Dito isso, ela fechou a porta com força.
— ...Mãe — sussurrei, mas não tive coragem de bater novamente.
Do lado de fora do prédio, a neve que havia estiado voltou a dançar com o vento, entrando pela janela do corredor e pousando na minha mão, demorando para derreter.
Por um momento, não soube dizer se a neve era mais fria ou se eu estava mais fria.
Afastei-me olhando para trás a cada passo. O vento frio soprava em rajadas, e o cruzamento estava quase deserto.
O sinal verde acendeu, e avancei sem prestar atenção.
As vozes de Felipe e da minha mãe se cruzavam na minha mente, confundindo meus pensamentos, fazendo com que meu corpo parecesse ficar dormente aos poucos...
Quando percebi o perigo, já estava paralisada no meio da avenida.
Sentia como se tivessem despejado cimento ao meu redor. Por mais esforço que fizesse, não conseguia me mover e nem sequer emitir som para pedir ajuda!
— Bi, bi!
Os carros buzinavam com pressa.
Olhei aterrorizada para o semáforo logo adiante. O sinal verde havia entrado na contagem regressiva de cinco segundos!
5, 4, 3, 2, 1!
O sinal vermelho acendeu.
— Biiiiii!
Um imenso caminhão que fazia a curva buzinou de forma estridente, avançando diretamente na minha direção...
Capítulo 6
O veículo avançava em alta velocidade. O suor frio escorria, mas eu continuava incapaz de me mover.
No instante em que achei que perderia a vida naquele lugar...
— Liv!
O grito familiar veio acompanhado do som estridente de pneus cantando no asfalto. Fui envolvida por braços fortes e arremessada junto com ele em direção ao canteiro da calçada, enquanto o caminhão passava rugindo bem ao nosso lado!
Os batimentos cardíacos violentos pareceram romper a paralisia, devolvendo-me os sentidos. Finalmente consegui me mover, embora minhas pernas não parassem de tremer.
Em vinte e seis anos de vida, nunca estive tão perto da morte.
Ergui a cabeça devagar e encontrei o olhar tenso de Samuel: — Você se machucou? Deixe-me ajudar você a se levantar.
Depois de ser amparada, recuperei a calma aos poucos e agradeci ainda assustada: — Obrigada, Sam... Você veio visitar sua avó?
Eles moravam no mesmo bairro quando crianças, as famílias se conheciam.
— Sim, hoje não estou de plantão.
Após uma breve pausa, Samuel mudou o tom da conversa: — Você ainda não pretende aceitar o tratamento? Se a situação de agora há pouco se repetir, você não terá uma segunda chance de sobreviver.
Meu olhar escureceu: — Eu...
Deixando o consolo de lado, eu sabia perfeitamente que a Esclerose Lateral Amiotrófica era praticamente incurável. O tratamento servia apenas para retardar o avanço da doença, mas o preço a pagar seria abortar o bebê no meu ventre.
Levei a mão ao abdômen por puro instinto, com os olhos avermelhados repletos de angústia.
Eu queria viver, mas queria ainda mais proteger essa pequena vida que havia chegado com tanta dificuldade.
Samuel olhou para a minha mão sobre o ventre e não conteve a pergunta: — E o Felipe? Qual a opinião dele? Ele simplesmente não vai se importar com você?
Ao ouvir aquela pergunta, meu olhar estremeceu.
Ninguém sabia sobre o real estado do meu casamento com Felipe.
Depois de um longo silêncio, forcei um sorriso: — Vá resolver seus assuntos. Eu tenho um compromisso e preciso ir.
Dito isso, apressei o passo para sair dali, com medo de continuar sendo questionada.
Olhando para a silhueta magra da mulher se distanciando, as mãos de Samuel se fecharam lentamente.
...
Nos dias seguintes, Felipe não voltou para casa e nem sequer interveio para esclarecer os boatos.
Mais e mais comentários ofensivos se espalhavam pelos grupos da escola, e minha suspensão foi prorrogada por tempo indeterminado.
Caiu a noite.
No quarto completamente vazio, sobre a mesa estavam os medicamentos que foram abertos várias vezes, mas nunca ingeridos. Fiquei sentada na cama abraçando os joelhos, perdida em pensamentos.
Não ousava dormir, pois meus sonhos eram povoados pelas silhuetas de Felipe e da minha mãe indo embora de forma implacável.
A ardência nos meus olhos se transformou em um inchaço gradual, e escondi o rosto para ocultar minha fragilidade.
De repente, o som da porta abrindo veio do andar de baixo.
Ergui a cabeça abruptamente. Felipe havia voltado?
Limpei as lágrimas dos olhos e desci correndo imediatamente.
Assim que cheguei ao fim da escada, vi Mirella amparando e praticamente carregando Felipe, que exalava um forte odor de álcool, até o sofá.
