Mas Felipe pegou a seringa, com um olhar sereno e firme: “Solte-a, e eu farei como você quer.”
“Nem pense nisso! Acha que eu não sei o que você está planejando?” Mirella empurrou a cadeira ainda mais para a borda. “Te dou dez segundos, ou você pode esperar para recolher o cadáver de Lívia!”
“Dez, nove, oito...”
Com a contagem regressiva de Mirella, Felipe apertou a seringa: “Certo.”
Minhas pupilas encolheram: “Pare... pare com isso! Felipe, isso é veneno!”
Quase instantaneamente, preocupação e medo envolveram meu coração.
Olhando para aquele homem que eu amei e odiei profundamente, derramei lágrimas.
Eu pensei que Felipe jamais me amaria nesta vida, mas nunca imaginei que ele me amava antes de mim, e que estaria disposto a dar a vida por isso.
“Felipe, nós já nos divorciamos... não temos mais nada um com o outro, eu também não te amo mais, não faça isso... não faça...”
Ouvindo minha voz trêmula, Felipe sorriu gentilmente: “Lívia, nunca fiz nada por você nesta vida, e só te fiz sofrer. Contanto que você viva bem, estou disposto a fazer qualquer coisa.”
Terminando, ele cravou a agulha no braço e injetou todo o líquido.
“Não —!”
Senti meu coração ser esmagado em um instante e, por puro instinto, gritei: “Felipe, não... não faça isso!”
Com um baque surdo, Felipe caiu de joelhos, encolhendo-se como se estivesse sob um tormento terrível.
Acompanhando a dor lancinante em seus nervos, sua respiração acelerou, as veias de seu pescoço e testa saltaram, e ele mordeu os dentes até sangrar.
Como se usasse sua última gota de força, ele ergueu o tronco: “Solte... solte a Lívia...”
Capítulo 39
Lágrimas cobriam meu rosto pálido; balancei a cabeça desamparadamente, olhando para Felipe, cujo rosto já estava arroxeado.
Mirella observava, com o olhar apagado como cinzas.
Como se assistisse ao final de uma farsa, ela recuou lentamente: “Por quê? Fiz tanta coisa, só para provar o quanto você a ama e o quanto eu sou um fracasso...”
Quase na borda, ela olhou para o céu cinzento e deixou as lágrimas caírem.
Não muito longe, a sirene da polícia se aproximou.
Ela fechou os olhos, abriu os braços e caiu para trás.
Após alguns gritos, o pátio lá embaixo tornou-se um caos.
Mas eu não tinha como me preocupar com outra coisa. Lutei desesperadamente contra as cordas: “Felipe, resista...”
Felipe, ofegante, levantou-se cambaleando e caminhou em direção ao terraço, tropeçando a cada passo.
Caindo de joelhos diante de mim, suas mãos frias e trêmulas desataram o nó, enquanto seus lábios brancos balbuciavam: “Está tudo bem, eu estou aqui, aqui...”
Observando o homem que parecia ter perdido a consciência, mas que, por puro instinto, chegara até mim, finalmente desabei em prantos: “Por que você é tão tolo...”
Os movimentos de Felipe tornaram-se lentos: “Eu sou seu marido... proteger você... é minha obrigação...”
Quando ele terminou, o último nó foi desatado, mas uma grande quantidade de sangue jorrou de sua boca e nariz, manchando sua gola.
O olhar de Felipe começou a perder o foco, mas, por puro instinto, ele ainda tentava consolar a mulher à sua frente: “Não tenha medo, estou bem...”
Mas, antes que terminasse, ele desabou completamente.
“Felipe!”
Vendo-o rolar pelos degraus, meu coração afundou.
Agarrei a cadeira de rodas e usei toda a força para levantar meu corpo.
Com um "estrondo", caí da cadeira.
Enquanto eu me arrastava, o solo áspero cortava meus tornozelos e palmas das mãos, deixando rastros de sangue.
“Felipe...”
Soluçando, abracei o corpo de Felipe, que já estava inconsciente.
Tão frio!
Aquele corpo, antes tão quente, estava como um bloco de gelo, e até mesmo sua respiração era tão fraca que parecia ter desaparecido.
“Socorro... socorro! Felipe! Felipe!”
Ao ouvir meus gritos de desespero, Qi Ming chegou rapidamente com a equipe.
Vendo-me abraçada a Felipe, chorando de forma dilacerante, ele ordenou apressado: “Rápido! Levem-nos para o hospital!”
Na rua sob a garoa, a ambulância passou voando.
Médicos e enfermeiros levaram Felipe para a sala de emergência.
Ao receber a notícia, Samuel chegou ao hospital; Sílvia estava tentando consolar a mim, que insistia em ir para a sala de emergência.
“Lívia, você está bem?”
Ele se apressou e me examinou com preocupação.
Eu, como se tivesse encontrado um fio de esperança, agarrei as mãos de Samuel: “Samuel, leve-me para a sala de emergência. Felipe vomitou muito sangue, ele vai morrer? Eu o odeio por ter me machucado, mas não quero que ele morra. Por favor, leve-me lá... eu te imploro...”
