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《DEUS:O MILAGRE ESCONDIDO》PARTE 7

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O silêncio dentro do Hospital Santa Aurora naquela noite já não pertencia mais ao mundo comum.

Era um silêncio artificial.

Controlado.

Quase calculado.

Como se o próprio prédio estivesse segurando a respiração.

Na UTI 3, Marina Duarte permanecia viva.

Mas ninguém ali conseguia mais tratá-la como uma paciente comum.

Nem os equipamentos.

Nem o sistema.

Nem os médicos.

Dr. Renato Alencar caminhava pelo corredor com passos rápidos, seguido por Júlia e pelo técnico de TI.

Algo havia mudado.

Não era apenas o caso de Marina.

Era o próprio hospital.

“Os registros não batem mais”, o técnico disse.

Sua voz estava mais baixa do que o normal.

“É como se o sistema estivesse… escondendo áreas inteiras.”

Renato parou de andar.

“Áreas?”

O técnico hesitou.

“Subníveis.”

Júlia franziu a testa.

“Subníveis do hospital?”

O técnico assentiu lentamente.

“Que não aparecem no mapa interno.”

Silêncio.

Renato respirou fundo.

“Mostra.”

Eles desceram por um corredor lateral que normalmente era usado apenas por manutenção.

Mas agora…

o acesso estava desbloqueado.

Sem cartão.

Sem autorização.

“Isso não é normal”, Júlia murmurou.

“Hoje nada é normal”, respondeu Renato.

A porta no fim do corredor estava aberta.

Sem travas.

Sem segurança.

E atrás dela…

havia escadas.

Escadas que não estavam no projeto original do hospital.

O técnico engoliu seco.

“Isso não deveria existir aqui.”

Renato começou a descer.

Júlia hesitou.

“Doutor… isso parece errado.”

Ele não respondeu.

Continuou descendo.

O ar mudou no segundo nível.

Ficou mais frio.

Mais seco.

Mais… técnico.

As paredes brancas desapareceram.

Substituídas por metal cinza.

E então eles viram.

Uma porta.

Sem identificação.

Sem nome.

Só um símbolo.

“DEUS”

Júlia deu um passo para trás.

“O que é isso…”

O técnico ficou pálido.

“Isso não está no sistema hospitalar.”

Renato se aproximou da porta.

E tocou no painel.

A porta abriu.

Sem senha.

Sem verificação.

Como se já estivesse esperando por eles.

Lá dentro…

não havia hospital.

Havia laboratório.

Uma sala enorme, iluminada por luz branca fria.

Com dezenas de monitores.

Tubos.

Arquivos.

E leitos vazios.

Mas não totalmente vazios.

Havia etiquetas.

Júlia se aproximou.

E leu uma delas.

“PACIENTE 01 – REATIVAÇÃO PARCIAL”

Ela congelou.

“Reativação?”

Renato já estava olhando outras.

“PACIENTE 02 – CICLO COMPLETO DE RETORNO”

“PACIENTE 03 – FALHA CONTROLADA”

Ele parou.

“Isso não são pacientes normais…”

O técnico abriu um painel lateral.

E ficou em silêncio absoluto.

“Doutor…”

Renato virou.

O técnico apontava para uma tela antiga.

E nela havia uma lista.

Uma lista longa.

Muito longa.

NOMES

STATUS

CÓDIGOS

Júlia se aproximou lentamente.

“Isso é… uma base de dados?”

O técnico balançou a cabeça.

“Não.”

Ele engoliu seco.

“Isso é um registro de experimentos.”

Renato começou a ler.

E parou no primeiro grupo destacado.

“CASOS DE MORTE CLÍNICA REVERSA”

Júlia levou a mão à boca.

“Reversão de morte…”

Renato clicou.

E a tela mudou.

Vários nomes apareceram.

Todos com o mesmo padrão.

Marina Duarte não era única.

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“Ela não é a primeira…”, Renato murmurou.

O técnico abriu outra aba.

E ficou pálido.

“Doutor… isso aqui…”

Renato se aproximou.

E viu.

UMA COLUNA DE NÚMEROS.

1

2

3

4

5

6

E ao lado de cada número:

PACIENTE

STATUS

CICLO DE MORTE

Júlia começou a tremer.

“Eles não têm nomes…”

Renato sussurrou:

“Eles têm números.”

O técnico apontou para o topo da lista.

E congelou.

“PROJETO PRINCIPAL: DEUS”

Silêncio absoluto.

Renato não piscava.

“Então é isso…”

Júlia olhou para ele.

“O quê?”

Ele respondeu lentamente:

“Não é hospital.”

Ele olhou ao redor da sala.

“É uma estrutura de teste.”

O técnico respirou fundo.

“Eles estão estudando… morte.”

Júlia deu um passo para trás.

“Isso não pode ser real…”

Renato abriu outro arquivo.

E viu algo ainda pior.

“PACIENTE ATUAL: MARINA DUARTE”

STATUS:

EM PROCESSO ATIVO

CÓDIGO EXPERIMENTAL:

07

Silêncio total.

Júlia sussurrou:

“Ela é o número sete…”

Renato ficou imóvel.

“Não…”

Ele leu novamente.

E percebeu.

“Ela não é paciente.”

Ele respirou fundo.

“Ela é etapa.”

De repente, todas as telas da sala piscaram ao mesmo tempo.

E uma mensagem apareceu em todos os monitores.

“OS CASOS NÃO SÃO CURADOS.”

Silêncio.

“ELES SÃO CLASSIFICADOS.”

O técnico começou a recuar.

“Doutor… isso está ativo agora…”

Júlia olhou para as telas.

E começou a chorar.

“Eles estão observando a gente…”

Renato não respondeu.

Porque no centro da sala…

um novo arquivo acabava de ser aberto sozinho.

TÍTULO:

RELATÓRIO DE OBSERVAÇÃO EM TEMPO REAL

E o sistema começou a escrever sozinho.

“PACIENTE 07 APRESENTA RESPOSTA NÃO PREVISTA.”

Silêncio absoluto.

Júlia sussurrou:

“Isso está acontecendo agora…”

Renato se aproximou da tela.

E viu a última linha aparecer sozinha.

“INTERFERÊNCIA DETECTADA.”

O técnico deu um passo para trás.

“Interferência de quê?”

E então o sistema respondeu.

“DO OBSERVADOR.”

Silêncio total.

Júlia começou a tremer violentamente.

“Observador…?”

Renato não conseguia respirar direito.

Porque entendeu algo naquele instante.

Eles não estavam apenas dentro do laboratório.

Eles estavam sendo vistos.

E então todas as luzes da sala apagaram.

E voltaram.

Mas agora…

uma nova linha havia surgido na tela principal.

“VOCÊS NÃO DEVERIAM TER DESCIDO AQUI.”

Silêncio absoluto.

E então…

um novo arquivo foi aberto automaticamente.

TÍTULO:

IDENTIFICAÇÃO DO OPERADOR

E o sistema começou a carregar um nome.

lentamente…

como se estivesse escolhendo revelá-lo.

E a tela piscou.

E começou a mostrar:

“OPERADOR PRINCIPAL: NÚMERO 01”

E antes que alguém pudesse reagir…

a tela apagou completamente.

E o último som do sistema foi uma frase curta.

“ELES NÃO SÃO PACIENTES.”

E então:

“ELES SÃO OBJETOS DE TESTE.”

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