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《Você Vai Morrer às 15:10》PARTE 1

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Isabela Monteiro Vasconcelos acordou com o som insistente de notificações vibrando debaixo do travesseiro, como se o próprio celular estivesse tentando expulsá-la de um sonho ruim.

A luz cinza da manhã em São Paulo atravessava a cortina mal fechada do apartamento em Vila Mariana, cortando o quarto em duas metades: uma ainda presa no sono, outra já violentamente acordada pelo mundo real.

Ela abriu os olhos devagar, sentindo a cabeça pesada, o corpo ainda preso na preguiça de uma noite mal dormida.

O celular vibrava sem parar. Isabela virou o rosto e esticou a mão, tateando a mesa de cabeceira até encontrar o aparelho.

“Mais uma madrugada de mensagens do banco ou da faculdade…”, ela murmurou, sem abrir ainda os olhos por completo.

Mas não era isso.

A tela estava acesa, com uma notificação única, sem nome, sem foto, sem identificação.

“Você vai morrer hoje às 15:10.”

Isabela ficou imóvel.

Por alguns segundos, o silêncio do quarto pareceu aumentar, como se o mundo tivesse parado junto com ela. Ela leu de novo. E de novo. A frase não mudava. Não desaparecia. Não era uma ligação perdida, nem spam. Era uma mensagem direta, limpa, fria.

Ela soltou uma risada nervosa.

“Isso é algum tipo de brincadeira idiota…”

Mas a risada não terminou bem. Morreu no meio do caminho, presa na garganta.

Ela desbloqueou o celular rapidamente, esperando ver algum número desconhecido, alguma pegadinha, algum link malicioso. Não havia nada. Nenhum remetente. Apenas aquela frase única, suspensa como uma sentença.

Isabela sentou na cama, puxando o cabelo para trás.

“Quem faz isso com alguém?”, ela disse em voz alta, como se alguém pudesse responder dentro do quarto vazio.

O apartamento estava silencioso. Apenas o barulho distante dos carros na Rua Domingos de Morais lembrava que o mundo ainda funcionava normalmente.

Ela tentou racionalizar. Talvez fosse um erro. Talvez alguém tivesse enviado para o número errado. Talvez fosse um golpe psicológico. Mas algo dentro dela não conseguia aceitar tão facilmente.

Ela abriu o aplicativo de mensagens novamente.

A mensagem ainda estava lá.

E então, o celular vibrou outra vez.

Uma nova notificação apareceu.

“Evite a estação Ana Rosa. Não entre no metrô às 14:42.”

Isabela sentiu um arrepio subindo pelas costas.

Ela se levantou da cama de repente, andando pelo quarto sem direção. Foi até a janela. Lá fora, São Paulo já estava viva, caótica, indiferente.

“Isso não faz sentido… não faz sentido nenhum…”

Ela respirou fundo, tentando se acalmar. Pegou o celular novamente, procurando qualquer explicação lógica. Hackers. Algoritmos. Alguma falha de segurança. Mas quanto mais ela tentava racionalizar, mais o corpo reagia com desconforto.

A sensação não era de brincadeira.

Era de aviso.

Ela foi até a cozinha, abriu a geladeira sem fome, apenas para fazer algo com as mãos. Pegou uma garrafa de água e bebeu direto, sem copo. O relógio na parede marcava 09:17 da manhã.

Ainda faltavam horas.

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Horas até 15:10.

Ela engoliu seco.

“Se isso for alguma ameaça… eu vou na polícia.”

Mas enquanto dizia isso, sabia que não iria. Ainda não. Não havia provas, não havia lógica, não havia nada além de uma mensagem impossível.

Ela voltou para o quarto e sentou na beira da cama novamente, olhando fixamente para o celular.

E então veio a terceira mensagem.

“Você vai ignorar os sinais porque acha que é mentira. Isso é o que sempre acontece.”

Isabela levantou num pulo.

“Quem está fazendo isso?!”, ela gritou para o vazio.

O coração começou a acelerar de forma descontrolada. Agora não era mais curiosidade. Era medo. Um medo lento, crescente, como água subindo dentro de um copo já cheio.

Ela tentou ligar para sua melhor amiga, Camila Ribeiro. Chamou. Caiu direto na caixa postal.

Tentou novamente. Nada.

“Camila, me atende… por favor…”

Sem resposta.

Ela caminhou até o espelho do quarto. Olhou para si mesma. Olheiras leves, cabelo bagunçado, rosto de alguém comum que não deveria estar vivendo algo assim.

“Isso não está acontecendo comigo”, ela disse em voz baixa.

Mas o celular vibrou de novo.

“13:48 — você vai estar na Rua Vergueiro quando isso começar.”

Isabela sentiu o estômago afundar.

Agora havia detalhes demais.

Demais para ser mentira.

Ela começou a andar pelo apartamento rapidamente, pegando bolsa, documentos, tentando decidir o que fazer. Sair? Ficar? Ignorar? Denunciar?

Tudo parecia errado.

O relógio marcava 10:05.

O dia estava apenas começando.

Ela respirou fundo e decidiu sair do apartamento. Precisava de ar, precisava de pessoas, precisava que o mundo confirmasse que ela não estava ficando louca.

Na rua, o sol de São Paulo já estava forte. O trânsito caótico de Vila Mariana seguia como sempre. Pessoas indo trabalhar, estudantes correndo, vendedores abrindo lojas.

Tudo normal demais.

Isabela caminhou sem destino por alguns minutos até entrar em um café pequeno na esquina. Pediu um café preto sem açúcar e sentou perto da janela.

Ela observava as pessoas lá fora como se estivesse procurando algum sinal de que o mundo estava errado.

Mas nada.

Tudo parecia perfeitamente comum.

Até o celular vibrar novamente.

“Você já saiu de casa. Isso foi inteligente. Mas não suficiente.”

Isabela deixou o celular cair sobre a mesa.

Uma mulher na mesa ao lado olhou para ela rapidamente.

“Está tudo bem?”, perguntou a mulher.

Isabela forçou um sorriso.

“Sim… sim, está tudo bem.”

Mas não estava.

Ela pegou o celular novamente com mãos levemente trêmulas.

“Quem é você?”, ela digitou.

Nenhuma resposta imediata.

Apenas silêncio.

Ela esperou.

Dois minutos.

Três minutos.

E então:

“Eu sou o que você vai acreditar tarde demais.”

Isabela sentiu o corpo inteiro esfriar.

Ela se levantou abruptamente, pagando o café sem nem terminar. Saiu do café quase correndo, andando rápido pela calçada, tentando respirar normalmente.

O som da cidade parecia mais alto agora. Mais agressivo. Como se tudo estivesse levemente fora de sincronização com ela.

Ela olhou o relógio.

11:32.

Faltava pouco mais de três horas para 15:10.

Ela começou a andar sem direção pela Avenida Paulista, o fluxo de pessoas ao redor completamente indiferente à sua realidade.

E então, ao passar em frente à estação de metrô Brigadeiro, o celular vibrou uma última vez.

“Agora você está perto demais para mudar sozinha.”

Isabela parou na calçada.

E pela primeira vez naquele dia, ela sentiu algo pior do que medo.

Ela sentiu certeza.

E, no exato instante em que levantou os olhos, viu alguém olhando diretamente para ela do outro lado da rua — alguém que não deveria saber quem ela era… mas claramente sabia.

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