《Amor de Infância, Destino de Adulto-Gabriel Martinelli》Capítulo 36

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choquei

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Clique exclusivo! Após a derrota do Brasil para a seleção de Camarões o nosso querido jogador Gabriel Martinelli foi flagrado sendo consolado no banco de reservas pela assistente de fisioterapeuta da seleção Ana Macedo.Sim! A mesma Ana Macedo que há pouco mais de uma semana teve um envolvimento com Antony que resultou no fim do relacionamento da garota com o jogador Higor do Palmeiras.Eis a questão: Gabriel Martinelli não namorava?Não sabemos qual é a intenção dela, mas sabemos que ela está sendo muito bem servida na seleção, Antony, Gabriel Martinelli, quem será o próximo da lista?

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Point of View — Ana Gabriela

Eu li a notícia.

E, no mesmo instante, bloqueei o celular.

Não queria pensar sobre aquilo agora.

Fiquei do lado de fora do estádio, esperando o Gabriel. No fim, só tínhamos ficado nós três ali: eu, ele… e o Lorenzo.

O pequeno tinha decidido que não sairia de perto do "tio" até ele ficar feliz de novo.

E, pela primeira vez, o Antony não discutiu.

Só aceitou.

Depois de alguns minutos, restava apenas um carro da CBF para nos levar de volta ao hotel.

O silêncio era pesado.

Demorado.

Até que o Gabriel apareceu.

Sem falar nada, ele veio direto até mim e pegou o Lorenzo dos meus braços.

— Bora.

Entrou no carro.

Eu fui logo atrás.

O Lorenzo se ajeitou no colo dele, todo confortável.

— Tá feliz? — perguntou, com um sorriso inocente.

O Gabriel soltou um suspiro, cansado… mas acabou sorrindo de lado.

— Dá um abraço no tio pra ele ficar feliz.

O pequeno nem pensou duas vezes.

Se jogou nele.

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Eu ri, baixo.

O caminho até o hotel foi tranquilo.

Silencioso, mas leve de um jeito diferente.

Quando chegamos, os meninos já estavam tentando melhorar o clima. Risadas baixas, comentários soltos… uma tentativa coletiva de não deixar o peso daquele jogo tomar conta.

— Bora pra piscina! — o Richarlison chamou.

— Vou me trocar e desço com ele — Gabriel respondeu, ajeitando o Lorenzo. — Tá tranquilo?

Assenti.

Cada um seguiu para o próprio quarto.

Quando abri a porta do meu… dei de cara com a Amanda já lá dentro.

— Demorou, hein.

Soltei uma risada.

— Você tava com o Jesus e vem falar de mim?

— Que Jesus, menina? — ela riu, jogando o cabelo para trás. — Aquilo ali foi só um consolo rápido. Eu conheci o Pedro.

Revirei os olhos, indo até a mala.

— Meu Deus… o Pedro é da igreja, Amanda.

— Igreja? Sei bem que igreja ele é… — ela abriu um sorriso malicioso. — Quero ver esse homem me botar pra rezar na pica dele.

Eu ri, já tirando a roupa para trocar.

— Acho que vou trazer minhas malas pra cá — ela continuou, mexendo nas minhas coisas como se já morasse ali.

— Apoio. Não aguento mais te emprestar roupa porque você nunca tem nada.

Ela me mostrou o dedo do meio, rindo, e começou a se trocar também.

— Quero fazer outra tatuagem — comentei, enquanto colocava o biquíni.

— Eu trouxe as coisas. Tá no meu hotel. Vai ser o quê?

— O escudo do Corinthians. Aqui — apontei para a costela. — Do lado contrário do dragão.

— Sério? Por que não o Flamengo?

Virei o rosto, já entrando no elevador.

— Cala a boca. Eu não fico te forçando a mudar de time, sua puta.

Ela riu.

— Tá bom. A gente faz amanhã. Mas eu não gostei daquela tatuagem na bunda.

