Joana olhou para aquele rosto familiar e arriscou um: "Aluna Estela?"
A garota assentiu. Joana confirmou sua suspeita e perguntou: "O que foi?"
Tiago permaneceu paciente ao lado, sem interromper a conversa.
Estela, porém, parecia confusa; levou um tempo até conseguir soltar: "Professora Joana, como é que você é a namorada do meu primo..."
A irmã Clarice prometera comprar o perfume mais recente da Gucci para ela se ela conseguisse bisbilhotar sobre a namorada de Tiago.
Estela entendeu a missão; ela esperava ali cedo justamente para intimidar a suposta namorada.
Mas ao ver Joana, sua coragem se esvaiu; afinal, aluno diante de professor é como um rato diante de um gato.
Capítulo 14
Muitos alunos gostavam de Joana, inclusive Estela, que durante a fase rebelde não facilitava a vida da família, entregando todas as provas em branco.
Apenas na aula de português de Joana ela se esforçava para escrever algumas palavras.
Joana nunca a criticava; pelo contrário, colava lembretes nas provas elogiando o seu progresso.
Quando foi a única vez que ela entregou em branco... ah, parece que foi hoje mesmo.
Tiago não tinha grande afeição por essa prima travessa, mas a tal Bianca era realmente uma dor de cabeça, e Estela gostava muito dela, querendo sempre juntá-los por causa do parentesco.
Tiago franziu a testa e puxou Joana para trás: "Não precisamos lidar com eles."
Dito isso, ele se virou e saiu com Joana. Estela olhou para as costas deles, com lágrimas nos olhos, dando adeus ao perfume.
Quando já estavam longe, Joana achou graça da atitude defensiva de Tiago: "Estela é minha aluna."
Tiago surpreendeu-se: "Com razão."
Pensando em Bianca, ele acrescentou: "Mesmo assim, mantenha distância, nunca se sabe quando eles podem te apunhalar pelas costas."
Joana assentiu resignada: "Sim, sim..."
A família de Tiago estava ligada à política há várias gerações. O avô fora militar, conquistara medalhas e, agora aposentado, mantinha-se vigoroso, falando com grande autoridade.
Já o pai de Tiago era um inútil. Quando pequeno, o avô quis mandá-lo para o exército e ele recusou; tinha algum talento para os negócios, com métodos astutos. Em dez anos, fundou a corporação, espalhando seus negócios por diversos setores.
Quanto a Tiago, o avô sentia uma mistura de dó e afeição; como o próprio filho não se importava, Tiago crescera rebelde, insistindo em não voltar para casa. Se não fosse pelo acidente de dez anos atrás, provavelmente ainda estaria vivendo por conta própria.
Ao ver Tiago, o avô ficou contente; o neto era mais parecido com ele na juventude do que seu próprio filho.
Joana caminhava ao lado de Tiago, dando uma olhada no ambiente. A sala não estava cheia; além do avô, havia uma senhora elegante com uma expressão indiferente, um homem de meia-idade e... o irmão de Tiago, Márcio.
Ele lançava olhares hostis, encarando Joana e Tiago com zombaria.
Era fácil identificá-los; Joana não precisou de muito esforço para saber quem eram.
Tiago segurou a mão de Joana e caminhou até o avô para que ela se apresentasse: "Vô, esta é Joana, minha namorada."
Quanto aos outros, Tiago nem sequer lançou um olhar.
O avô olhou para Joana com uma expressão difícil de ler, acenou com a cabeça e disse: "A moça é muito bonita."
Depois, mudou de assunto e perguntou a Tiago: "Preparado para desenvolver seus negócios no país?"
"Daqui a um mês, não precisarei mais viajar constantemente."
"Certo." O avô não entendia muito do mundo dos negócios, acreditando que cada geração tem seu próprio destino, e não insistiu.
Joana sentiu-se um pouco estranha; afinal, era uma estranha ali e temia estar atrapalhando, então, após cumprimentar, saiu.
Lá fora, suspirou; o ambiente lá dentro era sufocante. Seria esse o peso de uma família de prestígio?
O pátio da família era imenso, e o salão de festas já recebia muitas figuras importantes.
Joana balançou a cabeça; não conseguia se encaixar, então escolheu um canto para comer doces enquanto esperava por Tiago.
Olhando em volta, notou que ninguém parava para comer; provavelmente era a única.
Enquanto se divertia e se preparava para pegar outro pedaço de bolo, a luz à sua frente foi bloqueada.
Uma garota usando um vestido azul sereia com decote profundo estava em pé à sua frente, com longos cabelos como uma cascata, maquiagem delicada e um vestido brilhante; por cima, um blazer masculino cobria as costas um tanto expostas. Atrás dela, mais duas garotas bem vestidas.
Seus olhos brilharam com uma pitada de hostilidade enquanto um sorriso de canto aparecia: "Você é a Joana?"
"Sim," Joana assentiu, confusa. "Precisa de algo?"
Bianca sorriu após a confirmação, revelando covinhas sutis, parecendo inofensiva enquanto mexia no cabelo: "Você viu o Tiago?"
