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《DEUS:O MILAGRE ESCONDIDO》PARTE 8

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O Hospital Santa Aurora já não parecia um lugar de medicina.

Parecia um campo de decisão.

Onde cada escolha não era mais sobre salvar vidas…

mas sobre definir o que ainda deveria continuar existindo.

Na UTI 3, Marina Duarte permanecia conectada aos equipamentos.

Mas o ambiente havia mudado completamente desde a última atualização do sistema.

As telas estavam estáveis demais.

Os sinais estavam perfeitos demais.

E isso, para o Dr. Renato Alencar, era o mais assustador de tudo.

“Isso não é normal”, ele disse baixo.

Júlia não respondeu.

Ela apenas olhava para os monitores.

Como se estivesse esperando algo voltar a dar errado.

O técnico de TI entrou na sala correndo.

“Doutor… a diretoria chegou.”

Renato virou lentamente o rosto.

“Diretoria?”

O técnico assentiu, ofegante.

“Eles querem encerrar o caso imediatamente.”

Silêncio.

Júlia congelou.

“Encerrar… como?”

Antes que alguém respondesse, a porta da UTI foi aberta.

Três homens entraram.

Todos de terno.

Todos com expressão fria.

Nenhum deles olhou diretamente para a paciente no início.

O homem à frente falou primeiro.

“Sou o diretor executivo do hospital. Precisamos de controle total da situação.”

Renato franziu a testa.

“Controle de quê exatamente?”

O diretor não respondeu diretamente.

Ele olhou para os monitores.

Depois para o corpo de Marina.

E então disse:

“Essa paciente não pode continuar neste estado.”

Silêncio.

Júlia deu um passo à frente.

“Estado? Ela está viva.”

O diretor olhou para ela como se ela estivesse atrapalhando um processo administrativo.

“Isso é discutível.”

Renato respirou fundo.

“Discutível com base em quê?”

O diretor levantou um tablet.

E mostrou um documento.

“PROTOCOLO DE ENCERRAMENTO BIOLÓGICO EM CASOS INDEFINIDOS.”

Júlia arregalou os olhos.

“Isso não existe no código médico…”

“Existe no nosso sistema interno”, o diretor respondeu.

Silêncio pesado.

Renato entendeu imediatamente.

“Vocês querem desligar os equipamentos.”

O diretor não negou.

“Queremos encerrar a instabilidade.”

Júlia começou a tremer.

“Instabilidade? Ela está viva!”

O diretor respirou fundo.

“Ela está… inconsistente.”

O técnico de TI tentou intervir.

“Mas os sinais estão estáveis agora!”

O segundo homem da diretoria respondeu seco:

“Estabilidade não significa controle.”

Renato deu um passo à frente.

“Quem autorizou isso?”

O diretor respondeu sem hesitar:

“O conselho médico superior.”

Júlia quase gritou:

“Eles nem viram a paciente!”

O diretor ignorou.

E virou-se para a equipe técnica.

“Desliguem os suportes agora.”

Silêncio absoluto.

Renato bloqueou o caminho.

“Vocês não vão fazer isso.”

O diretor olhou diretamente para ele.

“Doutor, isso não é uma decisão clínica.”

“É administrativa.”

Júlia começou a chorar.

“Vocês vão matá-la…”

O diretor não reagiu.

“Ela já foi declarada morta duas vezes.”

Renato gritou pela primeira vez.

“DUAS VEZES ERRADO NÃO FAZ UMA CERTEZA!”

Silêncio.

E então aconteceu.

O técnico hesitou.

“Doutor… o sistema recebeu comando externo.”

Renato virou rapidamente.

“Que comando?”

O técnico olhou para a tela.

E ficou branco.

“Desligamento de suporte vital.”

Júlia caiu de joelhos.

“Não…”

Renato correu até o monitor central.

“CANCELA ISSO!”

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Mas o sistema não respondeu.

Na tela apareceu:

“EXECUÇÃO PROGRAMADA EM ANDAMENTO”

O diretor deu um passo para trás.

“Confirmado.”

Renato olhou para ele com ódio.

“Você autorizou isso?”

O diretor respondeu frio:

“Eu apenas validei o protocolo.”

Júlia gritou:

“VOCÊ NÃO TEM DIREITO!”

O técnico tentou interromper manualmente.

“Sem acesso!”

Os alarmes começaram a mudar.

O ritmo cardíaco da paciente estava sendo monitorado em tempo real.

E então…

o sistema iniciou a contagem.

10…

9…

8…

Renato entrou em pânico.

“CANCELA! CANCELA ISSO!”

Mas nada respondia.

7…

6…

Júlia estava chorando desesperadamente.

“Ela está viva… ela está viva…”

5…

E então…

o diretor falou uma última vez.

“Encerramento aprovado.”

4…

Renato gritou:

“VOCÊS ESTÃO COMETENDO UM CRIME!”

3…

E então…

todas as luzes da UTI piscaram ao mesmo tempo.

2…

Os monitores começaram a falhar.

1…

Silêncio absoluto.

O som do monitor cardíaco desapareceu.

A linha ficou reta.

O corpo de Marina não reagiu.

Júlia soltou um grito de dor.

“VOCÊS MATARAM ELA!”

Mas então…

algo estranho aconteceu.

O sistema não confirmou morte.

Em vez disso, exibiu uma mensagem nova.

“PROCESSO NÃO CONCLUÍDO.”

Silêncio absoluto.

Renato ficou paralisado.

“Como assim… não concluído?”

O técnico olhou para a tela.

E sua voz falhou.

“Doutor…”

Na tela principal…

o monitor cardíaco tinha parado de responder…

mas outro painel havia surgido.

E nele estava escrito:

“ATIVIDADE BIOLÓGICA DETECTADA.”

Silêncio.

O diretor deu um passo para trás.

“Impossível…”

Júlia levantou o rosto lentamente.

“Mas ela está morta…”

Renato olhou para o monitor.

E então viu algo que destruiu qualquer lógica restante.

O sistema indicava:

“PACIENTE: VIVA”

Silêncio total.

E então apareceu outra linha.

“APESAR DA INTERRUPÇÃO.”

Renato sussurrou:

“Isso não faz sentido…”

O técnico estava em choque.

“Eles desligaram… mas o sistema não aceitou…”

Júlia começou a tremer novamente.

“Então… o que aconteceu?”

Renato olhou para a paciente.

E respondeu baixinho:

“Ela não aceitou morrer.”

Silêncio.

E então…

todas as telas da UTI desligaram ao mesmo tempo.

Por três segundos completos.

Quando voltaram…

o corpo de Marina estava imóvel.

Mas o monitor mostrava algo impossível.

“CONFLITO DE REALIDADE BIOLÓGICA DETECTADO”

Silêncio absoluto.

Júlia sussurrou:

“Doutor… qual delas é a verdadeira?”

Renato não respondeu.

Porque naquele instante…

o sistema inteiro do hospital travou novamente.

E antes de apagar…

uma última frase apareceu na tela principal.

“SE ELA ESTÁ MORTA…”

E então:

“POR QUE AINDA ESTÁ RESPONDENDO?”

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