Suely nem teve tempo de sentir alegria; a segunda frase do médico a derrubou do paraíso ao inferno.
"Se eu interromper a gravidez e fizer o tratamento, poderei me curar?"
"Sra. Lucas, o seu caso é bastante grave. Com o câncer, ninguém pode garantir nada."
Suely recusou a proposta de internação imediata.
Ao sair, uma criança adorável trombou em suas pernas.
"Sr. Zhang, por que deixou a criança correr pelo hospital?" O médico repreendeu a enfermeira, olhando para ela com preocupação: "Sra. Lucas, você está bem?"
A Sra. Lucas era uma cliente importante do hospital, e seu quadro era complexo demais; se algo acontecesse com ela, ninguém poderia se responsabilizar.
Suely sorriu, balançou a cabeça, agachou-se para observar o menino que chorava e disse suavemente: "Criança, o que houve? Eu não me machuquei, não se preocupe."
O menino soluçou: "Disseram que mamãe e papai não estão mais aqui. Tia, será que agora sou órfão?"
A enfermeira, após acalmar a criança, pediu desculpas a Suely: "Sinto muito, Sra. Lucas. A família desta criança sofreu um acidente de carro. A mãe protegeu o menino com o próprio corpo, mas os pais ficaram gravemente feridos e não resistiram. Só sobrou ele."
"Está tudo bem, não culpo vocês."
Suely caminhou, atordoada, pelo corredor do hospital.
Os olhos inocentes daquela criança ainda passavam por sua mente.
Suas mãos se fecharam com força.
Ela também era órfã; ninguém sabia melhor do que ela o quão miserável é uma criança sem pais.
Ela sempre soube que Lucas amava Bianca. Ela nunca pensou em ficar com ele, queria apenas guardar esse sentimento em segredo.
Quando Bianca partiu, ela viu o quanto Lucas sofria e permaneceu ao lado dele, mas nunca imaginou que ele tomaria a iniciativa de se declarar.
A razão dizia-lhe que Lucas estava apenas agindo por impulso, mas com o amor de tantos anos agora ao seu alcance, ela realmente não conseguiu recusar.
Nem que fosse apenas para aliviar a solidão dele e dividir sua dor.
Em seu coração, ela sempre sentiu que Lucas partiria, talvez para procurar Bianca, então ela sempre acompanhou a vida de Bianca no exterior, mas nunca imaginou que Lucas a pediria em casamento.
Naquela época, ela soube por um colega no exterior sobre a vida desregrada que Bianca levava.
Olhando para aquele homem à sua frente, pensando nas duas linhas vermelhas no teste de gravidez, ela não conseguiu resistir e aceitou mais uma vez.
Ela só ficou com Lucas depois que ele e Bianca terminaram.
Bianca também encontrou a vida que queria no exterior.
Ela não queria que seu filho, que crescia em seu ventre, não tivesse pai.
Mas o que é roubado nunca dura muito. Bianca voltou, e a felicidade que ela cultivara com tanto cuidado transformou-se em um simples "sinto muito".
Bianca não amava Lucas de verdade. Ela não queria ferir Lucas revelando que Bianca o enganava, nem queria que seu filho não tivesse um pai.
Sempre que estava com Lucas, ela aceitava passivamente. Desta vez, ela escolheu agir, afastou Bianca e tornou-se a Sra. Lucas.
Mas Lucas, agora, a odiava profundamente.
Capítulo 4: Pelo bebê
Com a mente confusa e cheia de pensamentos, Suely dirigiu de volta para a empresa.
Havia uma negociação comercial hoje e ela precisava conduzi-la pessoalmente.
Ao chegar apressada à sala de reuniões, o pessoal de ambas as empresas já estava presente.
Suely abriu a boca para se desculpar, mas Lucas, com o rosto carrancudo, a repreendeu duramente: "Você é a responsável por este projeto. Atrasar-se para a última reunião de relatório antes do início das obras... onde está seu senso de responsabilidade?"
O rosto de Suely empalideceu, uma onda de náusea subiu pelo estômago, e ela teve que se esforçar para não desabar sobre as pernas trêmulas.
Suely terminou de apresentar a situação do projeto da empresa.
O Sr. Ricardo, da empresa Santa Cidade, tirou um frasco de remédio e disse: "Diretora Suely, sempre confiei na sua responsabilidade com o projeto, mas uma jovem não deveria trabalhar até tão tarde. Olhe para o seu rosto. Descanse bem, este projeto ainda depende de você."
Suely congelou. Seu coração aqueceu por um instante, mas logo sentiu um amargor.
O Sr. Ricardo era apenas um estranho com quem a empresa colaborava, e ainda assim percebeu seu estado de saúde.
Ela e Lucas eram marido e mulher, deveriam ser as pessoas mais próximas e confiáveis, mas...
Suely pediu à secretária que acompanhasse o pessoal da Santa Cidade até a saída. Assim que se levantou, seu pulso foi puxado e Lucas fechou a porta da sala de reuniões.
