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《Traição da Magia》Capítulo 12

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Hoje acontecia ali um banquete de noivado. Era a união da família Lu com a família Shen, duas grandes linhagens unindo forças; toda a elite da cidade estava presente. A entrada estava lotada de carros de luxo, e cada pessoa que desembarcava vestia trajes formais, com sorrisos impecáveis, trocando cumprimentos.

Ian vestia seu único terno, parado na entrada, observando todos entrarem.

Ele não tinha convite.

Ele economizou dinheiro por dois meses, aceitando desesperadamente qualquer trabalho como artista, dormindo apenas três ou quatro horas por dia. Ele queria vê-la, mesmo que fosse apenas de longe.

O segurança na entrada o bloqueou.

“Senhor, por favor, apresente o convite.”

Ian hesitou, apalpou seus bolsos e tirou um cartão de visitas.

“Eu, eu sou Ian,” ele disse, “mágico. Conheço Nina, eu sou o…”

Ele parou.

O que ele era dela?

Ex-marido?

O homem que a empurrou para trocá-la por outra?

A pessoa que a deixou esperando pela morte?

O segurança olhou para ele com um toque de impaciência.

“Senhor, não é permitido entrar sem convite.”

Ian ficou ali parado, sem saber o que dizer.

Alguém passou ao lado, lançou-lhe um olhar e murmurou algo. Ele não conseguiu ouvir claramente, mas sabia o significado daquele olhar.

Pobre, indigno. Ele recuou dois passos para o lado.

Ele observava as pessoas entrando, uma a uma, com sorrisos, com presentes, com a tranquilidade daqueles que pertencem a esse mundo.

Ele pensou que ela tinha razão; eles nunca foram pessoas do mesmo mundo.

Quando ele estava prestes a ir embora, alguém deu um tapinha em seu ombro.

“Cara, quer entrar?”

Ian olhou para trás; era um jovem vestindo uniforme de garçom.

“Eu tenho um convite,” o rapaz disse, “mas surgiu uma emergência em casa e não poderei ir. Se você quiser, vendo para você por dez mil.”

Dez mil.

Ian apertou aquele convite, com as palmas das mãos suadas. Ele caminhou de volta até a entrada, entregou o convite ao segurança, que olhou para o papel, olhou para ele novamente e fez um sinal com a mão.

Ian entrou no hotel.

O salão de banquetes ficava no terceiro andar. Ele subiu de elevador, sozinho. No espelho, viu seu rosto pálido e olheiras profundas. Ajeitou o cabelo, puxou o terno, mas ainda parecia miserável.

As portas do elevador se abriram e ele saiu, parando na entrada do salão.

Lá dentro, tudo era esplendor.

Lustres de cristal pendiam do teto alto, iluminando os convidados. As mesas longas estavam repletas de comida e flores, torres de champanhe estavam empilhadas camada por camada, e garçons em trajes formais circulavam com bandejas. Uma banda tocava num canto, a música suave, o riso ao longe.

Ian ficou na entrada, ninguém olhava para ele. Todos estavam ocupados socializando, rindo, ocupados com sua própria agitação.

Ele entrou e encontrou um canto para ficar.

Ele observava as pessoas; os homens vestiam ternos sob medida, as mulheres usavam joias brilhantes. O som de suas vozes era agradável, seus risos eram lindos, e em cada movimento havia algo que ele nunca conseguiria aprender. Ele pensou: esta é a vida que ela deveria levar.

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Crescida entre tais pessoas desde pequena, sempre mimada e adorada, sem saber o que é não conseguir o que deseja.

Quando ela o perseguiu, ele não soube valorizar. Achou que era apenas um capricho de madame, que quando a novidade passasse, ela o descartaria.

Agora, parado ali, observando aquelas pessoas, ele finalmente compreendeu.

Foi ela quem se rebaixou para persegui-lo, foi ele quem não soube valorizar e a empurrou para longe; ele realmente não era digno dela.

As luzes escureceram de repente, a multidão se calou, e um holofote iluminou a entrada. Ian seguiu a luz.

A porta se abriu e Nina entrou.

Nina vestia um longo vestido prateado, com a cauda arrastando pelo chão, cravejada de diamantes que pareciam uma galáxia inteira vestida sobre ela. Seu cabelo estava preso, revelando seu pescoço esguio, e brincos de diamante balançavam em suas orelhas.

Ela caminhava devagar, com um sorriso leve no rosto.

Lucas esperava por ela na porta. Ele vestia um terno preto com gravata borboleta, o cabelo meticulosamente penteado. Ela se aproximou, ele estendeu a mão, e ela colocou a sua dentro.

Eles estavam de pé juntos.

Ian estava no canto, observando-os. “Que casal perfeito,” ele pensou.

Ambos pertenciam àquele mundo, pareciam uma pintura quando juntos. Ao contrário dele.

As luzes acenderam e o mestre de cerimônias começou a falar. Ian não conseguia ouvir o que dizia. Só conseguia fixar o olhar nela, sem nem ousar piscar.

