— Menina, como você é teimosa! — ele se irritou. — Vai desistir de tudo por causa disso? O que dirão seus pais? E seus próprios esforços? Dezoito anos de estudo não foram para virar piada!
Olhei para ele sem dizer nada. Dezoito anos. De novo, dezoito anos.
Ao que parece, para os outros, meus dezoito anos valiam apenas o peso de uma "brincadeira".
Vendo que não me convencia, ele suspirou e começou a burocracia. Fez algumas ligações e me direcionou ao departamento de registros, ao financeiro, à biblioteca.
Com o formulário em mãos, percorri escritório após escritório, recebendo carimbo após carimbo.
A cada carimbo colocado, parecia que eu fechava um capítulo da minha vida anterior.
O sol estava forte, as árvores do campus estavam verdes.
Vi Lucas e Beatriz caminhando juntos; ele segurava o café da manhã, rindo de algo que ela dizia.
Eles também me viram. O olhar de Beatriz parou em mim por um segundo, com um desprezo óbvio, e então ela virou o rosto.
A expressão de Lucas era confusa; ele quis vir até mim, mas foi puxado por Beatriz.
Não parei de andar, passei por eles sem desviar o olhar.
Às dez da manhã, o último carimbo foi colocado. Com a prova de cancelamento em mãos, saí do prédio administrativo.
A partir daquele momento, a universidade pela qual lutei tanto não significava mais nada para mim.
03
Arrastei minha mala em direção ao portão da faculdade.
Eu já havia pedido um carro pelo celular para a estação de trem.
— Nina! — a voz de Lucas soou atrás de mim, carregada de frustração.
Não parei. Ele correu até mim e agarrou meu pulso com uma força que parecia capaz de esmagar meus ossos.
— Onde você vai? — ele perguntou, ofegante, os olhos fixos na mala que eu segurava.
— Para casa — respondi secamente.
— Para casa? Não vai para a aula? Não tem aula hoje de manhã? — ele me questionou.
— Não vou mais.
— O que você quer dizer com isso? — ele franziu a testa, impaciente. — Ainda brava por causa de ontem? Eu já disse que foi uma brincadeira, por que você não consegue virar a página?
Olhei para ele, achando tudo aquilo ridículo. Por que ele achava que, só porque pediu desculpas, eu deveria perdoá-lo?
Além disso, ele sequer havia pedido desculpas de verdade.
— Cancelei minha matrícula — declarei calmamente, afirmando um fato.
A impaciência no rosto de Lucas congelou instantaneamente.
Como se não tivesse ouvido direito, ele perguntou de novo:
— O que você disse?
— Disse que cancelei minha matrícula — repeti, aproveitando para balançar o pulso, sinalizando que ele deveria me soltar.
Em vez de soltar, ele agarrou com mais força.
Seu rosto empalideceu visivelmente, e seus olhos transbordavam uma incredulidade apavorada.
— Cancelou?! Você ficou louca?! — sua voz subiu bruscamente, atraindo os olhares dos estudantes que passavam.
— Vai desistir de tudo por causa de uma brincadeira?
Essa frase era exatamente o que eu imaginava que ele diria.
Olhei para seu rosto em pânico, o mesmo rosto que vi por dezoito anos, e de repente o achei estranhamente desconhecido.
Virei-me com calma. — Sim — foi a única palavra que lhe respondi.
Então, soltei-me de sua mão com força.
Ele cambaleou para trás, quase perdendo o equilíbrio. Parecia não esperar que eu tivesse tanta força.
Continuei puxando a mala em direção ao portão. O carro de aplicativo já estava parado no acostamento.
— Nina! — Lucas gritou atrás de mim, sua voz carregada de um tremor que ele mesmo não notava. — Pare aí! Explique isso direito! O que é cancelar a matrícula? Você não está brincando, está?
Não dei atenção. Abri o porta-malas e coloquei a mala dentro.
Em seguida, entrei no carro. — Motorista, pode ir.
Lucas correu atrás, batendo no vidro da janela.
— Nina! Desça daí! Você não pode ir embora! Dezoito anos de relação, você vai jogar tudo fora por causa disso?
— Se você desistiu, como eu fico? Como vou explicar para os meus pais e para os seus?
— Nina! Abre a porta! — Olhei para aquele rosto contorcido e ansioso do lado de fora, sem sentir nada no coração.
O carro começou a andar lentamente, deixando-o para trás.
Pelo retrovisor, vi que ele correu atrás do carro por alguns metros, depois parou, perdido, ali mesmo, como uma criança abandonada.
Desviei o olhar, encostei a cabeça no banco e fechei os olhos.
Dezoito anos de relação. Tudo acabou no momento em que ele, para agradar outra garota, cortou meu cabelo publicamente.
