Suely ficou estupefata e só então compreendeu.
A empregada da casa fora enviada por Dona Helena para cuidar deles; ela era alguém da confiança de sua sogra.
O teste de gravidez que ela jogou na lixeira foi visto pela empregada, e foi assim que Dona Helena soube da gravidez.
Dona Helena prendeu um fio de cabelo atrás da orelha e disse: "Não volte para a mansão dos subúrbios, venha comigo para a residência principal. Homens, não importa quantas mulheres tenham lá fora, são apenas brinquedos. O filho é o que mais importa; contanto que você cuide bem do neto mais velho da família Lin, seja generosa quanto ao que Lucas faz lá fora."
Ela salvou Suely apenas por causa da criança em seu ventre. Se Suely não fosse inteligente o suficiente e, grávida, fosse competir com Bianca, ferindo o bebê, ela jamais permitiria.
Suely mordeu os lábios e deu um sorriso amargo.
O que sua sogra valorizava era apenas a criança em seu ventre.
Capítulo 8: Bianca está grávida do meu filho
Suely submeteu-se ao arranjo de Dona Helena e voltou para a residência principal da família Lin.
Ela não tinha outra escolha. Lucas agora queria o divórcio e desejava ainda menos a criança que ela carregava; ela não tinha certeza do que ele seria capaz de fazer.
Mesmo que Dona Helena não a protegesse por afeição, no momento, ela era o único apoio em que podia se segurar.
"Fique tranquila e cuide da gestação, deixe tudo nas mãos das empregadas", Dona Helena organizava tudo com um sorriso, e acrescentou: "Como é sua primeira vez como mãe, ainda fico um pouco preocupada. Amanhã farei com que o mordomo a leve ao hospital para um check-up detalhado."
Suely sentiu um arrepio e balançou a cabeça negativamente com vigor: "Não, não precisa." Dona Helena franziu o cenho, e foi então que Suely percebeu sua reação exagerada. Ela respirou fundo e disse: "Já fiz os exames recentemente. O médico disse que o bebê está muito saudável, e eu tenho um pouco de receio de ir ao hospital; cada vez que volto de lá, não consigo dormir bem. O médico recomendou que eu apenas descanse."
Dona Helena observou Suely profundamente por um instante e, finalmente, não insistiu.
Ao ver Dona Helena sair, Suely desabou sentada na beira da cama.
Dona Helena queria um neto saudável. Se ela fosse ao hospital, a verdade sobre sua doença seria exposta.
Ela não tinha certeza se Dona Helena continuaria a protegê-la depois disso.
Por isso, ela não podia correr esse risco.
Nos meses seguintes, Suely viveu o período mais tranquilo que pôde. Ela pensou que essa paz duraria até o nascimento do bebê, mas, naquela noite, à mesa de jantar, ela viu uma pessoa inesperada.
"Lucas, por que você está aqui?"
Lucas entrou vestindo um terno cinza-escuro e sapatos de couro pretos. Ele ergueu uma sobrancelha e disse: "Esta é a casa da família Lin. Se formos falar a verdade, você é quem é a estranha aqui."
Era a casa dele; ele podia vir quando quisesse.
Lucas pai e Dona Helena já estavam sentados. Dona Helena acenou para Suely, que estava paralisada no lugar: "Suely, por que está aí parada? Este é seu marido, venha sentar-se e jantar conosco."
"Mãe, o lugar ao meu lado já está ocupado." Lucas se virou e entrou de mãos dadas com Bianca.
Embora estivesse descontente, Dona Helena não disse nada. Suely sentou-se diante dos dois.
Havia iguarias postas à mesa, mas para ela, o sabor era como o de cera.
A presença de Lucas a deixava extremamente inquieta.
"Bianca, isto é o que você gosta de comer."
"Bianca, isto é nutritivo."
Lucas servia Bianca com gentileza, e ela sorria timidamente.
Diante de uma cena tão harmoniosa, Suely sentia seus olhos arderem.
O bebê em seu ventre parecia sentir a oscilação de suas emoções e moveu-se. Ela estendeu a mão para acariciar a barriga, sentindo-se desolada.
Bebê, sinto muito. Ele deveria ser seu pai, mas só oferece gentileza aos outros.
Ele a odiava, e por tabela, odiava a criança que ela carregava. Seu bebê, antes mesmo de nascer, já estava destinado a não receber o carinho do pai.
O amargor em seu coração era insuportável.
"Lucas, a barriga da Suely também está grande. Você é o pai da criança, deveria ser atencioso com ela também", disse Dona Helena.
"Ânsia!"
Bianca vomitou a carne que tinha acabado de comer.
Dona Helena franziu o cenho, insatisfeita: "Você tem alguma queixa contra mim e está fazendo isso de propósito?"
