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《Traição da Magia》Capítulo 3

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O corredor estava silencioso, e ao longe vinha o som de Clara cantarolando.

“Pedir desculpas pelo quê?” ela perguntou.

Ian franziu a testa e, antes que pudesse falar, passos soaram atrás dele.

“Ah? A Srta. Nina chegou?”

Era uma funcionária do teatro, trazendo duas xícaras de café; seus olhos brilharam ao ver Nina.

“Veio trazer comida para o professor Ian de novo?” a jovem disse, sorrindo e olhando para trás de Nina. “O que trouxe hoje? Aqueles bolinhos de da última vez, o professor Ian adorou; todos dizemos que a esposa dele é tão atenciosa…”

A voz da moça foi diminuindo.

Ela percebeu que não havia nada atrás de Nina. Sem sacola térmica, sem marmita, sem as coisas que ela sempre carregava.

Ian também olhou para trás e, ao ver suas mãos vazias, a expressão em seu rosto mudou.

Nina olhou para aquela expressão e lembrou-se do passado.

Antes, toda vez que ela vinha, trazia algo. Aqueles bolinhos que ele adorava, que levavam uma hora e meia para buscar. A sopa de pera que ela mandava a governanta cozinhar por quatro horas quando a garganta dele estava ruim. Os remédios que ela sempre deixava na bolsa para quando ele pegava resfriado nas mudanças de estação.

Naquela época, toda vez que ela empurrava a porta dos bastidores, os olhos dele sempre brilhavam.

Após dois segundos de silêncio, Ian recuou um passo e sua expressão esfriou, como se nada tivesse acontecido.

“Certo,” ele disse, a voz ainda mais fria que antes. “Então não entre.”

O gerente a esperava no escritório; Nina não fez rodeios e disse diretamente que não faria o investimento do próximo trimestre.

O gerente ficou atônito e começou a tentar convencê-la. Disse que o teatro dependia totalmente da Srta. Nina nos últimos dois anos, mas ela balançou a cabeça.

Ao abrir a porta do escritório, ela parou.

As luzes do corredor apagaram-se completamente; um breu total, sem enxergar nada.

Nina ficou parada, seu coração falhou uma batida.

Nina pegou o celular e ligou a lanterna. O feixe de luz projetou-se, iluminando apenas aquele pequeno pedaço de chão. O corredor era longo, e no final estava a placa verde de saída de emergência, emitindo um brilho fraco na escuridão.

Ela deu um passo à frente, dois, três.

Suas mãos tremiam. O celular tremia. O feixe de luz tremia.

O coração batia tão rápido que ela mal conseguia respirar. A escuridão inundava tudo como água, envolvendo-a.

Suas pontas dos dedos tremiam e, inconscientemente, ela apertou a palma da mão. Na sua vida mimada desde pequena, ela nunca gostou desse tipo de escuridão impenetrável, mas agora não tinha como evitar.

Ela apressou o passo e, na metade do caminho, ouviu repentinamente uma explosão de vivas.

Nina parou, inclinou a cabeça e caminhou passo a passo.

Parada na lateral do palco, viu Ian sob o holofote, estalando os dedos. Sobre o palco, começou a cair neve.

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Clara estava na neve, vestida com um vestido branco, com o rosto erguido, deixando os flocos caírem em sua face, sorrindo como uma menininha.

Todos aplaudiam, riam, gritavam “Feliz Aniversário”.

Ian estalou os dedos novamente e um bolo apareceu nas mãos de Clara. Ela fechou os olhos, uniu as mãos, e a neve a cobriu inteira.

Nina ficou na escuridão, observando aquela neve.

Havia algo bloqueando seu peito, impedindo-a de respirar.

Ela empurrou a porta para sair; o vento frio passou por seu rosto, dispersando completamente aquele pequeno amargor em seu coração.

No passado, quando ele acidentalmente desligava as luzes e a deixava na escuridão, ela lhe dizia que não gostava do escuro.

Ele prometera seriamente que guardaria aquilo na memória.

Acontece que, no coração de Ian, Clara era mais importante que tudo — tão importante que até as coisas que ele prometera a Nina podiam ser esquecidas e lançadas ao esquecimento.

Nina olhou para o céu noturno, e aquela emoção agitada durou apenas um instante antes de ser suprimida.

“Nina!” Ian correu. “O que houve?”

Nina não disse nada.

Ele pareceu lembrar de algo. “Por que as luzes se apagaram?”

Ele olhou para trás, para o corredor escuro, e depois voltou a olhar para ela. “Espere aqui, vou pedir para acenderem.”

Quando ele ia se virar, uma mão o segurou.

Clara saiu da escuridão, parou atrás de Ian e olhou para Nina antes de baixar a cabeça.

“Ian,” ela disse baixinho, “o truque ainda não terminou, todos estão esperando…”

Ian vacilou.

Clara levantou a cabeça e olhou para ele, com os olhos brilhantes e um pouco de súplica.

