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《Traição da Magia》Capítulo 4

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O martelo de vidro em sua palma estava prestes a atingir o vidro quando sua consciência começou a pesar e a força em seus dedos se dissipou.

Em um estado de torpor, ouviu um estrondo ensurdecedor. Um jovem funcionário do teatro, com o rosto coberto de fuligem, golpeou violentamente o tanque com um extintor, e o vidro estilhaçou-se.

Ela caiu no chão, tossindo água. Em seus ouvidos, a voz ansiosa do rapaz: “Srta. Nina! Srta. Nina, resista!”

Nina abriu os olhos. Em seu braço, havia uma grande área vermelha com bolhas, a pele em carne viva; a dor a fazia tremer inteira.

Ela levantou-se e saiu, vendo uma multidão lá fora. Ambulâncias, caminhões de bombeiros, viaturas policiais.

Ian estava ao lado da ambulância, com Clara em seus braços. Como se sentisse algo, Ian levantou a cabeça.

Nina viu seu rosto. Estava coberto de fuligem e parecia ter ferimentos nas mãos. Ele olhou para ela e seus olhos se arregalaram, como se tivesse acabado de se lembrar de que havia alguém dentro do tanque.

Ele deu um passo à frente.

Nina recuou um passo.

Ela olhou para o próprio braço. O local da queimadura ainda doía; sangue e água misturados escorriam por seus dedos.

Ela se virou e entrou em outra ambulância.

Capítulo 6

Nina estava deitada na cama do hospital, com a mão esquerda envolta em uma gaze grossa.

No celular, estava o vídeo da câmera de segurança enviado pelo Dr. Marcelo. Clara entrando no depósito de equipamentos na calada da noite para trocar a tranca, Clara entrando no depósito para atear fogo antes do show. Estava tudo claro.

Ela salvou o vídeo em um pen drive e pegou o celular, pronta para chamar a polícia.

A porta se abriu e Ian apareceu.

Ao ver Nina na cama, seu olhar era de culpa e dor.

Ele deu um passo à frente e seus lábios se moveram como se quisesse dizer algo. Então, viu o pen drive em suas mãos, seus dedos segurando o celular e a tela de monitoramento ainda aberta.

Ele ficou atônito.

Caminhou rapidamente, arrancou o celular de sua mão e o jogou na cama.

“O que você está fazendo!” Nina levantou a cabeça para ele.

Ian não disse nada. Ele encarou o pen drive na mão dela e estendeu a mão para arrancá-lo.

Nina apertou o pen drive e puxou a mão: “Ian!”

“Dê para mim.” Sua voz era baixa. “Por que eu deveria dar?”

Ian não respondeu. Ele tentou forçar os dedos dela para abrir a mão.

Ele usou muita força. Força suficiente para fazer os dedos de Nina doerem, força suficiente para fazer sua mão esquerda enfaixada bater na beira da cama, fazendo-a soltar um suspiro de dor.

“Dói—” ela gritou.

A mão de Ian hesitou.

Naquele instante, ele pareceu ser atingido por algo, e a força diminuiu. Ele abaixou a cabeça e olhou para ela — para sua testa franzida de dor, para sua mão esquerda batida, para o sangue que surgia sob a gaze.

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Nina apertou o pen drive com força e olhou para ele, com os olhos avermelhados. “Você ficou louco?” sua voz tremia.

Ian ficou lá parado. “Não chame a polícia.”

Nina hesitou. “Você sabe que foi ela? Você viu o que ela fez? Trocou a tranca, ateou fogo, quase me queimou viva lá dentro — e você quer que eu não chame a polícia?”

A voz de Ian estava rouca: “Ela não fez de propósito.”

Nina não podia acreditar.

“Ela agiu por impulso, só queria desabafar.” Ian olhou para a parede, evitando seu olhar. “Você fez aquelas coisas com ela antes, é normal que ela estivesse com raiva.”

Ian ficou ao lado da cama e respirou fundo. “Nesses anos todos de casamento,” ele disse, “eu nunca te pedi nada.”

Nina virou a cabeça e olhou para ele.

Havia um desvio no olhar de Ian, mas ele não evitou o olhar dela.

“Desta vez,” ele disse, “você pode deixá-la em paz?”

“Posso, se amanhã você me acompanhar até a casa da família.”

“Tudo bem.” ele disse.

No dia seguinte, na casa da família. O pai de Nina estava na porta. Ao ver Ian descer do carro com Nina, ele parou o olhar nele por um momento, mas não disse nada.

“Espere aqui.” disse Nina, e Ian assentiu.

Nina seguiu o pai para o interior da casa. Atravessou o corredor e empurrou uma porta; era o quarto que fora de sua mãe. Três anos depois, tudo continuava igual.

O pai de Nina caminhou até o armário, tirou uma caixa de madeira de sândalo e entregou a ela.