Nina sorriu levemente, virando a cabeça para ouvir o que Lucas dizia. Lucas baixou a cabeça e sussurrou algo em seu ouvido, e ela assentiu.

Ela levantou os olhos e olhou para a multidão.

Ian recuou subconscientemente um passo, encolhendo-se na sombra.

O mestre de cerimônias anunciou o início da cerimônia de noivado. Lucas tirou uma caixa e a abriu; dentro, havia um anel. Grande, brilhante, claramente muito caro.

Ele pegou o anel e olhou para Nina; Nina estendeu a mão, e o anel deslizou pelo seu dedo anelar.

Ian observou aquele movimento, e seu peito pareceu ser violentamente apertado por alguém.

Ele também já tinha colocado um anel nela.

Ele não ousava mais olhar.

Ele se virou e caminhou para fora. Ao chegar na entrada, parou.

Olhou para trás uma última vez; ela estava sob a luz, e Lucas baixou a cabeça para beijá-la.

Foi leve, gentil, como se beijasse algo muito precioso.

As lágrimas de Ian brotaram instantaneamente.

Ele se virou e correu para fora.

A rua estava fria, escura, deserta.

Ele corria sozinho, sem saber para onde, apenas correndo, correndo, correndo.

Quando não conseguiu mais correr, parou e se apoiou na parede, respirando com dificuldade.

Seu rosto estava coberto de lágrimas, que ele não se preocupava em limpar.

Ele lembrou-se daquela cena.

Ela sob a luz, vestindo aquele vestido prateado, sendo beijada; foi a coisa mais linda que ele já viu na vida.

Mas aquela pessoa não era ele, nunca tinha sido.

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Ele encostou-se na parede, escorregou lentamente e agachou-se no chão.

Enterrou a cabeça entre os joelhos.

Capítulo 20

Três anos depois, no jardim da antiga mansão da família Lu, o sol estava perfeito.

Nina estava sentada em uma cadeira de vime sob a sombra de uma árvore, segurando um livro. A luz do sol filtrava-se pelas folhas, projetando sombras salpicadas sobre ela.

“Mamãe!”

Uma voz infantil veio de longe.

Nina levantou a cabeça e viu um vulto pequeno correndo pelo jardim. Corria de forma desajeitada, com uma babá apressada logo atrás.

“Jovem mestre, corra mais devagar—”

O garotinho não ouviu, continuou correndo até chegar diante de Nina e abraçar suas pernas.

“Mamãe!”

Nina largou o livro, pegou-o no colo e colocou-o em seus joelhos.

O garotinho tinha dois anos e meio, a idade mais divertida. Olhos grandes, cílios longos e duas covinhas ao sorrir. Ele olhou para Nina, estendeu a mãozinha e tocou seu rosto.

“Mamãe, cadê o papai?”

“O papai está ocupado.” “Ocupado com o quê?” “Trabalhando.”

O garotinho franziu a testa, descontente.

“Papai está ocupado todo dia.”

Nina sorriu e beliscou seu narizinho.

“Se o papai não estivesse ocupado, quem compraria brinquedos para você?”

O garotinho pensou um pouco, pareceu concordar e assentiu. “Tudo bem então.”

Passos soaram ao longe.

Lucas caminhou até lá, inclinou-se e deu um beijo no rosto do menino: “Filho, sentiu saudade do papai?”

O garotinho abraçou seu pescoço e assentiu com força. “Senti!”

Lucas riu, pegou-o no colo e o ergueu alto. O menino ria, com tanta vontade que até babava.

Nina observava os dois, com os cantos dos lábios curvados.

Ao mesmo tempo, do outro lado da cidade.

Em um hospital decadente nos subúrbios, havia um quarto no final do corredor.

O quarto era pequeno, escuro, com apenas uma cama, um armário e uma cadeira. Fora da janela via-se outro prédio, e o sol não entrava ali.

Ian estava deitado na cama, encarando o teto.

Ele envelhecera mais do que três anos. Seu cabelo estava metade branco, seu rosto coberto de rugas, as órbitas dos olhos profundamente encovadas; ele estava tão magro que só restavam ossos.

Sua mão esquerda nunca se recuperou totalmente. Depois daquela fratura, ele não se cuidou direito e continuou a aceitar shows desesperadamente, o que deixou sequelas permanentes. Agora, aquela mão não tinha força, nem segurava um copo direito; sua carreira de mágico havia acabado há muito tempo.

Com a mão arruinada, como ele poderia fazer mágica?

Ele tentou se apresentar em pequenos teatros, com números simples. Mas o público não aceitava; diziam: “Não é aquele Ian? Como ele ficou assim?”

Depois, ele parou de atuar; ele fez muitos trabalhos. Entregador, distribuidor de panfletos, porteiro. O que desse dinheiro ele fazia, o que fosse difícil ele comia.

Ele queria economizar aqueles dez milhões; ele ainda pensava naquele vestido de noiva.

Mas Nina já estava noiva, casada, tinha filhos.

Ian sabia de tudo. Ele sempre acompanhava as notícias sobre ela. Nas notícias, nas revistas, nas redes sociais. Ela vivia muito bem, com aquele homem, com seus filhos.

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