《A Música do Homem que Não Morreu》PARTE 6

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A imagem no monitor ainda estava congelada.

Elias Monteiro.

Vivo.

Respirando.

Num corredor frio, iluminado por lâmpadas industriais que pareciam não pertencer a nenhum país conhecido.

Sofia não piscava.

Helena tremia como se estivesse prestes a desabar.

Victor Albuquerque Vasconcelos permanecia imóvel, mas havia algo diferente na postura dele agora — não era mais autoridade.

Era contenção.

Bruno Reis fechou a maleta lentamente.

E disse apenas:

— Isso não deveria estar acessível.

Sofia deu um passo à frente.

— Ele está vivo.

Silêncio.

Helena cobriu a boca com a mão.

Victor respondeu rápido demais:

— Isso é gravação antiga.

Bruno olhou para ele.

— Não é.

Sofia virou o rosto.

— Você sabia disso?

Victor não respondeu.

E esse silêncio foi mais alto do que qualquer confissão.

Helena explodiu:

— Você disse que ele estava morto!

Victor virou-se para ela com frieza.

— Ele está oficialmente morto.

Sofia apertou os olhos.

— Mas ele está vivo.

Bruno interrompeu:

— “Oficialmente morto” não significa ausência física.

Helena ficou pálida.

— Então o quê significa?

Bruno respondeu sem emoção:

— Significa que ele foi removido do sistema civil.

Silêncio pesado.

Sofia olhou para a tela novamente.

A imagem ainda estava lá.

Elias.

Movendo-se lentamente no corredor.

Como se não soubesse que estava sendo observado.

Sofia sussurrou:

— Onde ele está?

Bruno hesitou por meio segundo.

Victor respondeu antes dele:

— Isso não é mais sua preocupação.

Sofia virou-se para ele imediatamente.

— É sim.

Victor deu um passo à frente.

— Não.

A tensão explodiu entre os dois.

Helena tentou intervir:

— Chega! Isso não é brincadeira!

Mas ninguém a ouviu.

Sofia falou novamente, agora mais firme:

— Você apagou ele.

Victor respondeu frio:

— Eu protegi a empresa.

Sofia avançou mais um passo.

— Você mentiu.

Victor não negou.

E isso mudou tudo.

Bruno observava em silêncio.

Como se estivesse avaliando algo que finalmente saiu do controle.

Helena olhou para o capitão.

— Bruno… onde ele está de verdade?

Bruno demorou para responder.

E quando respondeu, foi baixo:

— Instalação não registrada.

Helena engoliu seco.

— Em São Paulo?

Bruno respondeu:

— Não.

Silêncio.

Sofia perguntou:

— Então onde?

Bruno olhou diretamente para ela.

— Subnível privado.

Victor interrompeu:

— Isso não é conversa.

Bruno continuou mesmo assim:

— Projeto antigo. Arquitetura fechada. Sem registro público.

Helena começou a chorar de novo.

— Ele está preso…

Bruno não corrigiu.

E isso foi confirmação suficiente.

Sofia olhou para Victor.

— Você colocou ele lá.

Victor respondeu imediatamente:

— Ele se colocou lá quando recusou cooperar.

Helena gritou:

— ELE NÃO ESCOLHEU ISSO!

Victor elevou a voz pela primeira vez:

— TODOS ESCOLHEM!

Silêncio absoluto.

Sofia não se moveu.

Ela apenas olhou para ele como se estivesse vendo outra pessoa agora.

— Você não fala como alguém que protege.

Victor ficou quieto.

Bruno deu um passo à frente.

— Senhor Vasconcelos… precisamos encerrar isso.

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Victor respondeu seco:

— Não.

Bruno hesitou.

— O protocolo mudou.

Victor virou lentamente o rosto.

— Qual protocolo?

Bruno abriu a maleta novamente.

E retirou outro documento.

Mais antigo.

Mais pesado.

Helena reconheceu imediatamente.

— Não… isso não existe mais…

Sofia pegou o papel.

E leu:

“PROTOCOLO VASCONCELOS – NÍVEL 3: CONTENÇÃO TOTAL”

Sofia franziu a testa.

— Contenção?

Bruno respondeu:

— Pessoas consideradas risco estrutural são isoladas.

Helena caiu na cadeira.

— Isso era sobre criminosos…

Bruno respondeu:

— Também sobre artistas.

Silêncio.

Sofia levantou os olhos.

— Meu pai é um artista.

Victor respondeu rápido:

— Ele era um problema.

Sofia olhou fixamente para ele.

— Por quê?

Victor hesitou.

E isso foi o primeiro sinal de fraqueza real.

Helena percebeu.

— Porque ele era melhor do que você.

Victor virou o rosto imediatamente.

— Isso não é verdade.

Bruno fechou a maleta.

— Não é sobre talento.

Sofia olhou para ele.

— Então é sobre o quê?

Bruno respondeu:

— Controle.

Silêncio.

Sofia respirou fundo.

E então disse algo que fez até Victor congelar por um segundo:

— Então vocês não prenderam ele por crime.

Ela pausou.

— Vocês prenderam ele por saber demais.

Bruno não respondeu.

E isso foi resposta suficiente.

Helena levantou-se de repente.

— Eu preciso ver ele.

Victor virou rapidamente.

— Não.

Helena gritou:

— ELE É MEU MARIDO!

Victor respondeu:

— Ele deixou de ser isso quando atravessou a linha.

Sofia deu um passo à frente novamente.

— Eu quero ver ele.

Victor respondeu seco:

— Impossível.

Bruno olhou para Victor.

— Não é mais impossível.

Victor ficou rígido.

— O quê isso significa?

Bruno abriu um dispositivo pequeno.

E colocou sobre a mesa.

Uma chave digital.

— O sistema foi parcialmente exposto.

Helena engasgou.

— Como?

Bruno respondeu:

— A música.

Silêncio absoluto.

Sofia congelou.

— A música?

Bruno confirmou:

— A execução dela ativou rastreadores antigos.

Victor olhou para Sofia como se fosse a primeira vez que entendia o que ela era.

Helena sussurrou:

— O que você fez…

Sofia não respondeu.

Bruno continuou:

— O sistema respondeu ao padrão musical.

Victor apertou os punhos.

— Isso é impossível.

Bruno respondeu:

— Não para ele.

Sofia deu um passo para trás.

— Para meu pai?

Bruno assentiu.

E então disse a frase que mudou tudo:

— Ele ainda está conectado ao sistema.

Silêncio.

Helena caiu de novo.

— Conectado…?

Bruno olhou para o monitor.

E então apertou um botão.

A imagem mudou.

O corredor desapareceu.

Agora era uma sala.

Pequena.

Branca.

E completamente vazia.

Mas no centro…

uma cadeira metálica.

E alguém sentado nela.

Sofia se aproximou.

Helena parou de respirar.

Victor ficou imóvel.

Bruno aumentou o zoom.

E então apareceu o rosto.

Elias Monteiro.

Mais magro.

Mais pálido.

Mas vivo.

Sofia deu um passo atrás.

Helena começou a chorar sem controle.

Victor não disse nada.

E Elias… lentamente levantou os olhos.

Como se soubesse.

Como se estivesse esperando isso há anos.

E então o monitor piscou novamente.

E a imagem ficou preta.

Por um segundo.

Antes de voltar.

Mas agora…

Elias não estava mais sozinho na sala.

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