Uma das garotas de preto atrás dela riu: "Ora, Bianca, por que pergunta para qualquer um?"
"Olha esse jeito de comer, provavelmente nunca participou de uma festa deste nível. Como conheceria Tiago?"
Outra logo concordou: "É verdade, provavelmente entrou aqui de penetra."
Capítulo 15
Joana ouvia as provocações com um gosto amargo, achando até a aparentemente gentil Bianca ainda mais irritante. Por impulso, apontou para o quarto no segundo andar: "Tiago está lá, falando com o avô."
Bianca compreendeu; ela agia de propósito. Gostava de Tiago há tanto tempo e sabia que suas "amigas plásticas" a defenderiam. Assim, deixaria Joana sentir a distância entre ela e Tiago, mantendo as próprias mãos limpas — por que não fazer isso?
Ao ouvir a resposta, Bianca fingiu desdém, sem qualquer intenção de culpar as amigas: "Vocês, sempre assim."
"Já que ele está falando com o avô, não vou entrar para atrapalhar, para não ser motivo de chacota."
As garotas não se arrependeram e riram: "É claro, aproveite enquanto você e Tiago ainda não se casam para sermos motivo de piada."
Joana capturou a palavra "casamento". Que casamento? Mais tarde, teria uma conversa séria com Tiago.
Por ora, com uma coragem inexplicável, olhando para as três que a ignoravam enquanto riam, disse: "Eu e Tiago estamos juntos todos os dias, como é que nunca vi você?"
Tiago deu o passo em direção a ela, e ela, por sua vez, deveria confiar nele.
O sorriso de Bianca congelou, e o desprezo em seus olhos nem se preocupou em ser escondido. Ela se virou para encarar Joana, já sem a gentileza de antes: "Está se sentindo vitoriosa?"
Joana não se intimidou: "Estou apenas dizendo a verdade."
Bianca soltou uma risada sarcástica: "Para ser sincera, se eu fosse você, ficaria na minha, caso contrário, qualquer um aqui pode te esmagar."
"Você, uma coitada sem poder ou influência, sonhar em entrar na família é pura ilusão!"
Joana franziu a testa; nunca teve a intenção de subir na vida por conveniência: "Não quero entrar na família, quero me casar com Tiago. O resto é apenas um extra; se tiver, ótimo, se não, não importa."
Bianca riu da sua falta de noção: "Você pensa de forma tão simplória. Acha que esse tipo de casamento de família de elite depende de você?"
Ela estava prestes a dizer mais algo, quando foi subitamente interrompida.
"Se não depende dela, depende de quem? De você?"
Tiago apareceu com uma postura indiferente, pegou uma taça de champanhe da pirâmide ao lado e aproximou-se lentamente.
Joana nunca o vira assim; parecia sorrir, mas transmitia um perigo evidente.
Bianca, ao vê-lo, ficou nervosa, corou subitamente e gesticulou tentando explicar: "Não foi isso que eu quis dizer..."
Tiago manteve um olhar frio e uma voz serena: "Eu não posso me casar com ela, e é por isso que você acha que tem uma chance?"
"Eu recusei você tantas vezes, é tão difícil de entender?"
A comoção ali atraiu muitos olhares. Bianca apertou as palmas das mãos até quase sangrar, mas forçou um sorriso: "Não foi esse o sentido, mas é uma questão necessária, não é? O tio nunca permitirá que ela se case na família."
Tiago ignorou-a por completo, aproximou-se e segurou a mão de Joana, soltou a taça e pegou o bolo que ela queria. As pessoas ao redor abriram caminho automaticamente.
Ao passar por Bianca, lançou-lhe um olhar de lado: "Isso também é algo que nós vamos considerar. Você está se intrometendo demais."
Dito isso, sem esperar pela resposta, levou Joana para fora do centro do turbilhão da festa, bloqueando os olhares curiosos dos outros.
A garota de preto ao lado de Bianca, vendo que ela estava mal, tentou segurar seu braço para confortá-la, mas foi empurrada enquanto Bianca saía do local a passos largos.
Tiago segurava a mão de Joana, andando a passos largos; Joana precisava trotar para acompanhá-lo. Quando finalmente saíram do salão, bateu no braço de Tiago e, ofegante, disse: "Tiago, devagar, não consigo acompanhar."
Sentindo o toque, Tiago despertou de seus pensamentos e olhou para Joana, arrependido: "Desculpe, machuquei você?"
Joana balançou a cabeça e, notando que seu humor não estava bom, perguntou: "O que houve?"
Capítulo 16
Ao lembrar do tal pai e de como ele lhe exigira um casamento com a família Branca, Tiago sentiu uma onda de irritação.
Bianca estava certa: a família dele nunca permitiria que Joana se casasse ali. Afinal, ele vivia sob as ordens dos outros, com limitações por toda parte, e ainda tinha que lidar com a ameaça constante de Márcio. Para ficar com Joana sem qualquer preocupação, parecia ser algo impossível no momento.