— Só porque não foi você que fez?

— Exatamente.

Chegamos na área da piscina.

O clima… estava melhor.

Não perfeito.

Mas melhor.

Alguns estavam dentro da água, outros espalhados pelas espreguiçadeiras, conversando baixo. Era aquele tipo de pós-jogo em que ninguém queria falar muito sobre o que aconteceu.

Meus olhos foram direto para o Lucas Paquetá, que brincava com os filhos.

Sem pensar duas vezes, passei por ele… e peguei as crianças.

— Ladra de filhos! — ele reclamou, rindo.

— Passa pro meu nome — respondi, já me afastando.

Sentei no chão com eles.

Brincando.

Rindo.

Eu gostava daquilo.

De verdade.

— Querem jogar bola?

Levantei o olhar.

O Gabriel.

Atrás dele, o Neymar, o Antony, o Lorenzo e o Davi Lucca.

— Pode, tia? — o Bê perguntou.

— Pode. Mas eu vou junto. Se vocês se machucarem, o Lucas me mata.

Peguei os dois no colo e fomos para uma quadra que tinha ali perto.

O jogo começou… e virou bagunça em segundos.

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Gabriel, Antony e Neymar simplesmente destruíam as crianças.

Chapéu.

Caneta.

Drible.

Sem dó.

— Chega aí, Ana! — Neymar chamou. — O Martinelli vai te ensinar altinha.

Fiz uma careta.

— Sou péssima nisso.

— VAI, TIAAA! — as crianças gritaram.

Suspirei, rindo, e levantei.

— Eu jogo a bola — Antony disse, já se posicionando.

O Gabriel se aproximou.

Mais perto do que o necessário.

— Foca aqui — ele disse, apontando pro próprio pé. — Calcanhar, joelho, peito… ponta do pé. Nunca em você. Sempre pra cima e pra frente.

Assenti.

— A teoria eu entendi.

— Então vai.

A bola veio.

Eu tentei.

Errei.

A bola subiu descontrolada, vindo direto na minha direção.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa… senti a mão dele na minha cintura.

Firme.

Me puxando levemente para o lado.

No mesmo movimento, ele dominou a bola e devolveu pro Antony, como se fosse nada.

Ele riu.

Eu fiquei em silêncio.

Aos poucos, formamos uma roda.

E toda vez que a bola vinha na minha direção… ele estava lá.

Disfarçando.

Corrigindo.

Me salvando.

As crianças começaram a gritar, fazendo torcida pra mim.

Depois de alguns minutos — e muita humilhação — eu desisti.

Voltamos pra piscina.

Cansados.

Rindo.

As crianças se jogaram na água, enquanto eu me sentava na beira.

Foi quando senti uma mão segurar meu braço.

Virei o rosto.

Era ele.

— Preciso te falar uma coisa.

— Fala.

— Cachaça!

O Neymar passou por nós, entregando uma latinha de cerveja, como se estivesse resolvendo todos os problemas do mundo.

Abri a lata.

E olhei de volta pro Gabriel.

Ele desviou o olhar por um segundo.

Respirou fundo.

— Eu terminei com a Isa…

Meu cérebro demorou um segundo a processar.

Dois anos.

Quase dois anos juntos.

Aquilo não fazia sentido.

Fiquei em silêncio, encarando ele.

— Na verdade… — ele coçou a nuca, desconfortável. — ela terminou comigo. Dá na mesma.

Eu segurei a lata entre os dedos.

— Sinto muito. Eu sei que ela era importante pra você.

Ele assentiu.

Olhando pra frente.

— Amigos na fossa… — falei, tentando aliviar. — Isso é meio poético.

Ele soltou uma risada baixa.

Sem humor.

— É…

Abriu a latinha.

— Amigos.

Mas o jeito que ele falou…

Não parecia só isso.

E, pela primeira vez…

Eu não tive certeza se queria que fosse.

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