A Avenida Paulista estava coberta por chuva fina e luzes vermelhas de emergência.
Mas dentro da Mansão Vasconcelos, o tempo parecia parado.
Até que os monitores apagaram.
E voltaram.
Com uma única mensagem piscando em todas as telas.
TRANSMISSÃO AO VIVO INICIADA
Helena levou a mão à boca imediatamente.
— Não… não, não, não…
Sofia ficou imóvel.
Victor Albuquerque Vasconcelos não piscava.
Bruno Reis deu um passo para trás.
— Isso saiu do nosso controle total.
Victor virou o rosto lentamente.
— Corta a conexão agora.
Bruno respondeu seco:
— Não dá mais.
Silêncio.
E então…
a tela mudou.
E um vídeo ao vivo surgiu.
Uma câmera tremida.
Um auditório.
Milhares de pessoas online.
E no centro da transmissão…
o arquivo da Vasconcelos Music sendo exibido publicamente.
Helena começou a tremer.
— Eles estão mostrando tudo…
Sofia se aproximou da tela.
E viu.
Partituras.
Contratos.
Assinaturas de Elias Monteiro.
Victor deu um passo à frente.
— Isso é invasão.
Bruno respondeu:
— Isso é vazamento interno autorizado por múltiplas chaves.
Victor virou rapidamente.
— O quê?
Bruno hesitou.
— Alguém dentro do sistema liberou acesso antigo.
Silêncio.
Helena sussurrou:
— Ele está fazendo isso…
Sofia respondeu imediatamente:
— Meu pai.
Victor bateu na mesa com força.
— ELE NÃO TEM ACESSO A NADA!
Bruno olhou para ele.
— Ele tinha.
Silêncio pesado.
E então a transmissão mudou.
Agora era um estúdio de jornalismo ao vivo.
Uma apresentadora falava:
— “Estamos recebendo agora documentos confirmando que a Vasconcelos Music operou um esquema global de apropriação de obras musicais durante anos…”
Helena caiu sentada.
Victor ficou branco.
Sofia assistia tudo sem se mexer.
A apresentadora continuou:
— “Os documentos incluem gravações assinadas por Elias Monteiro, compositor que foi oficialmente dado como morto ou desaparecido…”
Victor fechou os olhos.
E pela primeira vez… perdeu o controle da respiração.
Bruno falou baixo:
— Isso está sendo replicado em todos os canais.
Victor respondeu:
— Bloqueia.
Bruno respondeu:
— Não existe mais centro de bloqueio.
Silêncio.
E então…
o celular de Victor começou a vibrar sem parar.
Notificações.
Investidores.
Jornais.
Polícia econômica.
Helena se levantou de repente.
— Isso acabou…
Victor virou para ela.
— NÃO ACABOU.
Mas a voz dele já não tinha a mesma força.
Sofia falou calmamente:
— Já acabou.
Victor olhou para ela.
— Você acha que fez isso?
Sofia respondeu:
— Eu só toquei.
Silêncio.
Bruno interrompeu:
— Não foi só isso.
Ele mostrou a tela.
— O sistema respondeu ao padrão musical como chave primária.
Victor virou-se rapidamente.
— Isso não deveria existir!
Bruno respondeu:
— Mas existia.
Helena sussurrou:
— Elias…
Sofia completou:
— Ele deixou isso.
Silêncio.
E então…
um novo alerta apareceu.
TRANSFERÊNCIA DE ARQUIVO CONCLUÍDA PARA AUTORIDADES FEDERAIS
Victor ficou imóvel.
— Autoridades?
Bruno confirmou:
— Polícia econômica. Ministério público. Imprensa internacional.
Helena começou a chorar novamente.
— Ele destruiu você…
Victor respondeu:
— ELE NÃO ESTÁ AQUI.
Sofia deu um passo à frente.
— Mas ele está em todo lugar.
Silêncio.
E então a tela principal mudou de novo.
Agora era um feed de redes sociais.
Milhões de pessoas assistindo.
Comentários explodindo.
“Vasconcelos caiu”
“Roubo de música!”
“Elias Monteiro está vivo?”
Victor olhava aquilo como se fosse impossível.
— Isso não pode estar acontecendo tão rápido…
Bruno respondeu:
— Está acontecendo em tempo real.
Helena caiu de joelhos.
— Meu Deus…
Sofia continuava olhando.
Mas havia algo diferente nela agora.
Não era surpresa.
Era entendimento.
Victor virou-se para ela.
— O que você fez?
Sofia respondeu:
— Eu só fiz ele ser ouvido.
Silêncio.
E então…
a porta da mansão abriu violentamente.
Um segurança entrou correndo.
— SENHOR VASCONCELOS!
Victor virou.
— O quê?!
O segurança estava ofegante.
— Polícia federal na entrada.
Silêncio absoluto.
Helena levantou a cabeça devagar.
Sofia ficou imóvel.
Bruno fechou os olhos por um segundo.
Victor não se moveu.
— Repete.
O segurança respondeu:
— Eles estão aqui.
Silêncio.
E então…
um som pesado ecoou do lado de fora.
Sirene.
Depois outra.
E várias.
Helena começou a chorar sem controle.
— Isso acabou mesmo…
Victor ficou parado no meio da sala.
E pela primeira vez…
não tinha plano.
Sofia deu um passo à frente.
E olhou diretamente para ele.
— Agora você entende?
Victor não respondeu.
Sofia continuou:
— Não foi sobre música.
Silêncio.
— Foi sobre tudo que você tentou esconder.
E então…
um som forte de batida na porta principal ecoou pela mansão inteira.
BANG BANG BANG
Uma voz do lado de fora:
— Polícia Federal! Abram a porta!
Helena se levantou em desespero.
Victor ficou imóvel.
Bruno deu um passo para trás.
Sofia não se mexeu.
Outra batida.
Mais forte.
Mais próxima.
E então…
as portas da Mansão Vasconcelos começaram a abrir lentamente.
E os primeiros uniformes apareceram na entrada.
E o império finalmente viu o rosto da sua queda entrando pela porta.