— Então você usou a Nina como seu "atestado de lealdade"? Usou a garota que sempre foi dedicada a você, que nossas famílias viram crescer, apenas para abrir seu próprio caminho? — a ira do Sr. Roberto aumentou. — Você tem consciência? A reputação da nossa família, as décadas de amizade entre nós, tudo foi jogado no lixo por causa desse animal como você!
A tia Helena chorava ao lado: — O pai da Nina disse no telefone que a Nina contou tudo para eles... ele ficou tão furioso que mal conseguia falar... como... como isso vai acabar?
Lucas estava em pânico absoluto. Ele nunca vira seus pais tão irritados e nunca imaginara que uma "pequena coisa", que ele pensava ser fácil de resolver, desencadearia uma reação em cadeia tão violenta.
O medo dele não era pela gravidade do dano que ele causara a mim, mas sim porque a situação havia perdido o controle e traria problemas imprevisíveis para ele mesmo.
— Pai, mãe, então... o que eu faço? — ele finalmente demonstrou medo genuíno.
O Sr. Roberto apontou para a porta e ordenou, pausadamente: — Agora, imediatamente, vá para a casa da Nina! Peça desculpas! Não importa o que você diga ou faça, mesmo que tenha que se ajoelhar, você tem que convencê-la a voltar!
— Agora? — Lucas hesitou.
— Sim, agora! — O Sr. Roberto pegou a chave do carro na mesa e a jogou nele. — Não me importa o método. Se a Nina não voltar para a faculdade, você nem precisa voltar para casa! Eu não tenho um filho como você!
Lucas segurava a chave gelada do carro, com as palmas das mãos suadas.
Ele finalmente percebeu que aquela "surpresa" que ele mesmo dirigira havia se tornado um desastre que ele não tinha como resolver.
E ele, por sua estupidez e crueldade, estava prestes a enfrentar seu primeiro julgamento.
08
Após Lucas ser expulso, um longo silêncio pairou na sala.
Podia ouvir os soluços abafados da minha mãe e os suspiros pesados do meu pai.
Abri a porta do quarto e saí.
Ao me ver, minha mãe enxugou as lágrimas imediatamente e levantou-se, querendo me dizer algo, mas seus lábios apenas se moveram sem que ela soubesse por onde começar.
Meu pai, sentado no sofá, parecia ter envelhecido anos durante aquela noite. Ele me chamou com um gesto: — Nina, venha sentar aqui.
Caminhei até eles e me sentei na poltrona individual à frente deles.
— Filha, a culpa é nossa. — A voz do meu pai estava rouca, carregada de culpa. — Quando você chegou, te repreendemos sem perguntar nada... Não imaginávamos... não imaginávamos que aquele rapaz pudesse ser tão vil! Vimos ele crescer, fomos cegos!
Minha mãe também disse, engasgada: — Minha filha tola, por que não nos contou imediatamente sobre o tamanho da injustiça que sofreu? Se tivesse nos contado antes, nós...
— E se tivesse contado, o que mudaria? — perguntei, olhando-os com calma. — Se tivesse contado, vocês teriam corrido para a faculdade, confrontado Lucas, confrontado os pais dele e feito um escândalo? E depois? O assunto teria se espalhado por todos os lados, e eu teria que continuar naquela escola, sob o peso da pena e das fofocas de todos? Teria que vê-lo com aquela namorada todos os dias, fingindo que nada aconteceu?
Minhas palavras os deixaram sem resposta. Sim, tal resultado seria apenas uma tortura ainda mais longa para mim.
— Portanto, cancelar a matrícula foi a melhor solução que encontrei. — Continuei. — Cortar o mal pela raiz. Dói, mas a ferida cicatriza mais rápido.
Vendo minha postura fria, quase implacável, as lágrimas da minha mãe voltaram a cair: — Mas foi a faculdade que você conquistou com tanto esforço... o seu futuro...
— O futuro não tem apenas um caminho. — Interrompi a preocupação da minha mãe e expus o plano que eu já havia ponderado enquanto estava trancada no quarto. — Pai, mãe, quero cursar o cursinho por um ano e prestar o vestibular novamente no ano que vem.
Essa decisão teve um impacto ainda maior do que as palavras "cancelar a matrícula".
Meus pais ficaram paralisados, olhando para mim com incredulidade.
— Cursinho? — As sobrancelhas do meu pai se franziram. — Nina, você pensou bem? O cursinho é muito difícil, mais penoso do que o terceiro ano. Além disso, você já esteve na faculdade, voltar para estudar com alunos mais novos que você... as fofocas não faltarão.
