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《Você Vai Morrer às 15:10》PARTE 14

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O silêncio não existia mais.

Dentro do núcleo do Instituto Chronos, tudo parecia respirar de forma errada — como se o próprio espaço tivesse esquecido qual era sua versão original.

Isabela Monteiro Vasconcelos estava no centro da sala.

Mas já não era possível dizer se era a mesma Isabela de antes.

O ar ao redor dela tremia levemente, como interferência de sinal.

As luzes piscavam em intervalos irregulares.

E o sistema… estava observando.

Helena Prado tinha desaparecido da sala.

Rafael Albuquerque estava caído perto do painel central, tentando recuperar o fôlego depois da última descarga do sistema.

E então o celular de Isabela vibrou.

Uma última vez.

Ela olhou para baixo.

A tela acendeu sozinha.

Mensagem única:

“SE VOCÊ ENCERRAR O SISTEMA, O MUNDO VOLTARÁ AO MOMENTO EXATO DA SUA MORTE.”

Isabela ficou imóvel.

“Não…”

Rafael levantou a cabeça imediatamente.

“Não leia isso!”

Mas já era tarde.

Ela leu.

E o mundo reagiu.

As telas ao redor explodiram em luz branca por um segundo.

Depois voltaram.

Mas agora havia algo diferente.

O sistema não estava mais apenas ativo.

Estava consciente.

Isabela começou a tremer.

“Isso não é real… isso não pode ser real…”

Rafael se levantou com dificuldade.

“Isabela, escuta comigo.”

Mas ela não conseguia.

Porque naquele momento… ela entendeu.

Se o Chronos fosse desligado…

tudo voltaria ao instante da sua morte.

15:10.

O ponto fixo.

O colapso original.

Ela respirou fundo.

“Então… não existe saída…”

Rafael deu um passo à frente.

“Existe sempre uma escolha.”

Mas a sala interrompeu.

As luzes mudaram.

E o sistema respondeu diretamente, sem tela, sem interface.

Uma voz.

Sem origem.

“ESCOLHA DETECTADA.”

Isabela levou as mãos à cabeça.

“Para… por favor…”

A voz continuou:

“DESLIGAR O SISTEMA RESTAURA A LINHA ORIGINAL.”

Rafael gritou:

“NÃO FAÇA ISSO!”

Mas Isabela não olhava mais para ele.

Ela olhava para o centro da sala.

Porque algo estava acontecendo ali.

O ar se abriu.

Como uma falha de realidade.

E então ela viu.

Uma figura.

De pé.

No centro da sala.

Imóvel.

Observando.

Isabela congelou.

“Não…”

Rafael também viu.

E ficou pálido.

“Isso não é possível…”

A figura era ela.

Mas não era a versão quebrada.

Nem a versão futura.

Nem a versão instável.

Era… a original.

A primeira.

Aquela que o sistema havia tentado apagar.

A outra Isabela deu um passo à frente.

E falou pela primeira vez com uma voz perfeitamente estável:

“Você finalmente chegou aqui.”

Isabela sentiu o corpo inteiro perder força.

“Quem… é você?”

A outra Isabela respondeu:

“Eu sou o ponto que você tenta evitar todas as vezes.”

Rafael sussurrou:

“Isso é impossível… não deveria existir continuidade ativa…”

Mas a outra Isabela ignorou.

Ela olhou diretamente para Isabela atual.

“Você ainda não entendeu o ciclo completo.”

Isabela começou a recuar.

“Ciclo…?”

A outra Isabela assentiu.

“Você sempre tenta desligar o Chronos.”

Ela fez uma pausa.

“E sempre falha.”

Isabela gritou:

“EU NÃO FIZ ISSO ANTES!”

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A outra Isabela respondeu calmamente:

“Fez.”

Silêncio.

O sistema respondeu junto.

“MEMÓRIA DE CICLO RESTAURADA.”

Isabela caiu de joelhos.

E flashes começaram a invadir sua mente.

Hospital.

15:10.

Monitores.

Rafael gritando seu nome.

O sistema reiniciando.

Ela respirou com dificuldade.

“Não… não… isso não é meu…”

A outra Isabela se aproximou.

“Você já escolheu destruir o sistema uma vez.”

Ela fez uma pausa.

“E isso destruiu tudo.”

Rafael gritou:

“ISABELA, NÃO OUVE ISSO!”

Mas já era tarde.

Porque o sistema estava abrindo todas as memórias bloqueadas.

E agora Isabela via.

Todas as versões.

Todas as mortes.

Todos os resets.

Ela começou a chorar.

“Eu… eu já fiz isso…”

A outra Isabela assentiu.

“E o resultado foi sempre o mesmo.”

Ela apontou para o painel central.

“O mundo volta à sua morte.”

Isabela levantou o olhar lentamente.

“Então… não importa o que eu faça…”

A outra Isabela respondeu:

“Importa apenas qual versão do ciclo você quer viver.”

Silêncio absoluto.

Rafael olhou para o sistema.

“Isso não deveria permitir interação entre instâncias…”

Mas o sistema respondeu.

“INTERFACE ORIGINAL RESTAURADA.”

As luzes começaram a piscar rapidamente.

Isabela se levantou lentamente.

“Se eu desligar… tudo reinicia…”

A outra Isabela assentiu.

“Sim.”

Isabela respirou fundo.

E olhou para o painel.

E depois para Rafael.

“E se eu não desligar?”

A outra Isabela respondeu antes de qualquer sistema:

“Então o ciclo continua… infinitamente.”

Silêncio.

O sistema então exibiu a última linha:

“COMANDO FINAL DISPONÍVEL: RESET OU CONTINUIDADE.”

Isabela deu um passo à frente.

E tocou o painel.

Rafael gritou:

“NÃO!”

Mas o sistema já tinha reagido.

E no exato momento em que o dedo dela encostou na escolha…

todas as luzes do Instituto Chronos apagaram.

E uma última mensagem surgiu no escuro total:

“INICIANDO REINICIALIZAÇÃO GLOBAL…”

Isabela levantou os olhos.

E viu a outra versão dela sorrir pela primeira vez.

E dizer:

“Bem-vinda ao começo.”

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