No instante em que se viram, o tempo parecia ter parado.
O olhar do homem estava fixo nela, sem qualquer hesitação.
Helena sentiu um aperto inexplicável no coração, e seus dedos apertaram inconscientemente o comunicador.
Capítulo 25
Embora fosse o final da primavera e o sol estivesse brilhante, não havia um traço de calor em Samuel.
Samuel imaginou muitas vezes como seria o cenário do reencontro dos dois.
A única coisa que ele não previu foi que Helena olharia para ele como se fosse uma estranha, dizendo de forma educada e leve: "Posso ajudar em algo?"
Samuel permaneceu parado, com as pontas dos dedos tremendo levemente; seu peito parecia estar sendo esmagado por uma pedra gigante, tornando a respiração difícil.
O sol brilhante caía sobre seus ombros, mas não conseguia dissipar o frio que emanava dele.
Ele havia imaginado inúmeras vezes o cenário de seu reencontro com Helena; talvez ela ficasse surpresa, talvez furiosa, ou talvez até tentasse fugir, mas nunca pensou que ela o olharia com um olhar tão estranho e distante, perguntando de forma leviana: "Posso ajudar em algo?"
Naquele momento, seu coração parecia ter sido perfurado violentamente por uma arma afiada, a dor era tanta que ele mal conseguia falar.
Ele forçou a amargura em seu peito e, usando toda a força que restava, conseguiu espremer uma frase rouca de sua garganta: "Eu sou da classe de cura, posso conhecê-la? Meu nome é... Samuel."
Sua voz era baixa, carregada de um tremor imperceptível, como se cada palavra estivesse sendo arrancada com dificuldade do fundo de sua alma.
Ele olhava para ela, seu olhar misturado com emoções intensas, esperando que ela se lembrasse de algo, nem que fosse apenas um pouco.
Mas a reação de Helena o fez sentir como se tivesse caído em um poço de gelo.
Suas sobrancelhas franziram levemente, e seu olhar estava cheio de confusão e estranheza, como se ela realmente não o conhecesse.
Justo quando ele pensava que ela balançaria a cabeça em recusa, seu rosto ficou subitamente pálido, e um suor frio e fino brotou em sua testa.
Sua mão agarrou violentamente a têmpora, os dedos apertando com força, como se estivesse suportando uma dor imensa.
"Você... o que houve com você?" O coração de Samuel apertou; ele deu um passo à frente inconscientemente, querendo ampará-la.
Mas antes que pudesse dar o passo, Helena já havia se agachado de dor.
Em sua mente, algo parecia estar sendo rasgado, e fragmentos caóticos surgiram violentamente.
Ela viu um garotinho correndo para seus braços, dizendo: "Mamãe, não chore, eu te protejo."
Ela viu aquela criança protegendo-a, gritando furiosamente para a frente: "Não maltrate minha mamãe!"
E também... um mar de fogo, chamas tocando o céu, fumaça densa rolando...
"Dor..." Ela mordeu o lábio inferior com força, lágrimas rolando sem controle. Aqueles fragmentos em sua mente eram como lâminas afiadas, perfurando seus nervos repetidamente.
Ela queria agarrar algo, mas não conseguia segurar nada, tendo que deixar aquelas memórias devastarem sua mente.
Samuel observava seu estado doloroso com o coração dilacerado. Ele não se importou com mais nada, avançando rapidamente para verificar sua condição. No entanto, no momento em que estava prestes a tocá-la, uma mão se interpôs de repente diante dele.
"O que você fez com ela?"
A voz fria de Lucas soou, seu olhar cheio de vigilância e interrogação.
Samuel levantou a cabeça, encontrando os olhos afiados de Lucas.
Ele abriu a boca, querendo explicar, mas o que saiu foi apenas uma defesa impotente: "Eu não fiz nada."
"Nada?" Lucas riu friamente, claramente não acreditando em suas palavras.
Ele se agachou, segurando os ombros de Helena com uma voz gentil e preocupada: "Helena, como você se sente? Onde está doendo?"
Helena levantou a cabeça, seu rosto pálido como papel, o suor frio escorrendo pela testa.
Seu olhar estava um pouco desfocado, como se ainda não tivesse se recuperado daquelas memórias dolorosas.
Ela balançou a cabeça com dificuldade, sua voz fraca: "Estou bem... vamos embora."
"Certo, vamos." Lucas não perguntou mais nada, segurando-a enquanto ela se levantava lentamente, seu olhar sempre vigilante sobre Samuel, como se ele fosse uma figura perigosa prestes a ferir Helena a qualquer momento.
Samuel permaneceu parado, assistindo-os partir. Seus dedos se fecharam em punhos, os nós dos dedos ficando brancos, e seu peito parecia bloqueado por algo, tornando a respiração difícil.
Ele queria segui-los, queria explicar, queria contar-lhe tudo, mas ao ver sua expressão de dor, ele não conseguia dar aquele passo de forma alguma.
