《O Homem que Subiu ao Palco por Fome》PARTE 9

PUBLICIDADE

O primeiro conselheiro a se levantar não fez barulho.

Depois veio o segundo, o terceiro, o quarto. Em poucos segundos, a sala no topo do prédio da Faria Lima deixou de parecer uma reunião empresarial e virou uma arena onde todos tinham entendido a mesma coisa ao mesmo tempo.

Lucas Menezes, o homem que entrara por fome num jantar de gala, agora podia derrubar a mesa onde eles tinham decidido destinos por décadas.

Augusto Lacerda apoiou as duas mãos na mesa, vermelho de raiva.

"Isso é uma provocação jurídica sem validade imediata."

Bianca Tavares recolheu uma folha com calma.

"É uma comunicação formal sustentada por documentos registrados, exame genético preliminar e investigação policial em curso."

"Investigação não é sentença."

"Mas impede fraude nova em cima de fraude velha."

Lucas olhava para todos como se estivesse observando outra espécie de gente.

Ninguém ali perguntava por Rosa. Ninguém perguntava se Miguel respirava melhor no hospital. Ninguém perguntava como um homem sobrevivia ao descobrir que tinha um pai arrancado da vida e uma mãe arrancada da história.

Eles perguntavam por ações.

Por controle.

Por queda.

Por voto.

Henrique percebeu o olhar dele e baixou a voz.

"Eu sinto muito."

Lucas não desviou os olhos dos conselheiros.

"Não sinta agora. Agora olha bem para eles."

Marina estava ao lado dele, rígida, como se finalmente enxergasse a sala onde crescera entrando e saindo sem saber que ali também se escondiam crimes.

Augusto apontou para Lucas.

"Esse rapaz não pode exercer nada. Não tem formação, não tem experiência, não tem documento regularizado e, até ontem, sequer tinha endereço."

Lucas sorriu sem alegria.

"Ontem isso não incomodava ninguém porque eu não tinha nada que vocês quisessem."

Um diretor grisalho bateu na mesa.

"Respeite esta instituição."

Lucas virou-se para ele.

"Instituição é o nome bonito que vocês dão para sala com ar-condicionado onde pobre vira número."

O homem ficou sem resposta.

César Barreto, junto à porta, falou com voz firme:

"Senhores, lembro que qualquer tentativa de ocultar documentos societários ou movimentar patrimônio ligado ao bloco investigado será comunicada imediatamente ao Ministério Público."

Raul Ferraz tentou recuperar o controle.

"Delegado, estamos tratando de governança corporativa."

"Eu estou tratando de indícios de sequestro, cárcere privado, falsidade documental, lavagem de dinheiro e tentativa de destruição de prova. A governança que espere a vez."

A sala congelou.

Bianca abriu outra pasta.

"Além disso, solicitei medida cautelar para bloquear qualquer deliberação extraordinária envolvendo controle acionário, venda de ativos e alteração de estatuto até que a Justiça analise a condição de Miguel e Lucas."

Augusto riu com desprezo.

"A senhora solicitou. Não obteve."

O celular de Bianca vibrou.

Ela olhou a tela.

"Obtive."

A palavra caiu como uma pedra.

Marina respirou fundo.

Henrique fechou os olhos por um instante.

Augusto empalideceu.

Bianca continuou:

"Decisão liminar concedida há quatro minutos. O juiz reconheceu risco concreto de dilapidação patrimonial diante da tentativa de movimentação ligada ao Instituto Mãe Serena."

PUBLICIDADE

Raul pegou o celular rapidamente.

"Isso é impossível."

Lucas olhou para ele.

"Impossível era meu pai estar vivo no subsolo. Depois disso, eu parei de confiar nessa palavra."

César recebeu uma ligação e se afastou um pouco.

Enquanto ele falava baixo, Augusto se aproximou de Henrique.

"Você está entregando o grupo para um estranho."

Henrique respondeu, cansado:

"Ele é meu sobrinho."

"É uma ameaça."

"Não. A ameaça foi o que fizemos com ele."

