Meu coração deu um forte nó. Todas as palavras que eu queria dizer travaram na garganta, e só consegui perguntar com cautela: — Você pode vir para casa hoje à noite? Preciso conversar com você.
— Se não for algo importante, fale agora. Estou muito ocupado.
Percebendo sua impaciência, apressei o ritmo da minha fala por puro instinto: — Eu fui ao hospital hoje...
Antes que pudesse terminar, fui interrompida pela voz de Mirella através do celular: — Já terminei de me trocar, Felipe. Vamos?
Logo em seguida, a chamada foi encerrada.
Fiquei olhando para a tela escura do celular enquanto lágrimas grossas começavam a descer.
Mas, assim como a neve que caía, foi um choro solitário e silencioso.
...
No dia seguinte.
Fui para a escola com o rosto visivelmente exausto, mas, assim que cruzei os portões, senti inúmeros olhares estranhos sobre mim. Ao entrar na sala dos professores, o deboche ficou ainda mais evidente: — Fiquei sabendo? As fotos da professora Lívia tentando dar o golpe do baú ontem à noite e sendo rejeitada já viralizaram nos grupos de professores e alunos!
— Já se passou a noite inteira e ela não deu nenhuma explicação. Pelo visto, a história do golpe é verdadeira. A Lívia sempre pareceu tão pura e gentil, quem diria que seria uma alpinista social sem nenhuma ética profissional!
Fiquei cada vez mais alarmada. Desde que terminei a ligação com Felipe na noite anterior, não tinha olhado mais para o celular.
Peguei o aparelho depressa e abri o grupo da escola. Havia centenas de mensagens, a maioria delas com questionamentos dos alunos e críticas dos professores.
Ao rolar até o topo, vi a foto de ontem à noite, quando caí perto do carro de Felipe. Quem tirou a foto evitou mostrar o rosto dele, foi claramente um flagrante armado!
Nesse momento, o diretor surgiu com o semblante fechado e começou a gritar sem me dar chance de defesa: — Lívia, eu achava que você era uma pessoa sensata. Como pôde fazer uma idiotice dessas? Você jogou a reputação desta escola na lama!
Tentei balançar a cabeça e explicar: — Isso é um mal-entendido...
O diretor acenou com a mão de forma impaciente: — Chega, não precisa se justificar. Você está suspensa, vá para casa e reflita sobre o que fez!
Pouco depois, fui expulsa da escola.
Na verdade, acabar com os boatos seria muito simples, bastava Felipe intervir.
Olhei repetidamente para aquela foto com um misto de agonia no rosto e liguei para ele.
— Tu...
A ligação chamou uma única vez e foi rejeitada. Engoli a tristeza e tentei de novo.
Ao tentar pela segunda vez, o aparelho já havia sido desligado.
A última dose de paciência que Felipe tinha comigo provavelmente se esgotou na ligação de ontem à noite.
Eu deveria aceitar e assinar o divórcio?
Parecia que eu nem sequer tinha o direito de escolha...
Caminhei sem rumo de volta para casa e percebi que a porta estava aberta.
Antes que minha mente pudesse processar, meu corpo correu para dentro!
No sofá, além de Felipe, que deveria estar na empresa, estava sentada na sua frente... minha mãe, a quem eu não via há quatro anos!
Olhando para aquele rosto familiar, mas consideravelmente mais envelhecido, meus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente.
— Mãe...
Avancei trêmula, mas, antes que pudesse expressar a saudade, minha mãe se levantou bruscamente, caminhou na minha direção e me deu um tapa no rosto!
— Ploft!
Meu rosto foi virado com a força do golpe, enquanto ouvia o grito furioso dela: — Sem-vergonha! Você é uma professora, além de ser uma mulher casada. Como pôde fazer algo tão degradante como tentar dar o golpe do baú em um ricaço?
As ofensas afiadas perfuraram meu peito. Segurei minha bochecha ardendo: — Mãe, as coisas não são como a senhora está pensando!
Dito isso, olhei depressa para Felipe com os olhos vermelhos cheios de expectativa: — Felipe, alguém tirou uma foto nossa no portão da escola ontem à noite para criar boatos. Por favor, explique para a minha mãe!
No entanto, Felipe permaneceu imóvel.
— Felipe?
Meu coração congelou. Antes que eu pudesse me recuperar do constrangimento, fui puxada com força pela minha mãe, caindo de joelhos com um estrondo no chão!
Em seguida, a voz implacável da minha mãe ecoou pela sala.
— A Lívia envergonhou a família. Por favor, senhor Felipe, coloque essa mulher para fora de casa!
Capítulo 5
Olhei para a minha mãe sem conseguir acreditar. As lágrimas giravam nos meus olhos, mas não conseguiam cair.
Como as coisas haviam chegado a esse ponto?
