Antes mesmo de terminar de falar, Sabrina pegou uma faca de frutas e, sem hesitar, cravou-a profundamente em seu próprio abdômen.
A lâmina perfurou a carne, e o sangue encharcou suas roupas instantaneamente.
"Ah!"
Ela soltou um grito dilacerante enquanto seu corpo desabava enfraquecido no chão.
Exatamente nesse momento, a porta do escritório foi aberta com violência.
Enzo entrou e deparou-se imediatamente com aquela cena aterrorizante.
Ele avançou a passos largos, empurrou Seraphina brutalmente para longe e amparou Sabrina em seus braços.
"Sabrina!"
Seraphina foi arremessada para trás, e a nuca de sua cabeça colidiu com força contra a quina afiada da mesa de madeira maciça. Um líquido quente começou a escorrer por sua testa.
Apoiada no peito dele, Sabrina estava com a face pálida como papel e a voz quase imperceptível. "Enzo... a Seraphina tentou me matar."
"Vou te levar para o hospital."
Sem direcionar um único olhar para Seraphina, ele a ignorou completamente, como se ela fosse apenas um pedaço de lixo incômodo no chão, e saiu carregando Sabrina.
A porta foi batida com força, deixando Seraphina sozinha no escritório em instantes.
Se Sabrina teve a coragem de esfaquear a si mesma, certamente havia um plano ainda maior por trás disso, que poderia de alguma forma atingir sua avó.
Apoiando-se no piso, ela se levantou lentamente e o seguiu com dificuldade.
Assim que alcançou o saguão da emergência, ouviu a voz sobressaltada de uma enfermeira: "A paciente está com hemorragia grave e precisa urgentemente de sangue RH negativo. Não temos estoque no banco de sangue no momento. Algum familiar possui esse tipo sanguíneo?"
"Eu... eu conheço alguém..." Sabrina falou com fraqueza, encostada no leito hospitalar. "A avó da Seraphina parece ter esse tipo de sangue, eu já ouvi comentarem em casa..."
"Não!"
Seraphina, que acabara de alcançar a entrada, sentiu as palavras como um choque brutal.
"De jeito nenhum! A saúde da minha avó sempre foi frágil, ela não suportaria uma retirada de sangue!"
Sua testa ainda sangrava, evidenciando seu estado totalmente desalentado.
O tom de Enzo soou gélido e implacável: "Você causou o problema, então é justo que sua avó arque com as consequências. Além disso, ela é uma senhora de respeito. Considerando que vamos nos casar no futuro, ela certamente salvará sua irmã para que nossa família viva em harmonia."
Dito isso, ele pegou o celular para tomar as providências.
"Alô, tragam a avó da Seraphina para cá imediatamente..."
Seraphina tentou avançar para impedi-lo, mas foi contida com firmeza e arrastada pelos seguranças que se aproximavam.
Ao tomar conhecimento dos fatos, o Sr. Silva confinou-a diretamente no salão ancestral da família, ignorando completamente todos os seus protestos e clamores.
Quando o amanhecer se aproximava, as portas do salão ancestral finalmente se abriram.
Ela correu desesperadamente em direção ao hospital e interpelou a primeira enfermeira que encontrou: "Por favor, como está a senhora idosa que veio doar sangue ontem?"
A profissional de saúde exibiu uma fisionomia de lamento. "Você se refere à senhora Silva? Ela... infelizmente não resistiu aos procedimentos de reanimação e faleceu há pouco."
Seraphina cambaleou alguns passos para trás, restando-lhe apenas murmurar palavras desconexas. Sentiu o coração ser comprimido por uma força invisível, uma dor tão intensa que quase a impediu de respirar.
"Por quê... por que isso teve que acontecer..."
Um médico se aproximou e lhe entregou um invólucro lacrado.
"Este é o dispositivo de comunicação da senhora Silva. Após o procedimento de doação, ela sofreu um forte abalo emocional que culminou em um infarto agudo do miocárdio. Aliado à perda de sangue, fizemos todo o possível."
Seraphina recebeu o aparelho e constatou a presença de algumas mensagens já visualizadas.
A primeira delas provinha da equipe de Enzo:
"Se deseja preservar a integridade da reputação de Seraphina, compareça ao hospital para a doação de sangue em benefício de Sabrina. Caso contrário, as imagens íntimas dela serão amplamente divulgadas na rede, arruinando sua imagem de forma definitiva."
As mensagens seguintes eram de origem anônima, encaminhadas logo após o término da doação.
"Velha insensata, não seja ingênua! As imagens de Seraphina já circulam por toda a internet! Veja como o público se refere a ela: 'depravada', 'sem pudor', 'a vergonha da elite'. Há quem diga que ela não possui nenhum valor!"
Abaixo do texto, constavam registros visuais com os insultos proferidos pelo público.
Ficou claro que, além de enganarem sua avó, eles revelaram a verdade de forma cruel logo após o procedimento, provocando intencionalmente o seu fim.
Seraphina segurou o dispositivo com força, seus olhos tomados por uma hostilidade profunda.
"Enzo... Sabrina..."