"Você perdeu a razão."

Henrique olhou ao redor.

"Talvez eu tenha encontrado tarde demais."

Naquele momento, César voltou para o centro da sala. Seu rosto tinha mudado.

"Precisamos sair."

Lucas percebeu antes de todos.

"O que aconteceu?"

"Encontraram o motorista de Sílvia."

Henrique avançou.

"Onde?"

"Morto."

Marina cobriu a boca.

A sala inteira ficou muda.

César continuou:

"Dentro de um carro queimado perto da Rodovia Raposo Tavares. A perícia ainda está no local."

Lucas sentiu um frio atravessar o corpo.

"Sílvia estava com ele?"

"Não foi encontrada."

Augusto falou baixo:

"Isso não prova ligação com ela."

César encarou-o.

"Eu não disse que provava. O senhor parece preocupado em responder antes da pergunta."

Bianca fechou a pasta.

"Lucas, você precisa sair sob proteção."

"Por quê?"

Henrique respondeu antes dela:

"Porque, se você realmente tem poder sobre o grupo, vão tentar calar você."

Lucas riu, mas sem humor.

"Tarde demais. Minha vida inteira foi tentativa de silêncio."

Marina segurou o braço dele.

"Não brinca com isso."

Lucas olhou para ela e viu medo verdadeiro.

Não medo de perder empresa.

Medo de perder ele.

Aquilo o desarmou por um segundo.

"Eu não estou brincando."

"Então promete que vai obedecer ao delegado."

"Não prometo coisa que talvez eu não cumpra."

"Lucas."

Ele respirou fundo.

"Eu tento."

César organizou a saída por elevador privativo. Henrique, Marina, Lucas, Bianca e dois policiais desceram juntos. Raul ficou para trás, dizendo que precisava tratar dos documentos, mas César deixou um agente observando cada movimento da sala.

No elevador, ninguém falou.

Lucas via seu reflexo no metal polido: camisa simples, rosto cansado, olhos vermelhos. Ao lado dele, Henrique parecia outro homem, menos bilionário e mais irmão culpado.

Marina apertava o celular com força.

Bianca lia novas mensagens da Justiça.

Quando a porta abriu na garagem, Jorge já esperava com dois carros blindados.

César deu ordens rápidas.

"Lucas vai comigo. Henrique e Marina no segundo carro. Bianca no terceiro com escolta."

Marina protestou:

"Eu quero ir com Lucas."

"Não."

"Delegado..."

"Não vou colocar todos no mesmo alvo."

Lucas olhou para ela.

"Vai com seu pai."

"Você fala como se eu estivesse escolhendo conforto."

"Não estou."

"Está, sim."

Ele se aproximou.

"Marina, se alguma coisa acontecer, alguém precisa estar inteiro para contar."

Os olhos dela encheram d’água.

"Não fala assim."

Lucas não respondeu.

Entrou no carro de César.

O comboio saiu pela garagem lateral, tentando evitar os jornalistas na frente do prédio. Mesmo assim, algumas motos seguiram à distância. César olhava pelo retrovisor a cada poucos segundos.

PUBLICIDADE

"Não gosto disso."

Lucas perguntou:

"Jornalista?"

"Talvez."

"Talvez não?"

"Talvez outra coisa."

O carro entrou na Avenida Brigadeiro Faria Lima e seguiu em direção ao hospital onde Miguel estava internado. A cidade parecia normal demais para uma vida desmoronando: gente atravessando faixa, motoboys cortando carros, ônibus lotados, cafés abrindo.

Lucas encostou a cabeça no vidro.

"Meu pai acordou?"

César respondeu:

"Recebi mensagem da doutora Elisa. Está sedado, mas estável."

"Ele vai lembrar tudo?"

"Não sei."

"Ele precisa."

"Às vezes lembrar também mata."

Lucas fechou os olhos.

"Esquecer já matou bastante."

No carro de trás, Henrique tentava ligar para Sílvia. A chamada caía direto na caixa postal. Marina olhava pela janela, inquieta.

"Pai, você acha que ela mandou matar o motorista?"