“Sua mãe deixou isto,” ele disse. “Antes de partir, ela pediu que, quando você completasse dois anos de casada, trouxesse seu marido para buscar.”

Nina pegou a caixa. Quando sua mãe partiu, ela ainda se preocupava em vê-la vestida de noiva e queria ver como era o homem com quem ela se casaria.

Mas ela nunca o trouxe, pois ele se recusava a vir.

O pai de Nina silenciou por um momento, tocou seu ombro e saiu sem dizer nada.

Ian ainda estava no pátio. Ao vê-la sair, seu olhar pousou na caixa em seus braços.

No caminho de volta, nenhum dos dois falou.

Dez da noite.

Nina tinha acabado de se deitar quando bateram na porta.

Ela abriu, e Ian entrou correndo, agarrando seu pulso e puxando-a da cama.

“Onde está Clara!” ele rugiu, com os olhos vermelhos. “Onde você a prendeu!”

Capítulo 7

O aperto de Ian em seu pulso era como uma pinça de ferro. Nina cambaleou dois passos, seu pé escorregou e seu joelho bateu na quina da cama, fazendo-a soltar um suspiro de dor.

“Eu não sei,” ela disse.

Ian nem sequer a ouviu. Ele a arrastou para fora, puxando-a do quarto, pela sala, até a porta. Nina estava de pijama, descalça, sendo arrastada por ele até o elevador e, em seguida, para dentro do carro.

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A porta do veículo se fechou com um estrondo.

Ian deu a partida, pressionando o acelerador até o fundo. Nina sentou-se no banco do passageiro, com uma marca vermelha no pulso ardendo em fogo. Ela observou as luzes da rua passando velozmente pela janela, sem dizer uma palavra.

O carro seguia em direção ao mar.

Quando chegaram a um cais desolado, Ian freou bruscamente. Ele desceu, contornou a frente do carro, abriu a porta do passageiro e puxou Nina para fora com força.

“Anda!”

Nina foi arrastada por ele. O chão era coberto de cascalho e ervas daninhas, que perfuravam seus pés descalços, causando-lhe uma dor excruciante.

À beira-mar, um barco de pesca abandonado estava ancorado. No mastro da vela, alguém estava amarrado.

Clara.

Ela estava atada ao mastro, suspensa do lado de fora do convés, balançando perigosamente. O vento marítimo a fazia oscilar de um lado para o outro enquanto ela gritava, chorando, “Ian, me salva!”, com a voz cortada pelo vento.

Ian correu em direção a ela como um louco.

Dois homens surgiram de trás do barco, bloqueando seu caminho.

Ian parou, ofegante. Ele olhou para trás, agarrou Nina, que vinha logo atrás, e a empurrou para a frente.

“Esta é a filha única da família Shen,” ele disse. “Eu a dou em troca.”

Nina cambaleou dois passos e virou-se para encarar Ian.

O vento marítimo desgrenhou seu cabelo, seu pijama inflava com a brisa, e seus pés descalços, pisando no cascalho, já começavam a sangrar.

Ela olhou para ele e perguntou: “Como você tem coragem?”

Ian riu com desdém. “Seus comparsas não vão te machucar de verdade, pare de encenar.”

Os sequestradores se aproximaram e puxaram Nina. As cordas envolveram seus pulsos enquanto a arrastavam para o barco. Ela foi amarrada ao mastro, na mesma posição em que Clara acabara de ser solta.

Ian, contudo, nem olhou para trás; ele saiu levando Clara.

Clara ainda chorava, sentindo-se fraca, sendo quase carregada por ele até o carro. As portas se fecharam, o motor rugiu, e os faróis iluminaram um pequeno trecho do cais antes de desaparecerem na noite, cada vez mais distantes.

Nina estava amarrada ao mastro.

O vento marítimo era forte, fazendo-a balançar violentamente. As cordas apertavam seus pulsos. Ela olhou para o sequestrador no barco: “Quem contratou vocês?”

O homem não respondeu; caminhou até o mastro segurando uma tesoura.

Nina olhou para ele. “A família Gu?” ela perguntou. “Ou a família Zhou? Meu pai tem tantos rivais nos negócios, você precisa me deixar saber quem foi.”

Um movimento rápido da tesoura. A corda se rompeu.

Nina deslizou do mastro e despencou em direção ao mar lá embaixo.

Ela ouviu o vento uivando em seus ouvidos, o som das ondas batendo contra o casco, a água entrando em seus ouvidos, nariz e boca.

O gosto salgado, a temperatura gelada, afundando, afundando, afundando.

Ela lutou desesperadamente, mas não conseguia controlar a descida. Quando estava prestes a sufocar, muitas lembranças lhe vieram à mente.

Lembrou-se dos seus vinte e quatro anos, sentada na primeira fila, vendo-o conjurar uma tempestade de neve.

Lembrou-se de dizer: “Meu nome é Nina, eu te escolhi.”

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