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《Traição da Magia》Capítulo 9

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Será ela?

Ela ainda está viva?

O carro parou na frente de uma fábrica abandonada. Ian empurrou a porta do carro e saiu correndo, tropeçou e quase caiu. Ele cambaleou dois passos, recuperou o equilíbrio e correu para dentro do portão.

O interior era vasto e escuro, iluminado apenas por algumas lâmpadas. Havia água no chão e o ar tinha um cheiro úmido de ferrugem. Ao longe, algo pingava; plim, plim, gota a gota.

Ele viu uma pessoa de pé sob a luz.

Ele já tinha visto aquele rosto antes, nas notícias, em revistas e no celular de Nina. A pessoa que quase se casou com Nina três anos atrás, o filho mais velho da família Lu, Lucas.

Os passos de Ian hesitaram por um momento, e então ele avançou ainda mais rápido.

“Onde ela está?” ele agarrou Lucas pelo colarinho. “Cadê Nina! Onde ela está!”

Lucas baixou o olhar para as mãos dele e depois levantou os olhos para encará-lo.

O olhar era frio, como se observasse um homem morto.

“Você pergunta por ela?”

Antes que Ian pudesse reagir, ele recebeu um soco no rosto.

Aquele golpe foi pesado demais.

Ele caiu para trás, batendo a nuca no chão de cimento, com estrelas explodindo em sua visão. Sua boca estava cheia do gosto de sangue e um dente parecia ter se soltado.

Ele tentou se levantar apoiando-se no chão, mas levou um chute no estômago.

Ele se encolheu em posição fetal, sentindo o estômago revirar, e vomitou tudo o que havia comido na noite anterior. Ele ficou ali, prostrado em seu próprio vômito, respirando com dificuldade.

“Quando você a empurrou para fora,” a voz de Lucas veio de cima, gélida, “você pensou em onde ela estaria?”

Ian não conseguia falar. Ele estava caído no chão, tremendo violentamente.

Lucas recuou um passo e fez um sinal com a mão.

Alguns homens saíram da escuridão. Eram todos fortões, vestindo preto, com expressões inexpressivas. Eles içaram Ian do chão como se fosse um cachorro morto. Ian lutou um pouco, mas não conseguiu se soltar. Seus pulsos foram torcidos para trás e amarrados, as cordas penetrando na pele e causando uma dor aguda.

Eles o arrastaram para frente.

Ian era arrastado, seus pés raspando no chão; ele perdeu um sapato, suas meias se rasgaram e a sola de seus pés ardia de dor. Ele levantou a cabeça e viu o objeto no centro da fábrica.

Um tanque de água, idêntico ao do teatro.

Ian parou de repente.

“Não…” ele começou a lutar, lutando desesperadamente, “Não! O que vocês estão fazendo!”

Ninguém deu ouvidos.

Ele foi arrastado até o tanque. Os homens o içaram, amarrando seus pulsos e suspendendo-o no ar, exatamente em frente à abertura do tanque. Ele olhou para baixo, para a água, viu seu próprio reflexo oscilando na superfície, seu coração batendo tão forte que parecia que ia saltar pela garganta.

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“Me coloquem para baixo!” ele rugiu. “Isso é ilegal! A polícia não vai deixar isso passar!”

Lucas aproximou-se, parou ao lado do tanque e olhou para cima.

A luz vinha por trás dele, deixando seu rosto entre luz e sombra.

“Três minutos,” ele disse. “Ela prendeu a respiração por três minutos. Tente você.”

Então, ele fez um sinal.

A corda se soltou.

Ian caiu na água.

Ele abriu os olhos e, através do vidro, viu Lucas parado do lado de fora, observando-o sem expressão.

Ele começou a entrar em pânico. Seus pulmões pareciam estar sendo apertados por alguém, contraindo-se a cada instante. Ele abriu a boca para tentar respirar, mas o que entrou foi água. Ele engasgou, tossiu, e engoliu ainda mais água.

Um minuto e trinta segundos.

Ele não aguentava mais. Começou a bater no vidro. Uma, duas, três vezes. Suas mãos batiam contra o vidro; ele batia desesperadamente, com toda a força, deixando marcas de mãos por toda a superfície.

Lucas estava lá fora, imóvel.

Os homens atrás de Lucas também estavam imóveis.

Eles o observavam como se ele fosse uma piada.

Um minuto e quarenta e cinco segundos.

O rosto de Ian estava vermelho, seus olhos injetados; suas mãos, que batiam no vidro, tornavam-se mais lentas e fracas. Ele sentiu sua consciência se esvair e as coisas diante de seus olhos começarem a balançar.

Ele lembrou-se dela.

Lembrou-se de como ela estava no tanque. Lembrou-se das mãos dela batendo no vidro na gravação da segurança, cada vez mais devagar. Lembrou-se de como ela parou no fim, apenas flutuando ali, olhando na direção para onde ele tinha corrido.

