《Meu Marido Não Existe na Linha do Tempo》PARTE 5

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O edifício Atlântica Tower, nos Jardins, parecia o tipo de lugar que nunca mudava. Vidros limpos, portaria silenciosa, segurança discreta demais para um prédio tão caro.

Mas para Isabela, naquele momento, ele parecia instável. Como se o prédio inteiro estivesse tentando decidir quem ela era.

Ela parou na frente da entrada principal.

O porteiro olhou para ela por alguns segundos a mais do que o normal.

“Boa tarde… a senhora precisa de algo?”

Isabela hesitou.

“Eu moro aqui.”

O porteiro franziu levemente a testa.

“Qual o apartamento?”

Ela respondeu sem pensar muito.

“1803.”

O homem olhou para o sistema.

Digitou.

Aguardou.

Depois olhou novamente para ela.

“Senhora… esse apartamento não está associado ao seu nome.”

Isabela sentiu um leve choque.

“Como não está? Eu já vim aqui várias vezes.”

O porteiro ficou desconfortável.

“Não há registro de acesso anterior.”

Isabela apertou a bolsa com força.

“Isso é impossível.”

Mas ele já estava chamando o elevador para ela, sem discutir mais.

Como se quisesse encerrar a conversa rapidamente.

O elevador subia em silêncio absoluto.

Cada andar parecia mais pesado que o anterior.

Isabela observava o reflexo metálico da porta.

E então aconteceu.

O reflexo mudou.

Por um segundo, ela não estava sozinha.

Havia uma criança ao lado dela.

Um menino.

Isabela virou o rosto rapidamente.

Não havia ninguém.

Ela voltou a olhar.

O reflexo também voltou ao normal.

“Isso não está acontecendo…”

Ela apertou o botão do 18º andar novamente, como se isso pudesse estabilizar a realidade.

Quando a porta do apartamento 1803 se abriu, Isabela sentiu imediatamente que algo estava errado.

O ar era o mesmo.

Mas não era.

Era como se duas versões do mesmo lugar estivessem sobrepostas.

Ela deu um passo à frente.

A sala estava impecável.

Minimalista.

Sem brinquedos.

Sem fotos.

Sem sinais de vida infantil.

“Isso não é a minha casa…”

Ela entrou devagar.

Abriu a gaveta da cozinha.

Vazia.

Abriu o armário.

Vazio.

Nenhuma roupa masculina.

Nenhuma roupa infantil.

Nenhuma presença.

Ela começou a respirar mais rápido.

“Eu moro aqui… eu tenho certeza…”

Mas então algo mudou.

Um leve ruído atrás dela.

Ela virou rapidamente.

E viu.

O mesmo apartamento.

Mas diferente.

Fotos na parede.

Brinquedos no chão.

Uma mesa com três lugares.

Um pequeno tênis azul perto da entrada.

Isabela congelou.

“Não…”

Ela deu um passo para trás.

As duas versões da sala estavam se alternando.

Como imagens sobrepostas.

Piscaram.

Mudaram.

Voltam.

Sumiam.

“Isso não é possível…”

Ela colocou a mão na parede.

E sentiu algo estranho.

Quente.

Como se o espaço estivesse vivo.

Ela caminhou até a sala novamente.

Agora a versão com fotos estava dominante.

Ela se aproximou da parede.

E viu ela mesma.

Rafael ao lado dela.

E o menino.

Lorenzo.

Isabela levou a mão ao rosto.

“Eu lembro disso…”

Mas a lembrança não era sólida.

Era fragmentada.

Como se estivesse sendo puxada para fora dela.

De repente, o interfone tocou.

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Isabela se assustou.

Atendeu.

“Alô?”

A voz da portaria.

“Senhora Isabela… há uma inconsistência no sistema do seu acesso.”

Ela respirou fundo.

“Que inconsistência?”

Silêncio.

Depois:

“O sistema está alternando registros do apartamento.”

Isabela ficou imóvel.

“Alternando?”

“Sim. Existem duas versões ativas do mesmo endereço.”

Ela sentiu o corpo gelar.

“Como assim duas versões?”

O porteiro hesitou.

“Uma versão mostra senhora sozinha. Outra mostra senhora com família.”

Isabela fechou os olhos.

“Isso não pode estar acontecendo…”

Ela correu para o quarto.

Agora o quarto também alternava.

Uma versão vazia.

Outra versão com vida.

Ela tocou na cama.

E de repente teve um flash.

Rafael entrando no quarto.

Dizendo algo.

Mas o áudio estava quebrado.

Ela tentou focar.

“Isabela… você prometeu…”

A voz desapareceu.

Isabela caiu de joelhos.

“Para… para com isso…”

Mas o apartamento não parava.

A realidade vibrava.

Como um arquivo corrompido.

O celular vibrou.

Mensagem desconhecida.

“VOCÊ ESTÁ NO ESPAÇO DE DUPLA MEMÓRIA.”

Isabela respondeu imediatamente.

“QUEM É VOCÊ?”

Nova mensagem:

“O SISTEMA NÃO DECIDIU QUAL VERSÃO É A SUA.”

Isabela levantou-se.

“Isso não é real…”

Mas então ouviu passos no corredor externo.

Alguém estava tentando entrar.

A campainha tocou.

Uma vez.

Depois outra.

Isabela olhou pelo olho mágico.

Um homem.

Uniforme de segurança do prédio.

Mas ele não parecia normal.

Ele estava olhando diretamente para a câmera.

Como se soubesse exatamente onde ela estava.

“Senhora Isabela, precisamos validar sua identidade.”

Ela não abriu.

“Eu moro aqui!”

Ele respondeu sem emoção.

“Não existe confirmação estável da sua residência.”

Isabela começou a tremer.

“Eu estou dentro do sistema…”

O homem respondeu:

“O sistema não reconhece versões instáveis.”

De repente, a fechadura eletrônica da porta começou a piscar.

Vermelho.

Verde.

Vermelho.

Erro.

Erro.

Erro.

Isabela correu até a porta.

Tentou abrir manualmente.

Nada.

A tela da fechadura acendeu.

E uma mensagem apareceu:

“ACESSO NEGADO — USUÁRIA NÃO AUTORIZADA NESTA REALIDADE”

Isabela recuou.

“Não… não… não…”

Ela bateu na porta.

“EU MORO AQUI!”

A fechadura respondeu automaticamente:

“SEU PERFIL EXISTE EM DOIS ESTADOS CONFLITANTES.”

Isabela gritou:

“QUAL É O CERTO?”

Silêncio.

A tela piscou mais uma vez.

E então apareceu uma última linha:

“SELEÇÃO DE VERSÃO EM ANDAMENTO…”

E nesse exato momento, todas as luzes do apartamento apagaram ao mesmo tempo.

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