Henrique demorou.

"Ontem eu diria que não."

"E hoje?"

"Hoje eu não reconheço a mulher com quem fui casado."

Marina falou baixo:

"Eu nunca reconheci."

Henrique olhou para a filha.

"Por que você nunca me contou tudo o que sentia?"

"Porque você chamava de ciúme. Depois de imaturidade. Depois de ingratidão."

Ele fechou os olhos.

"Eu falhei com você também."

"Falhou."

A resposta seca doeu, mas ele não se defendeu.

"Eu vou tentar reparar."

"Não começa por promessa. Começa ficando vivo."

Antes que Henrique respondesse, um caminhão branco surgiu de uma rua lateral com velocidade absurda.

No carro da frente, César viu pelo retrovisor.

"Merda."

Ele acelerou.

Lucas se virou.

"O que foi?"

"Segura."

O caminhão avançou contra o segundo carro.

Jorge desviou bruscamente, subindo parcialmente na calçada. O som de buzinas explodiu. O caminhão raspou a traseira do carro de Henrique, arrancando metal e vidro.

Marina gritou.

Henrique segurou a filha contra o banco.

No carro da frente, César pisou fundo.

"Estão vindo na gente também."

Uma moto se aproximou pela esquerda. O passageiro levantou algo escuro.

Lucas viu.

"Arma!"

César puxou o volante. O vidro traseiro estourou com o impacto do tiro. Estilhaços voaram. Lucas se abaixou instintivamente.

"Fica baixo!"

Outro disparo atingiu a lataria.

César pegou o rádio.

"Viatura sob ataque na Faria Lima, sentido Rebouças! Dois veículos suspeitos, moto preta e caminhão branco!"

Lucas sentia o coração bater na garganta.

"É ela."

"Não afirma o que não prova."

"Quem mais teria tanto medo?"

César não respondeu.

O carro entrou numa rua menor tentando despistar a moto. Mas o caminhão apareceu novamente no cruzamento seguinte, como se soubesse o trajeto.

César freou com violência.

"Estão coordenados."

Lucas olhou para trás.

"O carro da Marina?"

"Pela câmera lateral, ainda está atrás."

A moto avançou de novo.

César jogou o carro contra ela. O motociclista perdeu equilíbrio, bateu num poste e caiu. O homem armado rolou no asfalto.

"Um a menos."

Lucas ergueu a cabeça.

No mesmo instante, viu outro carro escuro vindo na contramão.

"César!"

O impacto veio antes da resposta.

O carro policial rodou duas vezes, bateu contra uma árvore e parou inclinado, com a frente destruída.

PUBLICIDADE

Por alguns segundos, Lucas não ouviu nada.

Só um apito agudo.

Cheiro de gasolina.

Sangue na boca.

Dor no peito.

Ele tentou respirar e não conseguiu direito.

César estava desacordado ao volante, com sangue na testa.

Lucas tentou soltar o cinto, mas a trava emperrou.

Do lado de fora, passos se aproximavam.

Ele virou o rosto e viu um homem de máscara descendo do carro escuro.

Na mão, uma arma.

Lucas puxou o cinto com desespero.

"Não. Não agora."

O homem se aproximou da janela quebrada.

Antes que levantasse a arma, um tiro ecoou de outro lado.

O homem caiu.

Jorge apareceu correndo, arma em punho, com o rosto cortado por vidro.

"Lucas!"

"Preso!"

Jorge tentou abrir a porta, mas ela estava amassada.

Atrás dele, Marina corria desesperada, mesmo com Henrique gritando para ela ficar no carro.

"Lucas!"

"Marina, volta!"

Ela não voltou.

Chegou à janela e viu sangue escorrendo pela lateral do corpo dele.

"Meu Deus, você está sangrando."

Lucas tentou sorrir.

"Já tive dias melhores."

"Não fala."

Henrique apareceu e ajudou Jorge a forçar a porta.

O caminhão branco, que parecia ter recuado, acelerou novamente na direção deles.

César acordou por um instante e gritou:

"Saiam!"

