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《Cabelo comprido que foi cortado》Capítulo 5

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A tesoura fazia "clique, clique" ao meu redor. Desta vez, não senti medo ou frio, mas sim uma sensação de alívio libertador.

Mechas de cabelo de tamanhos desiguais caíam constantemente, como se levassem consigo todas aquelas memórias pesadas e insuportáveis do passado.

Meia hora depois, a irmã Li terminou o serviço.

Olhei para mim mesma no espelho; um pouco estranha, mas incrivelmente nítida.

No reflexo, o rosto limpo da garota estava totalmente exposto; sem a cobertura do cabelo, seus traços pareciam mais delicados e determinados. Os fios curtíssimos colados ao couro cabeludo delineavam um contorno preciso, fazendo-me parecer uma pequena árvore pronta para romper a terra no inverno, cheia de teimosia e vitalidade.

— Que energia! — a irmã Li elogiou sinceramente. — Como você tem um bom rosto, qualquer corte fica bom.

Sorri para ela, paguei e saí do salão.

O sol brilhava sobre meu novo corte, aquecendo-me. Toquei a nuca; já não havia o toque do cabelo comprido, apenas a sensação suave e fresca.

Senti como se tivesse me livrado de uma casca pesada, tornando-me leve.

A segunda coisa foi ir à maior livraria da cidade comprar material de estudo.

Com minha mochila nas costas, peguei o ônibus, atravessei metade da cidade e cheguei ao lugar que frequentava todo fim de semana para o sprint final do vestibular.

A livraria estava impregnada com o cheiro familiar de tinta e papel. Fui direto à seção de ensino médio, cheia das últimas edições de guias de estudo e coleções de exercícios.

Escolhi com habilidade os livros de que precisava: física, química, biologia, matemática... um por um, e logo uma pequena montanha se formou aos meus pés.

Enquanto estava absorta escolhendo um manual de vocabulário de inglês, meu celular vibrou.

Ao pegar, vi uma mensagem no WeChat de minha colega de ensino médio, uma garota chamada Lin Feifei. Ela tinha entrado na mesma universidade que eu, mas em faculdades diferentes.

"Nina, você está bem? Soube que... você cancelou a matrícula?"

Logo abaixo, uma segunda mensagem:

"O fórum da faculdade está em chamas, todos estão falando sobre a festa de boas-vindas. Lucas está como se tivesse perdido a alma nos últimos dias, e o grupo da Song Yao vive dizendo por aí que você estava exagerando, que não sabe perder e que causou escândalo de propósito para arruinar a reputação do Lucas. Não acredite nessas mentiras delas! Muitos colegas te apoiam e acham que o Lucas passou dos limites!"

Ao ver a mensagem de Lin Feifei, senti um calorzinho no coração.

Mas, em relação a Lucas e Song Yao, meu interior já não sofria nenhum abalo.

O mundo deles, suas lutas e justificativas, para mim, já eram histórias de outra dimensão, ruidosas e distantes.

Não queria participar e não me dava ao trabalho de prestar atenção.

Meu campo de batalha agora era aquele conjunto de livros, e meu objetivo era aquele exame no próximo mês de junho.

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Respondi a Lin Feifei: "Estou bem, não se preocupe. Vou cursar o cursinho e estou na livraria comprando material. Não vamos mais conversar, desejo que aproveite sua vida universitária."

Após enviar a mensagem, não esperei por sua resposta, coloquei o celular no modo silencioso e o guardei no bolso.

Peguei aquela pilha pesada de livros e fui para o caixa.

Paguei e guardei tudo. A mochila estava lotada, pesando sobre meus ombros com uma firmeza reconfortante.

Saí da livraria sob o sol da tarde, quente, mas não ofuscante. Com a mochila cheia de esperança e futuro, parada na rua movimentada, respirei fundo.

O ar estava carregado com o barulho mundano, buzinas de carros, risadas de pedestres, o som dos alto-falantes de um shopping distante...

Tudo era tão real. Eu já não era mais aquela garotinha que vivia em uma torre de marfim, girando em torno de uma única pessoa.

Meu nome é Xu Ning, dezoito anos, uma gloriosa aluna de cursinho.

Minha nova vida começa hoje, a partir daqui.

10

Depois que Lucas foi expulso pelo meu pai como se fosse lixo, o mundo não ficou limpo imediatamente.

Nossas duas famílias moravam em diferentes blocos do mesmo condomínio antigo, a uma distância em linha reta de menos de cem metros. Esse "destino", que antes era motivo de conversa entre os vizinhos, agora se tornara o maior dos constrangimentos e problemas.

