Ele nunca havia mencionado a alergia ao álcool para Suely, mas ela sempre se lembrava.
Mesmo cozinhando em casa, ela nunca usava vinho de arroz para temperar.
Lucas dirigiu de volta para a mansão. Após colocar Bianca na cama com a desculpa de ter trabalho, voltou para o escritório.
No escritório, o celular sobre a mesa tocou. Era Zhao Feng.
"Lucas, venha ao hospital. Há algo sobre Suely que acho que você precisa saber."
Capítulo 20: Decisão de investigar
Lucas dirigiu até o hospital.
Já era madrugada e quase não havia ninguém. Ele atravessou o corredor silencioso até a sala do diretor.
Zhao Feng esperava à porta com um envelope e veio ao seu encontro.
"O que é tão importante para me chamar a esta hora?"
"Dê uma olhada nisso."
Lucas pegou o envelope com desconfiança. Dentro havia um prontuário médico. Ele folheou rapidamente, mas, após alguns minutos, fechou-o e, olhando para o nome na capa, suspirou profundamente: "Você quer dizer que Suely tinha uma doença incurável? E ela sabia disso há muito tempo?"
"Sim, parece que sim. Suely recusou o tratamento proposto pelos médicos e optou por um paliativo. Eles pediram que ela viesse mensalmente, mas ela parou de comparecer nos últimos meses. O hospital tentou contatá-la e só soube disso hoje."
Lucas sentiu um frio na espinha.
O problema de Suely era no útero. Na época, ela acabara de descobrir que estava grávida. O tratamento sugerido pelos médicos exigia que ela interrompesse a gravidez para que pudessem colher material para análise antes de definir o protocolo.
Suely recusara. Ela queria dar à luz aquela criança.
Zhao Feng deu um tapinha no ombro de Lucas: "Velho amigo, acho que você realmente se enganou sobre a Suely."
"Preciso ficar sozinho."
Com o prontuário na mão, Lucas sentou-se no corredor do hospital e lá passou a noite toda.
Ao sair, seu rosto estava visivelmente abatido.
Bianca acordou cedo e, não encontrando Lucas, pensou que ele estivesse na empresa. No entanto, ao descer, viu-o sentado à mesa, parecendo esperá-la para o café da manhã.
Bianca abriu um sorriso feliz e correu até ele, doce: "Lucas, pensei que não veria você hoje. Você estava me esperando para o café?"
"Sim." Lucas acenou.
De certa forma, ele estava esperando; precisava perguntar algo a Bianca.
Ao obter a confirmação, Bianca sorriu tanto que seus olhos quase desapareceram e sentou-se alegremente ao lado dele.
Bianca falava pelos cotovelos, enquanto Lucas apenas balançava a cabeça ocasionalmente, permanecendo em silêncio.
Quando Bianca finalmente pousou os talheres, Lucas disse: "Bianca, naquela época, quando terminei com Suely para ficar com você, ela te levou para uma sala de reuniões. O que ela te disse lá?"
Os movimentos de Bianca travaram; seus talheres caíram no chão com um estrondo.
Ela se apressou para pegá-los, mas Lucas segurou sua mão: "Deixe, a empregada limpará depois."
Bianca mordeu os lábios, sentindo-se extremamente ansiosa. Por que ele perguntava de algo tão antigo?
"Bianca?" insistiu Lucas.
"É... é o que eu te disse. Suely disse que te amava muito, que morreria sem você e que era pobre, só poderia mudar de vida casando com você. Ela pediu que eu os apoiasse e disse que, se eu te roubasse dela, estaria levando-a à morte."
"Só isso?"
"Sim." Bianca hesitou por um momento e, sem ver Lucas dizer nada, perguntou apreensiva: "Lucas, tem alguma notícia da Suely?"
Seu olhar escureceu: "Não, só perguntei por curiosidade. Não pense demais."
Ele desejava, na verdade, que ela estivesse viva e queria encontrá-la logo, pois tinha dúvidas que só ela poderia responder.
Ao voltar para o escritório, Lucas ligou para seu assistente: "Xiao Zhang, preciso que investigue uma coisa, mas sem que ninguém saiba, especialmente meus pais e Bianca."
"Investigue como foi a vida de Bianca enquanto ela estudava no exterior." Ele fez uma pausa e acrescentou: "Verifique os prontuários médicos e se ela teve contatos íntimos com outros homens."
Após desligar, Lucas cobriu o rosto com as mãos.
Ao lado dele estava o prontuário de Suely. Seus dedos roçavam a capa.
Bianca dizia que Suely só queria uma vida de riqueza ao lado dele, mas, se ela era tão materialista, por que teria arriscado a própria vida para ter aquela criança?
"Desculpe, Bianca. Vou investigar apenas desta vez."
Se nada estivesse errado, ele deixaria para trás toda essa incerteza, daria a Bianca um casamento grandioso e a amaria para sempre.
"Não é que eu não confie em você, é que... há coisas demais diante de mim e quero apenas confirmar uma última vez."