Ele ficou lá, com um olhar obscuro e complexo, fixo nas costas de Helena até que sua figura desaparecesse de vista.
Seu peito subia e descia violentamente; as emoções em seu coração estavam prestes a afogá-lo. As memórias surgiam como a maré, inundando sua razão.
Ele fechou os olhos, respirou fundo, esforçando-se para acalmar suas emoções.
Ele sabia que tudo tinha recomeçado e que ele ainda tinha uma chance.
O sol ainda brilhava suavemente na base, a brisa soprava levemente, carregando o cheiro do início da primavera.
Mas o coração de Samuel não conseguia se acalmar.
Seu olhar fixava-se à distância, como se ainda pudesse ver as costas de Helena.
Ele ficou parado lá por muito tempo, até que o alvoroço ao redor se afastou e o brilho do pôr do sol tingiu o céu de vermelho.
Em seu coração, a frase ecoava continuamente —
Tudo recomeçou, certamente conseguirei reconquistá-la.
Por outro lado, no carro.
Lucas olhava preocupado para Helena no banco do passageiro.
"Você não está se sentindo bem?"
Helena levantou a cabeça, seu olhar estava um pouco confuso, como se ainda não tivesse se recuperado completamente daquelas memórias caóticas.
Ela abriu a boca, querendo dizer algo, mas não sabia por onde começar.
Ela apenas balançou a cabeça, com a voz fraca: "Estou bem... é apenas uma dor de cabeça repentina."
Lucas franziu a testa, claramente não acreditando totalmente em suas palavras, mas não insistiu, dando apenas tapinhas gentis em suas costas: "Se não se sentir bem, deve me contar, não tente se forçar."
Helena balançou a cabeça, mas seu olhar inconscientemente olhou para longe, como se buscasse por algo.
Em sua mente, os fragmentos borrados continuavam a ecoar; aquelas memórias eram difíceis de ignorar.
Capítulo 26
O próximo encontro com Samuel aconteceu um mês depois, durante a avaliação pública de nível para purificadores da base.
Helena tinha acabado de terminar o exame e estava um pouco exausta.
Ela saiu lentamente da sala de avaliação, ainda revivendo o exame em sua mente.
No entanto, no momento em que ela abriu a porta da sala de descanso, uma figura familiar apareceu diante dela.
Samuel estava ali, segurando um buquê de rosas brancas cultivadas com cuidado na estufa, olhando-a intensamente.
Ele vestia um forro de combate escuro, o que o deixava esguio e frio, mas seus olhos carregavam um traço de ternura e expectativa que ela não conseguia entender.
Os passos de Helena pararam, e uma inquietação inexplicável surgiu em seu coração.
Ela não sabia por que, toda vez que via esse homem, seus batimentos cardíacos aceleravam incontrolavelmente, como se algo estivesse puxando suas memórias, fazendo-a querer se aproximar e fugir ao mesmo tempo.
"Para você. Parabéns, Purificadora Helena."
Samuel deu um passo à frente e estendeu as flores, com um tom gentil, mas levemente tenso.
Helena baixou a cabeça, seu olhar pousando no buquê de rosas brancas; gotas de água cristalinas ainda estavam sobre as pétalas.
Seus dedos tremeram levemente, mas ela não estendeu a mão para pegá-las.
"Obrigada, mas não preciso", ela disse suavemente, com um tom educado e distante, antes de contorná-lo e caminhar rapidamente para fora.
Ela não queria estar no mesmo espaço que ele; aquela sensação de sufocamento a assustava.
Samuel permaneceu parado, com a mão que segurava as flores apertando-se ligeiramente, os dedos ficando brancos.
Ele observou suas costas, um lampejo de dor passando por seus olhos, mas rapidamente substituído por determinação.
Ele bloqueou seu caminho, com um tom urgente, mas gentil: "Helena, no fim de semana haverá uma palestra sobre purificadores veteranos, há algumas teorias de purificação sobre as quais você gostaria de saber, eu gostaria de convidá-la para ir comigo..."
"Não é necessário."
A garganta de Samuel parecia bloqueada por algo; ele abriu a boca, mas não sabia o que mais poderia dizer.
Helena sacudiu sua mão e continuou caminhando para fora; Lucas ainda a esperava.
Foi então que um garotinho correu apressado, vestindo um moletom amarelo com estampa de patinho, batendo nas pernas de Helena como uma pequena bala de canhão.
O garotinho levantou a cabeça, seu rosto delicado expressando pânico: "Desculpe, tia!"
Helena recuou meio passo com o impacto, baixando a cabeça inconscientemente para olhar para a criança.
Seu olhar pousou no rosto do menino, e suas pupilas se contraíram bruscamente; em sua mente, algo parecia ter explodido.
Fragmentos de memórias borradas surgiram como a maré. Em seus ouvidos, soou o som da explosão no incêndio da sala de treinamento, ela viu a cena das chamas tocando o céu e a escuridão gelada do ninho do rei zumbi.