Agora, ele estava apavorado. Não porque eu havia sido ferida, mas porque a situação fugira do seu controle e ele não sabia como se explicar aos pais.
Essa era a raiz do seu pânico. Soltei o ar lentamente. Pela primeira vez, senti um alívio imenso.
04
O trem seguia em velocidade constante sobre os trilhos, emitindo um som rítmico e metálico.
A paisagem lá fora passava rapidamente; arranha-céus, campos e montanhas se tornavam borrões coloridos. Assim como minha vida universitária, que acabara de ser arrancada pela raiz, e o passado muito mais longo, de dezoito anos.
Eu não chorei, nem senti muita tristeza. Havia um vazio no peito, como se tivessem arrancado um pedaço de mim, deixando apenas uma ferida exposta ao vento frio, dormente e gelada.
O celular vibrou no bolso por um longo tempo, mas não o tirei. Sem precisar olhar, eu sabia que não seria ninguém além de Lucas, desesperado para me encontrar.
Apoiei-me na janela, observando meu próprio reflexo no vidro. Aquele cabelo curto, mal cortado, parecia feio e cômico, mas também me trazia uma lucidez sem precedentes.
Quanto eu tinha sacrificado e suportado para manter aquela suposta relação de "amigos de infância" com Lucas?
Ele era descuidado, perdia as coisas, e eu sempre o seguia para organizar tudo. Ele dormia nas aulas ou não terminava as tarefas, e eu passava noites em claro ajudando com anotações e ideias. Ele se metia em brigas na quadra, e eu ia pedir desculpas por ele. Quando ele levava um fora, eu passava a noite bebendo com ele, ouvindo seus desabafos.
Todos diziam: "Nina, você é tão boa para o Lucas". E o Lucas costumava dizer: "Nina, o que eu faria sem você?".
Eu sempre achei que aquilo era prova de uma intimidade inabalável. Agora, percebia que apenas representava, de forma unilateral, o papel de uma pessoa prestativa que estava sempre à disposição.
E quando ele precisou de um "compromisso" para agradar outra garota e se integrar a um círculo social mais brilhante, eu, a ferramenta mais conveniente e que nunca reclamava, tornei-me a oferenda sacrificada sem hesitação.
A relação de dezoito anos, aos olhos dele, era barata o suficiente para se tornar uma farsa feita para fazer os outros rirem.
A vibração do celular parou por um instante e logo recomeçou com uma frequência mais apressada. Desta vez, tirei-o do bolso.
Na tela, piscava o nome "Tia Helena".
Era a mãe de Lucas. Atendi sem dizer nada.
— Alô? É a Nina? — a voz da tia Helena soou como sempre, calorosa, mas com uma pitada de sondagem.
— Tia Helena, sou eu — minha voz estava calma.
— Ai, Nina, querida, onde você está? — ela parecia aliviada. — Lucas disse que você não foi à aula hoje e que seu celular estava fora de área, fiquei preocupada. Vocês brigaram?
O tom dela era como o de alguém tentando acalmar uma criança emburrada.
— Não brigamos — respondi.
— Não brigaram? O Lucas me contou tudo, que foi só uma brincadeira na festa, que ele cortou seu cabelo. Esse menino é um travesso, depois vou dar um jeito nele! — o tom da tia Helena era leve, focando nas palavras "brincadeira" e "travessura". — Homens às vezes são um pouco insensíveis, não leve para o lado pessoal. Cabelo cresce de novo, sabe? Ouça a tia, volte logo para a faculdade, não perca suas aulas.
Ouvi tudo em silêncio. Cada palavra era como uma agulha fina espetando meu coração já dormente.
Pelo visto, aos olhos de todos, tudo não passava de uma brincadeira inofensiva.
Minha dignidade, meu constrangimento, minha dor, tudo era insignificante.
— Tia Helena — interrompi — eu cancelei minha matrícula.
O outro lado da linha silenciou-se instantaneamente, até o ruído elétrico da conexão podia ser ouvido claramente.
Após uns cinco segundos, a voz da tia Helena voltou a soar, visivelmente chocada e aguda:
— O quê? Você... você disse o quê? Cancelou a matrícula? Nina, não brinque com a tia, isso não tem graça nenhuma.
— Não estou brincando. O processo de cancelamento já foi concluído e estou no trem voltando para casa — disse, enunciando cada palavra claramente para afirmar o fato.
— Por que isso?! — a voz da tia Helena mudou completamente, tornando-se aguda e cheia de cobranças. — Só porque o Lucas cortou um pouco do seu cabelo? Por uma bobagem dessas? Nina, você não está sendo infantil demais? Você sabe o quanto seus pais se esforçaram para te mandar para a faculdade? Você sabe que você e o Lucas cresceram juntos, que nossas famílias...