《O Pacto de Luz: Salvar Você no Passado》Capítulo 1

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Capítulo 1

  Quando soube da notícia da morte de Tiago, Joana estava em um encontro às cegas.

  O rapaz sentado à sua frente tinha um rosto delicado e um sorriso gentil; podia ser considerado um dos melhores pretendentes que ela já havia conhecido.

  Ao ouvir sobre as condições de vida dele, que eram bastante razoáveis, Joana segurou a xícara de café e pensou: "que seja ele, então".

  Ela já estava com 30 anos, e sua mãe, já na casa dos cinquenta, usava de chantagens emocionais e autoridade para exigir que ela se casasse ainda este ano.

  Ela já não tinha mais forças para resistir.

  Bem quando Joana ia abrir a boca para concordar, viu uma notificação aparecer na tela do celular: a notícia da morte de Tiago.

  #O fim de um prodígio: o pianista Tiago comete suicídio em sua casa#

  Aquela curta linha de texto foi como uma adaga fria abrindo o coração de Joana instantaneamente.

  Sua mão tremeu e a colher caiu com força dentro da xícara, espirrando café por toda parte.

  Sem se importar com o caos, ela pegou o celular trêmula e clicou na notícia.

  Na reportagem, a carta de despedida de Tiago foi divulgada.

  A caligrafia no papel era ousada e desenfreada, exatamente como sempre fora.

  【Até aqui nesta vida, não tenho arrependimentos.】

  【Mas, se for para dizer algo, ainda há uma coisa: nunca contei a uma certa pessoa que a amei em segredo por muitos anos.】

  【Tanto que, em inúmeras madrugadas, eu só tinha coragem de dizer o nome dela em meus sonhos... Joana.】

  Sem aviso, uma lágrima caiu sobre a tela.

  O rosto jovial e espontâneo dele apareceu na mente de Joana, e as poucas memórias que tinha dele passaram como um filme.

  A última vez que se viram foi na formatura do ensino médio.

  Ela ainda se lembrava do céu azul e do sol radiante daquele dia; o sorriso de Tiago brilhava como uma estrela cintilante.

  E ela, tão comum, para poder abraçá-lo, reuniu coragem para abraçar todo mundo ao redor.

  Aquela foi a única vez que expressou, ainda que secretamente, o que sentia.

  Mas ela nunca imaginou que Tiago também pudesse gostar dela.

  Ele era um pianista prodígio, famoso desde os cinco anos.

  Depois de se formar no ensino médio, foi estudar no exterior e, ao voltar, trazia consigo uma aura de glória e inúmeros prêmios conquistados.

  E ela... apenas uma garota comum, vivendo sua rotina dentro das regras, seguindo o ritmo de uma vida ordinária.

  Como as estrelas no céu poderiam gostar da lama no chão?

  Joana não teve tempo nem de pedir desculpas ao rapaz à sua frente, e saiu tropeçando do café.

  Ela queria vê-lo uma última vez.

  Mas a cidade onde Tiago vivia era tão longe, e mesmo que fosse até lá, ela não sabia onde ele estava.

  Joana parou, perdida, no meio da avenida.

  Um caminhão veio em sua direção sem parar; o som agudo da buzina não foi capaz de trazer a consciência dela de volta.

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  "BUM!"

  O mundo inteiro ficou subitamente silencioso.

  "Zzzzz..."

  O som das cigarras, típico do verão, começou a ressoar nos ouvidos de Joana, seguido por gritos de euforia.

  Joana franziu a testa e abriu os olhos abruptamente, sentindo primeiro o calor sufocante que envolvia seu corpo.

  Em seguida, foi o sol escaldante no céu.

  O que estava acontecendo? Ela não tinha sido... atropelada por um caminhão? Onde ela estava?

  Antes que Joana pudesse ver o cenário ao seu redor, uma voz urgente gritou por ela: "Joana, abaixa!"

  Joana olhou para cima instintivamente e viu uma bola de basquete vindo em sua direção a toda velocidade.

  Ela não teve tempo de desviar e fechou os olhos por puro reflexo.

  "POW!"

  O som da bola atingindo um corpo ecoou, mas Joana não sentiu nenhuma dor.

  Ela abriu os olhos, desconfiada, e viu um rapaz parado à sua frente, bloqueando o impacto.

  O rapaz se virou e sorriu para ela: "Olha só o susto que você tomou. Se sabe que é perigoso, por que não desviou?"

  Joana perdeu a voz instantaneamente, olhando para ele com uma incredulidade que ia crescendo.

  "Tiago?"

  Tiago ergueu uma sobrancelha, virou-se e voltou para a quadra, saltando levemente para fazer uma cesta de três pontos perfeita.

  Os gritos ao redor quase estouraram os tímpanos de Joana.

  Ela observava tudo, abobalhada. Segundos depois, deu um beliscão forte na própria coxa—

  Doeu, doeu muito!

  Não era um sonho? Então, o que estava acontecendo? Por que ela estava vendo um Tiago tão jovem?

  Naquele momento, Clarice, sua melhor amiga da escola, se aproximou com uma água gelada.

