Quando Joana encontrou o olhar de Tiago, sua respiração parou mais uma vez.
O pretendente olhou para cima, confuso.
"Este senhor, precisa de algo?"
Tiago simplesmente puxou Joana: "Desculpe, ela não está interessada em encontros."
Dito isso, ele a conduziu para fora da cafeteria.
Só quando se afastaram bastante é que Joana se virou e segurou a mão dele: "Espere... o que você está fazendo?"
Tiago tinha um olhar profundo e abrasador, fazendo Joana não ter coragem de encarar.
O tom de sua voz não revelava emoções: "Joana, você não tem nada a me dizer?"
Joana hesitou, com a garganta travada: "Você não morreu, que bom."
Dez anos se passaram, mas para Joana foi apenas um instante; ver uma semente plantada no segundo anterior florescer no momento seguinte, como não sentir alegria?
Porém, ela mesma tinha dito que ficariam juntos quando ele voltasse, e agora ser pega em um encontro, a fazia sentir-se extremamente culpada.
Tiago parou, sentindo-se sem palavras; a sinceridade era, de fato, a melhor arma de todas.
"Aquele suposto romance no colégio era falso. Você tinha razão, foi meu meio-irmão quem tentou me machucar. Eu fui para o exterior justamente para me tornar mais forte."
"O seu ferimento... está bem?"
Joana balançou a cabeça.
Em sua memória, não houve sequelas graves, apenas uma cicatriz profunda na parte inferior do abdômen.
Por um momento, Tiago também não soube o que dizer.
Ele apenas respondeu suavemente: "Que bom."
Tiago levou Joana a outra cafeteria.
Depois de pedirem um café cada um, nenhum dos dois disse nada.
Para Tiago, tudo aquilo parecia um sonho também.
Na manhã do dia em que o incidente ocorreu, sua memória mudou de repente.
Ele se lembrou do aviso de Joana, pediu imediatamente que investigassem as ações do meio-irmão e evitou o perigo.
Depois disso, ele rastreou o paradeiro de Joana.
Ao saber que ela teria um encontro hoje, a raiva subiu instantaneamente.
Mas agora, sentado à frente dela, a raiva se dissipou.
Ele só queria conversar.
Como Joana não levantava a cabeça, ele a observava fixamente, quase por teimosia; não tinha problema, ele tinha tempo de sobra.
Até que um toque de telefone quebrou o silêncio.
Joana atendeu e a voz da mãe, vinda pelo celular, soou desagradável: "Joana, o que houve? Você já tem trinta anos, foi tão difícil encontrar alguém, como você conseguiu fazer o rapaz ir embora?"
Embora fosse no auricular, o ambiente estava quieto e o som era audível. Os olhos de Tiago se moveram levemente, mas ele não disse nada.
Joana baixou o volume, cobriu a boca e sussurrou: "Mãe, foi um acidente, estou com pressa agora, depois conversamos."
Ela desligou imediatamente.
Tiago endireitou o corpo, aproximando-se através da pequena mesa: "Sua mãe quer que você se case antes dos trinta?"
Joana parou ao guardar o celular, respondeu com um "hum" silencioso e acrescentou: "Minha mãe está ficando impaciente por causa da idade."
Tiago perguntou: "E você, você está com pressa?"
Capítulo 10
"Ah?" Joana ficou atordoada, sem saber por que ele perguntava aquilo.
Tiago olhava fixamente para ela e repetiu: "Você está com pressa para se casar?"
Joana sentiu-se desconfortável, sem saber para onde olhar: "É apenas minha mãe que está com pressa."
"Sim," acenou Tiago, perguntando o que ele já sabia, "por que esperou até agora?"
Joana não sabia se ele perguntava por que esperou por ele ou por que demorou a querer casar, então respondeu de forma ambígua: "Não apareceu ninguém adequado."
Uma atmosfera estranha pairava entre os dois; um sentindo-se culpado, o outro arrependido.
"Senhor, aqui está o seu café." O garçom deixou as xícaras e saiu sem dizer mais nada.
"Joana, o que você acha de mim?"
Joana olhou para ele, confusa, e ao encontrar o olhar profundo de Tiago, desviou os olhos.
Tiago disse com total seriedade: "Você não disse que gosta de mim? Será que estava mentindo?"
Joana negou imediatamente: "Não estava!"
Mas, após falar, sentiu o rosto esquentar.
O coração batia forte, abafando todos os outros sons.
Tiago riu, como naquele ano, aos dezoito, quando sorriu de forma radiante para ela sob o sol.
"Então está decidido, vamos tentar."
Joana levantou a cabeça, incrédula.
O rapaz por quem ela nutria uma paixão secreta na juventude queria tentar algo com ela; como não se deixar levar? Joana teve que admitir que seu coração, silencioso por mais de uma década, foi facilmente movido por Tiago.
Ela ainda estava um pouco descrente: "É verdade?"
