"Ela se comporta bem." Após dizer isso, Joana não falou mais nada, baixou a cabeça e voltou a ler, emitindo um ar de "fique longe de mim".
Márcio riu: "Você é a primeira professora que diz isso."
Após esperar um pouco e ver que ela não respondia, Márcio chamou: "Joana."
A pessoa do outro lado virou a página do livro, como se não ouvisse.
Joana achou que, ao ignorá-lo, ele desistiria, mas Márcio era um homem que não parava até atingir seu objetivo.
"Joana, Joana..." Márcio começou a "rezar".
Ela fechou o livro com força, irritada: "O que você quer?"
Joana raramente ficava brava. Naquele momento, com as sobrancelhas franzidas e um leve rubor no rosto, ela parecia uma universitária, viva e brilhante.
Márcio, que inicialmente só queria provocar Tiago, parecia estar começando a falar sério.
Ele recostou-se, colocando o braço no encosto do sofá, com um ar relaxado e preguiçoso.
Ele disse: "Joana, venha comigo."
"O quê?" Joana ficou atônita. Ao entender o que ele quis dizer, ficou ainda mais brava. Ela, que quase nunca xingava, disse: "Você está doente?"
Joana não queria ficar nem mais um segundo ali. Pegou a bolsa e foi em direção ao elevador. Sentia o olhar de Márcio seguindo-a, e seus passos eram apressados.
Tiago, sentado no sofá, olhou para as costas de Joana e sorriu quase imperceptivelmente.
...
Tiago saiu da sala de reuniões e, ao ver Joana no escritório, sorriu espontaneamente.
Ao chegar perto, percebeu que ela estava pálida. Pensou que eram os alunos que a incomodavam, então puxou-a para o sofá e perguntou: "O que houve? O que aconteceu?"
Joana, sendo professora, que apenas transitava entre escolas, nunca tinha visto nada parecido. Sentia vergonha de contar.
Após hesitar bastante, ela contou de forma simples o ocorrido a Tiago.
Tiago parou de sorrir em algum momento, seu rosto ficando cada vez mais sombrio. Ele segurava a mão de Joana com tanta força que ela soltou um gemido, fazendo-o soltá-la imediatamente.
Tiago enterrou a cabeça no ombro de Joana: "Joana, é muito bom que você não esconda nada de mim."
"Não deixarei ninguém tirar você de mim."
Capítulo 19
Quando o elevador chegou ao primeiro andar, saíram e viram Márcio na mesma posição, como se esperasse por eles. O olhar de Tiago cruzou com o de Márcio, e o clima ficou tenso, como se houvesse pólvora no ar.
O olhar de Márcio desceu para as mãos deles entrelaçadas, e ele disse com naturalidade: "Irmão, cuide bem da sua mulher."
"Eu deveria dizer: cuide bem de si mesmo."
"Já que é casado, deveria ter mais juízo."
Márcio girou o anel em seu dedo sem se importar: "Casamento pode ser desfeito."
Ele olhou para Joana, atrás de Tiago: "Não vou disputar o projeto de Xicheng com você, troque-a por mim."
O projeto de Xicheng era o foco principal deles ultimamente. Para Tiago, que mal tinha se estabelecido, seria extremamente benéfico, mas para Márcio, não passava de uma ninharia.
"Sinto muito, mas você realmente não consegue ganhar de mim no projeto de Xicheng."
Tiago não disse mais nada e saiu puxando Joana.
No sábado, Joana marcou antecipadamente uma consulta para a mãe em um hospital de grande porte próximo, na área de gastroenterologia.
Assim que o médico ouviu os sintomas, pediu uma endoscopia. Joana pagou e esperou na porta.
Após o exame, o médico entregou o laudo rapidamente, orientando Joana a apoiar a mãe e a não deixá-la dormir por causa da anestesia geral.
Joana segurava a mãe com uma mão e segurava o laudo com a outra. Ao ler, congelou no lugar.
O laudo indicava: Câncer gástrico.
O choque foi tão grande que ela demorou a reagir. Sentou a mãe em uma cadeira e entrou para falar com o médico: "Olá, queria saber o que este resultado significa, é câncer no estômago?"
O médico, vendo a ansiedade dela, leu o laudo e disse com seriedade: "Como familiar, nossos resultados geralmente não falham. Olhe estes pontos, é realmente câncer gástrico."
"Parece estar no estágio intermediário. Felizmente, vieram cedo. O câncer gástrico evolui muito rápido. Na semana passada, um paciente que verificou no início do ano e tinha apenas uma úlcera, agora já estava em estágio terminal."
Ele devolveu o laudo: "Leve ao seu médico, planeje a cirurgia o quanto antes. Se não adiarem, viver mais uns dez anos não será problema."
Joana, com os olhos perdidos, assentiu mecanicamente: "Obrigada, doutor."
Ela saiu, sentou-se ao lado da mãe e a ajudou a se levantar.
