《A Música do Homem que Não Morreu》PARTE 10

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As portas da Mansão Vasconcelos estavam abertas.

Mas ninguém entrou como convidado.

A Polícia Federal ocupava cada centímetro da entrada principal.

Luzes azuis refletiam nos mármores caros da mansão.

Helena estava ajoelhada no chão, tremendo.

Sofia permanecia em pé.

Victor Albuquerque Vasconcelos estava no centro da sala.

Imóvel.

Como se ainda estivesse tentando entender em que momento o mundo deixou de obedecê-lo.

Bruno Reis já havia sido afastado por dois agentes.

E o silêncio agora tinha outro peso.

Oficial.

Um agente avançou.

— Victor Albuquerque Vasconcelos?

Victor não respondeu.

O agente repetiu:

— O senhor está sendo notificado de prisão preventiva por fraude financeira, falsificação de propriedade intelectual e associação criminosa.

Helena soltou um som de desespero.

— NÃO!

Sofia virou o rosto lentamente.

Victor finalmente falou:

— Isso é um erro.

O agente respondeu seco:

— Não é.

E então ele deu um passo à frente.

— O senhor vai nos acompanhar.

Victor não se moveu.

— Vocês não têm ideia do que estão fazendo.

O agente respondeu:

— Temos sim.

Silêncio.

E então…

um segundo agente entrou com um tablet.

— Senhor, a operação já está em andamento.

Victor virou o rosto rapidamente.

— Que operação?

O agente respondeu:

— Congelamento de ativos.

Helena começou a chorar mais forte.

— Não… isso não pode estar acontecendo…

Sofia observava tudo.

Como se estivesse vendo a queda de algo inevitável desde o começo.

Victor deu um passo para trás.

— Vocês não podem congelar a Vasconcelos Music sem ordem internacional.

O agente respondeu:

— Já existe ordem internacional.

Silêncio.

Victor ficou imóvel.

E pela primeira vez…

não respondeu.

Helena gritou:

— VOCÊS ESTÃO DESTRUINDO TUDO!

O agente respondeu frio:

— Isso já foi destruído.

Sofia deu um passo à frente.

— Não foi.

Todos olharam para ela.

Sofia continuou:

— Foi exposto.

Silêncio.

Victor olhou para ela.

E pela primeira vez naquela noite, parecia não saber o que dizer.

Bruno, algemado ao fundo, gritou:

— Isso saiu do controle do sistema há horas!

Helena caiu no chão de novo.

Victor respirou forte.

— Isso não vai ficar assim.

O agente respondeu:

— Vai sim.

E então…

o segundo agente levantou o tablet.

— Senhor, a imprensa global está ao vivo.

Victor virou rapidamente.

— O quê?

O agente virou a tela.

E lá estava.

Jornais internacionais.

Canais ao vivo.

Traduções simultâneas.

“VASCONCELOS MUSIC SCANDAL EXPOSED LIVE”

“ELIAS MONTEIRO CASE REOPENS GLOBAL INVESTIGATION”

Victor ficou imóvel.

Helena levou a mão à boca.

Sofia assistia.

Sem emoção aparente.

Como se já soubesse o final.

E então…

o celular de Victor vibrou no chão.

Ele olhou.

E viu.

Centenas de mensagens.

Investidores.

Advogados.

Polícia econômica.

E uma última notificação.

Em vermelho.

“ORDENS DE PRISÃO INTERNACIONAL EMISSAS”

Victor fechou os olhos por um segundo.

E quando abriu…

já havia dois agentes ao lado dele.

— Senhor, por favor.

Victor tentou resistir.

— Isso é um absurdo!

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Mas já não havia espaço para discurso.

Os agentes seguraram seus braços.

Helena gritou:

— VICTOR!

Sofia não se mexeu.

Victor olhou ao redor da sala.

Como se ainda procurasse algo que pudesse controlar.

Mas não havia mais nada.

Ele finalmente olhou para Sofia.

E disse baixo:

— Isso não é o fim.

Sofia respondeu calmamente:

— Já começou o fim há muito tempo.

Silêncio.

E então Victor foi levado.

Sem espetáculo.

Sem resistência possível.

Apenas movimento inevitável.

Helena desabou completamente no chão.

— acabou…

Bruno foi levado logo depois.

A mansão começou a esvaziar.

Mas o mundo lá fora não estava em silêncio.

Porque naquele momento…

em todas as telas do planeta…

o caso estava ao vivo.

???? DO OUTRO LADO DO MUNDO

Noticiários em São Paulo.

Nova York.

Lisboa.

Londres.

Tóquio.

Elias Monteiro.

O nome agora era global.

E Sofia via isso tudo em uma pequena tela lateral.

Enquanto a mansão era desmontada pela lei.

Helena se aproximou dela lentamente.

— Sofia…

A voz dela era quebrada.

Sofia não respondeu imediatamente.

Helena continuou:

— Eu só queria te proteger…

Sofia finalmente olhou para ela.

— Você me escondeu.

Silêncio.

Helena caiu de joelhos novamente.

— Eu não tinha escolha…

Sofia respondeu:

— Sempre tem escolha.

Silêncio.

E então…

um som diferente ecoou na mansão.

Não era sirene.

Nem polícia.

Era algo eletrônico.

Bruno, sendo levado, gritou:

— ESPERA!

Um dos agentes virou:

— O quê?

Bruno tentou olhar para a sala.

— O sistema… ainda está ativo…

Victor, já sendo levado, virou a cabeça rapidamente.

— O quê você disse?

Bruno respondeu:

— Não acabou.

Silêncio.

Sofia franziu a testa.

— Como assim?

Bruno gritou:

— O servidor principal ainda está rodando fora do país!

Helena levantou a cabeça rapidamente.

— O quê isso significa?!

Bruno respondeu:

— Alguém ainda está operando o sistema.

Silêncio absoluto.

Victor parou por um segundo.

E então olhou para Sofia.

Com algo diferente.

Não medo.

Não raiva.

Algo pior.

Entendimento.

E então…

o último monitor da sala ligou sozinho.

Helena gritou:

— NÃO!

Sofia virou-se lentamente.

E viu.

Uma tela preta.

Depois estática.

Depois uma voz.

Distante.

Rasgada.

Mas familiar.

Helena caiu no chão novamente.

Sofia congelou.

Victor, sendo levado, parou completamente.

A voz disse:

— “Se você está vendo isso…”

Silêncio total.

Sofia deu um passo à frente.

Helena começou a chorar mais forte.

E então a voz continuou:

— “Então eles não conseguiram me apagar completamente.”

Sofia ficou imóvel.

E a tela mudou.

Para um ambiente escuro.

Muito escuro.

E uma figura apareceu.

Parcial.

Não totalmente visível.

Mas viva.

E a voz final disse:

— “Sofia…”

Silêncio.

Helena engasgou.

Victor ficou parado.

E Sofia sussurrou:

— pai…

E nesse exato momento…

a tela desligou.

Mas o telefone de Sofia começou a tocar sozinho.

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