《Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli》Capítulo 44

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Point of View — Ana Gabriela

Quando chegamos ao hotel, um silêncio pesado pairava no ar. Cada um foi para seu quarto arrumar as malas. Já era tarde, e amanhã cedo partiríamos. Era quase como se estivéssemos sendo expulsos do país.

Fiquei no hall, pensando no que fazer. Não era nada fácil ver os meninos tristes daquele jeito. Meu olhar encontrou Amanda entrando; ela me viu e correu para me abraçar.

— Vim impedir você de se matar por causa desse jogo — disse ela. — Daqui quatro anos a gente tenta de novo…

— Eu tô bem — mexi os ombros. — Só queria animar os meninos.

— Os meninos ou o Martinelli?

— Os meninos, idiota… Aliás, seu querido Pedro bateu super bem o pênalti, fiz nota mental de te contar.

— Vi pela TV, eita, como é lindo — sorriu. — Mas acho melhor deixar os meninos quietos.

Concordei e subi para meu quarto com Amanda. No caminho, ela desviou para o quarto de Vinícius; nem quis saber o que rolava lá.

Ao chegar na porta do meu quarto, fui surpreendida: Gabriel estava ali.

— Por que demorou a subir? — ele sussurrou.

— Estava tentando pensar em uma forma de animar vocês… — abri a porta. — Não pensei em nada… Mas o que você quer?

— Quero ficar com você… só sentir sua presença — disse.

— Tá bom, entra aí. Preciso arrumar minhas coisas.

Ele entrou e se jogou na cama enquanto eu arrumava tudo. O resto da noite se resumiu a isso: eu arrumando minhas coisas, deitada com Gabriel, esperando ele dormir antes de fechar os olhos.

No dia seguinte, fomos acordados por Neymar. Não houve piadinhas sobre eu e Gabriel no mesmo quarto; ele só avisou que tínhamos uma hora antes do aeroporto.

Gabriel foi para seu quarto e eu fiz tudo que precisava para descer com as malas e tomar café. Então seguimos para o aeroporto.

No carro, fui com Antony e Gabriel. Antony encostou no meu ombro, Gabriel na janela, cabeça baixa. Queria chorar — essa despedida era triste demais. Eu havia vivido semanas inesquecíveis.

No aeroporto, embarcamos; dessa vez fui com Paquetá e Richarlison. Amanda estava nos fundos do avião com Vinícius e Neymar.

Horas de voo depois, chegaríamos a Turim e de lá pegaríamos outro avião para casa. Gabriel me mandou mensagem confirmando nossas passagens.

— Ei — cutuquei Paquetá. — Obrigada por tudo…

— Estamos pousando e você já se despede? — brincou. — Não inventa de chorar. Agora eu e Duda te adotamos filha; na primeira oportunidade estarei na sua porta com Benício e Filippo.

Ri e o abracei, desajeitada. O avião pousou.

— Não esquece de continuar resolvendo esses problemas com o Martinelli — disse ele.

— Já estamos nos resolvendo… Acho que vou ter que contar sobre ele na terapia. — Paquetá riu.

Todos começaram a descer. Agarrei a mão de Paquetá e descemos. Choradeira e despedidas mil.

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Caminhei até Amanda, que estava agarrada a Vinícius.

— Explicação rápida, por favor — pedi sorrindo.

— Eu falei que tava apaixonado pela ruiva — defendeu-se Vini.

— Ele infla meu ego, gostei — Amanda riu. — Vou passar duas semanas em Madrid com ele, depois vejo você em Londres.

— Tudo bem — ri fraco.

— Espero que até lá o Martinelli já tenha feito você gritar horrores o nome dele na cama — ela falou e eu ri.

— EU OUVI ISSO! — Neymar gritou. — Que indecência, vou chamar o Pedro.

— Deixa o Pedro quieto — Amanda ameaçou jogar a mala nele.

Despedi-me de Vini e Amanda, depois do resto do time, lembrando de me agarrar muito em Paquetá. Cada um aguardou seu voo. Infelizmente, o meu para Londres foi o primeiro.

— Você tá bem? — Gabriel perguntou finalmente. — Não quis falar sobre isso…

— Não tem muito o que falar, Gabriel. Todo mundo tá triste. Agora o foco é voltar para Londres e ganhar campeonato pelo Arsenal…

— Você pretende, talvez… assim — ele me olhou — esquecer sua função de fisioterapeuta do Arsenal e torcer para mim no estádio como torcedora normal? Tipo no Catar…

— Você quer me ver torcendo por você, Martinelli? — sorri, encarando-o. Amei o jeitinho dele.

— De verdade? — ele sorriu de lado. — É tudo que mais quero: ver você com minha camisa, rosto pintado, gritando feito louca…

Ri alto.

— Fechado… mas quando for ao estádio, vou querer um gol seu.

— Pra você, até dois, amor — ele mordeu o lábio com cuidado.

— Não vale gol de pênalti…

— Vou fazer gol digno de Copa pra você, estilo do pombo. Pode anotar…

Sorri e concordei. Talvez algo diferente estivesse mesmo acontecendo ali.

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continua...

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