Capítulo 2

Lucas não foi embora imediatamente. Ele primeiro ficou rondando lá embaixo do meu prédio, esperando que, por um milagre, eu mudasse de ideia. Fechei as cortinas para não vê-lo e não me irritar. Em seguida, provavelmente após receber uma ligação do pai, o Sr. Roberto, ele voltou para casa de cabeça baixa.

Uma tempestade familiar ainda maior estava prestes a acontecer na casa de Lucas. "Você ainda tem cara de pau de voltar? O que eu te mandei fazer? Eu te mandei convencer a Nina a voltar, e você? Você se ajoelhou e ela nem quis olhar na sua cara! Você jogou o nome da nossa família na lama bem na porta da casa do Sr. Roberto!" O rugido do Sr. Roberto quase atravessou a pesada porta de segurança da casa.

Assim que Lucas entrou, foi recebido pela fúria avassaladora do pai. A tia Helena tentou intervir para proteger o filho, mas foi contida apenas com um olhar do Sr. Roberto.

"Pai, eu me ajoelhei, eu implorei, mas ela não quis ouvir! Os pais dela também me expulsaram, o que eu podia fazer?" Lucas cobriu o rosto ainda inchado, sentindo-se injustiçado e apavorado. "Ela está decidida a ser contra mim, quer me ver na pior!"

"Ela ser contra você?" O Sr. Roberto riu, incrédulo diante da teimosia do filho, uma risada carregada de decepção e amargura. "Você ainda acha que são os outros que estão te complicando? Lucas, olhe para mim, olhe para si mesmo! Você cometeu esse ato vil de pisar na dignidade de alguém, por que espera que a pessoa te perdoe com duas palavras? Quem você pensa que é? O mundo inteiro tem que girar em torno de você?"

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A tia Helena tentou defender o filho baixinho: "Roberto, não fale assim com o menino. Ele foi apenas descuidado, foi enfeitiçado por aquela raposa chamada Beatriz..."

"Cale a boca!" O Sr. Roberto virou-se bruscamente para ela, com um olhar feroz. "É culpa sua! Desde criança, você sempre mimou ele desse jeito! Sempre que ele errava, você arrumava desculpas, sempre dizia que a culpa era dos outros! Foi você quem o criou com essa personalidade egoísta e ingrata! Ele não destruiu apenas um fio de cabelo da Nina, ele destruiu as décadas de amizade entre nossas famílias, ele destruiu a minha honra!"

Quanto mais falava, mais emocionado ficava o Sr. Roberto. Ele caminhou até a janela, apontou para a direção da minha casa e sua voz tremia: "Você sabe quem é o pai da Nina, o Sr. Roberto? Ele é o técnico mais experiente da nossa fábrica! No mês passado, aquele pedido do sul, um trabalho de centenas de milhares, as máquinas deram problema e ninguém na fábrica sabia consertar. Quem passou duas noites em claro para resolver? Foi ele! Sem ele, nossa pequena fábrica já teria fechado as portas há muito tempo! Sou amigo dele há anos, metade pela amizade, metade pela dependência. E você? Veja só, você humilhou o bem mais precioso dele pisando nele! Como vou encará-lo agora? Como vou continuar trabalhando lá?"

Essas palavras caíram como um balde de água fria sobre Lucas e a tia Helena. Eles só pensavam no futuro do filho e nas aparências com os vizinhos, sem nunca notar que, por trás disso, existiam relações de interesse muito reais.

Lucas ficou completamente atordoado. Ele sempre pensou que a relação entre as duas famílias fosse de benefício da parte da minha, que ele estava acima e eu era dependente dele. Nunca imaginou que os negócios do pai dependiam, em grande parte, do meu pai.

"Pai... eu... não sabia que seria assim..." Sua voz finalmente carregava um medo real.

"Há muita coisa que você não sabe!" O Sr. Roberto apontou para ele, dando um ultimato: "Não me importa como você vai fazer, se vai procurar a Beatriz ou os professores na escola, faça o que for preciso para a Nina retirar o pedido de cancelamento da matrícula e voltar! Se você não resolver isso, não vai mais estudar e pode sair desta casa! Não tenho um filho covarde e irresponsável como você!"

Dito isso, o Sr. Roberto bateu a porta do escritório, deixando o pânico e o problema nas mãos de mãe e filho, que desabaram no chão.

A tia Helena abraçava o filho, chorando copiosamente: "Filho, o que vamos fazer agora... seu pai está realmente furioso desta vez... E se... e se eu for implorar para a mãe da Nina? Eu vou lá me ajoelhar para ela..."

Lucas ficou sentado no chão, com o olhar vazio. Ele sabia que implorar para quem quer que fosse já não adiantava. A calma da Nina, a raiva do Sr. Roberto e as palavras do seu próprio pai eram como montanhas pesando sobre ele, tirando-lhe o fôlego.

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