Jorge puxou Marina para trás.

Henrique tentou puxar Lucas, mas o cinto ainda prendia.

O caminhão vinha direto.

Lucas olhou para Henrique.

"Vai!"

"Não!"

César, mesmo ferido, conseguiu pegar uma faca de emergência e cortar parte do cinto. Henrique puxou Lucas com toda força pela janela quebrada.

Os dois caíram no asfalto no momento em que o caminhão atingiu o carro policial.

A explosão não foi grande como nos filmes.

Foi pior.

Seca, brutal, cheia de metal torcido e fogo pequeno espalhando rápido.

Marina gritou o nome de Lucas.

Ele estava no chão, alguns metros adiante, respirando com dificuldade, com um corte profundo na lateral do abdômen e sangue manchando a camisa.

Henrique se arrastou até ele.

"Lucas, olha para mim."

Lucas piscou, confuso.

"Meu pai..."

"Está no hospital. Você vai ver ele."

"Não deixa levarem ele de novo."

"Não vou."

"Promete."

"Prometo."

Lucas apertou a mão de Henrique, mas sua força desaparecia.

Jorge gritou por ambulância. César, sangrando e mancando, tentava prender o motorista do caminhão, que sobrevivera e tentava fugir.

Marina ajoelhou-se ao lado de Lucas.

"Fica comigo. Por favor, fica comigo."

Lucas olhou para ela.

"Você chora feio."

Ela soltou uma risada desesperada, misturada com soluço.

"Idiota."

"Eu sei."

"Não fecha os olhos."

"Estou cansado."

"Lucas, não."

A voz dela falhou.

"Você não chegou até aqui para morrer numa rua."

Ele tentou responder, mas tossiu sangue.

Henrique gritou:

"Ambulância!"

O som das sirenes finalmente se aproximou.

Nos prédios ao redor, pessoas filmavam. Em poucos minutos, a tentativa de assassinato já estaria ao vivo em todo o Brasil.

Mas Lucas não via câmeras.

Via flashes da mãe.

Rosa sorrindo numa memória que talvez fosse inventada.

Miguel tocando seu rosto.

Sílvia levando um bebê pelo corredor.

O palco.

A comida.

A luz.

E a voz dele mesmo dizendo que só queria comer.

No hospital, Miguel acordou agitado antes mesmo de saber do acidente. Elisa tentou contê-lo.

"Senhor Miguel, o senhor precisa ficar deitado."

"Lucas."

"Ele está vindo para cá."

Miguel segurou o braço dela.

"Machucaram meu filho."

Elisa ficou imóvel.

Ninguém ainda tinha contado.

Minutos depois, as portas da emergência se abriram com violência.

A maca entrou cercada por médicos, enfermeiros e policiais. Marina vinha atrás, coberta de sangue que não era dela. Henrique gritava informações desconexas. César, mesmo ferido, dava ordens para proteger entradas e corredores.

"Paciente masculino, vinte e sete anos, trauma por acidente automobilístico, ferimento penetrante em abdômen, perda sanguínea importante!"

Lucas estava semiconsciente.

Marina tentou entrar junto, mas uma enfermeira a barrou.

"Senhora, não pode passar."

"Eu estou com ele!"

"Agora não!"

Henrique segurou Marina antes que ela rompesse a barreira.

"Deixa os médicos trabalharem."

"Ele vai morrer?"

"Não fala isso."

Miguel, numa cadeira de rodas trazida contra recomendação médica, apareceu no corredor acompanhado por Elisa.

Ao ver o filho coberto de sangue, tentou se levantar e quase caiu.

"Lucas!"

O rapaz virou levemente a cabeça ao ouvir a voz.

"Pai..."

Miguel levou as mãos ao peito.

"Estou aqui."

Lucas tentou erguer a mão, mas ela caiu.

A equipe levou a maca para dentro do centro cirúrgico.

As portas se fecharam.

O corredor ficou cheio de sangue, respiração e culpa.

Marina encostou na parede e escorregou até o chão.