De posse do aparelho, encaminhou todos os registros das mensagens anônimas às autoridades policiais. Em seguida, retornou ao escritório da residência dos Silva e removeu um dispositivo de captura oculto.
A estrutura havia sido instalada originalmente para registrar a organização de seus livros, mas acabou servindo para outra finalidade naquele momento.
Ela conectou o dispositivo de armazenamento e extraiu o registro em vídeo completo que flagrava a simulação de Sabrina esfaqueando a si mesma, programando o envio automático para Enzo em cinco horas.
Após esse intervalo de tempo, ela já estaria a bordo do transporte aéreo com destino ao exterior.
Com as pendências resolvidas, trancou-se em suas acomodações e produziu uma nova ilustração, cujos traços e expressividade diferiam completamente de suas produções anteriores.
Ao finalizar, encaminhou o registro visual para a instituição de ensino internacional.
No dia seguinte, momentos antes do embarque, recebeu o posicionamento da instituição:
"Parabéns, Seraphina Silva. Sua produção apresenta uma sensibilidade única. Nossa banca aprovou seu ingresso por unanimidade. Seja bem-vinda à nossa instituição."
Simultaneamente, uma notificação de Enzo surgiu na tela:
"Eu lamento o ocorrido com sua avó, mas ela garantiu a integridade de Sabrina antes de partir. A Sabrina optou por não dar andamento às acusações de agressão contra você e manifestou o desejo de pacificar a relação durante a recepção de aniversário esta noite. Por consideração a mim, evite reações desmedidas."
Ele havia provocado o fim de sua avó e ainda simulava consideração daquela maneira, o que causava profundo repúdio.
Seraphina esboçou um riso contido, ignorou a mensagem e bloqueou o contato de Enzo de forma definitiva.
A partir daquele instante, ele deixaria de fazer parte de sua trajetória.
Capítulo 8
Por outro lado, a recepção de aniversário de Sabrina transcorria conforme o planejado ao cair da noite.
Instalado no sofá, Enzo direcionava o olhar para o acesso do ambiente de tempos em tempos, suas feições demonstrando crescente contrariedade.
Notando o desconforto de Enzo, um conhecido aproximou-se tocando seu ombro.
"Fique tranquilo, Enzo. A Seraphina é totalmente focada em você, ela abriu mão da própria reputação anteriormente por sua causa. Ela certamente atenderá sua solicitação, talvez esteja apenas dedicando mais tempo à produção visual para te surpreender."
Outro integrante do grupo complementou: "Exatamente. Assim que ela chegar, mesmo que as imagens adicionais não tenham sido produzidas, faremos algumas dinâmicas para entreter a Sabrina."
As afirmações provocaram uma leve inquietação em Enzo.
A avó de Seraphina havia falecido recentemente e, conhecendo a sensibilidade dela, era provável que ela estivesse reclusa em prantos.
"Evitem excessos, ajam com moderação mais tarde."
Sabrina virou-se de imediato, manifestando descontentamento em seu tom de voz: "Manifestar preocupação por outra pessoa justamente na minha recepção, qual o seu propósito?"
Ela emitiu um som de desdém. "Esta noite farei questão de que ela passe por uma situação constrangedora diante de todos."
Enzo silenciou, voltando a observar o acesso do recinto de forma involuntária.
O tempo passou e a presença de Seraphina não foi constatada.
Inquieto, Enzo acessou o dispositivo de comunicação abrindo o histórico com Seraphina. Modificou o texto por algumas vezes antes de encaminhar uma frase simples:
"Onde você está? Por que a demora?"
A sinalização de falha no envio surgiu imediatamente na tela.
Bloqueado?
Seraphina havia interrompido a comunicação?
Enzo recusou-se a aceitar o fato e realizou uma chamada direta.
No entanto, o receptor emitiu apenas a sinalização eletrônica padrão informando a indisponibilidade do contato devido à restrição do usuário.
A tentativa repetiu-se por diversas vezes, mantendo o mesmo resultado.
Sua fisionomia obscureceu por completo e o ambiente ao seu redor tendeu a ficar tenso.
Os conhecidos que antes faziam brincadeiras demonstraram hesitação e tentaram contornar a situação.
"É provável... é provável que ela permaneça reclusa em prantos em suas acomodações. Diante da ausência dela, podemos apresentar outra surpresa para a Sabrina!"
O indivíduo direcionou um olhar cúmplice a Enzo. "Você realizou inúmeros esforços pela Sabrina, desde a simulação na montanha até os castigos assumidos e a resolução de pendências. Está claro que há um sentimento envolvido. Que tal formalizar essa união hoje como um presente?"
A sugestão impactou Enzo, deixando sua mente momentaneamente vaga.
Havia um sentimento real?
Ele se questionou internamente.
A tolerância demonstrada ao longo dos anos e o atendimento às solicitações de Sabrina decorriam do convívio desde o período inicial ou representavam algo mais profundo.
No entanto, ao constatar a restrição imposta por Seraphina, por que ele experimentava uma sensação de desalento inédita?
"Enzo."
A voz de Sabrina interrompeu suas reflexões.