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《Reencontro no Apocalipse》Capítulo 1

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Capítulo 1

No nono ano após o apocalipse, os zumbis já haviam sido praticamente eliminados.

Helena queria encontrar o marido para passar o Dia das Crianças com o filho.

No entanto, do lado de fora do posto médico da base onde ele trabalhava, ouviu a voz de um homem estranho:

"Depois de três anos, as habilidades de Helena finalmente foram desperdiçadas."

"Ela é realmente estúpida. Casada com você há tantos anos e nem sabe que você, como médico, poderia tê-la curado."

"Você já se vingou dela 99 vezes. Por que não a joga no meio de uma horda de zumbis desta última vez e fica com Sofia?"

Após um momento, a voz grave e fria do marido respondeu: "Por que trazer isso à tona agora?"

"Sofia já voltou, e estamos todos esperando para beber no seu casamento com ela."

Helena permaneceu estática na porta. Seus ouvidos zumbiam como se um trovão tivesse explodido em sua mente, deixando-a quase incapaz de se manter de pé.

O homem que falava continuou: "Dr. Samuel, você não estaria ficando com pena dela, estaria?"

Samuel, que folheava o Compêndio de Habilidades de Cura, parou o movimento. Seu olhar permaneceu nas páginas, e sua voz não revelava qualquer emoção: "Ainda não é o momento."

O coração de Helena disparou. Involuntariamente, ela olhou através da fresta da porta.

Samuel vestia um traje de combate branco-gelo, com o colarinho abotoado até o topo. Seus olhos, por trás das lentes dos óculos, eram gélidos.

"Se Sofia não tivesse me contado a verdade, eu ainda estaria sendo enganado, tomando aquele bastardo como meu próprio filho. Como eu poderia deixá-la sair impune tão facilmente?"

Um nó se formou na garganta de Helena, tornando até mesmo a respiração difícil.

Ela não conseguiu ouvir mais nada e fugiu dali como se sua vida dependesse disso.

Ainda assim, a conversa vinda da fresta da porta a perseguia, cada palavra como uma lâmina afiada, cortando sua carne e expondo feridas profundas.

...

A noite caía.

As luzes da base emitiam um brilho pálido e doentio.

Helena massageava os pulsos doloridos, olhando para o pequeno menino que brincava quietamente no sofá com um brinquedo de caminhão. O cabelo fofo arrepiado dava a ele uma aparência adorável, aquecendo o coração dela por um breve momento.

Helena forçou-se a conter as emoções do dia e lembrou-o suavemente:

"Arthur, já são meia-noite. Você precisa tomar banho e dormir."

Arthur levantou-se, abraçou os joelhos dela e disse seriamente: "Eu quero esperar o papai chegar."

Ao ouvir as palavras do filho, Helena sentiu um aperto na garganta. O sentimento amargo subiu aos olhos, e ela não conseguiu dizer uma única palavra.

Do lado de fora, o som do veículo de patrulha da base ecoou.

Os olhos de Arthur brilharam instantaneamente. Ele soltou a perna dela e correu para a porta.

Uma voz infantil e clara soou no ar: "Papai!"

Samuel, que desabotoava o colarinho, parou o movimento. Ele franziu a testa, empurrou Arthur para o lado e disse com uma voz fria e cortante:

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"Eu disse para não me chamar de papai. Chame-me de tio."

O rosto de Helena empalideceu. Ela puxou o filho para perto, que estava com os olhos marejados e confuso. O coração, que acabara de aquecer, congelou instantaneamente.

"Samuel, Arthur é seu filho. Como você pode..."

Um brilho sombrio passou pelos olhos de Samuel. Sua voz era fria e assustadora.

"Meu filho? Helena, pergunte a si mesma se ele é meu."

A luz branca e cegante refletia o desprezo em seus olhos. A impotência fez o corpo de Helena tremer; o medo enterrado nas profundezas de sua alma ressurgiu, envolvendo-a como um pesadelo.

Anos atrás, ela retornou de sua última missão de limpeza de nível S. Naquela missão, o esquadrão encontrou um rei zumbi de alto nível, e todos os usuários de habilidade sofreram poluição mental, à beira de perder o controle. Foi ela quem forçou uma purificação profunda, estabilizando o estado mental de todo o esquadrão, permitindo que a missão fosse concluída. Toda a base celebrava seu mérito. Samuel disse que viria pessoalmente buscá-la para comemorar o sucesso.

Ela esperou por ele na base logística por horas. Todos haviam ido embora, seu comunicador estava sem bateria, e ela não o viu.

Até que, ao ouvir um ruído atrás dela...

Ela se virou, cheia de alegria, mas foi arrastada por mãos desconhecidas para um almoxarifado vazio, caindo no abismo.

Nojo, medo, pânico, desespero...

Aquela foi a dor que ela jamais esqueceria até a morte, uma cicatriz que nunca cicatrizaria.

O olhar que Samuel lançou a ela após descobrir a verdade, ela nunca esqueceria.