"O que houve? Qual é o diagnóstico?"
Joana não queria contar, mas...
"Mãe, o laudo diz que há sinais de câncer gástrico, talvez... precise de uma cirurgia." Joana não ousou olhar nos olhos da mãe e falou baixinho.
Ao ouvir as palavras "câncer gástrico", a mãe ficou rígida. Tentou pegar o laudo, mas parou no meio do caminho, soltando um suspiro: "O médico disse em que estágio está?"
Joana forçou um sorriso: "O médico disse que é inicial, a probabilidade de recuperação total após a cirurgia é muito alta."
"Ah, que bom," sorriu a mãe, "então ainda somos sortudas."
Após a mãe se recuperar um pouco, foram buscar o médico. Ele providenciou a internação imediatamente e chamou Joana para uma conversa em particular.
Ao ouvir o médico recomendar que a mãe mantivesse um bom estado de espírito, Joana sentiu-se grata por não ter dito a verdade e assentiu várias vezes.
Depois de acomodar a mãe, Joana sentou-se no corredor do hospital, observando as pessoas que passavam com pressa.
Aquele prédio não recebia sol; mesmo à tarde, o corredor não era muito iluminado, iluminado por poucas lâmpadas.
A maioria dos que entravam ali não tinha doenças fáceis de curar.
O celular tocou e ela atendeu.
"Joana, vou te buscar para ver um filme à noite."
"Tiago," Joana achou que conseguiria segurar, mas assim que falou, a voz embargou e os olhos se encheram de lágrimas, "minha mãe está com câncer."
Capítulo 20
Do outro lado da linha, houve um breve silêncio antes da resposta: "Não se preocupe. Em que hospital você está? Qual é o número do quarto?"
Joana passou a localização, sentou-se por um momento na cadeira e, após enxugar as lágrimas, entrou no quarto.
"Mãe, não está faltando nada, está?"
Desde que soube da doença, em poucas horas, a mãe parecia ter envelhecido dez anos.
"Não falta nada. Acabei de pedir demissão do trabalho; se tiver tempo, passe no supermercado para recolher minhas coisas."
A mãe listou cada um de seus pertences para que Joana anotasse.
"Certo." Joana curvou-se para elevar a cabeceira da cama e respondeu.
Na cama ao lado, um homem de meia-idade, com cerca de cinquenta anos e totalmente careca, cuja filha tinha saído para buscar exames, perguntou ao vê-las conversando: "Qual é a situação de vocês?"
A mãe virou-se e sorriu: "Câncer gástrico. Descobrimos hoje. Ainda bem que minha filha insistiu para eu vir ao médico, não está tarde demais."
"A medicina avançou muito, não precisa ter tanto medo do câncer. Eu estou com câncer colorretal, já fiz cinco sessões de quimioterapia."
"Pois é", o homem deu uma risadinha, passando a mão pela cabeça raspada, "é que a quimioterapia faz cair o cabelo, então eu mesma raspei."
Havia três pessoas no mesmo quarto. Um senhor idoso estava dormindo o tempo todo. Quando Joana chegou com a mãe, viu um médico chamá-la para fora e ela voltou chorando. Imaginou que a situação dele não deveria ser boa.
A mãe, lembrando-se de algo, perguntou: "Você perguntou ao médico quanto custará a cirurgia?"
"Ah," Joana pensou um pouco, "umas dezenas de milhares."
Joana não era de gastar à toa e tinha economizado bastante dinheiro ao longo dos anos de trabalho. Ela agradeceu mentalmente pelo fato de, há dois anos, quando a mãe sugeriu que ela comprasse um apartamento, ela ter hesitado até agora esperando o preço baixar. Esse valor era menor do que a mãe imaginava, e ela se tranquilizou: "Então não é tão caro, e eu ainda tenho seguro de saúde."
Estar em um lugar como o hospital faz com que a vontade de conversar com os outros aumente, e a mãe continuou a bater papo com o homem ao lado.
Pouco tempo depois, Tiago chegou. Ele conteve o impulso de abraçar Joana e perguntou sobre a situação. O quarto ficava perto do posto de enfermagem e era muito barulhento; ele fez uma ligação e transferiu a mãe para um quarto particular.
A mãe, no meio da conversa, foi avisada da mudança de quarto sem entender bem o que acontecia, e teve que se despedir do homem ao lado.
O homem comentou: "Esse seu genro é muito bom, hein? Quarto particular é bem caro."
A mãe não pensou muito, achando apenas que tinham trocado para um quarto individual comum. Foi só quando médicos especializados começaram a aparecer para fazer exames com equipamentos próprios que a mãe sentiu que algo estava errado. Por mais distraída que fosse, não era ignorante a esse ponto.
Aproveitando que Tiago saiu para atender um telefonema, a mãe perguntou: "Qual é a situação do Tiago? Dinheiro não cai do céu."