  Joana ficou paralisada e segurou Clarice, confusa: "Clarinha, por que você está aqui? Que dia, mês e ano é hoje?"

  Clarice ficou confusa com a pergunta direta: "Hoje é 8 de maio de 2011, você está bem?"

  Joana prendeu a respiração.

  2011, não era doze anos atrás, o ano em que ela tinha dezoito anos?

  Ela... teria viajado no tempo?

Capítulo 2

  Ao perceber isso, o coração de Joana acelerou incontrolavelmente.

  Ela observava Tiago na quadra, sem foco, sentindo o chão sob seus pés como se caminhasse sobre areia movediça—uma sensação de irrealidade.

  De repente, ela se levantou bruscamente.

  Clarice se assustou: "Jojo, o que você vai fazer?"

  Mas Joana não teve tempo de explicar; uma vertigem a atingiu.

  Em seguida, tudo ficou escuro e ela desmaiou!

  Quando acordou, estava na enfermaria da escola.

  Joana abriu os olhos atordoada. O ambiente estava escuro e ela viu vagamente uma figura debruçada ao lado da cama.

  Acreditando ser sua amiga, ela esticou a mão para tocar a dela e perguntou com a voz rouca: "Clarinha, tem água?"

  A pessoa levantou a cabeça lentamente, acendeu a luz e se levantou para servir um copo d'água, deixando-o perto da mão de Joana.

  "Você está se sentindo melhor?"

  A voz do rapaz, límpida como água corrente, fez a mente nublada de Joana clarear instantaneamente.

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  A pessoa à sua frente não era Clarice; era, sem dúvida, Tiago.

  Na vida passada, Joana e Tiago tiveram pouquíssimo contato, e momentos a sós como aquele nunca tinham acontecido.

  Ela sentou-se na cama, desconfortável, e começou a falar de forma confusa: "Você... o que está fazendo aqui?"

  Tiago parecia ter acabado de acordar, seus olhos ainda estavam um pouco sonolentos: "Você teve uma insolação. Eu que te trouxe nas costas, e como a enfermeira teve um imprevisto, ela pediu para eu ficar de olho no seu soro."

  Joana soltou um "ah" perdido e, sem saber o que fazer, perguntou: "E a Clarice?"

  Tiago sorriu: "Não sei. Ela disse que a professora pediu para ela entregar umas provas e saiu correndo."

  Joana não precisou pensar muito para saber que Clarice tinha corrido de propósito para criar uma oportunidade para os dois ficarem a sós.

  Por um momento, Joana não soube o que dizer, então abaixou a cabeça para esconder o que sentia.

  "Obrigada..."

  Tiago se levantou, interrompendo o que ela ia dizer: "Vamos, vou te levar para casa."

  "Ah?" Joana sentiu o coração disparar e ficou ainda mais nervosa.

  Tiago apontou para a janela: "O estudo noturno acabou faz tempo. O professor responsável pediu para eu te levar em casa com segurança."

  Joana olhou para o relógio; eram dez e meia, o estudo noturno terminava às dez.

  Ela não ousou atrasar, levantou-se da cama, pegou suas coisas e saiu com Tiago.

  Nesse momento, não havia mais ninguém no campus. Ao saírem pelo portão da escola, os postes de luz na rua brilhavam de forma espaçada.

  Tiago tinha pernas longas e passadas largas; Joana o seguia sem conseguir caminhar ao lado dele.

  Enquanto andavam, ela olhou para as mãos esguias de Tiago e, de repente, lembrou-se do que acontecera em sua vida passada. Seu olhar escureceu.

  Quem teria ferido a mão de Tiago de propósito? Seus rivais?

  E como ela poderia salvar Tiago do destino que ele teria dez anos depois?

  Além disso... será que ele realmente gostava dela?

  Enquanto sua mente estava um caos, Tiago parou de repente: "Chegamos. Sobe logo, vou te ver entrar."

  Joana ficou paralisada. No que ela lembrava, o caminho da escola para casa era muito longo; como podia ter chegado tão rápido hoje?

  Ela sentiu um aperto, murmurou um "hum" e caminhou lentamente em direção ao prédio.

  Ao chegar na metade do caminho, ela parou e se virou: "Ei, sobre hoje... obrigada mesmo."

  Tiago sorriu, mantendo sua expressão gentil: "Não tem de quê. Aliás, eu que agradeço, você me fez escapar de uma aula de matemática."

  "Vai logo, já está muito tarde."

  Joana acenou com a cabeça, sem jeito, sem saber mais o que dizer, e seguiu seu caminho.

  No entanto, após dar dois passos, Tiago a chamou de novo: "Ah, espera um pouco."

  Joana se virou e viu Tiago se aproximar, abrindo o zíper da mochila.

  "Eu me lembro que você e a Helena, da turma 5, eram colegas no ensino fundamental, né?"

  O assunto mudou rápido demais, Joana ficou estática e acenou positivamente.

  Ela viu Tiago tirar um envelope rosa da mochila e colocá-lo na palma de sua mão: "Ajuda-me a entregar isso para ela, considere como um presente de agradecimento por você ter me salvado hoje."

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