《O Pacto de Luz: Salvar Você no Passado》Capítulo 8

PUBLICIDADE

  Ele realmente não queria lutar, mas eles o forçavam a isso.

  O entorno parecia ser o jardim dos fundos da mansão, com uma piscina enorme no centro. Através da iluminação intensa do salão de festas, podia-se ver à distância uma cerca; fora dela, árvores densas, e dentro, plantas cuidadosamente aparadas.

  Provavelmente todos estavam ocupados com as cortesias no salão principal, deixando o jardim dos fundos em paz e silêncio.

  O olhar de Tiago era profundo, como um rio subterrâneo pronto para sugar quem se aproximasse.

  Joana pensou que provavelmente conseguia adivinhar o que acontecia. Desde que Tiago saiu do quarto, ele estava assim. Era provável que a família lhe tivesse dito algo, talvez até relacionado a ela.

  Joana deu tapinhas nas costas dele, sem saber como começar a falar.

  "Joana, saber que você acredita em mim com tanta firmeza me deixa muito feliz."

  Tiago colocou o bolo sobre uma mesinha ao lado da piscina e envolveu o rosto dela com as mãos longas e esguias; Joana notou que ele adorava essa posição.

  Algumas nuvens cobriram um canto da lua brilhante, projetando sombras irregulares no chão que apareciam e desapareciam, tornando o luar ainda mais intenso.

  Tiago baixou a cabeça e encostou sua testa na dela. O humor instável desapareceu instantaneamente; parecia que, ao olhar para Joana, ele conseguia ficar tranquilo, não importava o que acontecesse.

  Joana sentiu que Tiago estava muito diferente hoje. Antes que ela pudesse dizer algo, foi silenciada por ele.

  No início, Joana ainda se preocupava por estarem em um lugar tão visível e tentou afastar Tiago com as mãos, que batiam fracamente no peito dele.

  Mas foi imobilizada por uma mão de Tiago, enquanto a outra exercia uma leve pressão, aprofundando o beijo. O som do contato entre os lábios era audível e sensual na escuridão da noite.

  Joana estava atordoada, com o rosto ardendo e as pernas começando a fraquejar.

  Como se soubesse, Tiago soltou-a, pegou a cadeira ao lado e sentou-se, puxando Joana para sentar de lado em seu colo.

  Joana mal pôde suspirar de alívio antes que seus lábios fossem bloqueados novamente.

  Se alguém olhasse do salão de festas para o jardim naquele momento, veria um casal trocando beijos apaixonados em uma cadeira.

  Talvez até fizessem uma piada: "Esses jovens de hoje em dia..."

  No terceiro andar, Márcio observava-os pela janela com um olhar divertido, como uma cobra mostrando a língua, secreta e perigosa.

  Seu bom irmão, dez anos depois, ainda tratava aquele sentimento barato como se fosse sua própria vida. Como ele poderia vencer assim?

  ...

  No dia seguinte, Joana estava sentada em sua mesa no escritório, organizando calmamente o material para a aula.

  O celular vibrou. Joana pegou e viu uma mensagem.

  【Olá, sou a mãe de Tiago. Podemos nos encontrar hoje ao meio-dia no Blue Sea?】

  O Blue Sea era uma cafeteria próxima à escola, bastante charmosa.

  【Espero que não conte a Tiago. Estou procurando você em particular.】

PUBLICIDADE

  Joana não sabia o que ela queria, mas, sendo a mãe de Tiago, respondeu apenas um "tudo bem".

  Ao meio-dia, após avisar os colegas com quem almoçava que não iria ao refeitório, Joana saiu apressada da escola.

  Quando chegou, havia apenas uma pessoa na loja. Joana a conhecera apenas uma vez, mas a reconheceu imediatamente. Pegou a bolsa e foi até sua mesa.

  "Olá, tia, sou Joana."

  A mulher tinha um café à sua frente, parecendo intelectual e elegante, sem mudar nada desde dez anos atrás. Ao ver Joana chegar, disse: "Desculpe por tomar o seu tempo. Sente-se primeiro, vamos conversar com calma."

  Quando Joana se sentou e esperou pelo que viria, a mãe de Tiago foi direta: "Quero que você termine com Tiago."

Capítulo 17

  Joana já tinha imaginado muitas pessoas tentando impedi-los, mas nunca pensou na mãe de Tiago, já que, segundo o que ouvia, ela não participava das competições internas da família.

  A mulher ignorou a expressão visivelmente desconfortável de Joana e colocou um cartão sobre a mesa, empurrando-o para perto da mão da jovem.

  "Você sabe que Tiago voltou para a família principal e agora está cercado de problemas por todos os lados."

  Ela sorriu, parecendo um pouco impotente: "Não tenho meios de ajudar Tiago, por isso preciso me esforçar ao máximo nas alianças de casamento."

  Joana sentiu o peito apertar enquanto observava o rosto da mulher: "Eu não..."

  "Não se apresse em recusar. Há um milhão aqui. Se aceitar, posso lhe dar mais três milhões depois. Vi sua mãe ontem, ela trabalha como caixa naquele shopping, não é?" A mulher mudou o tom e suspirou: "É um trabalho árduo."

