《A Música do Homem que Não Morreu》PARTE 11

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A noite sobre São Paulo parecia mais pesada do que o normal.

A chuva continuava fina, constante, como se o céu não tivesse decidido ainda se lamentava ou apenas assistia.

Na Mansão Vasconcelos, as luzes já não eram luxuosas.

Eram de emergência.

Helena estava sentada no chão da sala principal, completamente sem forças.

Bruno Reis já havia sido levado.

Victor Albuquerque Vasconcelos também.

E Sofia…

Sofia estava de pé.

Sozinha no meio de tudo.

Os agentes federais ainda circulavam pela casa, recolhendo documentos, dispositivos, provas.

Mas o que realmente tinha sido levado…

não era físico.

Era um império.

Um dos agentes passou por Sofia e disse:

— Você precisa vir conosco também para depoimento.

Ela não respondeu imediatamente.

Olhou ao redor.

Como se estivesse tentando entender se aquilo era real ou apenas mais uma música mal resolvida.

Helena levantou a cabeça, desesperada:

— Ela é só uma criança!

O agente respondeu:

— Ela é testemunha-chave.

Sofia finalmente falou:

— Eu não vou a lugar nenhum agora.

Silêncio.

O agente hesitou.

Sofia continuou:

— Eu ainda não terminei.

Helena se levantou com dificuldade.

— Sofia… por favor…

Mas Sofia não olhou para ela.

O olhar estava fixo no vazio.

No espaço onde antes havia controle.

Onde antes havia mentiras.

Onde antes havia Victor.

Helena se aproximou devagar.

— Eu fiz tudo para te proteger…

Sofia respondeu sem emoção:

— Você me protegeu de saber.

Silêncio.

Helena começou a chorar novamente.

— Eu não podia te contar…

Sofia finalmente virou o rosto.

— Ele está vivo.

Helena congelou.

Sofia repetiu:

— Meu pai está vivo.

Helena sussurrou:

— Eu sei…

Sofia fechou os olhos por um segundo.

E então abriu.

— Então acabou.

Helena caiu de joelhos de novo.

Mas agora não havia mais força nem para implorar.

???? AO MESMO TEMPO — O MUNDO ASSISTE

Em telas ao redor do planeta, o caso já não era mais “notícia”.

Era evento histórico.

“COLAPSO DA VASCONCELOS MUSIC CONFIRMADO”

“VÍTIMAS DO ESQUEMA DE ROUBO MUSICAL SE PRONUNCIAM AO VIVO”

“EQUIPE INTERNACIONAL CONFIRMA LIGAÇÃO COM ELÍAS MONTEIRO”

Em São Paulo, repórteres cercavam o prédio.

Em Nova York, investidores falavam em “fraude sistêmica”.

Em Lisboa, arquivos antigos da empresa estavam sendo reabertos.

E em algum lugar desconhecido…

alguém assistia tudo em silêncio.

???? INTERIOR DA MANSÃO — O ÚLTIMO RESQUÍCIO

Sofia caminhou lentamente pela sala.

Passou pelo piano.

Pelo lugar onde tudo começou.

Onde sua vida foi exposta pela primeira vez.

Ela colocou a mão sobre as teclas.

Mas não tocou.

Atrás dela, Helena falou:

— Ele vai voltar por você…

Sofia respondeu sem virar:

— Ele nunca saiu.

Silêncio.

Helena se aproximou.

— Sofia… ele fez tudo isso por nós.

Sofia virou devagar.

— Não.

Ela respirou fundo.

— Ele fez isso por verdade.

Helena não respondeu.

Porque não havia resposta possível.

???? EXTERIOR — SAÍDA DOS AGENTES

Os últimos agentes federais estavam saindo.

Um deles falava no rádio:

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— Unidade concluída. Todos os ativos principais detidos.

Outro respondeu:

— E o arquivo Monteiro?

Silêncio no rádio.

Depois:

— Ainda em investigação.

???? O ÚLTIMO SISTEMA

Dentro da mansão, Bruno Reis — já dentro da viatura — observava algo na tela de um dispositivo apreendido.

Um técnico perguntou:

— O que é isso?

Bruno respondeu baixo:

— Ele ainda está ativo.

O técnico franziu a testa:

— Quem?

Bruno respondeu:

— Elias.

???? A CASA SILENCIOSA

De volta à sala principal.

Sofia estava sozinha novamente.

Helena havia sido levada para depoimento complementar.

O som da chuva era tudo o que restava.

Então…

o telefone da mansão tocou.

Uma única linha fixa.

Sofia olhou.

Não se moveu.

O telefone tocou novamente.

E então ela atendeu.

Silêncio.

Respiração fraca do outro lado.

E uma voz.

Rasgada.

Mas viva.

— “Sofia…”

Ela congelou.

Os olhos dela se encheram lentamente.

— Pai…

Silêncio do outro lado.

E então:

— “Você viu tudo.”

Sofia fechou os olhos.

— Eu vi.

A voz continuou:

— “Então você sabe o que eu sou agora.”

Sofia respirou fundo.

E respondeu:

— Você ainda é meu pai.

Silêncio profundo.

Elias respondeu:

— “Não mais.”

Sofia apertou o telefone.

— Onde você está?

Silêncio.

Mais longo.

Mais pesado.

E então ele disse:

— “Perto.”

Sofia abriu os olhos rapidamente.

— Perto onde?

A voz hesitou.

E então veio a última frase:

— “A cidade ainda não sabe, mas eu já cheguei.”

Sofia virou o rosto lentamente para a janela.

A Avenida Paulista brilhava ao fundo.

Luzes.

Carros.

Vida normal.

Mas algo mudou no olhar dela.

Como se ela tivesse acabado de ver algo que ninguém mais via.

E então…

a ligação caiu.

O telefone ficou mudo.

Sofia ficou parada.

O som da chuva aumentou.

E na rua, em algum ponto da Avenida Paulista…

uma figura caminhava sozinha entre as luzes da cidade.

E ninguém ainda sabia exatamente quem ela era.

Nem o que ela estava prestes a fazer.

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