De repente, a temperatura da água começou a subir.

A água ficava cada vez mais quente. Sua pele começou a ficar vermelha; ele lutava na água, batia no vidro, chutava o vidro, batia com a cabeça. Mas o vidro não se movia, aqueles homens não se moviam, Lucas não se movia.

Três minutos e quinze segundos.

Ian parou de se mover.

Seu corpo não respondia mais. Ele flutuava na água, com os olhos abertos, observando o exterior através do vidro. Ele via o rosto de Lucas, os rostos daqueles homens, as luzes, seu próprio reflexo na superfície da água.

Ele pensou: então era assim.

Então era assim que ela estava naquela hora.

Então ela esperou por tanto tempo, e ele nunca veio.

Ian foi retirado da água e jogado no chão. Ele ficou ali prostrado, respirando profundamente, tremendo, tossindo litros de água.

Lucas caminhou até ele e ficou olhando-o de cima.

Seus sapatos de couro pisaram no chão diante dele. “Três minutos e quinze segundos,” Lucas disse. “Ela esperou por quatro minutos e meio. A água também estava quente. Você só aguentou três minutos e quinze segundos.”

Ian não conseguia falar. Ele estava caído no chão; Lucas se agachou e olhou para ele. “Você sabe por que ela pôde esperar tanto tempo?”

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Ian não disse nada. Ele não podia se mover nem falar.

“Porque ela achava que você viria,” Lucas disse. “Ela esperou o tempo todo. Esperou a trava abrir, esperou você vir, esperou alguém salvá-la. Ela só parou quando realmente não pôde mais esperar.”

As lágrimas de Ian caíram.

“Você veio?” Lucas perguntou.

Ian não respondeu.

“Você veio?” Lucas perguntou novamente.

“Você não veio,” Lucas respondeu por ele. “Você estava salvando outra pessoa.”

“Chega,” ele disse. “Deixem-no ir.”

Ian ficou atônito. Ele levantou a cabeça e olhou para Lucas.

“Ela,” ele falou, a voz rouca e distorcida, “onde ela está?”

Lucas o observou sem dizer nada.

“Ela ainda está viva?” Ian tentou subir apoiando-se no chão, mas sua mão falhou e ele caiu novamente. “Me diga! Ela ainda está viva!”

Lucas ainda não disse nada.

Ian arrastou-se desesperadamente, arrastou-se até os pés de Lucas, agarrando a perna de sua calça.

“Eu te imploro,” ele disse, com o rosto coberto de lágrimas e catarro, “me diga, ela ainda está viva? Onde ela está? Eu só quero saber disso, só quero saber se ela ainda está viva.”

Lucas olhou para baixo, observando suas mãos agarradas em sua calça e sua aparência patética.

“Que direito você tem de perguntar?” ele disse.

Ian ficou atônito, levantou a cabeça e olhou para Lucas. Aquele rosto limpo, o terno impecável, ali parado.

Por quê?

Por que ele estava ali o interrogando?

Por que ele o pendurou e jogou no tanque?

Por que ele se vingava por Nina?

O que ele pensa que é?

Uma chama subiu do fundo do coração de Ian. Ele não sabia de onde vinha a força; subiu do chão, levantou-se cambaleando e agarrou o colarinho de Lucas.

“Você me pergunta que direito eu tenho?” Seus olhos estavam vermelhos, seu rosto ainda tinha marcas de lágrimas, mas seu olhar mudou. “E você? Que direito você tem de se vingar por ela?”

Lucas não se moveu, não se afastou, apenas o encarou.

“O que você pensa que é?” Ian rugiu. “Alguém que não se casou com ela há três anos? Alguém que não a conquistou? Você a trancou, não foi?”

As sobrancelhas de Lucas se moveram ligeiramente.

“Por que você a mantém presa!” Ian rugiu com as veias saltando, “Ela está disposta a ir com você? Ela está disposta a te ver? Ela está disposta a ser escondida por você? Que direito você tem de decidir por ela? Que direito você tem de se vingar por ela? Quem você pensa que é dela!”

Ele terminou de rugir, respirando com dificuldade, suas mãos agarradas ao colarinho de Lucas tremiam.

Lucas olhou para ele, com o olhar muito calmo.

De repente, uma voz veio de trás.

“Então, eu tenho o direito.”

Ian ficou paralisado.

Ele virou-se bruscamente; alguém estava à porta.

Roupas pretas, cabelos longos, rosto um pouco pálido; era Nina.

Capítulo 16

Ian olhou para ela e abriu a boca, mas não conseguiu emitir som.

Ele esfregou os olhos, achando que era uma ilusão. Ela ainda estava lá. Ela deu mais dois passos à frente e parou sob a luz.

Era ela.

Realmente era ela.

“Nina,” sua voz era rouca, “Nina.”

Lágrimas jorraram instantaneamente.

Ele se ajoelhou no chão, com a cabeça erguida para ela, o rosto coberto de lágrimas.

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