【Se um dia eu for mãe, quero ser como a mãe da Kiki.】
Lucas mordeu os lábios, suspirou fundo e pegou um diário cor-de-rosa.
Suely escrevia de forma diferente: não diariamente, mas apenas para registrar momentos felizes.
Como não eram muitos, às vezes havia apenas duas ou três páginas por ano.
【Chen He me intimidou de novo hoje, mas o Irmão Mais Velho me ajudou e deu uma lição nele. Chen He ficou com o nariz sangrando e agora, sempre que me vê, se esconde. Que felicidade.】
Lucas deu um sorriso de canto. Ele não imaginava que Suely tivesse esse lado vingativo.
Os registros começaram a ficar frequentes, todos sobre a mesma pessoa.
【Irmão Mais Velho me ensinou a fazer o dever de casa...】
【Irmão Mais Velho é incrível, desenha muito bem.】
【Irmão Mais Velho me deu um grampo de cabelo rosa.】
【Lily da Classe 2 disse que gosta do Irmão Mais Velho. Fiquei brava, mas ele disse que não gosta dela. Estou muito feliz hoje.】
Lucas folheava e balançava a cabeça, rindo.
Suely teve um amor de infância.
De repente, uma foto deslizou do diário.
Lucas abaixou-se para pegá-la, mas seu corpo travou.
Na foto, duas crianças, um menino e uma menina. A garota era claramente Suely, mas o menino era ele!
No verso, escrito a lápis: "Irmão Mais Velho".
Aquele personagem do diário era ele mesmo!
Ele não tinha a menor lembrança.
Lucas franziu o cenho e, após alguns minutos, lembrou-se.
Ele estava na oitava série; o pai o levou para uma atividade social em um orfanato.
Ao chegar, viu um garoto gordo intimidando uma menina frágil. Ele interveio e, a partir daí, aquela garota miúda se tornou sua pequena "sombra".
Foi uma atividade de verão; logo depois, o pai o enviou para estudar no exterior. A vida agitada o fez esquecer aqueles meses.
Aquela "sombra" insignificante era Suely!
Lucas lembrou-se da frase no fórum:
【Só amei uma pessoa na vida, e parece que nunca mais conseguirei amar ninguém assim.】
Seu olhar escureceu. Suely o amava há quase vinte anos?
Do início ao fim, aquela pessoa sempre foi ele?
Como... como isso era possível?!
Ele não percebeu nada, absolutamente nada!
Capítulo 18: Ele não deveria estar vacilante
Zhao Feng abriu a porta do escritório da presidência, e o cheiro de álcool que emanava de lá o fez franzir a testa.
Ao acender a luz, o cenário o deixou atônito.
O escritório de tons preto e branco estava repleto de garrafas vazias. Lucas estava deitado no sofá, ainda segurando uma garrafa de bebida pela metade.
Zhao Feng caminhou até ele e arrancou a garrafa de sua mão: "Você ficou louco? Beber tanto assim?"
Lucas abriu as pálpebras, reconheceu quem estava à sua frente e sentou-se, perguntando: "É hora da reunião de fusão? Espere um pouco, vou me arrumar e já saímos."
"Para onde? Olhe para si mesmo!"
Zhao Feng o puxou para o banheiro.
Ao levantar a cabeça, Lucas viu seu reflexo no espelho.
O vidro mostrava uma figura decadente, com olhar cansado, a camisa toda amarrotada e o queixo coberto por uma barba rala.
"Você sabia que está desaparecido há três dias? Passou esses três dias trancado aqui bebendo?"
Lucas deu um sorriso constrangido: "Não percebi... nem imaginava que já tivessem se passado três dias."
"Se a Bianca não tivesse me procurado, eu nem saberia que você tinha sumido. O que está acontecendo?"
O que estava acontecendo?
Nem ele mesmo sabia explicar.
Por que tudo se tornara assim?
Lucas mudou de assunto: "Como está Bianca? O que ela queria?"
"Você ainda pergunta? Vocês marcaram a data do casamento, faltam dois meses e nada foi preparado. Sua noiva está ansiosa, por isso veio me procurar."
Casamento!
O movimento de Lucas parou.
Vendo que ele permanecia em silêncio, Zhao Feng sentiu um pressentimento ruim: "Ei, ei, jovem mestre Lin, não me diga que, a essa altura do campeonato, você quer desistir do casamento de novo?"
"Lucas, ouvi do assistente que você está aqui!"
A voz de Bianca soou do lado de fora da porta.
"Muito bem, a protagonista chegou." Zhao Feng piscou para Lucas.
Lucas ligou a torneira e jogou água gelada no rosto. Dez minutos depois, ele abriu a porta do escritório. Ao ouvir o som, Bianca veio animada em sua direção.
"Lucas, por que você ficou aqui na empresa por três dias sem me avisar? Você não sabe o quanto fiquei preocupada por não conseguir falar com você."
"Desculpe."
Bianca encostou-se no ombro dele com a voz embargada. O corpo de Lucas ficou rígido.
