a voz rouca:
"Pare de chorar. Guarde-o."
Luna ficou atônita ao ver Gustavo se agachar diante dela, com uma determinação indescritível no olhar.
"Luna, você ainda é pequena e não entende muitas coisas. Em alguns caminhos, o tio só pode te acompanhar até aqui."
Até aqui... onde seria isso?
Seria diante do altar do casamento de Gustavo e Camila, ou seria na porta de embarque para a clínica de reabilitação no exterior?
Um pânico colossal, mais feroz que o anterior, a agarrou.
Luna, instintivamente, segurou o braço dele: "Gustavo, não..."
Gustavo não se soltou, mas sua voz tornou-se cada vez mais firme: "Seja obediente."
Não, ela não queria deixar Gustavo daquele jeito.
Naquele momento, a promessa de Gustavo de realizar seus "desejos" tornou-se a única tábua de salvação que Luna podia agarrar.
Ela usou toda a sua força e disse com dificuldade: "Gustavo, eu tenho um desejo. Quero ir ao parque de diversões andar no carrossel."
Luna não estava mentindo para Gustavo; este era, de fato, o seu desejo.
Por causa de sua doença, Gustavo nunca a levava a lugares cheios de gente.
Ela só tinha visto o carrossel de longe, enquanto passava de carro pelo parque.
O carrossel brilhava com luzes coloridas, tinha música; era a coisa mais feliz do mundo.
Tudo o que era feliz, ela queria compartilhar com Gustavo.
Gustavo claramente ficou atônito por um momento, mas depois acenou com a cabeça. Sua voz era suave, porém solene:
"Está bem. Levarei você amanhã."
No dia seguinte, o tempo estava lindo e Gustavo a levou para fora.
O parque de diversões estava muito movimentado. Gustavo, de terno e gravata, parecia deslocado, mas acompanhou-a pacientemente na fila.
Logo, ele ajudou Luna a sentar-se no carrossel e ficou em pé ao lado de um cavalo preto, observando-a silenciosamente.
Ela segurava a haste gelada e, quando o cavalo girava em direção a ele, ela o espiava.
Ele tinha uma postura ereta; a luz e a sombra fluíam sobre ele. Seu rosto ficava entre a luz e a sombra, mas seu olhar permanecia fixo em Luna.
Quando a volta terminou, ele a ajudou a descer; a palma de sua mão estava seca e quente.
Ele perguntou: "O que mais quer brincar?"
Luna balançou a cabeça e apontou para um banco não muito longe: "Estou cansada."
Gustavo ficou tenso, pegou na mão dela e a conduziu até o banco, comprando também um suco de laranja fresco para ela.
A doçura espalhou-se pela língua, mas não conseguiu conter a tristeza sem fim que surgia no fundo de seu coração.
Depois que Gustavo se sentou, ele ficou o tempo todo olhando o celular.
Luna deu uma olhada casual e viu termos como "confirmação da clínica de reabilitação".
Em seguida, ele atendeu a uma ligação de seu assistente: "Adiem todo o trabalho. Primeiro, preciso resolver a situação da Luna."
Ao desligar, o cansaço escondido no fundo de seus olhos era quase impossível de disfarçar.
Ela lembrou-se da frase de Camila: "Esses anos foram exaustivos demais, ele não aguenta mais!"
Seu coração foi apertado por algo, doendo tanto que a respiração de Luna ficou descompassada.
Gustavo estava realmente sendo arrastado para o limite por essa obrigação de "ter que cuidar dela".
E Luna, para ficar ao lado dele, ainda usava os "desejos" para lhe causar pressão.
Uma tristeza imensa, como um tsunami, rugia e a despedaçava.
Luna conteve as lágrimas com todas as forças, tentando deixar sua voz calma:
"Gustavo, não quero mais muitos desejos."
Gustavo virou o rosto, parecendo atordoado: "O quê?"
Ela cerrou as mãos com força, esforçando-se para falar claramente:
"Três são o bastante. Depois que fizermos três, você... você não precisará ficar tão cansado."
Gustavo finalmente entendeu o que ela dizia, e suas pupilas se contraíram bruscamente.
Seus lábios finos se apertaram, e ele acenou a cabeça bem devagar.
Ele não disse "não estou cansado", nem disse "faço isso de bom grado".
Ele apenas, naquele momento, com um silêncio ensurdecedor, lhe disse:
— Luna, vamos parar por aqui. Eu não quero mais você.
Capítulo 5
Luna observou o perfil de Gustavo por um longo tempo, depois forçou um sorriso largo, quase chegando às orelhas.
"Então está combinado, Gustavo."
Gustavo não a olhou; seus olhos estavam fixos na distância. Seu pomo de Adão se moveu e ele apenas soltou uma única palavra grave: "Certo."
Ela se levantou e jogou a garrafa de suco, ainda pela metade, na lixeira.
"O carrossel acabou. Vamos para casa."
Gustavo concordou e, por hábito, estendeu a mão para segurá-la como costumava fazer.
Mas, antes que Luna pudesse reagir, ele recolheu a mão.
"Luna, vamos."
Luna olhou para as costas dele, limpou o canto dos olhos com força e o seguiu.
O caminho até em casa foi silencioso. Gustavo desligou o motor, mas não saiu do carro imediatamente.
Sua voz era monótona, como se estivesse comunicando um assunto de trabalho comum.
"A partir de amanhã, Camila se mudará para cá e, aproveitando, ajudará você a arrumar as malas para o exterior."
As unhas de Luna cravaram na palma da mão, mas ela não disse nada.
"O casamento," ele pausou, "também começará a ser organizado. Luna, você precisa se adaptar à sua nova vida o quanto antes."
Dito isso, Gustavo saiu do carro e não olhou para trás nem uma única vez.
Ela ficou sentada no carro, que esfriava lentamente, e demorou um tempo até conseguir pronunciar, com a voz rouca:
"Eu farei isso, Gustavo."
No dia seguinte, quando ela saiu do quarto, Camila já tinha arrumado suas malas.
Ao ver Luna, Camila exibiu um sorriso vitorioso e agitou uma revista de vestidos de noiva.
"Eu e Gustavo vamos provar as roupas do casamento. Venha junto para dar uma olhada; afinal, você é a única família que ele tem."
Luna olhou instintivamente para Gustavo. Ele estava sentado ali, sem olhar para ela.
Ela mordeu os lábios com força, usando a dor para suprimir a bipolaridade que fervilhava dentro dela.
Luna disse: "Tudo bem."
Ela queria testemunhar pessoalmente a felicidade de Gustavo, para conseguir desistir de vez.
Na loja de vestidos de noiva de alta costura, as luzes eram deslumbrantes e o branco imaculado dos vestidos feria os olhos.
Cercada por atendentes, Camila experimentava um modelo após o outro, girando diante de Gustavo.
Gustavo estava sentado em um sofá de veludo, segurando um tablet para tratar de e-mails, acenando de vez em quando com comentários como "bom" ou "combina com você".
Luna não disse nada; apenas seguia Camila como um zumbi.
Por fim, Camila vestiu um modelo sereia, ainda mais luxuoso e detalhado.
A cauda do vestido era coberta por minúsculos cristais, pesada e extravagante.
Ela estava muito satisfeita e virou-se para mostrar a Gustavo.