Capítulo 21: Ela é órfã
As informações sobre a vida de Bianca no exterior foram rapidamente investigadas e colocadas sobre a mesa de Lucas.
Lucas estava sentado na cadeira da presidência, impecável em seu terno, olhando para o fino envelope de arquivo, mas hesitou por um longo tempo sem se mexer.
Finalmente, ele abriu o envelope e pegou o relatório de investigação sobre Bianca.
Meia hora depois, Lucas largou o relatório com o rosto lívido.
Ele ficou atordoado por muito tempo.
Seu cotovelo esbarrou na xícara de chá, que caiu no chão e se despedaçou com um estrondo.
A vida de Bianca no exterior fora devassa; ela teve muitos namorados, manteve relações ambíguas com diversos homens e fizera abortos. Era completamente diferente da garota inocente e bondosa que ele tinha em mente.
Seu relacionamento mais longo fora com um jovem rico chamado Zhao Quan. Bianca parecia ter se apaixonado de verdade, terminando todas as outras relações casuais. Mais tarde, ela engravidou, mas não se sabia como perdeu o bebê, ferindo o útero e levando os médicos à conclusão de que ela não poderia mais engravidar.
"Ela não poderia engravidar, ela perdeu um bebê e feriu o útero, ela não pode engravidar novamente."
A voz de Suely ecoou em seus ouvidos.
Lucas prendeu a respiração. Era exatamente o que Suely dissera quando ele trouxe Bianca de volta para a família Gu e anunciou a gravidez dela.
Se Bianca já não podia engravidar, então aquela criança no ventre...
As mãos de Lucas se fecharam em punhos.
"Xiao Zhang, vá investigar tudo o que Bianca fez desde que voltou ao país, quem ela encontrou, além de verificar se há algo de suspeito em suas movimentações bancárias. Especialmente se ela teve algum contato com funcionários de hospitais."
Após dar as ordens ao assistente, Lucas pegou seu paletó e saiu apressado do escritório.
Sua mente estava um caos.
O que ele tinha como certo revelou-se tão frágil quanto vidro; ele não sabia como enfrentar aquilo.
Lucas saiu dirigindo sem destino. Quando o carro parou, ele viu a placa no local: Orfanato Cixin.
Os funcionários do orfanato viram Lucas sair do carro e vieram recebê-lo com um sorriso: "Senhor, o senhor deseja adotar uma criança ou precisa de algo mais?"
"Não, eu só vim dar uma olhada. Bem, eu gostaria de fazer uma doação."
Lucas doou um milhão. A diretora do orfanato, uma mulher de mais de cinquenta anos com cabelos grisalhos e óculos, saiu pessoalmente para agradecer. Ela olhou para Lucas por um longo tempo: "Sr. Lin, acho seu rosto familiar. Será que já nos vimos antes?"
"A diretora tem uma ótima memória. Eu fui voluntário neste orfanato, mas isso foi há mais de dez anos."
Lucas lembrava-se dela; ela já era a diretora na época. A diferença era pouca, apenas o cabelo que embranquecera. Mas, como ele mudara muito da adolescência para a fase adulta, não esperava que ela ainda se lembrasse dele.
"Não é exatamente uma lembrança, é apenas uma sensação. O senhor sempre foi uma pessoa bondosa desde jovem. Usarei este dinheiro para reformar a infraestrutura. Em nome das crianças, agradeço."
A expressão de Lucas endureceu levemente.
Uma pessoa bondosa?
Ele não era.
Se fosse, não estaria tão inquieto agora.
Lucas limpou a garganta: "Eu tenho uma amiga, chamada Suely. Ela morou neste orfanato."
"Jiajia... eu me lembro, era uma criança muito solitária." A diretora sorriu: "Então, você deve ser alguém muito especial para ela."
"Por que diz isso?" Lucas perguntou, sem entender como ela chegara àquela conclusão.
"Jiajia era uma criança extremamente fechada. Em todos os anos aqui, nunca a vi se abrir com ninguém. Lembro-me de que ela era muito apegada a um voluntário que vinha aqui, mas, depois que ele partiu, ela tornou-se ainda mais isolada. Se ela a considerava uma amiga, então o senhor deve ser alguém muito especial."
"Ainda mais isolada?"
"Não soa bem dizer isso, mas as crianças aqui perderam os pais ou foram abandonadas; elas nunca se sentem seguras. Em Suely, isso era evidente. Psicologicamente, para essas crianças, é muito difícil abrir o coração e, quando o fazem e são feridas, sentem ainda mais medo." A diretora encolheu os ombros com resignação: "Não culpo o voluntário. Mas é tão difícil para essas crianças viverem vidas verdadeiramente felizes."
Após ouvir a explicação, Lucas silenciou.
Ela já foi como um raio de luz no meu mundo de escuridão.
Ele lhe dera esperança, apenas para arrancá-la impiedosamente depois.
Lucas saiu do orfanato com as mãos cerradas. Ele viera buscar paz, mas o peso em seu peito só aumentara.