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《Traição da Magia》Capítulo 13

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Nina sorria de forma linda, mais linda do que em qualquer momento que ele já vira.

Ele salvava aquelas fotos, olhava uma vez todas as noites e continuava economizando dinheiro.

Economizar tornou-se a única razão para ele continuar vivo.

No inverno do ano passado, Ian adoeceu.

Pneumonia, muito grave. Ele ficou deitado no quarto alugado por três dias, com febre alta, sem ninguém saber. Mais tarde, o proprietário foi cobrar o aluguel e o encontrou desmaiado no chão, chamando a ambulância.

Quando chegou ao hospital, a febre já estava em quarenta graus.

Ele sobreviveu, mas seu corpo estava completamente destruído.

Seus pulmões estavam arruinados, ele ficava ofegante ao caminhar alguns passos. Seu coração também não estava bem; o médico disse que ele precisava de repouso absoluto, sem esforço.

Ele estava sozinho. Deitado sozinho, comendo sozinho, divagando sozinho.

Sobre o criado-mudo estava aquela caixa de madeira.

Aquela que ela lhe dera, gravada com os nomes deles dois.

Ele limpava uma vez por dia, abria e dava uma olhada todos os dias. Estava vazia por dentro, mas ele sempre sentia que ali guardava as coisas mais preciosas de toda a sua vida.

Ele não sabia o que era aquilo.

Talvez fosse aquele olhar dela para ele, talvez fosse a voz dela dizendo “Eu gosto tanto de você”, talvez fossem aqueles dias que passaram juntos, aqueles dias que ele nunca valorizou.

A porta se abriu. A enfermeira entrou segurando uma conta: “Ian, hora de pagar.”

Ian olhou para ela, sem dizer nada.

A enfermeira suspirou.

“Você está atrasado há três meses; se não pagar, o hospital terá que te dar alta.”

Ian assentiu; que dessem alta, afinal ele não viveria por muito tempo mesmo.

Ele se sentou com esforço e abraçou a caixa de madeira.

Então, levantou-se e caminhou para fora, passo a passo.

Ao sair do quarto, a luz do sol era tão brilhante que ele não conseguia abrir os olhos.

Ele ficou parado na porta do hospital, sem saber para onde ir.

Então, ouviu uma voz.

Muito leve, muito distante, como se viesse de outro mundo.

“Ian.”

Ele ficou paralisado.

Na manhã seguinte, alguém o encontrou caído na beira da estrada.

Segurando uma caixa de madeira nos braços, ele já não respirava.

Na prisão feminina, Clara estava sentada na beira da cama, encarando a parede, divagando.

Sete anos; ela só tinha cumprido três, ainda faltavam quatro.

Desses três anos, ela pensou em muita coisa.

Pensou na infância, pensou em crescer junto com Ian, pensou no que aconteceu depois que Nina apareceu.

Ela pensou: se ela não tivesse sido tão gananciosa, tão ciumenta, tão odiosa, teria sido diferente?

Talvez Ian e Nina estivessem bem, talvez ela estivesse em outro lugar, vivendo sua própria vida, conhecendo outras pessoas; talvez ela não estivesse ali.

Mas não havia "talvez".

Cada uma das coisas que ela fez foi uma escolha dela.

“Clara, alguém veio te visitar.”

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Ela levantou-se e seguiu o carcereiro para fora.

Na sala de visitas, uma mulher estava sentada. Jovem, bonita, vestida com elegância, dos pés à cabeça carregava coisas que ela nunca alcançaria nesta vida.

Nina.

Clara ficou paralisada; ela parou ali, sem saber se deveria se aproximar ou recuar.

Nina olhou para ela, com o olhar muito calmo: “Sente-se,” disse ela.

Clara caminhou lentamente e sentou-se à frente.

“Ele morreu.”

As lágrimas de Clara rolaram.

Nina não chorou. “Vim hoje para te avisar,” ela se levantou, “afinal, vocês cresceram juntos.”

Ela virou-se para sair. “Reabilite-se bem,” ela disse. “Quando sair, tente ser uma pessoa melhor.”

A porta se fechou.

Clara ficou sentada lá, com o rosto coberto de lágrimas.

Ela se lembrou de muitas coisas.

Lembrou-se de Ian segurando sua mão para atravessar a rua quando eram crianças. Lembrou-se dele comprando doces para ela. Lembrou-se dele dizendo: “Clara, não tenha medo, eu estou aqui.”

Lembrou-se de como ela o roubou de Nina, lembrou-se de todas as coisas que fez.

Lembrou-se daquele último olhar dele para ela.

Ela cobriu o rosto e chorou tremendo por todo o corpo.

Nina saiu da prisão e entrou no carro. Lucas estava no assento do motorista, olhando para ela: “Está tudo bem?”

Nina assentiu: “Tudo bem.”

Lucas ligou o carro e partiu; Nina encostou-se no banco, observando a janela.

O céu estava muito azul, o sol estava lindo.

Ela se lembrou de muitas coisas.

Lembrou-se dos seus vinte e quatro anos, sentada na primeira fila, vendo-o conjurar uma tempestade de neve no palco.

Lembrou-se dele ajoelhado diante dela, segurando um anel.

Lembrou-se dos dois segundos de hesitação dele fora do tanque de água.

Lembrou-se de ele a empurrando e dizendo: “Eu a dou em troca.”

Lembrou-se dele dizendo na cama do hospital para a câmera: “Eu quero dar a ela o que ela quer.”

Lembrou-se dele abraçando a caixa e caindo na beira da estrada.

Nina fechou os olhos.

“Mamãe!” uma vozinha veio do banco de trás.

Nina virou-se e viu o filho debruçado na cadeirinha, estendendo as mãozinhas para ela.

Ela sorriu levemente e estendeu a mão para acariciar seu rosto.

“O que houve?”

“Mamãe, vamos para casa!”

“Tudo bem, vamos para casa.”

O carro entrou na antiga mansão da família Lu e parou ao lado do jardim.

Nina saiu, pegou o filho no colo, o sol incidia sobre eles, tão quente; ela entrou segurando o filho, e ao chegar à porta, parou por um momento e olhou para trás.

No jardim, as rosas floresciam lindamente.

Fim da História

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