"Claro." Tiago inclinou-se para perto dela: "Joana, esqueci de te dizer: eu também gosto de você."
Desde os dezoito anos.
Após dizer isso, as orelhas de Tiago também ficaram vermelhas.
Ele pegou o café e fingiu beber para esconder o sorriso que surgia em seus lábios.
Os dois permaneceram em silêncio, mas tudo estava claro.
Joana, claro, já sabia disso; ela tinha lido na carta de despedida de Tiago.
Ao terminar o café, saíram juntos.
Caminhavam lado a lado, com as mãos de Joana pendendo ao lado do corpo.
Enquanto andavam, uma mão cobriu a dela de repente e, vendo que ela não resistia, entrelaçou seus dedos com firmeza.
Desta vez, diferente de doze anos atrás, Tiago finalmente segurou a mão daquela pessoa com quem sempre sonhou.
Joana olhou para ele e Tiago sorriu: "O que foi?"
Joana balançou a cabeça e baixou os olhos, tímida.
Foram apenas alguns minutos de caminhada até o prédio de Joana.
"Chegamos... pode ir embora."
Assim que soltaram as mãos, Tiago puxou Joana de volta e perguntou sinceramente, olhando-a nos olhos: "Tem certeza de que não quer que eu encontre a tia agora?"
"Se ela começar a perguntar, você consegue lidar sozinha?"
Tiago tentava provocá-la, mas Joana, como um bloco de madeira sem sensibilidade, pensou que ele estava preocupado com ela: "Consigo, pode ir embora tranquilo."
Ao vê-la tão séria, Tiago riu: "Tudo bem, fico tranquilo então."
"Lembre-se de contar para sua mãe, sobre nós."
Joana sentiu-se um pouco embaraçada e o empurrou: "Já sei."
No clima de maio, o sol não estava muito forte, mas o calor ainda era perceptível.
Um se afastava olhando para trás a cada passo, o outro permanecia ali assistindo, como se uma linha estivesse esticada entre os dois, desaparecendo apenas quando um não via mais o outro.
Joana virou-se e subiu as escadas lentamente. Ao abrir a porta, viu que sua mãe já estava em casa.
Desde que abriu o jogo com a mãe, a senhora parou de exercer aquela pressão sufocante.
Com o passar dos anos, sua mãe mudou muito e aprendeu a respeitar as ideias de Joana; a única discussão recente era sobre o casamento.
Sua mãe não entendia: nesses anos, Joana teve muitos pretendentes de qualidade, mas ela agia como se tivesse se tornado uma monja, sem se envolver com ninguém.
No início, a mãe pensou que ser exigente fosse normal, mas o tempo passou e ela já estava com trinta anos; a vizinha já tinha dois netos e sua filha continuava solteira.
Por isso, ela impôs o prazo final: trinta anos, o limite absoluto.
Assim, sob pressão, Joana teve que ir aos encontros.
Joana sentou-se: "Mãe, não vou mais aos encontros."
A mãe franziu a testa ao ouvir, mas não interrompeu.
Joana continuou: "...Eu estou namorando."
Capítulo 11
A mãe de Joana ficou confusa; ontem sua filha andava sozinha, concordou em ir a um encontro, e hoje já tem um namorado?
Ela perguntou, desconfiada: "Sério? Quem é?"
Joana mudou de posição, ficando de frente para a mãe, pensando em como explicar.
Ela seguiu o roteiro que Tiago lhe ensinou pelo caminho: "Um colega do ensino médio, a gente se conhece bem, ele é uma boa pessoa, não se preocupe."
Embora tenha dito isso... a mãe sentia que algo estava errado.
Depois que Joana foi para o quarto, a mãe percebeu: se já existia esse colega, por que ela não falou nada antes?
Mas ela não perguntou mais nada.
Joana, apesar de ter se formado em design, trabalhava como professora de ensino médio em sua antiga escola, sendo até colega do antigo professor da época do colégio, o professor Xiao.
Quando Tiago foi buscar Joana, Xiao não o reconheceu de imediato, até que Tiago caminhou até ele e disse: "Bom dia, professor." Xiao ficou chocado, quase derrubando os óculos.
"Este não é o Tiago?"
O professor olhou de um para o outro: "Vocês dois estão..."
Tiago segurou a mão de Joana e indicou: "Estamos planejando nos casar."
"Ora," Xiao ficou surpreso, "vocês dois, que não tinham nada a ver um com o outro, vão se casar agora?"
A sala dos professores não era pequena, e a voz de Xiao ecoou pelo local. Joana ficou sem jeito, sorrindo sem graça.
Tiago segurou a mão de Joana com uma mão e pegou o casaco e a bolsa dela com a outra: "Professor, vamos indo."
"Ah, tudo bem, tudo bem."
Joana era professora de língua e tinha uma personalidade gentil, sendo muito querida pelos alunos. Como era hora do intervalo, vários estudantes perguntavam e lançavam olhares curiosos, tentando adivinhar a relação deles.