Bianca balançou a cabeça: "Não, Dona Helena, a senhora me entendeu mal."
"Mãe, Bianca está grávida do meu filho."
A frase de Lucas foi como uma bomba jogada em um lago sereno.
Capítulo 9: É um menino
"Você... o que você disse?"
"Dona Helena, o médico disse que o bebê já tem três meses!" Bianca lançou um olhar de soslaio para Suely, baixou a cabeça com docilidade e sussurrou: "Disseram que é um menino."
Um menino!
O coração de Dona Helena saltou. Instintivamente, ela olhou para a barriga de Suely.
A criança que Suely carregava já tinha cinco meses, mas ela sempre se recusara a fazer exames no hospital, e ninguém sabia o sexo do bebê.
"Pai, mãe, Bianca está grávida do meu filho. Não posso permitir que minha criança seja ilegítima. Quero me casar com a Bianca imediatamente e trazê-la para casa."
Lucas pai franziu o cenho e não disse nada.
Suely era apenas uma órfã. Naquela época, eles aceitaram que Lucas a trouxesse para casa apenas porque ela estava grávida. Quem diria que aquele bebê, prestes a nascer, acabaria sendo perdido.
"Eu sei que a Suely também está grávida do Lucas. No fim das contas, eu e ele fomos injustos com ela. O médico disse que barriga redonda significa menina. Quando o bebê nascer, ela será a irmã mais velha, e eu a tratarei como se fosse minha própria filha. Eu e Lucas já discutimos isso: daremos uma grande quantia em dinheiro para Suely como pensão. Suely, por favor, nos apoie, está bem?"
Bianca aproximou-se e segurou a mão de Suely, mas, em um ângulo onde ninguém pudesse ver, ela exibiu um sorriso gélido: "Suely, você roubou meu lugar e me fez sofrer. Pode ficar tranquila, eu vou cobrar isso de volta do seu filho, centavo por centavo."
Dito isso, Bianca virou-se e apoiou-se docilmente nos braços de Lucas: "Lucas, não é verdade?"
"Bianca, você é boa demais. Naquela época, eu nem pretendia me casar com ela. Se você não tivesse ido embora para ceder o lugar, já seríamos marido e mulher há muito tempo", disse Lucas. "Mas, já que a Bianca pediu, aqui está este cheque. Pode preencher o valor que quiser."
Suely sentia o corpo todo tremer. Seu olhar dirigiu-se instintivamente para Dona Helena: "Mãe..."
"Sentimentos, no fim das contas, são assuntos entre duas pessoas. Não se bate palmas com uma mão só. Suely, eu também gosto muito de você, mas não posso controlar os sentimentos de vocês, jovens. Estar juntos à força não significa necessariamente felicidade."
A mão que Suely estendera no ar ficou paralisada.
Bianca ergueu a cabeça dos braços de Lucas, com um brilho de triunfo no olhar, enquanto a observava.
Nem mesmo Dona Helena a ajudava. O que seria do bebê em seu ventre? Bianca não deixaria seu filho em paz.
A mente de Suely estava um caos. De repente, uma ideia brilhou em sua cabeça, e ela deixou escapar: "Não, isso é impossível! Você não pode estar grávida. Quando você teve aquele aborto no exterior, seu útero foi danificado. O médico disse que você não poderia mais engravidar."
Suely lembrou-se do que seus colegas no exterior lhe contaram anos atrás: depois que Bianca foi embora, ela vivia de forma desenfreada, fizera vários abortos e, depois que teve um aborto espontâneo enquanto estava com o namorado chamado Bruno, o médico sentenciou que ela não poderia mais ter filhos.
A gravidez de Bianca tinha que ser falsa.
O coração inquieto de Suely finalmente se acalmou.
Bianca não estava grávida; ela estava mentindo.
A expressão de Bianca mudou drasticamente, e suas unhas cravaram na palma da mão. Aquele assunto estava tão bem escondido, como aquela mulher poderia saber?
"Bianca?" Embora a razão lhe dissesse que as palavras de Suely não eram confiáveis, a expressão de Suely era tão séria que, involuntariamente, uma pequena dúvida surgiu em seu interior.
"Suely, eu sempre te considerei minha melhor amiga. Não achei que você fosse uma pessoa assim. Se a criança no meu ventre é real ou não, vamos ao hospital e veremos", disse Bianca, cerrando os dentes.
Capítulo 10: Aborto
"Então vamos todos ao hospital. Crianças são um assunto sério, ambas devem passar por exames minuciosos."
A decisão de Dona Helena selou o destino da discussão.
Os dedos de Suely apertaram-se. Dona Helena ainda insistia que ela fizesse os exames.
O Hospital Anjo de Amor era uma instituição de alta complexidade pertencente ao grupo da família Lin, e Dona Helena escolheu pessoalmente o local.