Ao ouvir meu pedido choroso, Samuel sentiu um aperto imenso: “Escute-me, Felipe está em cirurgia. Você não pode ajudar em nada agora. Assim que ele estiver bem, eu levarei você para vê-lo.”
Senti como se um golpe tivesse sido desferido em mim; a força me deixou, e minhas mãos caíram fracamente.
Em meio ao caos de pensamentos, o rosto pálido de Felipe surgia repetidamente.
“Não quero que ele morra, não quero...”
Mesmo que estivéssemos separados, eu só desejava que vivêssemos nossas vidas sem interferências.
Mesmo que fosse para morrer, não deveria ser ele...
Olhando para o meu rosto cheio de dor, Sílvia suspirou: “Lívia, se você quer ver seu marido, precisa tomar os remédios e descansar. Caso contrário, quando ele te ver assim, ficará muito preocupado.”
Ao ouvir isso, meu olhar brilhou.
É verdade. Preciso estar bem para ver Felipe, senão não terei forças nem para discutir o divórcio com ele...
Respirei fundo, tentando aplacar a dor surda no peito: “Samuel, você precisa me contar o resultado da cirurgia.”
Após uma pausa, acrescentou: “Não minta para mim.”
Ao ouvir isso, o coração de Samuel e Sílvia ficou pesado.
“Está bem”, concordou Samuel com um aceno firme.
Capítulo 40
Depois de me ver tomar o remédio e deitar-me, Samuel apressou-se para a sala de emergência.
O pai de Felipe, ao saber da notícia, sentou-se no banco fora da sala. Seu semblante era imperturbável, mas suas mãos entrelaçadas tremiam.
Ao ver isso, ele não encontrou palavras para dizer.
Pouco tempo depois, a porta da sala de emergência se abriu e o médico saiu.
O pai de Felipe aproximou-se imediatamente, perguntando com urgência: — Doutor, como está meu filho?
O médico retirou a máscara: — Ele foi injetado com ricina, mas a solução provavelmente estava diluída e o atendimento foi rápido, por isso não corre risco de morte no momento.
Ao ouvir isso, os nervos tensionados do pai de Felipe finalmente relaxaram, e ele cambaleou levemente: — Que bom que está bem, que bom...
Ao lado, Samuel também não pôde deixar de suspirar aliviado.
Embora não se desse bem com Felipe, quando se tratava de Lívia, ele não queria que ele morresse daquela maneira.
Meia hora depois, Felipe, ainda inconsciente, foi levado para o quarto.
O céu escurecia gradualmente, e a chuva que caíra o dia todo finalmente parou.
— Felipe!
Acordei de um pesadelo com um sobressalto, o suor frio encharcando minha franja.
Sílvia, que trocava meu soro, pegou um lenço rapidamente e limpou suavemente o suor da minha testa: — Você acordou. Sente algum desconforto?
Fiquei atordoada por um momento antes de recobrar os sentidos e perguntar ansiosamente: — Sílvia, onde está Felipe? Como ele está?
— Fique tranquila, ele está bem, no quarto ao lado.
Ao ouvir a resposta, meu coração, que estava suspenso, finalmente se acalmou, e levantei o cobertor para alcançar a cadeira de rodas.
Ao ver minha pressa, Sílvia me segurou: — Você acabou de tomar medicação, precisa descansar bem.
Eu implorei: — Eu só quero vê-lo, Sílvia, por favor, me ajude...
Sílvia, sempre de coração mole e compadecida com a história dos dois, acabou cedendo.
No quarto ao lado.
O cheiro de remédios era mais intenso, o que tornava até a respiração difícil para mim.
Felipe estava deitado na cama. Embora seu rosto ainda estivesse pálido, ele já parecia muito melhor.
Sílvia me empurrou para a beira da cama e disse suavemente: — Vou buscar seus remédios, volto logo.
Ao ver meu aceno, ela se virou e saiu.
Olhando para os olhos fechados de Felipe, não pude deixar de me lembrar do que ele dissera no terraço.
"Lívia, nunca fiz nada por você nesta vida, e sempre te fiz sofrer. Contanto que você viva bem, estou disposto a fazer qualquer coisa."
Meus olhos se encheram de lágrimas e, involuntariamente, estendi a mão para acariciar sua bochecha fria: — Você me fez mal e, ainda assim, me faz sentir culpada... Felipe, você não pode ser um pouco melhor comigo?
Assim que terminei a frase, o pai de Felipe entrou.
Recobrei-me rapidamente, contendo o choro e recolhendo a mão.
O pai de Felipe suspirou profundamente e sentou-se devagar: — Lívia, vamos conversar.
Ao ver o rosto cada vez mais envelhecido dele, senti um aperto: — Senhor Felipe, eu...
Antes que eu terminasse, ele me interrompeu: — Você e Felipe ainda não se divorciaram; nem "pai" você quer me chamar?
Fiquei sem palavras: — Não, é só que...
Ele não se importou com minha hesitação e fixou o olhar em Felipe: — Nunca imaginei que meu filho e eu percorreríamos o mesmo caminho amargo.