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《Você Vai Morrer às 15:10》PARTE 5

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A chuva fina caía sobre São Paulo naquela manhã, deixando a Avenida Paulista com reflexos cinzentos e distorcidos, como se a cidade estivesse ligeiramente fora de foco.

Isabela Monteiro Vasconcelos caminhava sem rumo definido, com o braço ainda dolorido do acidente do dia anterior.

O impacto havia deixado uma marca física, mas o que mais doía era outra coisa: a certeza crescente de que nada era aleatório.

Camila não tinha morrido.

Mas alguém desconhecido morreu no lugar dela.

Essa frase não saía da cabeça de Isabela.

Ela apertava o celular com força enquanto atravessava a rua.

Nenhuma nova mensagem desde a última.

O silêncio agora era pior do que qualquer aviso.

Porque silêncio, naquele jogo, parecia preparação.

Ela entrou em um café próximo ao Conjunto Nacional e sentou perto da janela. O barista perguntou algo, mas ela não ouviu direito. Apenas pediu água.

Isabela abriu o histórico das mensagens.

“Você viveu porque alguém que não estava no seu lugar morreu.”

Ela releu novamente.

E novamente.

O estômago virou.

“Isso não pode ser real… isso não pode ser real…”, ela repetia em voz baixa.

Mas o corpo dela lembrava do impacto.

E da ausência de explicação.

Ela tentou ligar para Rafael Albuquerque.

Chamadas não atendidas.

Mais uma tentativa.

Nada.

Isabela respirou fundo e decidiu ir até o hospital onde ele atendia.

Hospital Santa Cecília.

Zona central de São Paulo.

Quando chegou, o movimento era intenso como sempre. Macas passando, médicos correndo, pacientes esperando em cadeiras frias.

Mas tudo parecia estranho para ela agora.

Como se estivesse observando um sistema que não era mais humano.

Ela perguntou na recepção.

“Dr. Rafael Albuquerque está?”

A recepcionista olhou o computador.

“Ele está no laboratório de pesquisa. Último andar.”

Isabela não esperou mais.

Subiu direto.

O elevador demorou mais do que deveria.

Ou talvez fosse apenas sua percepção acelerada.

Quando as portas abriram, o corredor era diferente.

Menos hospital.

Mais laboratório.

Portas com códigos.

Sinalizações restritas.

“Centro de Neurociência Aplicada.”

Isabela engoliu seco.

Ela bateu na porta.

Nenhuma resposta.

Bateu novamente.

Então ouviu a voz dele.

“Entra.”

Rafael estava em frente a duas telas grandes. Gráficos, padrões neurais, linhas de tempo.

Ele não parecia dormir há muito tempo.

“Você viu o que aconteceu?”, ela perguntou imediatamente.

Rafael não respondeu de início.

Apenas olhou para ela com um peso estranho no olhar.

“Sim.”

Isabela deu um passo à frente.

“Alguém morreu no lugar da Camila.”

Rafael fechou os olhos por um segundo.

“Eu vi os registros do acidente.”

Ela bateu na mesa.

“Isso não é acidente. Isso não é coincidência. Isso é… isso é alguma coisa controlando eventos.”

Rafael virou lentamente para ela.

“Isabela… eu preciso te mostrar algo.”

Ela respirou fundo.

“Então mostra.”

Ele abriu uma pasta no computador.

Uma série de gráficos apareceu.

“Essas são suas respostas neurais desde o primeiro episódio das mensagens.”

Isabela franziu a testa.

“Você está me monitorando?”

“Não. Eu pedi acesso aos dados do hospital depois do acidente. Você foi atendida lá.”

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Ela ficou em silêncio.

Rafael continuou.

“Veja isso.”

Ele apontou para uma linha pulsante.

“Seu cérebro está reagindo a eventos futuros antes deles acontecerem.”

Isabela riu nervosamente.

“Isso não existe.”

“Existe”, ele respondeu firme.

Ele ampliou a imagem.