"O que você vai fazer?" Suely perguntou, instintivamente em alerta.
"O quê? Vestindo-se assim e fazendo essa cara de doente, quer seduzir quem? Você está querendo se atirar para cima de alguém agora? Pediu o divórcio porque já arrumou outro?"
Lucas estava de mau humor.
Na faculdade, Suely era a musa, possuía traços belos. Com uma blusa de chiffon branca combinada com uma saia de cintura alta, ela exibia suas curvas elegantes. Desde que entrou na sala, o olhar de vários homens ficou grudado nela.
Ricardo tinha trinta e poucos anos, era divorciado e muito distinto; também era alvo de muitas mulheres.
Ele tratava os outros com frieza, mas, quando se tratava de Suely, tornava-se diferente.
Lucas puxou-a para baixo, puxando suas roupas. Suely lembrou-se do abuso da noite anterior e tremeu por inteiro.
"Eu tive um sangramento ontem", ela disse, cerrando os dentes.
Os movimentos dele pararam. A imagem de Suely deitada na cama como uma boneca de pano passou por sua mente, e seus movimentos, inconscientemente, tornaram-se mais suaves.
Nesse momento, o celular de Suely tocou. Ela atendeu e uma voz masculina alegre veio do outro lado.
Lucas pressionou a cintura de Suely, invadindo seu corpo de forma avassaladora e irrecusável.
A dor excruciante quase a fez gritar, mas ela cerrou os dentes e suportou.
Ela arregalou os olhos, como se dissesse: "Você enlouqueceu?"
"Suely, que barulho é esse? Você está bem?"
O olhar de Lucas escureceu ainda mais. Aquela era a voz de Ricardo. Então, em particular, ele ainda a chamava pelo nome com tanta intimidade.
Pensando nisso, seus movimentos tornaram-se ainda mais rudes.
"Chega, eu imploro, não faça isso. O que você quer, afinal?" Ela cobriu o microfone, virou o rosto para olhar para Lucas, com gotas de suor escorrendo pela testa.
Os dedos ásperos de Lucas roçaram seus lábios pálidos: "Ou aqui, não foi com isso que você seduziu alguém agora pouco?"
Suely ficou paralisada, segurando o celular com força. Após dez segundos de troca de olhares, ela finalmente dobrou-se lentamente, curvando-se diante do homem.
Ela engoliu a náusea, repetindo para si mesma: pelo bebê, tudo isso é pelo bebê.
Capítulo 5: Divórcio, eu concordo
Lucas liberou-se dentro dela.
Suely não comia nada há um dia inteiro e, por causa da gravidez, seu estômago revirava em ondas. Ela tentou empurrar Lucas, mas ele a segurou com firmeza. Incapaz de se controlar, Suely vomitou sobre o paletó dele.
O rosto de Lucas tornou-se lívido e suas mãos se fecharam em punhos.
Será que o toque dele causava tanta repulsa a essa mulher?
"Ânsia..."
Suely vomitou até o ponto de não conseguir expelir mais nada além de bílis.
"Suely, encontrou o próximo financiador e quer cortar laços comigo tão rápido assim?" As veias na testa dele saltavam.
"Lucas, aqui é uma sala de reuniões. Alguém pode entrar a qualquer momento. Você não tem medo de que descubram nossa relação?"
Ela mal tinha tido contato com o Sr. Ricardo, muito menos intimidade. Lucas estava apenas inventando uma desculpa para torturá-la.
Eles eram casados há cinco anos, mas Lucas não admitia isso na empresa. Para o mundo, eram apenas sócios.
Será que ele não tinha medo de que a relação fosse exposta?
Lucas riu com desdém e forçou as mãos de Suely contra sua parte quente: "A posição de Sra. Lucas foi algo que você roubou, então não tem o direito de recusar quando eu quero você. Quanto à nossa relação..." Seu olhar tornou-se gelado e sarcástico: "Além de saber que você se atreve a me seduzir sem medir as consequências, com essa sua postura, você acha que alguém descobriria algo?"
O coração de Suely foi perfurado. Eles se conheciam há quinze anos; durante dez anos, foram os melhores amigos, confidentes, mas agora tornaram-se isso.
Sim, ela era quem forçava este homem a ficar ao seu lado.
Mas não era assim que ela o queria.
Ela fechou os olhos. "Lucas, nós..." Precisamos conversar.
O bebê era pequeno e ela estava doente; não podia se divorciar. O filho precisava de Lucas, precisava de um pai.
"Cale a boca!" Essa mulher ia falar de divórcio novamente.
Seu estômago voltou a revirar. Suely segurou o baixo ventre com uma mão, enquanto a outra se apoiava na mesa de reuniões para não desabar.
"Você... me odeia tanto assim?"
"Odio? Bianca morreu por sua causa, você destruiu minha felicidade com suas próprias mãos. Suely, nunca pense em sair do meu lado. Vou te torturar pelo resto da vida."