Sombrio, frio e carregado de um ódio cortante.

Aquele olhar se gravou como uma faca em sua alma, tornando-se um pesadelo que não a abandonava.

A lembrança daquele dia voltou à tona. Ela tentou, desamparada, segurar a bainha de sua roupa, mas foi bloqueada por sua frieza antes mesmo de tocá-lo. O nariz ardeu, e as lágrimas rolaram como pérolas de um colar rompido.

"Samuel..."

O olhar gélido de Samuel passou pelas lágrimas dela, ele tentou conter a respiração ofegante, e sua voz soou rouca e desdenhosa:

"Helena, a pessoa que está suja aqui é você!"

Capítulo 2

O homem bateu a porta ao sair.

Helena tremia, cercada por uma tristeza avassaladora, sentindo-se solitária e desamparada.

De repente, um pequeno corpo quente se jogou em suas pernas. Helena baixou os olhos, encontrando os olhos assustados e confusos do filho. Ela se agachou e o abraçou com força, escondendo sua expressão frágil, enquanto as lágrimas corriam pelo seu rosto.

Na manhã seguinte.

Helena abriu suavemente a porta do quarto do filho, olhando para Arthur que ainda dormia. Ela se inclinou para acordá-lo, vestiu-o e instruiu-o gentilmente para beber muita água no campo de treinamento de habilidades e ouvir os instrutores.

Arthur segurou a mão da professora com relutância: "Mamãe, o papai virá à apresentação de adaptabilidade de habilidades desta noite?"

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Helena olhou para os olhos claros e expectantes dele, suprimindo o aperto no coração enquanto o levava até a porta, sem responder diretamente.

"O papai está muito ocupado... Está ficando tarde, meu amor."

Hesitante, ela o chamou de volta para lembrá-lo: "Lá fora, não o chame de papai..."

Helena forçou um sorriso para que o soldado o levasse, sem coragem de encarar a confusão nos olhos do menino, e virou-se desajeitadamente.

Helena baixou os olhos, pensando no olhar de expectativa do filho, e decidiu ir até o posto médico da base.

Ao empurrar as grandes portas de liga metálica, ouviu os farmacêuticos comentando sobre um "lindo casal" no corredor.

"Olha só, deve ser a nova médica, não é? Ela conseguiu fazer o Dr. Samuel, o 'rosto de gelo', sorrir!"

Helena levantou a cabeça e seu olhar se fixou nas duas pessoas ao fim do corredor, sentindo uma amargura profunda.

Samuel nunca revelou publicamente o relacionamento deles na base; até hoje, apenas poucos amigos próximos sabiam do casamento.

Eles conversavam e riam, parecendo um par perfeito.

Especialmente aquele olhar, tão focado, como se Sofia fosse a única coisa no mundo.

O rosto de Helena empalideceu ainda mais.

Aquele olhar terno e focado de Samuel era o que Helena ansiava dia e noite, e agora ele o dava tão facilmente a outra mulher.

Sofia, sua ex-colega de faculdade antes do apocalipse e o antigo amor platônico de Samuel.

Antes do apocalipse, Helena e Samuel viviam um romance apaixonado.

Sofia frequentemente interrompia o tempo deles sob o pretexto de pedir orientações, e o homem nunca recusava, deixando Helena deprimida por muito tempo.

Foi um amigo que, sem aguentar mais, contou a ela; só então Helena soube que Sofia era a pessoa que Samuel amava no passado. Por muito tempo, ela resistiu a Samuel, vivendo insegura, com medo de que ele voltasse atrás.

O Samuel da época da faculdade, embora confuso, não era tão frio e indiferente quanto agora; ele sempre a compreendia e cuidava dela, sendo tão bom para ela...

"Ei, vai sair da frente ou não? Está bloqueando a passagem!"

A voz impaciente de um paciente ferido despertou Helena de seus pensamentos. Ela se apressou em dar passagem, e, inadvertidamente, encontrou o olhar de Samuel ao fim do corredor.

O homem desfez o sorriso, desviou o olhar com indiferença e, ao virar-se para a confusa Sofia, deu-lhe um sorriso leve, deixando claro o que pensava.

"Apenas alguém que não merece atenção."

"Uau! O Dr. Samuel é tão charmoso!" As jovens médicas ao lado cochichavam, cheias de inveja: "Será que ele gosta da nova médica, Dra. Sofia? Veja, ele sorriu de novo."

Num instante, Helena sentiu como se tivesse caído das nuvens para a lama. A frustração bloqueava seu coração, deixando-a sem palavras, incapaz de expressar suas emoções; ela só pôde optar por virar-se e sair derrotada.

Helena esperou por muito tempo na entrada do campo de treinamento, até que a apresentação de Arthur estava prestes a começar, antes de enxugar as lágrimas e entrar.

Quando seus olhos captaram a figura familiar vindo em sua direção, o peso em seu coração diminuiu um pouco.

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