“Mas não é previsão consciente. É um padrão de retroalimentação.”

Isabela cruzou os braços.

“Fala de um jeito normal.”

Rafael respirou fundo.

“Seu cérebro está recebendo informação que ainda não aconteceu e ajustando sua percepção da realidade antes do evento ocorrer.”

O silêncio ficou pesado.

Isabela balançou a cabeça.

“Não.”

Rafael continuou.

“E o mais estranho… não é apenas previsão.”

Ele hesitou.

“É correção.”

Isabela sentiu um frio subir pela espinha.

“Correção do quê?”

Rafael olhou diretamente para ela.

“Da linha temporal.”

Ela ficou imóvel.

“Você está dizendo que o tempo está sendo… corrigido?”

Ele não respondeu imediatamente.

Depois disse:

“Estou dizendo que algo está tentando manter um resultado fixo, independentemente das suas ações.”

Isabela sentou devagar.

“Isso é loucura.”

Rafael se aproximou.

“E tem mais.”

Ele virou outra tela.

“Analisamos todas as mensagens que você recebeu.”

Isabela prendeu a respiração.

“E?”

“Não há padrão de origem digital.”

Ela fechou os olhos.

“Você já disse isso.”

“Sim”, ele respondeu. “Mas agora encontramos algo novo.”

Isabela abriu os olhos lentamente.

“Fala.”

Rafael hesitou.

“Algumas mensagens não estão descrevendo o futuro corretamente.”

Ela franziu a testa.

“Como assim?”

Ele aumentou um gráfico.

“Estão erradas.”

Isabela ficou confusa.

“Erradas?”

“Sim. Elas estão te guiando para eventos que não acontecem como descrito.”

Ela tentou entender.

“Então são falsas?”

Rafael balançou a cabeça.

“Não. Elas estão ativas.”

O ar pareceu mais pesado.

“Explica isso direito.”

Ele respirou fundo.

“As mensagens não são previsões perfeitas. Elas são instruções de deslocamento.”

Isabela levantou.

“O que isso quer dizer?”

Rafael respondeu devagar:

“Significa que alguém — ou algo — não está te mostrando o futuro.”

Ele pausou.

“Está tentando te fazer criar um novo.”

O silêncio caiu como uma pedra.

Isabela deu um passo para trás.

“Não… não… isso é impossível.”

Rafael continuou.

“E existe outro problema ainda maior.”

Isabela olhou fixamente.

“Qual?”

Ele virou uma última tela.

“Seu cérebro não está apenas recebendo informações.”

A imagem mostrou pulsos estranhos.

Atividade fora do padrão.

“Ele está respondendo como se estivesse conectado a um sistema externo.”

Isabela sentiu o mundo girar levemente.

“Sistema… externo?”

Rafael assentiu.

“Um sistema que envia sinais e recebe retorno em tempo real.”

Ela engoliu seco.

“Você está dizendo que meu cérebro virou um receptor?”

Ele respondeu com calma:

“Sim.”

Isabela levou a mão à cabeça.

“Isso não é possível…”

Rafael se aproximou mais.

“Isabela… tem algo dentro do seu padrão neural que não é humano normal.”

Ela olhou para ele, desesperada.

“Então o que eu sou?”

Rafael não respondeu imediatamente.

E nesse silêncio, o computador emitiu um som.

Um alerta.

Uma nova linha apareceu automaticamente na tela.

Sem ninguém tocar.

Isabela se aproximou lentamente.

A frase era curta.

Mas destruiu qualquer estabilidade restante.

“ATUALIZAÇÃO DO SINAL — DESTINO AJUSTADO.”

Isabela congelou.

E Rafael sussurrou:

“Isso não deveria estar acontecendo em tempo real.”

A tela piscou novamente.

E outra linha surgiu:

“VOCÊ AGORA ESTÁ SINCRONIZADA.”

Isabela deu um passo para trás.

E todas as telas do laboratório desligaram ao mesmo tempo.

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