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《O Casamento que Virou Código》PARTE 2

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A madrugada em São Paulo parecia mais fria do que o normal.

Não por causa do clima.

Mas por causa do que tinha acabado de acontecer dentro do Salão Imperial Cristal.

Do lado de fora do distrito policial, flashes de câmeras ainda perseguiam cada movimento.

Vanessa Monteiro Albuquerque desceu da viatura algemada, com o vestido branco agora sujo, rasgado na barra, como se a própria imagem da perfeição tivesse sido arrancada à força.

Ela não olhava para ninguém.

Mas seus olhos tremiam.

Não de culpa.

De medo de algo muito maior.

Dentro da delegacia, o som das portas metálicas ecoava como sentença.

“Nome completo?” perguntou o investigador.

Vanessa não respondeu.

“Eu disse: nome completo!”

Ela finalmente levantou o olhar.

“Vanessa Monteiro Albuquerque.”

Silêncio.

O nome ainda tinha peso ali fora.

Mas ali dentro… não significava nada.

Do outro lado da cidade, no Hospital Santa Cecília, uma equipe médica já analisava o conteúdo do copo quebrado.

Henrique Vasconcelos estava sentado em uma sala privada, imóvel, observando tudo em silêncio.

Lívia Costa permanecia ao lado da porta, ainda com a marca vermelha no rosto.

Ninguém tinha pedido para ela ir embora.

E isso a assustava mais do que qualquer coisa.

O médico responsável entrou na sala com uma prancheta.

“Encontramos a substância.”

Henrique se inclinou levemente.

“E então?”

O médico hesitou.

“Não é veneno comum.”

Lívia prendeu a respiração.

“São sedativos de altíssima potência.”

O silêncio caiu pesado.

Henrique franziu a testa.

“Sedativos?”

O médico confirmou.

“Mas não para matar.”

Ele olhou diretamente para Henrique.

“Para controlar comportamento e reduzir resistência cognitiva.”

Lívia deu um passo à frente.

“Isso… isso faz o quê exatamente?”

O médico respondeu com frieza profissional:

“Induz estado de sugestibilidade. A pessoa perde parte do julgamento. Fica mais vulnerável a influência externa.”

Henrique ficou imóvel.

“Você está dizendo que…”

Ele não terminou a frase.

Porque a resposta era óbvia demais.

O médico completou:

“Isso não era um plano de assassinato imediato.”

“Era um plano de controle.”

Na delegacia, Vanessa finalmente começou a falar.

Mas não chorava mais.

Agora sua voz era vazia.

“Vocês não entendem o que estão fazendo.”

O investigador riu sem humor.

“Você tentou dopar um dos homens mais ricos do país em pleno casamento. Nós entendemos perfeitamente.”

Vanessa respirou fundo.

“Isso não foi ideia minha.”

Do outro lado da cidade, Henrique ficou rígido.

“Repete.”

O médico abriu outro arquivo.

“Esse tipo de combinação não é comum no mercado ilegal simples.”

Ele virou a página.

“Existe um padrão de uso em casos de manipulação prolongada.”

Lívia arregalou os olhos.

“Prolongada?”

O médico confirmou.

“Sim. Em alguns casos, o alvo já estava sendo exposto a microdosagens antes do evento final.”

Silêncio absoluto.

Henrique levantou lentamente a cabeça.

“Antes do casamento?”

O médico assentiu.

Lívia sentiu um frio percorrer o corpo.

“Isso quer dizer que…”

Ela não conseguiu terminar.

Henrique terminou por ela:

“Isso não começou hoje.”

Na delegacia, Vanessa finalmente perdeu a postura.

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“Vocês acham mesmo que eu tive escolha?”

O investigador bateu na mesa.

“Responda a pergunta!”

Ela riu, mas era um riso quebrado.

“Vocês não estão entendendo quem está por trás disso.”

Na sala do hospital, o nome apareceu pela primeira vez.

O médico virou a página do relatório.

“Tem um detalhe importante.”

Henrique olhou fixamente.

“O quê?”

O médico hesitou.

“Encontramos rastros da mesma substância em um laboratório privado ligado a uma empresa terceirizada.”

“Qual empresa?” perguntou Henrique.

O médico respondeu:

“Figueira Consultoria Médica e Segurança Corporativa.”

Lívia ficou pálida.

“Eu já ouvi esse nome…”

Henrique virou para ela.

“Onde?”

Ela tentou lembrar.

“Nos corredores do hotel… alguém comentou sobre contratos de segurança do casamento…”

Henrique levantou lentamente.

“Segurança do casamento…”

Ele repetiu a frase como se ela tivesse outro significado oculto.

Na delegacia, Vanessa finalmente soltou a verdade.

“Marcelo Figueira.”

O investigador parou.

“O que você disse?”

Ela fechou os olhos.

“Ele fez isso.”

Silêncio.

Um silêncio diferente.

Mais pesado.

Mais perigoso.

Do outro lado da cidade, Henrique apertou os punhos.

“Quem é esse homem?”

O médico respondeu com cuidado:

“Consultor externo de segurança corporativa. Trabalha com famílias de alto patrimônio.”

Lívia sussurrou:

“Então ele teve acesso ao casamento…”

Henrique não respondeu.

Porque agora tudo fazia sentido de um jeito assustador.

Na delegacia, Vanessa continuou:

“Ele não queria te matar.”

Ela olhou para o chão.

“Ele queria te quebrar.”

O investigador franziu a testa.

“Quebrar como?”

Vanessa levantou o olhar pela primeira vez.

“Transformar você em alguém incapaz de reagir juridicamente.”

O silêncio que seguiu foi pior que qualquer grito.

No hospital, o médico fechou o relatório.

“Se esse padrão estiver correto…”

Henrique encarou ele.

“Fale.”

O médico respondeu:

“Você não foi o primeiro alvo.”

Lívia sentiu o corpo gelar.

“Tem outros?”

O médico não respondeu diretamente.

Mas abriu outra pasta.

Nomes.

Arquivos.

Históricos de executivos.

Reações estranhas.

Desmaios inexplicáveis.

Perda temporária de memória.

Henrique deu um passo para trás.

“Isso é um padrão de execução corporativa.”

Na delegacia, Vanessa começou a rir novamente.

Mas agora era um riso completamente vazio.

“Ele não vai parar comigo.”

O investigador franziu a testa.

“Quem?”

Ela levantou o olhar.

“Ele já começou o segundo ciclo.”

Silêncio.

No hospital, o celular de Lívia vibrou.

Uma nova mensagem apareceu.

Número desconhecido.

Ela abriu.

E o sangue sumiu do rosto.

Henrique percebeu.

“O que foi isso?”

Lívia mostrou a tela.

A mensagem dizia apenas:

“A primeira amostra já foi usada.”

Henrique congelou.

“Primeira amostra?”

Lívia continuou lendo, com a voz falhando:

“Segundo frasco já está em circulação.”

O médico deu um passo para trás.

“Isso não está no relatório…”

Henrique olhou para o vidro da janela do hospital.

E pela primeira vez naquela noite…

entendeu que o casamento não era o evento principal.

Era apenas o teste.

Lívia sussurrou:

“Então ainda existe mais um…”

E nesse exato momento, em algum outro lugar de São Paulo, um frasco idêntico ao do salão era colocado cuidadosamente dentro de uma mala térmica.

Sem nome.

Sem rótulo.

Só uma etiqueta simples colada na tampa:

“Fase 2”

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