Bianca, de novo ela.
A única pessoa cujo nome ele conseguia pronunciar com doçura era o de Bianca.
Ela finalmente perdeu o controle: "Bianca morreu em um acidente de carro, o motorista fugiu. Se quer buscar o culpado, vá atrás dele! O que isso tem a ver comigo? E quanto ao meu filho? Meu bebê também era inocente. Bianca foi a assassina, ela matou o bebê que eu carregava!"
Anos atrás, quando ela estava com nove meses de gestação, Bianca a fez cair da escada, e ela não conseguiu salvar o bebê.
Enquanto ela estava em cirurgia, Bianca sofreu o acidente de carro durante a fuga.
Quando ela acordou no hospital, lutando pela vida após tanto esperar pelo bebê, o médico lhe disse que não fora possível salvá-lo.
Naquela época, quem compreendia a dor que ela sentia?
Lucas culpava-a pela morte de Bianca e a torturava dia e noite, mas a vida de seu filho, a quem ela deveria cobrar?
"Cale a boca! Mulher venenosa como você, perder o bebê foi o castigo que o céu te deu. Bianca é quem foi a vítima!"
"Aquele também era seu filho." Aquele bebê também tinha o sangue de Lucas; como ele podia dizer algo assim?
"Aquela garota tonta e bondosa, Bianca, só escolheu se afastar porque viu que você estava grávida. Se eu soubesse antes, teria sufocado essa criança, para que Bianca não tivesse sofrido aquele acidente!"
O mundo de Suely escureceu. O filho dela, diante de Bianca, se estivesse no caminho dela, nem o direito de viver possuía?
Um telefonema entrou no celular de Lucas. Ao desligar, Suely viu o primeiro sorriso de Lucas em cinco anos, enquanto ele dizia: "Você não queria o divórcio? Eu concordo."
Capítulo 6: Quem ousaria tocar nela
Lucas concordou com o divórcio, e antes que Suely pudesse reagir, ele já havia desaparecido.
Durante um mês inteiro, Lucas não apareceu na empresa.
A empresa fora fundada por ambos, mas Lucas abandonou suas responsabilidades, e Suely teve que, ignorando o mal-estar físico, forçar-se a cuidar de tudo sozinha.
"Diretora, sua aparência não está boa ultimamente. Não quer descansar um pouco?" a secretária disse com preocupação.
Suely balançou a cabeça: "Está tudo bem. Quando o Sr. Lucas vier, lembre-se de me avisar."
"O Sr. Lucas voltou hoje. E trouxe alguém com ele."
Suely calçou seus sapatos baixos e caminhou até a sala da presidência.
Ao empurrar a porta, o corpo de Suely paralisou.
Uma mulher estava sentada na cadeira de Lucas, de costas para ela. Contra a luz, a cadeira girou. O tremor no coração de Suely intensificou-se; ela conhecia aquela silhueta muito bem, ela sempre acompanhava seus pesadelos. Era...
Bianca exibiu um sorriso tímido: "Irmã Suely, voltei. Quanto tempo."
"Você... como você não morreu?"
Pá! Sua mão foi golpeada com força. Lucas olhava para Bianca com preocupação excessiva: "Ela te disse ou fez alguma coisa?"
Bianca balançou a cabeça, mordendo os lábios com hesitação: "Lucas, acho que não deveria ter voltado, não é? Não deveria atrapalhar a vida sua e da Suely. Na verdade, teria sido melhor se eu tivesse morrido."
"O que está dizendo? Não tenho nada com a Suely. Você é quem eu amo; não existe essa história de atrapalhar." Lucas ajoelhou-se diante de Bianca, segurando seus ombros.
Suely viu a cautela de Lucas, algo que ele nunca demonstrara diante dela.
"Como não temos relação? Nós somos... marido e mulher."
O carro de Bianca claramente caiu no precipício. Se ela não morrera, por que Suely suportara injustamente o rancor de Lucas por tantos anos?
Durante todos esses anos, ela suportou silenciosamente a vingança de Lucas como se fosse uma piada.
Assim que ela falou, a expressão de Bianca travou. Suely exibiu um sorriso; a opressão em seu peito finalmente pôde se acalmar um pouco.
"Em breve não seremos mais marido e mulher. Este é o acordo de divórcio, assine, Suely."
Lucas deu um passo à frente, bloqueando Bianca, e tirou um documento da gaveta da mesa, jogando-o diante de Suely.
O olhar de Suely caiu sobre o papel. As palavras "Divórcio" gravadas na capa eram tão ofuscantes.
Ela baixou os olhos e disse em voz baixa: "Eu não concordo com o divórcio."
"Suely, você acha que estou com paciência para brincadeiras?"
Suely mordeu os lábios e instintivamente segurou a barriga com a mão direita.
Ela não podia se divorciar; havia um bebê ali. Se algo acontecesse com ela no futuro, quem cuidaria da criança?
O silêncio tomou conta do escritório. Lucas franziu a testa, severo: "Você está brincando comigo?"