“Deixe a Nina ficar e assistir, por favor.”

Ela deu dois passos à frente, parou diante de Nina e estendeu a mão. Nina, por reflexo, a afastou, e Clara soltou um grito repentino.

Seu pé escorregou e ela caiu para trás, despencando da beira do palco.

Capítulo 5

Na manhã seguinte, ela foi despertada pelo celular vibrando.

“Herdeira do Grupo Shen pratica bullying contra pessoa comum? Fotos da cena expostas com exclusividade.”

Nas fotos, ela estava parada no topo da escada e Clara caía; o ângulo capturava apenas aquele instante, fazendo parecer que Nina a havia empurrado.

Na segunda imagem, Clara estava ajoelhada no chão, olhando para cima enquanto Nina a observava com uma expressão gélida.

A legenda dizia: “A madame da família Shen, para roubar o homem, expulsou a amiga de infância, forçou-a a se ajoelhar e agora ainda a empurra? É essa a arrogância dos ricos?”

A seção de comentários estava em chamas. Nina segurou o celular, com os dedos gelados.

Uma segunda ligação entrou; era seu pai. “Resolva isso. Não importa o que precise fazer, abafe o caso.”

Nina levantou-se e dirigiu até o hospital.

Ian estava parado ao lado da cama. Clara estava semirreclinada, com as mãos enfaixadas e o rosto pálido. Ao ver Nina entrar, Clara se encolheu, e Ian se virou. “Você ainda tem coragem de vir aqui?”

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Nina o ignorou e caminhou diretamente até a cama, olhando para Clara.

“O que você quer?” Clara hesitou e levantou os olhos para ela.

A voz de Nina era calma: “Você mesma vazou as fotos. O que você quer?”

Ian se aproximou e se colocou na frente de Clara: “Nina, já chega.”

Clara levantou os olhos, olhou para Nina e baixou a cabeça novamente. Após alguns segundos, disse suavemente:

“Se a Nina estivesse disposta a colaborar com o Ian em uma apresentação de fuga do tanque de água, seria ótimo.”

Ian franziu a testa e olhou para Clara.

Clara segurou sua manga e insistiu em voz baixa: “Ian, isso seria o melhor para a Nina, não seria? As ações da empresa dela caíram, uma apresentação assim recuperaria sua reputação.”

Ian afastou a mão dela, franzindo a testa, o tom de voz mais pesado: “Fuga do tanque de água não. Vamos trocar por algo simples, aquilo tem riscos.”

Nina observou a cena com olhos frios, um sorriso leve e indiferente nos lábios, e respondeu de forma contida: “Pode ser.”

Três dias depois, um funcionário se aproximou dela com uma expressão hesitante: “Srta. Nina, o equipamento foi trocado de última hora. Por favor, prepare-se.”

Nina levantou os olhos, acariciando distraidamente o pequeno martelo escondido na manga da blusa, e respondeu com calma: “Trocaram por quê?”

Ao chegar ao palco, o que viu foi o tanque de água.

Ian apareceu logo em seguida, com as sobrancelhas cerradas: “Por que ainda é o tanque? Eu disse para trocar.”

O funcionário respondeu gaguejando: “A Srta. Clara disse que o efeito visual deste é o melhor e que o público aprova.”

Ian relaxou a expressão, mas, no fim, não contestou. Ele caminhou até o tanque e disse a Nina: “Entre e prenda a respiração. Vou abrir a tranca quando contar até trinta. No máximo três minutos, não vai acontecer nada.”

Nina não respondeu e entrou direto no tanque.

A água fria cobriu sua pele, um frio penetrante. Ela levantou os olhos e olhou para Ian através do vidro, sem nenhuma emoção no olhar.

A contagem regressiva começou. Ela prendeu a respiração.

O mecanismo da tranca não se moveu.

A expressão de Ian escureceu. Ele girava a manivela repetidamente com cada vez mais força, mas a trava continuava firme. Os funcionários se aglomeraram em pânico; alguém gritou desesperado: “Professor Ian, mexeram na tranca! Não abre!”

O rosto de Ian ficou branco como papel.

Nesse exato momento, um tumulto ensurdecedor veio dos bastidores. Alguém gritou: “Fogo! O depósito de equipamentos está pegando fogo!”

As chamas iluminaram metade do céu e também o rosto em pânico de Ian.

Seu olhar oscilou desesperadamente entre o tanque e os bastidores.

Nina o observava dentro da água, segurando firmemente o martelinho que havia escondido previamente, com um olhar de total indiferença.

Ela já esperava que Clara mexesse no equipamento; só queria ver, afinal, qual lado aquele homem, a quem ela amou tão intensamente, escolheria.

“Ian!” Os gritos de socorro de Clara vinham através das chamas, agudos e urgentes.

Ele olhou para o tanque, cerrou os dentes, deu um passo para trás, e Nina, submersa, observou suas costas correrem para dentro do fogo.

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