Será que foi naquela noite de intimidade há três meses?
Giulia tocou seu abdômen com incredulidade. Depois de tantos anos sem engravidar, como isso aconteceu justamente no momento crítico do divórcio...
Seus sentimentos eram complexos; ela não sabia se aquilo era um presente do céu ou um castigo.
"Srta. Giulia, a senhora pretende manter a criança ou...?"
O médico perguntou por hábito enquanto abria a ficha.
Giulia voltou a si com atraso.
Manter, ou... abortar?
Assim que esse pensamento surgiu, seu coração pareceu ser apertado por uma mão invisível, doendo profundamente.
O médico notou sua hesitação e suavizou o tom:
"Não tem problema, a senhora pode ir para casa pensar antes de tomar uma decisão, apenas não demore muito."
Giulia assentiu aturdida, levantou-se e saiu do consultório com mãos e pés frios.
Ela apertava o formulário de exame, olhando para a palavra "grávida" gravada ali.
Sem qualquer aviso, as lágrimas caíram em grandes gotas.
Este era seu primeiro filho, mas chegara em um momento tão inoportuno.
Ela não podia manter...
Ela deveria abortar.
Mas, naquele exato momento, como se houvesse uma conexão espiritual, sentiu uma pulsação extremamente leve e quase imperceptível em seu ventre.
Apenas uma vez.
As lágrimas de Giulia pararam subitamente.
Ela levantou a mão abruptamente e pressionou seu abdômen, sentindo aquela fraca pulsação de vida.
Sua mente confusa foi iluminada por um pensamento louco.
Não.
Ela manteria este bebê.
Ela queria este filho.
Ela tinha dinheiro, tinha capacidade de criá-lo bem.
Ela o levaria para o exterior para receber a melhor educação, faria dele a criança mais feliz do mundo.
Ele cresceria muito bonito, herdando sua aparência e tudo mais.
Este era seu filho, uma flor completa que brotou de seu corpo, pertencente apenas a ela, Giulia.
Não tinha nada a ver com mais ninguém!
Giulia cerrou os dentes, enxugou as lágrimas, guardou o relatório cuidadosamente e saiu do hospital.
6
Nos quinze dias seguintes, tudo permaneceu calmo e nada aconteceu.
Giulia relaxou gradualmente os nervos, concentrando-se em curar suas feridas e preparar os preparativos para sua partida.
E também em cuidar bem do bebê em seu ventre.
Julian a ignorou por muito tempo, mas, naquele dia, de repente, notificou-a para comparecer a um leilão beneficente.
"Não vou." Giulia respondeu friamente ao telefone.
"Julian, não se esqueça de que já assinamos o acordo de divórcio, não tenho a obrigação de cooperar com suas encenações."
Julian silenciou por um momento do outro lado, como se tivesse acabado de lembrar disso.
Mas, logo em seguida, ele riu com desdém:
"Giulia, você não vai parar?"
"Estou dando uma chance a você, tem certeza de que quer continuar criando caso?"
"Dez minutos, apareça no local, caso contrário, não me importo de mandá-la de volta para a casa de seus pais novamente."
Após falar, ele desligou diretamente, sem esperar resposta.
A expressão de Giulia era sombria, suas unhas cravadas tão fundo na palma da mão que seus nós dos dedos ficaram brancos.
Ele continuava tão confiante, tão certo de si, sem levá-la em consideração.
Faltavam poucos dias para a certidão de divórcio sair, e ela estava no meio de procedimentos frenéticos de divisão de bens, não era hora de causar problemas.
Resistir.
Giulia fechou os olhos e, no final, vestiu um traje adequado e partiu para o leilão.
Quando chegou ao local, meia hora já havia se passado.
As celebridades presentes estavam todas acompanhadas de seus pares.
E no braço de Julian, já estava Mariana, vestida de forma sexy e ousada.
Ele a examinou friamente:
"Giulia, você está atrasada."
"Eu disse, você só tinha dez minutos. Se não chegasse em dez minutos, naturalmente outra pessoa ocuparia o lugar."
Ele segurou Mariana e sentou-a na área VIP, olhando para Giulia com frieza:
"Já que não há mais lugar para você, fique de pé ao lado e sirva Mariana; considere isso uma compensação pela sua imprudência daquele dia."
Os presentes eram todos da alta sociedade; ouviu-se o burburinho e todos olharam.
Nos círculos da elite, não era novidade uma esposa legítima não ser amada pelo marido.
Mas um marido que não dava o menor respeito e ainda ajudava a amante a humilhá-la era raro.
Por um momento, risinhos abafados preencheram o recinto.
Giulia mantinha as sobrancelhas frias, a mão que segurava a bolsa tremia levemente, lutando para conter a humilhação.
Justo no momento em que ela estava no limite e prestes a virar as costas e ir embora, o primeiro grande item do leilão foi trazido.
Estava coberto por um pano de seda, parecendo um grande porta-retratos.
A voz do mestre de cerimônias ecoou:
"Boa noite a todas as senhoras e senhores. Hoje, nosso primeiro item é uma obra fotográfica fornecida por um doador anônimo. Observem —"
O pano de seda foi removido e o local explodiu instantaneamente em alvoroço.
