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《Entre o Silêncio e a Redenção》Capítulo 12

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Minhas longas pestanas levemente caídas projetavam uma sombra em meu rosto, fazendo com que minha fisionomia, que já era magra, parecesse ainda mais fragilizada.

Samuel fez menção de me consolar com algumas palavras, mas foi interrompido quando perguntei: — O Felipe... está lá fora?

O olhar dele tornou-se um pouco mais sombrio: — Não.

Ao ouvir aquilo, minhas feições travaram por um instante.

Ele foi embora?

Se foi, melhor assim. No momento em que olho para ele, sinto como se fosse jogada de volta àquela espera sem esperanças e ao desespero de não ter absolutamente nada.

Vendo o meu silêncio, o coração de Samuel apertou-se inevitavelmente: — Você quer vê-lo?

Balancei a cabeça novamente, demonstrando uma indiferença de quem já não se importava com mais nada: — Eu apenas me lembrei de que nós dois ainda não assinamos os papéis do divórcio.

Ao ouvir aquelas palavras, ele sentiu o peito relaxar um pouco.

Levando uma colher da sopa até os meus lábios, ele aconselhou com doçura: — Se você não ingerir alimentos, como o seu corpo vai se recuperar?

Após uma breve pausa, ele acrescentou: — Além disso, a sua mãe ficaria preocupada com você.

Aquelas palavras funcionaram como um estocada em meu peito, fazendo meu nariz arder.

Minha mãe...

Eu havia prometido à minha mãe que viveria bem.

Mesmo no instante em que pensei que fosse morrer, eu me preocupava com a possibilidade de minha mãe entender errado e achar que eu não valorizava a vida.

Pensando nisso, contive o desconforto em meu estômago e engoli a sopa que Samuel me oferecia.

Samuel finalmente acalmou-se. Ao terminar de me dar a sopa, vendo que minha testa continuava coberta de suor frio e temendo que eu ficasse resfriada, ele retirou um lenço de papel para enxugar a minha testa com delicadeza.

— O que você pensa que está fazendo?

De repente, a voz gélida e hostil de Felipe cortou a tranquilidade do quarto de hospital como uma lâmina afiada.

Ergui os olhos para olhar e vi Felipe parado ali, vestindo um sobretudo preto por cima de um terno sob medida perfeitamente alinhado. Seus cabelos escuros e levemente desalinhados traziam gotículas de água, e seu olhar era cortante.

Contudo, o que quebrava totalmente aquela postura imponente era o fato de ele carregar uma sacola plástica de loja de conveniência na mão esquerda e uma garrafa térmica de água na mão direita.

Talvez por estar acostumado com as aparições repentinas de Felipe, Samuel não se deixou abalar.

Ele terminou de limpar o suor da minha testa com calma, guardou o pote de comida e disse: — Vou voltar ao trabalho agora, venho te ver daqui a pouco.

Dito isso, Samuel ignorou por completo o olhar cortante de Felipe, afastando-se com total naturalidade.

Em um instante, o quarto mergulhou no silêncio.

Virei o rosto em direção à janela, agindo como se o homem parado a poucos passos de distância não existisse.

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A minha indiferença deliberada fez o coração de Felipe dar um nó terrível.

Ele preferia que a mulher o mandasse sumir ou que despejasse ofensas contra ele, mas não suportava ser ignorado daquela forma.

Lembrando-se do que o médico havia dito, Felipe conteve à força o ciúme em seu peito, adiantou-se e colocou de lado a garrafa de água que havia pego emprestada temporariamente com as enfermeiras.

Em seguida, retirou uma bolsa de água quente de dentro da sacola, encheu-a e a colocou sob os meus lençóis.

A sensação repentina de calor fez o meu corpo travar.

Virei o rosto e vi que Felipe havia retirado o sobretudo, dobrado as mangas da camisa e começado a despejar a água quente em uma bacia.

— O que você está fazendo? — perguntei estupefata.

Assim que terminei a frase, uma toalha aquecida foi colocada contra o meu rosto ressecado.

Os movimentos de Felipe eram extremamente delicados, e seu olhar trazia uma seriedade de quem cuidava de um assunto que decidiria o seu destino.

— Fazendo o que um marido deveria fazer.

Enquanto falava, ele tomava o cuidado de desviar da agulha do soro no dorso da minha mão.

A ausência do deboche e da frieza que eu esperava pegou-me totalmente de surpresa.

Contudo, as imagens do meu sonho voltaram a surgir em minha mente. Desviei o olhar, recolhi a minha mão e desfechei uma frase gélida.

— Assim que eu puder receber alta do hospital, nós vamos assinar os papéis do divórcio.

Capítulo 20

O quarto de hospital voltou a silenciar.