  "Você ainda é jovem, por que não aproveitar esse dinheiro? Viaje, compre uma casa, vá para o exterior."

  Não havia raiva, nem hostilidade; ela falava fatos com calma. A vida de Joana, de fato, não chegava nem perto da deles.

  Joana silenciou por um momento, balançou a cabeça e disse: "Você não deveria pedir isso a mim, deveria pedir a Tiago."

  "Se o convencer, não precisará de dinheiro algum, e eu não aparecerei mais."

  A mulher riu: "Eu criei Tiago, é claro que o conheço. Na idade em que se deve ter maturidade, ele ainda valoriza esses sentimentos inúteis."

  Ela olhou pela janela. Seu olhar tinha uma profundidade indescritível, como a de uma proprietária de loja em um romance que, após mil provações, encontrou a estabilidade.

  "Entendo vocês, porque também fui jovem. Mas, quando chegar à minha idade, verá que nada disso tem valor."

  Joana achou que ficaria muito triste, mas, na verdade, não ficou. O tempo ao lado de Tiago lhe dera muita força. Pelo menos nessa intimidade, ela adquiriu segurança, deixou de lado a sensibilidade e a inferioridade, tornando-se uma versão melhor de si mesma.

  Por isso, balançou a cabeça com firmeza, pegou a bolsa e levantou-se: "A menos que você faça ele me dizer, eu não vou terminar."

PUBLICIDADE

  Como se tivesse previsto a reação, a mulher não pareceu surpresa. Em vez disso, olhou para as costas de Joana e disse calmamente: "Se mudar de ideia, procure-me a qualquer momento."

  Joana parou por um segundo, não respondeu e saiu.

  Ao chegar em casa à noite, a mãe, que trocara o turno, já tinha feito o jantar. Ao ver que a filha chegava sozinha, perguntou: "Onde está Tiago? Já que ele te trouxe, deveria ter vindo jantar."

  Joana ajudou a pôr a mesa e serviu a comida: "Ele teve um imprevisto e foi viajar a trabalho, não pôde me trazer."

  Tiago havia lhe contado ontem sobre essa viagem; era o último trabalho de finalização no exterior.

  A mãe respondeu com um "ah": "O trabalho dele é bem puxado, né? Acho ele ótimo."

  "Não podemos sonhar com famílias ricas como a dele. Mas um rapaz esforçado como Tiago é minha maior aposta. Quando se casarem, posso até ajudar a cuidar dos netos."

  Joana estava distraída e não refletiu sobre as palavras da mãe, apenas respondeu de forma vaga.

  Após o jantar, a mãe mal comeu dois bocados e largou os hashis. Joana olhou de lado: "Mãe, por que comeu tão pouco?"

  "Não sei o que aconteceu ultimamente, estou sem apetite. Qualquer coisa que como já me deixa cheia, talvez eu tenha pegado um resfriado no estômago."

  Joana franziu a testa: "Vou te levar ao hospital neste fim de semana."

  "Ah, não precisa, sei como é quando o estômago fica assim."

  A mãe ainda tentou recusar, mas não resistiu à insistência de Joana e acabou pedindo folga para o sábado.

Capítulo 18

  Desde que voltou de viagem, Tiago estava ocupado demais, exigindo que Joana fosse buscá-lo na empresa várias vezes.

  Sobre o assunto da mãe de Tiago, Joana não disse nada; não via necessidade.

  Tiago estava em uma reunião de diretoria. Joana não queria subir, pois os olhares curiosos das pessoas a faziam sentir-se desconfortável, mesmo com seus anos de experiência como professora. Então, ela preferiu ficar lá embaixo.

  Havia alguns livros no saguão, então Joana pegou um e sentou-se no sofá enquanto esperava.

  Eram livros sobre negócios, e ela entendia apenas superficialmente o que lia.

  O sofá ao lado afundou de repente. Joana não reagiu, pensando ser apenas mais um cliente visitando a empresa, e mudou-se um pouco para o lado.

  "Esse não é para iniciantes. Se quiser aprender, posso escolher um para você."

  A voz era familiar e estranha ao mesmo tempo. Joana levantou o olhar e, ao ver quem era, um alerta soou em sua mente.

  Era Márcio.

  Ela não se esquecera de que Tiago dissera que esse homem o espionava.

  Joana levantou-se quase imediatamente e sentou-se em outro sofá, mantendo uma distância apropriada, sem responder.

  Márcio observou a série de movimentos dela com calma, sem se irritar, e mudou de assunto.

  "Ouvi de Estela que você é a professora de português delas. Como ela se comporta na escola?" Márcio explicou com um sorriso: "Não é nada demais, só estou perguntando como irmão."

  Ao ouvir o nome de Estela, Joana lembrou-se de que vários professores no escritório diziam que ela era difícil de controlar.

  Mas Joana não achava isso; tanto nas aulas quanto nas tarefas, Estela tinha um desempenho bom.

PUBLICIDADE

você pode gostar

compartilhar

compartilhar liderança
link de cópia