Não sabia explicar por que, mas o toque de Bianca o fazia querer se esquivar instintivamente.
No entanto, ao vê-la chorar com tanta tristeza, ele só podia confortá-la com voz suave.
Ele não conseguia explicar, pois sua mente ainda estava presa ao diário de Suely.
"Bianca, eu queria..." fazer-lhe uma pergunta.
Bianca levantou a cabeça entre soluços: "Hum?"
"Nada."
Lucas balançou a cabeça.
Bianca puxou a manga da camisa de Lucas, agindo de forma piedosa: "Lucas, estou com tanto medo."
"O que houve?"
"Nossa data não estava definida? Convidei minha melhor amiga para ser madrinha, mas ela vive me perguntando quando vamos ajustar os vestidos e se você se arrependeu."
Dito isso, Bianca olhou para Lucas com tensão.
Lucas desviou o olhar; sua expressão era indecifrável.
Bianca cerrou as mãos em punho. Nesse momento, ouviu Lucas dizer: "Amanhã, peça para o Xiao Zhang acompanhá-la para dar uma olhada. Assim que eu organizar as coisas da empresa nestes próximos dias, irei com você escolher o vestido de noiva."
Os olhos de Bianca brilharam. Ela pulou e deu um beijo na bochecha de Lucas, sorrindo de forma doce e feliz.
Ao ver Bianca assim, a expressão de Lucas não era das melhores.
Na época da universidade, devido a um trabalho escolar, ele conheceu Suely, mas logo se sentiu atraído pela Bianca, que era muito mais chamativa.
Bianca acabara de dizer que convidou sua melhor amiga para ser madrinha.
Ele se perguntou se Bianca ainda se lembrava de que, na faculdade, ela dizia que Suely era sua melhor amiga.
Ele quase perguntou a ela se ela sabia que sua "melhor amiga" o amava tanto.
Mas as palavras morreram na garganta.
Bianca era inocente; ela já havia perdido o direito de ser mãe por causa dele e sofrido tanto.
Se ele ainda a questionasse, o quão triste ela ficaria?
Ele sabia que deveria agir assim, mas por que seu coração estava tão perturbado?
Capítulo 19: Sobre ela
Os preparativos para o casamento finalmente começaram, mas Lucas não acompanhou Bianca na escolha dos detalhes.
Ele alegou ter assuntos da empresa para resolver. Era apenas uma desculpa; a verdade é que seu estado de espírito estava estranho. Ele se pegava pensando em Suely, na imagem dela solitária e desamparada no orfanato, aquela figura frágil que, involuntariamente, lhe apertava o coração.
【Sempre caminhei por uma estrada escura, sem ver o fim. Ele foi como a luz do sol entrando em minha vida, mas as coisas boas são sempre breves, não são?】
As férias de verão terminaram, ele partiu empolgado para o exterior e começou uma nova vida, deixando aquelas memórias curtas para trás. Ele não imaginava que aquele fora o único consolo que ela tivera em uma vida desesperadora.
"Não, não posso mais ser influenciado por isso. Preciso me recompor."
Lucas deu tapinhas no próprio rosto.
Ele precisava se ajustar.
O fato de Suely ter sofrido na infância não significava que ela pudesse ter feito o que fez.
Bianca era inocente.
Bianca já fora ferida por Suely duas vezes por causa dele. Ele não podia permitir que ela sofresse mais.
Ele não deveria mais ser afetado por Suely.
Após alguns dias de esforço mental, os sentimentos de Lucas se dissiparam e ele finalmente conseguiu encarar Bianca com calma.
Ao ver Lucas reaparecer, Bianca ficou radiante como um passarinho, organizando toda a agenda dos dois.
Primeiro, foram escolher o vestido de noiva, depois, ao shopping para selecionar as lembrancinhas.
O vendedor sugeriu: "Srta. Bianca, temos três caixas de Lafite 82. Se usadas como lembrancinhas, certamente proporcionarão uma experiência inesquecível aos convidados."
Bianca, com o rosto corado, perguntou: "Lucas, o que acha?"
Lucas franziu levemente a testa: "Bianca, eu sou alérgico a álcool." Bianca imediatamente exibiu um olhar de arrependimento: "Lucas, me desculpe! Você já tinha me dito, como pude esquecer? Que horror."
Lucas a confortou: "Está tudo bem. Eu só disse uma vez, é normal que não se lembre. Pode usar isso como lembrancinha, não há regra de que o noivo tenha que beber. Não fique triste. Reserve essas garrafas e, se houver mais, pegue outra caixa."
Bianca ficou aliviada, mas Lucas começou a ficar distraído.
Era apenas uma pequena coisa; ele mencionara aquilo anos atrás. Não era normal esquecer?
"Lucas, estou falando com você! Você ainda está bravo por causa de agora pouco?" Bianca falava sem parar, percebendo só então que ele estava com a cabeça longe.
"Não, é só que estou cansado de caminhar o dia todo."
Seu olhar tornou-se sombrio.