A mão de Felipe travou no ar, com os olhos fixos em mim, que me recusava a encará-lo.

As explicações presas em sua garganta pareciam não encontrar uma forma de ser ditas. Depois de muito tempo, ele recolheu a mão desanimado: — Tudo bem.

Ouvindo a resposta direta e sem hesitação de Felipe, o meu olhar vacilou.

O meu coração, que claramente já estava morto, voltou a latejar com uma dor contida.

No segundo seguinte, no entanto, a voz grave de Felipe ecoou novamente: — Até que esse dia chegue, eu cuidarei de você.

Olhei para ele em choque.

Ele não deveria exigir explicações sobre o meu relacionamento com Samuel? Ou proferir palavras sarcásticas contra mim?

Eu me preparava para falar, mas Felipe não me deu a oportunidade, pegando a bacia de água e saindo do quarto.

Aquela postura de esquiva deixou meus pensamentos em total confusão.

Eu sempre julguei conhecê-lo o suficiente, mas foi apenas neste momento que percebi que jamais havia conseguido decifrá-lo por inteiro...

Diante da pia.

Os familiares dos pacientes que passavam olhavam com certa surpresa para a figura de Felipe vestindo terno e gravata.

Pelas roupas que usava, ele parecia o tipo de empresário que deveria contratar cuidadores particulares para fazer aquele serviço.

Felipe não deu atenção aos olhares alheios, limitando-se a observar o próprio reflexo no espelho.

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Os olhos cobertos de linhas vermelhas traziam um sentimento de frustração impossível de esconder, além de uma preocupação que ele mal conseguia conter.

Era a primeira vez que ele se sentia sem saber como encarar Lívia.

De repente, o toque do celular interrompeu os pensamentos de Felipe.

Olhando para a tela, viu que se tratava de seu pai, com quem não mantinha contato há muito tempo.

Anos atrás, após expulsar Mirella, seu pai havia partido para gerenciar a filial no exterior e, desde então, só havia retornado uma única vez, no dia do casamento dele com Lívia.

Caminhando em direção ao corredor da escada, Felipe atendeu a chamada: — Aconteceu alguma coisa?

Do outro lado da linha, a voz do pai de Felipe era rouca, mas não perdia a autoridade: — É dessa forma que você fala com o seu pai?

Felipe manteve-se em silêncio.

O relacionamento entre pai e filho sempre foi péssimo.

No ano em que ele completou seis anos, sua mãe encontrava-se em estado terminal, mas seu pai demorou a aparecer.

Até o momento do falecimento e do sepultamento de sua mãe, seu pai não compareceu, passando a se envolver com diversas mulheres logo em seguida.

As pessoas do meio corporativo sentiam temor diante de sua postura implacável e guardavam rancor por seus métodos cruéis.

E as mulheres interessadas apenas visavam o dinheiro dele; elas não agiam com sinceridade, e ele também jamais se deixava envolver emocionalmente.

Sem receber uma resposta de Felipe, seu pai retomou a palavra: — Voltarei para a sede nacional amanhã. Aproveitarei para fazer uma visita a você e à Lívia. Como ela está? Vocês não andam brigando, não é?

Felipe olhou na direção do quarto de Lívia, com a fisionomia fechada.

Após um longo silêncio, ele respondeu: — Ela sofreu um acidente de carro e está internada no hospital neste momento.

— O quê?

A voz de seu pai subiu consideravelmente de tom, repreendendo-o: — Você é homem e não consegue sequer cuidar da própria esposa?

Aquelas palavras fizeram as feições de Felipe esfriarem instantaneamente: — No que diz respeito a cuidar de uma esposa, você não tem o menor direito de falar de mim.

Dito isso, ele desligou a chamada diretamente.

Pouco depois, seu pai tentou ligar novamente.

Felipe não atendeu, colocou o aparelho no modo silencioso e retornou para o quarto.

Eu, que descansava com os olhos fechados, ouvi o som dos passos familiares. Minha mão sob os lençóis fechou-se em punho por reflexo, mas permaneci sem abrir os olhos.

Os movimentos dele eram muito discretos, como se temesse interromper o meu descanso.

Em seguida, o lençol sobre o meu corpo foi puxado um pouco mais para cima, e uma mão com leves calos tocou a minha bochecha.

O leve atrito fez minhas pestanas tremerem de leve, tornando meus pensamentos, que já eram caóticos, ainda mais difíceis de organizar.

— Lívia.

O tom de voz mantido propositalmente baixo soava um pouco rouco, carregando uma certa hesitação.

Fingi que dormia, sem responder e sem demonstrar qualquer reação.

Felipe continuou a falar: — Eu sei que, agora que descobri a verdade, tudo já é tarde demais. Mas eu não quero que termine dessa forma...

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