Ela falava com uma intimidade explícita, como se eu não estivesse ali: — Da próxima vez, não precisa beber tanto por mim. Com você ao meu lado, não importa se eu ficar bêbada.
Ouvindo aquilo, senti meu coração ser perfurado.
Não consegui mais me conter. Apertei as mãos e caminhei até o sofá: — Obrigada por trazer meu marido de volta. Eu cuido dele a partir daqui.
Ao ouvir a frase, Mirella se endireitou e jogou o cabelo para o lado de forma intencional.
Sob a luz da sala, o brilho do anel entre os dedos dela fez meu rosto empalidecer.
Não pude deixar de lembrar do anel que havia sido entregue na minha casa naquele dia. Felipe havia pedido Mirella em casamento? Mas eles ainda não haviam se divorciado.
Diante da situação, Mirella sorriu e soltou uma frase carregada de desprezo: — Fica por sua conta então, Lívia.
Dito isso, ela se virou e foi embora.
A casa rapidamente ficou em silêncio, restando apenas os dois.
Contive a frustração provocada por Mirella e me aproximei para tentar levar Felipe para o quarto.
Assim que nossas mãos se tocaram, ele segurou meu pulso com força.
— Felipe...
Antes que eu pudesse decifrar a expressão do homem, fui empurrada contra o sofá, e seu corpo quente como fogo me pressionou contra o tecido.
Beijos ardentes começaram a cair como chuva, subindo pelo meu pescoço até cobrirem meus lábios.
O toque sutil misturado ao aroma intenso de rum penetrou na minha mente através da pele, fazendo-me ceder aos poucos.
Mas, lembrando-me de Mirella, que acabara de sair, meu coração se apertou bruscamente.
Em quatro anos, não importava o quão entregues estivéssemos, Felipe nunca havia me beijado nos lábios.
Será que ele estava me confundindo com a Mirella?
Suportando a dor amarga no fundo do peito, virei o rosto para respirar: — Eu sou a Lívia.
Os movimentos de Felipe hesitaram por um instante, e sua voz soou rouca: — Eu sei.
Capítulo 7
Fiquei paralisada.
Assim que senti minha cintura ser envolvida, despertei com um sobressalto e, protegendo o abdômen, empurrei Felipe por puro instinto.
Diante de seu olhar congelante, encarei aqueles olhos profundos e ardentes como fogo, explicando com a voz trêmula: — Eu não estou bem, inclusive fui ao hospital. Podemos esperar um pouco com isso?
O olhar de Felipe escureceu. Lívia nunca o havia recusado antes.
Bastou uma ida ao hospital para ela não o querer mais?
A mão que envolvia minha cintura subitamente deslizou para baixo. Seus dedos longos e quentes provocaram e acenderam um fogo sem a menor cerimônia, fazendo-me erguer o pescoço e soltar um gemido baixo involuntariamente.
— Não está bem?
O homem de repente retirou os dedos úmidos, inclinou-se para morder levemente a ponta da minha orelha e perguntou em tom de deboche e intimidade: — A professora Lívia também aprendeu a fazer joguinhos de sedução?
Seu olhar tornou-se cada vez mais ousado, tomado pelo desejo como um lobo, demonstrando uma imposição impossível de resistir.
E eu era a presa que ele estava determinado a devorar esta noite.
As roupas foram sendo retiradas, e os lábios dele deixavam cada vez mais marcas na minha clavícula.
Minha respiração ficou trêmula, e minhas mãos apoiadas nos ombros de Felipe se fecharam lentamente.
Eu não entendia o motivo de Felipe estar tão faminto esta noite.
Eu não tinha como escapar.
Mas eu não podia, de forma alguma, prejudicar o bebê...
No segundo seguinte, encarei o olhar predador de Felipe, ergui as pernas e girei o corpo, sentando-me de frente sobre o colo do homem.
Ergui meus olhos úmidos e avermelhados, lançando um olhar sedutor enquanto manhava: — Querido, desta vez eu quero estar no controle.
Do lado de fora da janela, a neve caía em silêncio.
Do lado de dentro, na imensa sala de estar, ouviam-se apenas duas respirações pesadas.
Esforcei-me para desenhar na mente a imagem de Felipe me amando. Baixei a cabeça imitando os gestos dele, beijando seu pomo de Adão e descendo o caminho.
A provocação ingênua quebrou pela primeira vez a posição tradicional de domínio de Felipe, e ele, com certa urgência, arqueou o corpo para me beijar.
No entanto, sob a iluminação da sala, ele notou meus olhos cheios de lágrimas, e minhas feições delicadas transbordavam uma profunda dor.
O fogo que se concentrava em seu abdômen foi subitamente apagado.
Após um breve silêncio, Felipe me empurrou para o lado e, com o rosto fechado, abotoou os botões da camisa.
Caída sentada no sofá, olhei para ele perplexa: — Você...