"Meu Deus, aquela é a Sra. Yan?"
"Parecia tão refinada, será que faz esse tipo de coisa por trás?"
"Meu Deus, que fofoca bombástica."
Giulia virou-se abruptamente, e no instante em que viu o conteúdo das fotos no porta-retratos, suas pupilas se contraíram rapidamente!
7
No imenso porta-retratos, não havia apenas uma foto, mas mais de dez fotos indecentes.
E em cada uma delas, a protagonista era ela!
Nas fotos, Giulia estava completamente nua, com os olhos entreabertos, e até colocada em ângulos específicos para apresentar uma expressão de delírio e êxtase.
Sobre seu corpo, muitas mãos diferentes, pertencentes a homens, moviam-se e permaneciam...
Giulia encarava o porta-retratos fixamente; todo o seu sangue parecia ter subido à cabeça e depois congelado.
Com a mente em branco, ela virou o rosto mecanicamente, percorrendo os rostos de todos os presentes.
Zombeteiros, chocados, desdenhosos, rindo exageradamente, obscenos, sugestivos...
Ela sentia-se como se estivesse despida, jogada sob o holofote, para ser observada, julgada e retalhada por todos.
Acabou.
Na mente de Giulia, havia apenas essas duas palavras; estava tudo acabado.
Finalmente, seu olhar fixou-se no rosto furioso de Julian e ao lado, em Mariana, que sorria de forma sedutora e triunfante.
Mariana sorriu, seus lábios vermelhos se moveram e ela disse silenciosamente para ela:
"Bem feito."
Naquele instante, Giulia compreendeu tudo.
Então era isso o que tinha acontecido naquele dia.
O que aquelas pessoas fizeram depois de a doparem.
Para evitar que ela percebesse algo estranho e denunciasse o crime cedo demais, atrapalhando o plano, eles nem chegaram a consumar o ato. Eles simplesmente tiraram suas roupas, tiraram essas fotos forjadas da maneira mais rápida possível e depois a mandaram de volta para a casa dos Yan.
E hoje, mais de meio mês depois, quando ela pensava que tudo já tinha passado e relaxou sua vigilância, eles lhe deram o golpe fatal!
O mestre de cerimônias no palco percebeu que algo estava errado e ordenou, em pânico, que retirassem o quadro, mas já era tarde demais.
Os flashes disparavam um após o outro, o som dos cliques das câmeras não parava; todos competiam para tirar fotos.
Alguns repórteres até apontavam as lentes para o rosto pálido e sem cor de Giulia, fotografando repetidamente.
Julian fechou os olhos e disse severamente:
"Já chega!"
Ele se levantou subitamente, olhando para todos os presentes:
"Apaguem tudo, caso contrário, ninguém sairá daqui hoje."
"Se alguma foto vazar, será contra a minha empresa, e todos aqui devem pensar bem nas consequências!"
Ele fez um gesto, chamando seu assistente:
"Vá investigar quem fez isso hoje."
Giulia observava, atordoada, enquanto ele resolvia a emergência no local de forma metódica.
Alguém hesitou e balançou a cabeça, dizendo:
"O Sr. Julian tem um temperamento tão bom, ainda limpando a bagunça para aquela mulher; não sei o que ele tem na cabeça, não vale a pena."
"É verdade, uma mulher promíscua como essa nem merece o Sr. Julian!"
Depois que Julian terminou de dar as instruções, seu olhar finalmente caiu sobre ela.
Era um olhar frio, sarcástico, cheio de um desprezo extremo, como se quisesse matá-la.
Giulia sentiu um calafrio, como se estivesse sendo retalhada por aquele olhar.
Ele caminhou até ela, com uma aura aterrorizante, e agarrou seu rosto:
"Giulia, me dê uma explicação."
Explicação?
Giulia abriu a boca, forçando-se a manter a calma:
"Eu não tenho nenhuma."
"Alguém me incriminou."
"Naquele dia, na volta da casa dos meus pais, fui dopada por quem veio me buscar. Eles tiraram as fotos naquele momento e só então me mandaram de volta."
"Além disso, nada mais aconteceu."
Ela disse com o rosto pálido, sustentando sua dignidade que desmoronava.
"Dopada?" Mariana cobriu a boca rindo, "Irmã Giulia, mesmo que você esteja confusa, não pode usar uma desculpa tão barata. Já que foi dopada, por que não contou ao Julian na época?"
Giulia cerrou os dedos.
Naquela época, ela estava completamente imersa no choque da gravidez e, como os exames médicos não mostraram nada de anormal, ela deixou esse assunto de lado.
Mas Julian não sabia disso.
Ele a encarou friamente e zombou:
"Você está dizendo que foi sequestrada por um grupo de homens e que eles não fizeram nada com você?"
"Giulia, você mesma acredita nessa mentira?"
"Perguntei ao mordomo, o horário em que você chegou em casa naquele dia não teve problemas; você acha que houve tempo para um sequestro no meio do caminho?"