Suely não respondeu.
Os punhos de Lucas se fecharam.
Fora ela quem pedira o divórcio, mas agora, com o retorno de Bianca, o posto de esposa só poderia ser dela.
Lucas bateu palmas e dois guarda-costas entraram.
O rosto de Suely empalideceu.
Eles estavam forçando a assinatura.
Bianca caminhou até ela com um olhar de triunfo: "Irmã Suely, nós sentimos muito pelo que aconteceu no passado. Economizei alguns milhares de reais nesses anos e estou disposta a te dar esse dinheiro. Por favor, apoie a mim e ao Lucas."
"Cale a boca."
Bianca a humilhava e ainda fingia ser a vítima.
Lucas prendeu o pulso dela: "Essa posição nunca pertenceu a você. Você a ocupou por muitos anos, agora é hora de devolvê-la. Aproveite que estou de bom humor e assine. Darei uma pensão satisfatória; caso contrário..."
"Caso contrário, o que você pretende fazer com a nora da nossa família? Ou com o neto mais velho da nossa família?" Uma voz imponente ressoou.
Capítulo 7: A sogra
Dona Helena caminhou pela porta do escritório. Vestia um cheongsam elegante, o cabelo estava todo preso em um coque, e seu olhar penetrante varreu Bianca.
"Lucas, lembro-me de que você terminou com esta moça. Vocês ficaram juntos por tantos anos, e ela escolheu estudar no exterior para terminar com você. Imagino que ela tenha pensado muito bem sobre isso."
O rosto de Bianca empalideceu, e ela segurou o casaco de Lucas com desamparo: "Dona Helena, eu..."
Lucas, com pena, protegeu Bianca atrás de si e deu um passo à frente: "Mãe, Bianca era jovem, às vezes não pensava direito ao tomar decisões. Não a constranja."
Dona Helena sorriu: "Lembro-me de que Bianca tem a mesma idade que sua esposa. Suely já consegue ser uma vice-diretora respeitada na empresa."
Bianca sentiu o golpe e seu rosto corou de raiva.
"O que vocês estão fazendo? Recebendo o salário da nossa família e não protegem bem a jovem senhora da família Lin e o bebê que ela carrega? Não querem mais este emprego?" Dona Helena repreendeu em voz alta. Os guarda-costas se entreolharam e soltaram Suely. Dona Helena segurou a mão de Suely, ajudando-a a se levantar, e disse a Lucas: "Seu pai e eu estamos velhos. Não sei o que vocês, jovens, pretendem, mas a criança que Suely carrega é o neto mais velho que seu pai e eu esperávamos há muito tempo. Não permitirei que ninguém mexa com esse bebê."
"Bebê?" Lucas manteve a expressão sombria, olhos escuros fixos nela: "Você está grávida? Por que não me contou!"
Ele realmente não deveria ter acreditado nela.
Ela insistia no divórcio apenas para entorpecê-lo, para fazê-lo baixar a guarda.
Descobriu-se que ela estava grávida em segredo e até conseguiu o apoio de sua mãe.
Ela queria usar o filho para subir na vida; como poderia pensar em divórcio!
Maldita seja.
Mesmo agora, ela não se esquecia de calculá-lo!
O olhar de Lucas era frio e sombrio; Suely recuou alguns passos, protegendo a barriga.
O bebê era filho de Lucas, mas seu olhar gélido parecia fitar um inimigo.
Não era como se ela não tivesse tentado contar a Lucas.
Ela queria encontrar uma oportunidade para conversar bem com ele, mas Lucas nunca lhe dera essa chance.
Lucas prendeu o pulso de Suely e a puxou para perto, com uma voz gélida: "Você acha que está segura por ter conseguido o apoio da minha mãe? Acha que, usando esses métodos para obter a posição de Sra. Lin, poderá sentar nela para sempre? Pare de me enganar com essas mentiras. Quer me dizer que não foi você quem contou para minha mãe para usá-la como escudo? Suely, ninguém se atreve a me manipular assim. Espero que você consiga suportar a minha fúria."
Como herdeiro da família Lin, ele era um privilegiado. Na vida, só tropeçara duas vezes, e ambas foram por causa dessa mulher.
Será que ele não tinha feito nada contra ela?
Por isso ela se atrevia a calculá-lo sem escrúpulos!
Bianca chorou: "Suely, não achei que você fosse assim. Um bebê deveria ser o fruto de duas pessoas que se amam; por que transformar uma pequena vida em um peão para calcular os outros?"
Suely abriu a boca, as explicações estavam na ponta da língua, mas não saíam.
Suas mãos estavam firmemente cerradas.
Não!
Não!
Ela nunca usou o bebê como ferramenta; ninguém valorizava mais aquela vida do que ela.
No carro.
"Você é descuidada demais. Como não me contou algo tão importante quanto uma gravidez? Se a empregada de casa não tivesse visto o teste na lixeira e me avisado, eu não permitiria que o neto mais velho da nossa família sofresse qualquer dano."