— Não tenho medo do sofrimento. — Meus olhos estavam inabaláveis. — O sofrimento do terceiro ano eu já provei uma vez, provar novamente não é nada. Quanto às fofocas, comparado a ser motivo de piada na universidade, ser comentada no ensino médio como "a universitária que voltou para o cursinho" não é nada. E mais — fiz uma pausa, dizendo cada palavra pausadamente —, desta vez, vou prestar o exame por mim mesma.
Para entrar na mesma universidade que Lucas, desisti do curso de pedagogia, que era o que eu realmente tinha interesse, e escolhi ciência da computação, que era o que ele gostava.
Para acomodá-lo, para que ele pudesse ficar perto de casa, desisti da chance de ir para cidades mais distantes e desenvolvidas.
Minha vida ficou amarrada demais àquela suposta "amizade de infância".
— Desta vez, vou prestar o exame para a cidade que quero, para cursar o que eu gosto. Um lugar sem Lucas, sem ninguém que eu conheça, onde eu possa recomeçar.
Minhas palavras estavam repletas de uma força inquestionável. Meu pai me observou por muito tempo. O que ele viu em meus olhos não foi impulso ou rebeldia, mas a determinação de quem queimou as pontes e um plano claro para o futuro.
Suas sobrancelhas franzidas relaxaram lentamente, dando lugar a uma sensação de alívio e orgulho.
Ele acenou com a cabeça pesadamente: — Bem! Como esperado da filha da família Xu! Você tem fibra! O pai te apoia! Cursinho que seja, não é o fim do mundo! Há muitos caminhos no mundo, não vamos seguir essa estrada que só traz amargura! Não se preocupe com o dinheiro, seus pais darão um jeito!
Minha mãe olhou para mim e depois para meu pai. A preocupação em seus olhos foi gradualmente contagiada pela firmeza da filha. Ela enxugou as lágrimas e acenou com vigor: — Sim! Nossa Nina é tão inteligente, prestando o exame novamente, com certeza conseguirá algo melhor! A mãe também te apoia!
Nesse momento, o telefone da casa tocou novamente. Minha mãe foi atender, mas assim que disse "alô", sua expressão mudou.
— Dona Wang, creio que não temos nada para conversar. — Seu tom era frio e distante.
Não sei o que foi dito do outro lado, mas a voz da minha mãe subiu de tom: — Seu filho não fez nada de errado? Seu filho estava apenas brincando? Wang Xiuqin, você não tem mais vergonha na cara? Seu filho pisou na dignidade da minha filha na frente de toda a escola e você chama isso de brincadeira? Vou te falar, minha filha já cancelou a matrícula e voltou para casa. A amizade entre nossas famílias terminou no momento em que seu filho pegou aquela tesoura! De agora em diante, por favor, não nos ligue mais! Não estamos no seu nível!
Dito isso, ela desligou o telefone com um estrondo.
Após desligar, ela parecia ter esgotado todas as suas forças, encostando-se na parede e respirando fundo, mas seus olhos brilhavam intensamente.
Eu sabia que, a partir daquele momento, eu tinha o apoio mais sólido possível.
Nossa família finalmente se uniu como uma só para enfrentar aquela tempestade.
E a minha nova guerra estava prestes a começar, em meio às montanhas de livros e mar de exames.
09
Após a decisão de cursar o cursinho, as nuvens escuras que pairavam sobre nossa casa pareciam ter se dissipado.
Meus pais pararam de suspirar e começaram a correr atrás das coisas para mim. Meu pai entrou em contato com meu antigo ensino médio para consultar sobre a matrícula como aluna de cursinho; minha mãe começou a pesquisar receitas nutritivas, resmungando que precisava repor todo o corpo que eu "perdi no terceiro ano".
O clima familiar mudou de uma tristeza opressora para uma correria cheia de esperança.
E eu, após descansar dois dias e ajustar minha mentalidade, também comecei a agir.
A primeira coisa foi cortar o cabelo.
Entrei em um salão perto do condomínio que funcionava há mais de dez anos. A dona, a irmã Li, ao me ver, abriu a boca de espanto.
— Ai, Nina? Esse seu cabelo... foi você quem cortou? Como ficou assim?
Olhei no espelho para aquele cabelo bagunçado que Song Yao e Lucas haviam arruinado juntos; era como uma marca feia que me lembrava constantemente da humilhação daquela noite.
— Irmã Li, me ajude a cortar. — Disse calmamente.
— Curto?
— Sim, corte bem curto, estilo masculino, o mais prático possível.
Embora estivesse cheia de dúvidas, a irmã Li pegou a tesoura e começou a trabalhar.