Henrique ficou parado, olhando as mãos manchadas.

"Eu puxei ele do carro. Eu senti o sangue dele."

Miguel, tremendo na cadeira, sussurrou:

"Eles fizeram de novo."

Elisa se ajoelhou diante dele.

"Quem?"

"Eles tiram tudo quando a gente tenta viver."

César chegou mancando, com um curativo improvisado na cabeça.

"Pegamos um dos homens. O motorista do caminhão está vivo. Disse que recebeu dinheiro por intermediário."

Henrique virou-se.

"Sílvia?"

"Ainda não citou nome."

"Faça citar."

César respondeu com dureza:

"Eu não fabrico depoimento. É isso que nos separa dela."

Marina levantou o rosto.

"E se ela tentar fugir agora?"

"Todas as saídas estão monitoradas."

Bianca chegou ao hospital correndo, com a expressão desfeita.

"Eu soube do ataque."

Henrique olhou para ela.

"Se Lucas morrer, o que acontece com as ações?"

A pergunta saiu terrível, mas necessária.

Bianca respirou fundo.

"Henrique..."

"Responda."

"Parte dos direitos passaria para Miguel. Mas Lucas, como herdeiro direto e vítima de tentativa de eliminação, reforça ainda mais a tese de crime patrimonial."

Miguel ouviu e fechou os olhos.

"Meu filho virou papel antes de virar filho."

Marina chorou mais forte.

Bianca se ajoelhou ao lado dele.

"Não. Seu filho virou perigoso para quem roubou papel."

O tempo no corredor do centro cirúrgico não andava.

Ele sangrava.

Uma hora.

Duas.

Três.

Henrique recebeu chamadas do conselho, da imprensa, de ministros, de acionistas estrangeiros. Não atendeu nenhuma.

Marina ficou sentada no chão, sem trocar de roupa, recusando água.

Miguel rezava baixo, repetindo o nome de Rosa entre frases quebradas.

"Rosa, segura nosso menino."

"Rosa, não deixa levarem ele."

"Rosa, perdoa minha demora."

Cada vez que ele dizia o nome dela, Lucas parecia mais filho de uma história viva do que de uma tragédia enterrada.

César interrogava policiais pelo telefone e recebia atualizações. O carro escuro usado no ataque tinha registro falso. A moto era roubada. O caminhão pertencia a uma empresa fantasma ligada a um contrato antigo do Instituto Mãe Serena.

Quando essa informação chegou, Henrique bateu a mão na parede.

"Instituto Mãe Serena. Sempre ela."

César falou:

"Estamos chegando perto."

Henrique respondeu:

"Não rápido o bastante."

Perto das cinco da tarde, as portas do centro cirúrgico finalmente se abriram.

Um médico saiu tirando a máscara, com o rosto cansado e grave.

Todos se levantaram ao mesmo tempo.

Marina foi a primeira a falar.

"Ele está vivo?"

O médico respirou fundo.

"Está vivo."

O corredor inteiro pareceu soltar o ar.

Henrique fechou os olhos.

Miguel começou a chorar.

Mas o médico não sorriu.

"Mas o quadro é crítico."

Marina levou a mão ao peito.

"O que aconteceu?"

"Ele perdeu muito sangue."

Miguel segurou os braços da cadeira.

O médico continuou, olhando para Elisa e depois para Henrique:

"Precisamos de uma compatibilidade específica para uma nova transfusão e possível procedimento de emergência. O tipo sanguíneo dele é raro dentro dos dados disponíveis."

Henrique respondeu rápido:

"Eu faço. Tirem meu sangue."

"Já testamos compatibilidade com o senhor e com Miguel. Não é suficiente para o que precisamos agora."

Marina avançou.

"Testem o meu."

"Também vamos testar, mas pela combinação genética, há uma chance maior com a linhagem materna direta."

Lucas, atrás da porta, ligado a aparelhos, não podia ouvir.

Mas todos no corredor ouviram a frase seguinte.

O médico olhou para a equipe com urgência e disse:

"Precisamos da mãe dele agora."

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia