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《Entre o Silêncio e a Redenção》Capítulo 5

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Felipe se levantou: — Eu não cheguei ao ponto de forçar uma mulher.

Olhando-me de cima, o resto de embriaguez em seus olhos havia se transformado em pura frieza: — Já que está tão indisposta, vá comigo ao cartório nos próximos sete dias para resolver os trâmites do divórcio.

Ao ouvir aquilo, minhas pupilas se contraíram abruptamente.

Felipe saiu sem olhar para trás e, em pouco tempo, a casa voltou a ficar vazia, restando apenas eu.

Abracei a almofada, encarando a escuridão vazia do lado de fora da janela, pensando perdida que, se conseguisse ser tão implacável quanto Felipe, talvez não estivesse sentindo tanta dor no coração agora...

Foi mais uma noite difícil de dormir.

Às oito da manhã, recebi a notificação de demissão da escola.

Ao telefone, o diretor mantinha um tom de censura: — Eu sei que você é uma excelente professora, mas o diretor Felipe disse que profissionais com problemas de conduta moral não podem permanecer. Busque outra oportunidade.

Dito isso, ele desligou o telefone.

Baixei o celular sem forças, com as feições tomadas pela amargura.

Felipe parecia ser ainda mais cruel do que eu imaginava.

Não sei se por influência do abalo emocional, comecei a sentir um desconforto no baixo ventre. Preocupada com a segurança do bebê na minha barriga, troquei de roupa às pressas e fui ao hospital.

...

Três horas mais tarde.

Saí da sala do ginecologista e vi imediatamente Samuel parado perto da porta, parecendo estar esperando há muito tempo.

Ele caminhou na minha direção, tirou um frasco de medicamento do bolso e me estendeu: — Este é um remédio para o tratamento da Esclerose Lateral Amiotrófica que pedi para um amigo trazer do exterior. Pode ficar tranquila, ele não causa danos ao feto.

Como eu precisava muito, peguei sem hesitar: — Obrigada...

Enquanto caminhávamos, uma lufada de vento frio nos atingiu ao dobrarmos o corredor, fazendo-me tossir sem parar.

Samuel imediatamente desdobrou o casaco que trazia no braço e colocou-o com cuidado sobre os meus ombros: — Eu já queria ter dito isso quando você chegou. Seu corpo está fraco, não se vista de forma tão leve. Resfriar-se também não fará bem ao bebê.

Contive a tosse e segurei o casaco, olhando para ele com gratidão.

Quando estava prestes a agradecer, uma frase sarcástica veio de trás de repente: — Lívia, eu já tinha ouvido o Felipe comentar que você e o doutor Samuel foram colegas de escola, mas não imaginava que a relação de vocês fosse tão próxima a ponto de ele acompanhar você até uma consulta ginecológica.

Capítulo 8

Virei-me e vi Mirella segurando o braço de Felipe perto do elevador, demonstrando uma intimidade absoluta.

Quando nossos olhares se cruzaram, a frieza nos olhos de Felipe fez minha respiração falhar.

— Cof, cof...

Ao ver que eu tossia com força novamente, Samuel correu para massagear minhas costas, sugerindo com preocupação: — Assim não dá. Vá até o meu consultório descansar um pouco, e eu te levo para casa assim que meu plantão terminar.

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Após a fala, a temperatura ao redor pareceu cair dez graus instantaneamente.

No segundo seguinte, enquanto eu ainda tossia, fui puxada com violência por uma mão imensa. Ao mesmo tempo, a voz extremamente cortante de Felipe ecoou acima da minha cabeça: — Não precisa se incomodar, doutor Samuel. Eu sei cuidar da minha esposa.

Como um estrondo, as outras três pessoas ficaram paralisadas.

Rapidamente, Samuel recuperou a reação e rebateu furioso: — Onde você estava antes? Só agora você lembrou que a Liv é sua esposa!

O orgulho no rosto de Mirella desapareceu em um instante. A mais chocada de todas era eu; não imaginava que, prestes a me divorciar, finalmente veria Felipe admitir a minha identidade diante do público.

Mas, antes que pudesse processar aquilo, tive minha mão agarrada por Felipe e fui arrastada à força até ser empurrada para dentro do carro.

— Ploft!

A porta do carro foi fechada com violência por Felipe. O homem, que costumava nunca demonstrar suas emoções, parecia prestes a explodir de raiva.

O espaço confinado do veículo foi tomado por uma atmosfera cada vez mais agressiva, deixando-me quase sufocada.

— Esse é o motivo da sua recusa? — perguntou ele de repente.

Mostrei perplexidade.

Felipe virou o rosto para me encarar: — Você aceitou o divórcio por causa do Samuel, não foi? Quando foi que vocês começaram?

A acusação cheia de espinhos perfurou meu peito, fazendo meus lábios tremerem de dor: — O que você quer dizer com isso? Aos seus olhos, eu sou tão desprezível assim?

— Responda-me.

O tom de voz gélido de Felipe transbordava uma rigidez implacável. Ele me puxou para perto, segurando minha cintura com força para pressionar: — Você me traiu nesses quatro anos? Já foi para a cama com ele?

Aquelas palavras ainda mais cruéis entraram como agulhas na minha carne e no meu sangue, fazendo todo o meu corpo doer.

Claramente eram Felipe e Mirella que tinham uma relação mal resolvida, como ele podia inverter a situação e me caluniar?

As lágrimas finalmente desceram sem controle, mas a mão que me prendia continuava a aumentar a força, como se quisesse me esmagar.

De repente, a pequena vida no meu ventre pareceu sentir o sofrimento indescritível da mãe, e uma sensação terrível de rasgo explodiu no meu baixo ventre.

Meu rosto empalideceu instantaneamente, e segurei a manga da camisa de Felipe com dificuldade: — Dói...

No segundo seguinte, fui tomada pela escuridão.

Perdida no torpor, não sei quanto tempo se passou.

Ao abrir os olhos novamente, percebi que estava deitada em um quarto de hospital. Assim que minha visão deixou de ficar embaçada, o rosto gélido de Felipe surgiu diante de mim.

Fiquei estática e, em seguida, notei que ele segurava o exame de ultrassom que indicava a gravidez!

Sentei-me em pânico; ele havia descoberto sobre a gestação!

— Felipe, eu...

Antes que terminasse a fala confusa, vi Felipe amassar o papel do exame na palma da mão, dando-me uma ordem cruel e impiedosa: — Aborte essa criança.

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O quarto de hospital mergulhou em um silêncio súbito.

Aquela frase dita com tanta leveza pesou como uma imensa rocha, impedindo-me de respirar.

— Por quê?

As feições de Felipe endureceram, como se achasse que eu estava fazendo uma pergunta óbvia, e desdenhou: — Você tem uma relação mal resolvida com o Samuel e ainda me pergunta o porquê?

Meu coração deu um forte nó. Ele realmente desconfiava que o filho não era dele?

Segurei a barra do lençol, balbuciando com o rosto pálido: — Eu nunca fiz nada que traísse você.

— Então como você explica que engravidou, mesmo tendo tomado o remédio todas as vezes?

O olhar afiado do homem me deixou completamente sem respostas.

O meu pânico tornou a expressão de Felipe ainda mais assustadora: — Os trâmites do divórcio ainda não foram concluídos. Não pense que vai carregar o título de senhora para dar luz ao filho de outro homem.

Dizendo isso, ele jogou o papel do exame na lixeira, com um tom de aversão: — Vou pedir para o médico preparar a cirurgia.

Em seguida, ele se levantou e saiu, recusando-se a continuar conversando.

Pouco depois, algumas enfermeiras entraram empurrando uma maca. Meu coração deu um salto e, por puro instinto, protegi a barriga, correndo para fora da cama em pânico: — Eu não vou fazer cirurgia!

Infelizmente, antes que cruzasse a porta, fui bloqueada pelas enfermeiras no corredor.

Meu corpo inteiro ficou tenso ao limite, com o olhar perdido na total falta de esperança: — Vocês não podem fazer isso!

— Quanto dinheiro o Felipe deu para vocês? Eu pago o dobro, por favor, não tirem o meu filho!

Ouvindo o apelo, o médico finalmente falou: — Lívia, nós não recebemos dinheiro de ninguém. Preparar a cirurgia é para o seu próprio bem!

— Devido ao uso prolongado de pílulas anticoncepcionais ao longo desses anos, os efeitos colaterais provocaram uma má-formação no feto. Esse bebê já não tem batimentos cardíacos!

Capítulo 9

As palavras do médico ecoaram como um trovão na minha mente, e meu coração parou por alguns segundos.

De repente, como se tivessem drenado todas as minhas forças, minhas mãos cerradas caíram sem vida ao lado do corpo.

As enfermeiras ampararam aquela figura que parecia um fantoche articulado para dentro da sala de cirurgia. Foi somente quando a iluminação forte do teto se acendeu que meus olhos vazios esboçaram alguma reação.

— Doutor, vai doer?

O médico consolou: — Não vai. Aplicamos a anestesia e você vai acordar quando tudo tiver terminado.

Meu olhar continuava sem brilho: — Eu estava perguntando sobre o bebê.

O líquido frio foi injetado nas minhas veias e, momentos depois, senti como se algo estivesse deixando o meu corpo.

Não havia sensibilidade física, mas uma dor fria semelhante à separação da própria carne se espalhou pelas extremidades. As lágrimas escorreram pelo canto dos meus olhos, misturando-se aos meus cabelos escuros.

No fim das contas, eu não consegui guardar nada para mim.

...

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