Claramente, quando eu era criança... se caísse caminhando, sentisse medo à noite ou fosse maltratada por outras crianças, minha mãe sempre me acolhia nos braços e me consolava com doçura.
Nunca senti de forma tão nítida quanto agora — minha mãe não me queria mais.
Com as mãos trêmulas, puxei a barra do vestido dela, engolindo a seco com dificuldade: — Mãe, eu...
Antes que terminasse a frase, Felipe finalmente falou: — Lívia, venha comigo até o escritório.
Dizendo isso, o homem se levantou, emanando a elegância e a altivez que lhe eram naturais em cada gesto, mas o olhar que me lançou trazia uma indiferença que afastava qualquer um.
Baixei os olhos e me levantei com esforço.
Minha mãe continuava a me ignorar. Não tive escolha a não ser seguir Felipe escada acima e, no instante em que pisei no primeiro degrau, ouvi uma frase complexa vinda de trás: — Lívia, não continue errando!
Ao ouvir aquilo, minha mão estendida ao lado do corpo se fechou lentamente.
Respirei fundo antes de continuar a subir.
No escritório.
Felipe pegou em uma prateleira um documento e uma caneta que já estavam preparados, estendendo-os diante de mim: — Assine. Vamos terminar isso em paz.
Olhei para o papel. As palavras "Acordo de Divórcio" saltaram aos meus olhos, destruindo a última gota de lucidez que me restava.
Encarei Felipe abruptamente, questionando-o com firmeza pela primeira vez: — Por que você se recusou a explicar agora há pouco?
Bastava uma única palavra dele. Era tão difícil assim?
No entanto, Felipe apenas respondeu com frieza: — Não perco tempo com assuntos sem importância. Mas você pode usar isso como uma exigência para o divórcio, e talvez eu resolva esse problema para você.
Aquelas palavras jogadas na minha cara doeram mais do que o tapa da minha mãe.
Minhas unhas se cravaram na carne, mas não consegui conter o tremor: — Se eu aceitar isso, não estarei fazendo exatamente como você, transformando o casamento em um negócio?
A frase pareceu atingir o ponto fraco de Felipe: — Diante do que você fez, que direito você tem de me criticar?
O que eu fiz?
Durante os quatro anos de casamento, a única coisa que fiz não foi simplesmente amá-lo?
Olhei para os olhos profundos e indecifráveis de Felipe, sentindo apenas uma imensa melancolia: — Eu nunca te pedi nada. Só queria que você esclarecesse as coisas esta única vez, e mesmo assim precisa impor condições?
Infelizmente, o apelo não fez Felipe mudar de ideia.
Ele se aproximou: — Em quatro anos de casamento, com exceção do status público, eu te dei tudo. Foi você quem quis manter o orgulho e recusou. Agora vai culpar a quem?
Cada palavra era como uma lâmina em brasa cravada no meu coração, estraçalhando meu orgulho pelo chão.
Eu não queria bens materiais apenas porque não queria que ele pensasse erroneamente que eu estava com ele por dinheiro.
Esse sentimento cultivado com tanto zelo agora só merecia ser chamado de "falso orgulho"?
Ao ver o brilho dos meus olhos desaparecer aos poucos, Felipe sentiu uma irritação repentina surgir no peito: — Pense bem.
Dito isso, ele saiu sem olhar para trás.
O som dos passos foi se distanciando, e apertei o acordo contra o peito, incapaz de afastar a solidão.
Depois de me esforçar por quatro anos, no fim, fiquei de mãos vazias.
A única coisa que me restava fazer era devolver a liberdade ao homem que eu amava... Existia alguém mais ridícula do que eu neste mundo?
Assinei o papel e desci.
Mas a sala de estar já estava completamente vazia.
Não permaneci ali. Saí de casa e me dirigi depressa para a residência da minha família. Eu precisava explicar a verdade sobre os boatos para a minha mãe.
Com o coração apertado durante todo o trajeto, cheguei arfando à porta. Diante daquela estrutura de ferro enferrujada, senti uma súbita hesitação.
Afinal, nesses quatro anos, vim aqui em todas as datas comemorativas, mas nunca consegui que a porta fosse aberta.
Desta vez, ela abriria?
— Toque, toque...
Assim que bati, no segundo seguinte a porta foi aberta por dentro.
Fiquei olhando paralisada para a minha mãe, com a mente travada, sem saber como começar a falar.
Para minha surpresa, minha mãe estendeu a mão na minha direção: — Onde está a certidão de divórcio?
Fiquei rígida, com a garganta travada: — Mãe...
Ao me ver completamente sem ação, um traço de compaixão surgiu nos olhos da minha mãe, mas logo seu rosto voltou a exibir uma postura rígida e severa: — Só volte a me chamar de mãe quando tiver se divorciado do Felipe!